segunda-feira, 8 de agosto de 2011

ANIVERSÁRIO!


A aventura iniciou-se às 17 horas e 8 minutos do dia 8 de Agosto de 2009. Faz precisamente hoje dois anos que Karate-do.pt está na blogosfera...

Dois anos em que foram colocados 315 posts os quais obtiveram 373 comentários.

29.241 visualizações e 36 seguidores, a última das quais desde ontem, do Brasil, Jornalista por profissão e Karateka por eterna vocação... visualizações essas provenientes de 46 países.

Páginas de artigos consultadas 109 vezes e de comunicações científicas 524 vezes.

O post mais visualizado, "O País que temos... ou o País que somos!", obteve 384 visitas.

Aos que só leram ou consultaram, aos que comentaram e aos que divulgaram, aos que aplaudiram e aos que detestaram, os meus agradecimentos.

Por isso mesmo, e como este blog tem "sido",  neste aniversário digo como Pablo Neruda: ! 


Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.


Um abraço cordial para todos!
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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Tenho vergonha de mim!

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Podia ser um português, mas não é! É um brasileiro que desabafa a sua indignação em língua bem lusitana.


Haverá algum português capaz de assumir uma posição semelhante?

Os meus agradecimentos ao Hélio Ramos, Açoreano de gema, por me ter enviado este vídeo!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Desporto no feminino - Maria José Carvalho

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Ao navegar pela internet, chamou-me a atenção há uns dias um título de uma das apresentações do célebre Congresso do Desporto: "REFORMA DO SISTEMA DESPORTIVO: Dos Moicanos ao Harry Potter; da Invenção do Cronómetro ao Cyber-Robot." Curiosidade activada, power point passado a fino...

Apresentação feita a 10 de Dezembro de 2006 por uma Mulher que abre a dizer que "há mais de 20 anos que participo, passiva e activamente em sessões públicas deste cariz. Resultados práticos..?? Poucos...!!" para continuar afirmando  que não "caíu de pára-quedas no sistema desportivo", que "o futuro é hoje" e que cita John Lennon: a vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro”.

Ex-praticante de voleibol e de andebol, tendo nesta modalidade sido campeã nacional, internacional A com cerca de 95 internacionalizações, e tendo participado em diversos Campeonatos do Mundo (1980 a 1994), Maria José Carvalho é Licenciada em Educação Física, Licenciada em Direito, Mestre em Gestão Desportiva, possui uma uma Pós-Graduação em Direito do Desporto e em 2007 concluíu o seu Doutoramento em Ciências do Desporto (Gestão Desportiva). Para além de dirigir o Gabinete de Gestão Desportiva da FADEUP, Maria José Carvalho ainda tem tempo, além da vida familiar, para se ocupar com a advocacia.    


Esta introdução serve pura e simplesmente para demonstrar que a par de uma vida profissional e familiar é possível atingirmos os nossos objectivos: é uma questão de gestão de tempo, é uma questão de opções, é uma questão de sacrifícios e também de força de vontade e de apoio familiar. Mas não desejando apresentar aqui nenhum currículum, aquilo que pretendo realçar é o tema da Tese de Doutoramento (2007) da Prof.ª Maria José: "Os Elementos Estruturantes do Regime Jurídico do Desporto Profissional em Portugal". Assunto com que muitos de nós pouco se preocupa e daí não percebermos porque Figo se passou do Barcelona para o Atlético de Madrid ou porque André Villas-Boas foi para o Chelsea... Confesso que não li a Tese, mas sei que existe um desporto profissional!

Logo no início de "Estado e Desporto Profissional: Relação Política e Regulativa" (1) a Prof.ª Maria José revela-nos que "o desporto goza de uma omnipresença e de uma omnipotência invulgares nos dias de hoje, sendo abusivo e incorrecto evidenciar e, sobretudo, superlativar uma das suas formas de expressão em detrimento de outras". Donde podemos inferir que há portanto várias formas de expressão do desporto, as nomenclaturas é que por vezes são diferentes (arte marcial, desporto de combate, etc.), mas que são Desporto.

Neste texto a autora percorre a história do desporto amador ao desporto profissional, aborda conceitos jurídico-desportivos e realça que o Direito não se reporta ao desporto profisisonal em si, mas sim às competições desportivas profissionais. Não temos nós no Karaté treinadores que são autênticos profissionais?

Da relação política passa para a relação legislativa (esta apresentada cronologicamente), mas o seu epílogo é fenomenal de onde transcrevemos o seguinte:

"Não podemos menosprezar a relevância da actividade económica e social e a peculiar lógica empresarial do desporto profissional, traduzidas principalmente no volume de negócios, de empregos e de fluxos turísticos." Mediante esta afirmação, talvez percebamos um pouco melhor por que motivos o Karaté nunca irá chegar a uns Jogos Olímpicos...

Continuando a transcrição: "Também não podemos olvidar o facto da prática desportiva profissional constituir um modelo, um referencial, para o bem e para o mal, do panorama desportivo nacional ." E aqui temos outro busílis da questão: até 2007 nunca foram detectados casos positivos de doping no Karaté... Processos disciplinares poucos... não por não haver indisciplina...

Mas o último parágrafo merece ser citado. "Contudo, é tempo de se proceder ao balanço deste intervencionismo, reflectir sobre a sua oportunidade e eficácia, sobre os seus pontos fortes e fracos, as suas ameaças e oportunidades, no fundo efectuar a reflexão e o debate público em torno da problemática do desporto profissional. Poderia ter sido o Congresso do Desporto, realizado entre 12 de Dezembro de 2005 e 18 de Fevereriro de 2006, o palco de excelência para o confronto de ideias e confluência de estratégias políticas, públicas e privadas, um passo importante para o projecto de desenvolvimento do desporto profissional (e aqui eu atrever-me-ia a acrescentar também o desporto amador, o de lazer e o escolar, embora não fosse este o tema a ser tratado na altura pela Prof.ª Maria José). Não o foi! Outros momentos terão de ser agendados e a curto prazo porque «não dar ao desporto (profissional) a devida importância é agir como se fôssemos circunstantes, vivêssemos fora do nosso tempo e ignorássemos a função que lhe pertence na modelação e feitura do mundo, da civilização e das pessoas» (palavras do Prof. Dr. Olímpio Bento)". 

"Outros momentos terão de ser agendados e a curto prazo..." o otimismo da Prof.ª Maria José sempre presente, mas já estamos em 2011...



Nota: negritos da responsabilidade de Karate-Do.pt.

(1) Maria José Carvalho, 2006, "Estado e Desporto Profissional: Relação Política e Regulativa", in J. O. Bento & J. M. Constantino, "O Desporto e o Estado - Ideologias e Práticas", Porto, Ed. Afrontamento.
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Informação do Exm.o Sr. Presidente da Mesa da AG da FNK-P

Do site da FNK-P, transcrevemos com a devida vénia:


Exmas. Associações, Praticantes, Árbitros e Treinadores,

É consabido que por força das alterações introduzidas, pelo DL nº 248-B/2008 de 31 de Dezembro, à Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto (Lei nº 5/2007 de 16 de Janeiro) a FNKP foi obrigada a alterar os seus estatutos de modo a conformá-los com a referida Lei de Bases em vigor.

É, também, consabido que por entendermos que essas alterações não beneficiam a estrutura federativa e a nossa modalidade, resistimos a essa alteração até ao último momento que correspondeu à exigência limite da entidade tutelar.

Na sequência das exigências impostas, a Assembleia Geral da FNKP, reunida extraordinariamente para o efeito, aprovou a alteração dos estatutos de acordo com aquela Lei de Bases.

É minha opinião pessoal e, presumo, de todos ou da maior parte dos agentes e membros da FNKP que esta alteração não acrescenta valor critico à FNKP, não acrescenta maior e melhor democraticidade, sendo até potenciador de confusão, conflitos e burocracia pelo que não auxilia o desenvolvimento da modalidade.

Porém, na qualidade de Presidente da Mesa da AG da FNKP estou obrigado a fazer cumprir os estatutos em vigor.

Assim e para cabal cumprimento do regulamento estatutário em vigor, decidi convocar uma Assembleia Geral eleitoral, com o fim único de eleger os órgãos federativos de acordo com as novas regras, para o próximo dia 17 de Setembro, em hora e local identificado na respectiva convocatória.

Nos termos das novas regras estatutárias, a Assembleia Geral da FNKP é constituída por delegados eleitos de acordo com o seu art.º 15º e 23º.

O acto eleitoral decorrerá nos termos previstos no Regulamento Eleitoral oportunamente aprovado em reunião de Direcção da FNKP.

Nos termos do nº 7 do art.º 4º do citado Regulamento Eleitoral, compete ao Presidente da Mesa da AG convocar e presidir à eleição de delegados dos praticantes, árbitros e treinadores, conforme as regras ali estabelecidas.

Já procedi à subscrição da referida convocatória, estando marcado o acto eleitoral dos delegados para o mesmo dia da AG da FNKP (17/09/2011), a realizar-se na sede da Federação, entre as 10h00 e as 13h00, de acordo com as regras eleitorais estabelecidas no nº 7 e seguintes do art.º 4º daquele regulamento eleitoral.

Chamo a atenção para a necessidade de uma leitura atenta daquele regulamento eleitoral a fim de se proceder de acordo com o ali preceituado, nomeadamente, no que respeita às candidaturas e prazos para o efeito.

Na certeza que todos compreendem as dificuldades que esta nova situação, por força das alterações introduzidas, acarreta e porque se trata de uma forma nova de eleger os órgãos sociais da FNKP, estranha a todos os actos eleitorais até agora realizados, solicito a melhor compreensão, colaboração e disponibilidade de todos os intervenientes para que o acto eleitoral ocorra de modo a servir os melhores interesses da modalidade e da FNKP.

Com as melhores saudações desportivas.

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral da FNKP

ELÍSIO SOUSA
ADVOGADO

Eleições directas para delegados à AG da FNK-P

Do site da FNK-P, transcrevemos com a devida vénia:


ELEIÇÕES DIRECTAS PARA DELEGADOS À ASSEMBLEIA GERAL DA FNKP

CONVOCATÓRIA

Nos termos das competências conferidas pelos Estatutos da FNKP em vigor, e do nº 7 do artº 4º do Regulamento Eleitoral da FNKP, aprovado em Reunião de Direcção em 09 de Novembro de 2010, convoco os praticantes, os árbitros e os treinadores de Karaté, inscritos na FNKP até 31 de Dezembro de 2010 e de acordo com o nº 8, 9 e 10 do artº 4º daquele Regulamento, para eleição dos respectivos delegados efectivos e suplentes à Assembleia Geral da FNKP, a realizar-se em acto eleitoral na sede da Federação Nacional de Karate – Portugal, sita na rua do Cruzeiro, nº 6 – r/c Dto. – Lisboa, entre as 10h00 e as 13h00 do dia 17 de Setembro de 2011.

Lisboa, 2 de Agosto de 2011

O Presidente da Assembleia Geral da FNK-P

Dr. Elísio Sousa

Conselho Geral da FNK-P

Do site da FNK-P, transcrevemos com a devida vénia:


CONSELHO GERAL

CONVOCATÓRIA

Nos termos das competências conferidas pelos Estatutos da FNKP, convoco o Conselho Geral da Federação Nacional de Karate – Portugal, para reunir em sessão extraordinária eleitoral, a realizar no próximo dia 17 de Setembro de 2011, com início às dez horas e encerramento às treze horas, no Comité Olímpico de Portugal, sito na Travessa da Memória nº36 – 1300-403 Lisboa.

ORDEM DE TRABALHOS

Ponto único – Eleição dos delegados, efectivos e suplentes, das associações de praticantes que sejam membros ordinários da Federação Nacional de Karate – Portugal à Assembleia Geral, de entre as listas de candidatos que, nos termos do Regulamento Eleitoral, sejam presentes.

Não comparecendo a maioria simples de associados para que o Conselho Geral possa reunir em primeira convocação, fica desde já convocado o mesmo Conselho Geral para reunir em segunda convocação, no mesmo dia, no mesmo local e com a mesma ordem de trabalhos, meia hora mais tarde, deliberando, então, com qualquer número de delegados presentes.

Lisboa, 2 de Agosto de 2011

O Presidente da Conselho Geral da FNK-P

(João Salgado)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Eleições para a FNK-P

Do site da FNK-P, transcrevemos com a devida vénia:


ASSEMBLEIA GERAL ELEITORAL

CONVOCATÓRIA

Nos termos das competências conferidas pelos Estatutos da FNKP em vigor e de acordo com o Regulamento Eleitoral aprovado em Reunião de Direcção da FNKP em 09 de Novembro de 2010, convoco a Assembleia Geral da Federação Nacional de Karate – Portugal para reunir em sessão extraordinária eleitoral, a realizar no próximo dia 17 de Setembro de 2011, com início às dezasseis horas e encerramento às dezoito horas, no Comité Olímpico de Portugal, sito na Travessa da Memória nº36 – 1300-403 Lisboa.

ORDEM DE TRABALHOS

Ponto único – Eleição dos órgãos sociais da Federação Nacional de Karate – Portugal para o quadriénio 2011/2015.

Não comparecendo a maioria simples de delegados para que a Assembleia Geral possa reunir em primeira
convocação, fica desde já convocado a mesma Assembleia Geral para reunir em segunda convocação, no mesmo dia, no mesmo local e com a mesma ordem de trabalhos, uma hora mais tarde, deliberando, então, com qualquer número de delegados presentes.

Lisboa, 2 de Agosto de 2011

O Presidente da Assembleia Geral da FNK-P

Dr. Elísio Sousa

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A violência na prática desportiva

Uma coisa é a violência na prática desportiva - entre os seus intervenientes diretos - outra coisa é a violência associada ao desporto - entre elementos do público, claques, hooliganismo, etc.,

A existência da primeira é mais condenável que a da segunda (se é que a da segunda pode ser menos condenável!). E é mais condenável se, de facto, o desporto for um campo de valores,,,

O que é certo é que começam a ser cada vez mais divulgados (o que não quer dizer que sejam mais frequentem) os comportamentos de violência entre atletas e jogadores, competidores ou desportistas.

Para os interessados, aqui fica uma listagem dos últimos vídeos em que vale a pena ver alguns animais em acção...

A Bola – 21.Jul.2011 - Paraguai - Venezuela termina com violência (com vídeo)

Record – 22.Jul.2011 - Atletas franceses trocam agressões no meeting do Mónaco (com vídeo) http://www.record.xl.pt/Galerias//interior.aspx?content_id=708690

A Bola – 23.Jul.2011 - Tour 2011: Alberto Contador agride espectador (com vídeo) http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=277394&rss=1

Correio da Manhã – 01.Ago.2011 - Jogador pontapeia árbitro (com vídeo) http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/jogador-pontapeia-arbitro-com-video

Expresso – 02.Ago.2011 - Agressão bárbara em jogo no Brasil (com vídeo) http://aeiou.expresso.pt/agressao-barbara-em-jogo-no-brasil-video=f664566

Record – 02.Ago.2011 - Jogo de basquetebol termina à pancada (com vídeo) http://www.record.xl.pt/multimedia/videos/interior.aspx?content_id=710348

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"Com bom advogado qualquer um se safa"

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Caso César Cielo - FINA arrasa TAS: "Com bom advogado qualquer um se safa".

Da responsabilidade de Duarte Ladeiras, com AFP, transcrevemos na íntegra, com a devida vénia, a notícia publicada ontem no jornal «Diário de Notícias» sobre este controverso caso.




O sucesso de um atleta acusado de doping junto do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) depende do nível do seu advogado e não da infracção de que está acusado. Esta forte crítica ao organismo máximo da justiça desportiva partiu da Federação Internacional de Natação (FINA), que não ficou satisfeita com o desfecho do caso César Cielo.

O brasileiro, campeão olímpico dos 50 metros livres, registou um controlo positivo, por detecção de furosemida, assim como outros três nadadores. Os quarto argumentaram que se tratou de dopagem acidental, por contaminação com furosemida de um suplemento nutricional, de cafeína, que os nadadores tomavam regularmente por prescrição médica. Todos foram punidos pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) com advertência e desclassificação, mas a FINA recorreu. O TAS só alterou a sanção de Vinicius Waked, impondo um ano de suspensão, por ser o segundo positivo da carreira deste nadador. De resto, o organismo máximo da justiça desportiva manteve as advertências.

O director executivo da FINA, Cornel Marculescu, mostrou o seu desagrado pela decisão do TAS. "Se tem um bom advogado qualquer um se safa. Se tem um mau advogado apanha o máximo. Se tiver um bom advogado e uma boa argumentação, consegue influenciar o painel de juízes. A margem é demasiado grande. Considero que é demais", afirmou Marculescu, referindo-se às sanções variáveis introduzidas pelo último código mundial antidopagem: dois a quatro anos de sanção para dopagem grave e intencional; até dois anos para substâncias específicas e doping acidental.

O responsável da FINA garantiu que quer discutir este assunto junto da Agência Mundial Antidopagem, para acabar com as enormes discrepâncias entre casos semelhantes. Marculescu deu como exemplo o caso da nadadora russa Anastasiya Ivanenko, que foi suspensa por dois anos, devido a um teste positivo também por furosemida, em Fevereiro de 2007 (altura em que o novo código antidoping não estava em vigor).

"Não é fácil explicar aos atletas porquê num dia é negro e no outro é branco. Como explicamos que se possa ir de uma simples advertência, que não significa nada, até dois anos pela mesma substância?", vincou Marculescu, considerando normal os assobios, vindos da tribuna dos atletas, quando Cielo ganhou os 50m mariposa no primeiro dias dos Mundiais [ganhou depois também os 50m livres]. "As pessoas estão frustradas."
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O drama que atingiu um dos heróis de Mandela

Mais um caso que reflete a vida futura dos que se dedicaram ao desporto.


Do jornal «Diário de Notícias» de hoje, com a devida vénia, transcrevemos a notícia completa.


Campeão mundial de râguebi em 1995 pela África do Sul - a mítica equipa que cumpriu o sonho de Nelson Mandela - e ex-capitão dos Springboks, sofre de doença degenerativa e tem cinco anos de vida.

Joost van der Westhuizen, ex-internacional dos Springboks, selecção sul-africana de râguebi, campeã mundial em 1995, viu esta semana confirmado por médicos norte-americanos que sofre de uma grave doença neurodegenerativa que lhe dá uma esperança de vida máxima de cinco anos.

Considerado um ídolo do desporto da África do Sul, o ex-capitão, de 40 anos, conta com 89 presenças nos Springboks, em que marcou 38 ensaios e 190 pontos de 1993 a 2003.
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Naoki Matsuda morre após desmaiar em campo

De novo uma morte em campo, com paragem cardiorrespiratória fatal...

Do jornal «Record» de hoje, com a devida vénia, transcrevemos a notícia completa sobre mais este caso de  morte súbita - mais uma entre tantas.


O antigo futebolista internacional japonês Naoki Matsuda, de 34 anos, morreu esta terça-feira devido a uma paragem cardiorrespiratória sofrida durante um treino que estava a realizar num clube da zona de Nagano, indicou a agência noticiosa nipónica Kyodo.

Segundo as informações divulgadas, Matsuda (à direita na foto) chegou inconsciente ao hospital, onde foram efetuadas, sem sucesso, tentativas de reanimação.

O defesa realizou 40 jogos com a camisola do Japão, tendo marcado presença no Mundial 2002, disputando um total de 385 jogos na Liga japonesa de futebol, ao serviço do Yokohama Marinos, clube que representou entre 1995 e 2010.
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Compreender a Kata


Habituados que estamos a definir Kata como "forma", ou como uma "sequência de técnicas de defesa e ataque que representam um combate real contra quatro adversários hipotéticos", deixamos aqui algumas observações que nos são transmitidas pelo Sensei Kenji Tokitsu no seu último livro.

Ao ponderar o significado de Kata como o conjunto básico de movimentos na prática de uma arte (1), comecei a descobrir a estrutura mental e o tipo particular de identificações (2) que cobriu cada prática.
A definição de Kata a que eu cheguei a partir deste estudo preliminar acabou por ser a expressão mais evidente de uma realidade social que era muito mais vasta e muito mais difícil de entender.

Em Japonês, a palavra Kata tem dois significados principais escrito com dois ideogramas:

1. "forma" 形 - etimologia:  "esboço de uma representação exata como que  usando pinceladas";
2. "molde" 型 - etimologia:  "forma original feita a partir de terra". Durante muito tempo, este ideograma também significou "faixas ou vestígios deixados para trás", "forma ideal", "lei", "costume".

A palavra Kata, significa então duas coisas. Primeiro, significa a imagem de uma forma ideal e seu contorno exato como ela vai ser representada. Em segundo lugar, começou a ser usada para designar a codificação e transmissão de conhecimento baseado num conjunto determinado de movimentos técnicos com o corpo, mas não sabemos em que era esse significado surgiu. Esse aspecto histórico é, de fato, bastante significativo.

Na realidade, a Kata desenvolve-se ao longo de uma tradição japonesa e deve ser olhada no seu contexto histórico.

Quando dizemos: "Eu tenho um corpo, eu tenho uma mão ..." uma separação já está em vigor. Este tipo de formulação antes não existiam em japonês, que foi inventado para traduzir idiomas Ocidentais. Esta separação não é sentida na técnica "wasa" ( técnica conectada ao corpo) (3). Qualquer um que adquire esta espécie de técnica tem a experiência de uma unidade total: "Eu sou o corpo, eu sou a mão" - além disso, "Eu sou a técnica, eu sou o que é feito". Neste sentido, o eu desaparece.


(1) Tokitsu refere-se aqui a arte como perfeição, incluindo o Noh, o Kabuki ou a Ikebana e não só a arte da guerra ou do combate.
(2) O autor usa a palavra "identificação" ao longo do texto, no sentido de "associar-se inseparavelmente com" (N. T.).
(3) Não nos esqueçamos que Kenji Tokitsu foi aluno do Sensei Funakoshi, que dizia que "muitas vezes, a quem falta a qualidade essencial da total seriedade, pode refugiar-se na teoria. A verdadeira prática não se faz com palavras, mas com a composição do corpo inteiro. O que aprenderes por ter ouvido aos outros, esquecê-lo-ás facilmente; o que aprenderes com o teu corpo, recorddá-lo-ás toda a sua vida." Mas também sabemos que para nós, ocidentais, a prática também tem de ser compreendida...

Apanha os botões de rosa enquanto podes!

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"Apanha os botões de rosa enquanto podes
E esta flor que sorri estará amanhã moribunda..."

- Em latim o termo para esse sentimento é carpe diem! Quem sabe o que significa?
- Significa “aproveita o dia”.
- Muito bem, Sr...?
- Meeks.
- Meeks, outro nome estranho. “Apanha os botões de rosa enquanto podes.” Porque é que o autor diz isto?
- Porque tem pressa!
- Não, mas obrigado por participar. Porque somos pasto para os vermes, rapazes. Acreditem ou não, todos nós nesta sala, um dia vamos deixar de respirar, vamos ficar frios e morrer.

- Carpe diem. Aproveitem o dia, rapazes. Tornem a vida de vocês extraordinárias.

(Clube dos poetas mortos, 1989)

  (A Bola, 27.07.2011, p. 37)

Felizes dos que apanham os botões de rosa enquanto podem!...
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Estágio Europeu da GKI

Terminou ontem o Estágio Europeu da GKI, que se desenrolou na Ericeira, sob a organização da Kaizen Karate Portugal, albergando instrutores e praticantes não só de vários países da Europa mas também da África do Sul e Angola.

Com orientação técnica a cargo do Sensei James Rousseau (8º dan), coadjuvado por Arnold de Beer (8º dan), Leonard Sim (7º dan), Kevin Nason (6º dan) e Henrieheta Sim (6º dan), foram quatro dias de muita azáfama.


Desejo aqui felicitar os meus amigos António Moreira pela obtenção do seu 6º dan e José Ramalho pela conquista do seu 5º dan. Um abraço a ambos.

Ao meu amigo João Ramalho, um abraço de parabéns pela organização espetacular, apresentando as minhas desculpas por não ter podido participar neste evento por motivos de saúde!
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domingo, 31 de julho de 2011

Sem medalhas em Londres 2012?


Há hoje um título no «Expresso» que é elucidativo: "Londres 2012: Comité Olímpico não exige medalhas"
(http://aeiou.expresso.pt/).

Transcrição de parte da notícia e algumas observações:

Vicente Moura lamenta o "divórcio" dos desportos coletivos com os Jogos Olímpicos e realça diferenças de vontade nas modalidades. O Karaté é uma modalidade individual e também não vai aos Jogos porque... não pertence ao programa! Porque não é rentável comercialmente...

"Há aqui duas circunstâncias: uns não querem, outros não podem. O futebol não quer, não estou a dizer que o futebol não se tenha qualificado propositadamente, mas sabemos que a FPF vê a participação olímpica como uma participação menor", lamentou. O futebol não se qualificou propositadamente? Serão masoquistas ou não tiveram pés, pernas e cabeça para isso?

Depois do fracasso em Pequim 2008 quanto às metas traçadas para a conquista de quatro a cinco medalhas - o que chegou a estar escrito e contratualizado com o Instituto do Desporto de Portugal - Vicente Moura diz que já não comete o mesmo erro. Pudera... Como disse na semana passada, «os políticos acham que se arranjarem um culpado fora da política é fantástico».

"Desta vez isso não acontece: o programa que assumi com o governo não prevê lugares de pódio, prevê boa representação, condigna, etc... mais atletas, talvez mais modalidades, mas não mais do que isso", justificou o presidente do COP. Será que prevê resultados iguais aos dos J. O. de Barcelona? É que se é essa a previsão, então terá de se justificar sobre as verbas que foram gastas nisto tudo (a missão a Londres 2012 tem um apoio do Estado na ordem dos 14,6 milhões de euros!).

Um discurso prudente, ou defensivo? Um discurso a contar com a imprevisibilidade dos resultados ou a não acreditar no triplo-salto, no judo e na canoagem?

Regressando ao título, que é da responsabilidade da Lusa, se não se exigem medalhas então a comitiva portuguesa (70 a 80 atletas) tem um belo programa turístico a cumprir... e poder distrair-se e divertir-se à grande e à francesa (perdão, à inglesa!).
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sábado, 30 de julho de 2011

Serão na realidade sábios os três macacos?


Regressamos a Mizaru (o macaco que não vê o Mal), Kikazaru (o que não ouve o Mal) e Iwazaru (o que não fala sobre o Mal), para
 nos questionarmos se de facto serão sábios.

A informação gera conhecimento e este transforma-se em sabedoria...

Como poderá qualquer um dos macacos sábios saber quando vê o Bem, ter consciência de que ouve o Bem, conhecer quando fala bem sobre o Bem, se antes não vivenciou o seu contrário?


No século XVII esta poderia ser uma perspectiva em vigor, mas só há branco quando existe o preto: é a teoria do yin e do yang... só sabemos e conhecemos o Mal quando sabemos e conhecemos o Bem - e saber e conhecer não são exactamente a mesma coisa...


Numa sociedade democrática que se pretende cada vez mais transparente e mais justa, onde existe a liberdade de expressão, sábios são os macacos que ouvem, vêem e falam o Bem porque conhecem o Mal. 

As opiniões, desde que fundamentadas, provadas e irrefutáveis, não são para serem deixadas na gaveta, mesmo que não sejam pedidas. Principalmente quando forem para denunciar injustiças ou irregularidades. Watergate foi um primeiro exemplo, Murdochgate um dos últimos.

Claro que há a confidencialidade quando pedida! Claro que há o «off the record!». Claro que há a inviolabilidade da correspondência! Claro que há a privacidade do indivíduo!

Miguel Deusdado, no «Jornal de Notícias» de 21 do corrente terminava a sua crónica dizendo que "por muitas voltas que se dê, há coisas no jornalismo que não mudam: verdade, justiça, interesse público. Por muito vertiginosa que seja a velocidade do progresso, estes princípios pairam no tempo e não deveriam mudar. O jornalismo nasceu assim, que morra ou sobreviva assim. Mas há uma pergunta que é uma espada de Dâmocles: o que querem afinal os leitores?

Mas começava esta sua coluna com as seguintes palavras: "Grandes órgãos de informação, alguns deles líderes, traficam notícias como se fossem droga. E milhões de leitores querem ver esse mundo degradado, a uma distância voyeur, lamentando repetidamente a decadência a que se chegou (e de que eles, obviamente, não fazem parte). Querem, e têm. Sangue? Escândalos? Tomem lá. Traições, ódios, coscuvilhices... Com fotos ou imagens, se possível. Lamentável e maravilhoso. Mas triste."

Serão na realidade, actualmente, sábios os três macacos?

Como disse Einstein, "o mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer."
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sexta-feira, 29 de julho de 2011

O Bem e o Mal no desporto!


Há quem acredite nas forças do Bem e do Mal (mais uma vez, crenças!) até no próprio desporto. Mas será que Deus e o Diabo, a existirem, existem como seres distintos? Todos nós temos capacidade para o Bem e para o Mal, logo, Deus e o Diabo, a existirem, repito, não são mais do que partes distintas de nós mesmos.

A crença na sua existência poderá ser uma justificação para uma atribuição causal.

Se temos essa capacidade, podemos praticar o Bem ou o Mal, ou o Bem e o Mal. Depois de praticado um ou outro, ou ambos, subsistem factos (com ou sem testemunhas) ou resíduos deles. Testemunhados e sem necessidade de serem provados, tal é a sua evidência, poderão ser considerados factos notórios. Sem testemunhas e sem provas cabais cairemos naquilo que disse Nietzsche: "não há factos, apenas interpretações."

O que é certo é que se torna necessária uma fundamentação objectiva em relação a esses factos e um enquadramento da factualidade apurada – em relação ao autor, às suas motivações, às circunstâncias, ao meio envolvente, à sociedade e, finalmente em relação ao julgador – mas de modo a esconjurar imaginários arbítrios nos juízos e na argumentação a serem efectuados sobre tal. O essencial deve ser separado do acidental e o objectivo do subjectivo, embora aqui só possamos utilizar probabilidades dada a ausência de uma certeza absoluta.

E essa fundamentação só pode ser apresentada verbalmente.

Philip Kerr (1) defende a tese de que “o único limite ao que pode ser dito é o limite que faz a destrinça entre o bom senso e aquilo que não faz sentido. (...) E não obstante, continua a persistir a crença de que tudo aquilo que efectivamente pode ser compreendido, também pode ser qualificado como sendo inqualificável: que o sentido do mundo poderá ser encontrado no interior desse mesmo mundo.
Mas se existe qualquer valor único, que tenha valor, deve encontrar-se no exterior de toda a esfera daquilo que acontece. O cerne da questão é que todas as proposições são de igual valor, não existindo factores como por exemplo as proposições de natureza ética. A ética é transcendental não podendo ser posta por palavras. Resumindo e concluindo, o conceito de ética é impossível.

Nisto se baseiam alguns que dentro do seu oportunismo e do seu egoísmo (Óscar Wilde dizia que egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos) conseguiram chegar ao poder, criaram uma certa imagem e alimentaram certas expectativas. Mas no «Dicionário do Diabo», de Ambrose Bierce (2), a expectativa é definida como “o estado ou condição mental que, no cortejo das emoções humanas, é precedido pela esperança e seguido pelo desespero."

E para esses, esse desespero já não está longe...



Não me consigo esquecer aqui das célebres palavras de Abraham Lincoln: “podeis enganar toda a gente durante um certo tempo; podeis mesmo enganar algumas pessoas todo o tempo; mas não vos será possível enganar sempre toda a gente.

Nem das palavras de Martin Luther King: "o que mais me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-caráter, nem dos sem-ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons!"



(1) Philip Kerr, 1999, “Um assassino entre os filósofos”, Lisboa, Ed. Presença.
(2) Ambrose Bierce, 2006, “Dicionário do Diabo”, Lisboa, Tinta da China.
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Cravo & Ferradura


De José Bandeira, o cartoon Cravo & Ferradura, publicado hoje do Diário de Notícias, na página 54.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

As melhores definições na poesia portuguesa sobre a nossa modalidade, os seus elementos e os seus constituintes.


Manuel Alegre terá sido o poeta que melhor definiu o Karaté, "a via das mãos vazias":


"Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz."



Sophia de Mello Breyner terá sido a poetisa que melhor descreveu o praticante de Karaté:

 “A resignação passiva, por ensurdecimento progressivo do ser,
é o falhanço completo e sem remédio.”


Tarefa em que foi secundada por Ary dos Santos:

"É por dentro de um homem que se houve
o tom mais alto que tiver a vida
a glória de cantar que tudo move
a força de viver enraivecida."



Mas sem dúvida que quem melhor caracterizou
o Treinador de Karaté foi Mário-Henrique Leiria:

"Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece"

Jorge de Sena tudo resume:

"Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela."



Mas também não me esqueço de José Gomes Ferreira:

"O nosso mundo é este
Suado de morte
E não o das árvores
Floridas de música
A ignorarem
Que vão morrer.

E se soubessem, dariam flor?

Pois os homens sabem
E cantam e cantam
Com morte e suor.

O nosso mundo é este….

( Mas há-de ser outro.) "


E para os mais novos, termino com Fernando Pessoa:

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."


"Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada."


"Precisar de dominar os outros é precisar dos outros.
O chefe é um dependente."

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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Katas - The Meaning behind the Movements (Kenji Tokitsu)


O Karaté oferece-nos os exemplos mais precisos de Katas estritamente formalizadas, representando o combate real contra quatro adversários imaginários. O judo também possui as suas Katas. No entanto as Katas permeiam toda a tradição cultural japonesa. Qual o seu significado por de trás do movimento? Qual é a relação entre a cerimônia do chá e as "artes marciais"? Qual é o ponto comum entre a morte por seppuku e arte floral?

Kenji Tokitsu, que dispensa apresentações, dá-nos inumeras respostas neste livro. Um livro a não perder...

O conceito de Kata oferece respostas às perguntas anteriores. As Katas estão presentes no campo da filosofia, tecnologia, educação, profissão, modo de vida e significam esclarecer todas as abordagens relacionadas com a ideia de perfeição.

A partir de exemplos históricos e concretos, mas também de sua experiência pessoal no campo de Karaté, Kenji Tokitsu, doutorado em Sociologia e em Civilização Japonesa, define este conceito absolutamente essencial  num país tentando conciliar tradição e modernidade, em particular no domínio das "artes marciais" e da prática do Karate-Do.

O fundador da escola Tokitsu-Ryu oferece-nos nesta obra uma profunda reflexão sobre um conceito profundamente enraizado na história de seu país e que dá sentido a muitos valores japoneses.
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Onde pára a bola?





O karaté não precisa de ténis ou sapatilhas e muito menos de chuteiras. O Karaté não se faz com raquetes,
com tacos, com sticks e muito menos com bolas.

Mas em muitas modalidades que se praticam com bola, é caso para perguntar: onde pára a bola?


Nota: tendo sido retiradas da internet todas as fotos e não tendo sido possível apurar se as mesmas possuiam copyright, apresentamos
as nossas desculpas aos seus autores com os nossos agradecimentos e o devido reconhecimento pela sua qualidade.
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terça-feira, 26 de julho de 2011

E veio a miséria... a opinião do Prof. Dr. Sidónio Serpa!


Conheço a competência, a lucidez e a objectividade do Prof. Sidónio Serpa desde os Cursos de Treinadores de Karaté da antiga FPKDA e da FMH.

Na sua coluna semanal de «A Bola», de leitura obrigatória, muitas questões pertinentes tem levantado...

Hoje, mais uma traz a lume. Após ter falado de Albertina Dias em crónica anterior, hoje aborda a questão de Zhang Shangwu.

E mais uma vez coloca o dedo na ferida ao dizer que "logo a notícia correu nas agências internacionais fazendo notar o modo como são tratados os desportistas na China. Santa hipocrisia! Como se isto fosse exclusivo daquele país... O mesmo sucede nas democracias ocidenteias tão cientes dos direitos humanos. (...) É verdade que o respeito pela condição humana evoluiu no Ocidente de forma significativa e haverá mais cuidado com a dignidade dos cidadãos. Mas isso só nos carrega de maior responsabilidade, sendo perigoso projectarmos esses casos como se fossem característicos de outras culturas. Quando as coisas materiais se sobrepõem ao ser humano, é este que sai desprezado. E. como podemos constatar na crise actual, cada um de nós é uma vítima em potência. Mesmo os que se julgam a salvo... No desporto, como na economia, a degradação decorre de esquecermos o Homem como finalidade da produção social."

Nota: negritos da responsabilidade de Karate-do.pt.
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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Florence Braunstein



O ano passado propus como leitura de férias o livro de Florence Braunstein, em “Les Arts Martiaux Aujourd’hui” – États dês lieux” (L’Harmattan, 2001).

Esta obra ronda três questões:

A primeira trata-se de perguntar o que fizemos das artes marciais. Esta pergunta diz respeito ao modo como passámos do bujutsu, “técnicas de combate", ao budo, "voz do combate" tornando-se uma filosofia de vida. Ao impor os nossos rituais, os nossos ritmos, as nossas limitações corporais e físicas, nós complexificamos ainda mais estes, conduzindo-os à sua estetização. Uma outra consequência é também a sua desportivização excessiva, para além de removê-los ainda mais de sua missão original de técnicas de sobrevivência.

O que as artes marciais fizeram de nós permite enfatizar as consequências de uma verdadeira ideologia da corporalidade e aquelas, num mundo em vias de dês-simbolisação, dum indivíduo banalizado do qual a sociedade não precisa mais, que são a reconstrução de uma identidade valorisante e estabilizante, graças às mesmas.

O que podemos fazer em conjunto leva-nos a questionar as artes marciais como uma possível nova New Age, as técnicas segundo a noção de eficácia de acordo com o conceito ocidental de eficiência e não mais asiático, alterando profundamente o próprio significado da estratégia.


 
Um livro a reler...
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Concorrência renhida!






































Serão estas as modalidades com que o Karaté vai concorrer para entrar nos Jogos Olímpicos?

É que para além do hóquei sub-aquático, do futebol de robótica, do golfe no gelo, do xadrez para três, do sandboard e do futevólei (cujo campeonato mundial se está a disputar em Kuala Lumpur), ainda temos como concorrentes o mergulho em apneia, a dança do varão, o hóquei em patins e o golfe em greens...

A concorrência vai ser renhida...
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Presunção de inocência!


O Comité de Ética da FIFA, depois de dois dias de depoimentos, alegações e deliberações, anunciou no passado sábado que o dirigente qatari Mohammed Bin Hamman foi banido para sempre do futebol. Além de Bin Hammam, foram suspensos Debbie Minguell e Jason Sylvester, ambos dirigentes da UFC, pelo período de um ano.

O presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), de 62 anos, estava suspenso do cargo desde maio, tendo o Comité de Ética dado como provado que Bin Hammam tentou comprar votos de representantes das Caraíbas na corrida eleitoral à liderança da FIFA, que ele próprio acabou por abandonar antes da reeleição do suíço Joseph Blatter.

Bin Hamman é o mais alto representante da FIFA a ser considerado culpado de corrupção nos 107 anos de história do organismo que rege o futebol mundial.

Ontem, Mohamed Bin Hammam afirmava que a irradiação que lhe foi imposta pel Comité de Ética da FIFA era um ato de "vingança" do presidente do organismo, o suíço Joseph Blatter. "A irradiação mostra o quanto estas pessoas estão furiosas, o quanto estão dispostas a fazer para se vingarem", afirmou Bin Hammam, em entrevista à BBC.

Este dirigente, que sempre negou as acusações e que declara tencionar recorrer da decisão para o Tribunal Arbitral do Desporto, quer tenha sido corrupto ou não, deve beneficiar do estatuto de presunção de inocência... Seará de facto um caso de corrupção ou um caso de afastamento de um concorrente à presidência da FIFA?

O TAS que se pronuncie...
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O Judo em grande - e mais uma vez as senhoras!


Ana Hormigo conquista ouro nos -52kg., Telma Monteiro conquista ouro em -57kg. e Yahima Ramirez conquista bronze nos -78Kg na Taça da Europa em Hamburgo.
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domingo, 24 de julho de 2011

Seisan e Bunkai - sem palavras...


A Kata Seisan executada por Onaga Sensei e a respectiva aplicação
(coadjuvado pelo meu amigo "Paco", Francisco Pérez Orenes)...


Um dia talvez, talvez todos consigamos fazer Seisan assim...
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sábado, 23 de julho de 2011

Kikazaru, Mizaru e Iwazaru, os três macacos sábios!


Em Março, no final do Estágio com o Sensei Onaga, tivémos a oportunidade de lhe oferecer uma estatueta em madeira, artesanato português, com o macaco que não ouve, o macaco que não vê e o macaco que não fala. Muitos se interrogaram sobre o significado da mesma...


Mas qual a origem desses três macacos e qual o motivo para o desuso dos principais órgãos dos sentidos?

Na cidade japonesa de Nikko, ergue-se o santuário Toshogu, construído para abrigar o túmulo do mais famoso Shogun do Japão, no século XVII, com esculturas do artista nipónico Hidari Jiongoro.


Ieyasu Tokugawa (1543-1616) foi o primeiro líder militar a conseguir dominar todo o país, estabelecendo uma paz duradoura e um método de governação que se estenderia por mais de 250 anos. Ao cimo da escadaria o portal Yomeimon, onde existem mais de 500 esculturas, representando divindades, seres espirituais, cenas de lendas e histórias mitológicas. No seu interior o santuário e o túmulo de Tokugawa.

É aqui  que aparecem pela primeira vez esculpidos os três macacos sábios, ornamentando a porta do estábulo sagrado.


As sua origem é baseada numa espécie de um provérbio com um trocadilho fonético japonês: Não ouça o mal! Não veja o mal! Não fale o mal! Os seus nomes são Mizaru (o que cobre os olhos), Kikazaru (o que tapa os ouvidos) e Iwazaru (o que tapa a boca), o que é traduzido como não ouça o mal, não fale o mal e não veja o mal. A palavra saru, em japonês, significa macaco e tem o mesmo som da terminação verbal zaru, que está ligada à negação. Miru é sinónimo de olhar, Kiku de ouvir e Iu de falar. Pretende assim esta escultura ser uma forma de lembrar que se os homens não olhassem, não vissem e não falassem o mal alheio, teriam comunidades pacíficas, harmoniosas e mais civilizadas.
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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Denunciar a verdade - assim morreram dois heróis!


Todos nós, mesmo que não acompanhemos, temos ouvido algo sobre o escândalo do jornal britânico «News of the World», de Rupert Murdoch, que se baseou em escutas ilegais e alegado suborno para poder fabricar as suas notícias. Mas o maior escândalo foi terem colocado escutas em vítimas de crimes e de actos de terrorismo - como por exemplo no telefone dos pais de Milly Dowler, uma criança encontrada morta em 2002, e eventualmente nos de vítimas do 11 de Setembro.

Pedro Mexia, no «Expresso» de sábado, dizia: "se alguém está contra ele, Murdoch compra-o ou ataca-o. Os seus jornais são um instrumento habitual de vinganças pessoais. E quem trabalha com ele faz tudo o que ele quer (...). Faz isso porque pode, porque o deixam, porque comprou ou destruíu quem lhe podia fazer frente."

O ex-jornalista do «News of the World», Sean Hoare, que revelou o caso ao concorrente «The Guardian», foi encontrado morto em casa na segunda-feira, dia 18. Homicídio ou suícidio? Calar uma testemunha ou sucumbir fruto da pressão?


O que é certo é que a polícia não considera a morte suspeita... apesar de se ter demitido no dia 17 o Chefe da Scotland Yard e no dia 18 o número dois da mesma.

Fizeram-me estas notícias recordar um e-mail que um amigo* me enviou a 18 de Outubro do ano passado com este vídeo:


O vídeo era acompanhado por este pequeno texto: "Este soldado não tem o coração de chumbo, mas de ouro! ...de amor e compaixão... Assistam e passem adiante! Mereceu os aplausos de pé!! Contundentes e verdadeiras as palavras do soldado.
O soldado apareceu morto 2 dias depois do discurso. A autópsia revelou ter sido um ataque cardíaco. Depois de um discurso destes, é difícil acreditar em ataque cardíaco... a menos que tenha sido provocado!"

Moral da história (ou das histórias): denunciar a verdade tem custos, mas a dignidade não tem preço! Morreram dois heróis! Que fique o seu exemplo... e que não os esqueçamos!
 

* Os meus agradecimentos público ao Carlos Camelo, leitor deste blog, pelo e-mail e pelo vídeo.

De Quino, de pequenino...