terça-feira, 27 de setembro de 2011

Ilegalidades legais…


Como é sabido, houve eleições na FNK-P no passado dia 17…

Sou praticante federado há “montes” de anos, e tenho as quotizações e o seguro desportivo em dia, tal como os meus alunos…

Sou treinador há “montes” de anos, com a taxa de inscrição anual paga todos os anos…

Pertenço a uma associação com quotizações anuais pagas…

Mas no dia 16 o meu nome não apareceu nos cadernos eleitorais nem como praticante, nem como treinador. Motivo: a minha associação ainda não tinha sido aceite em AG da FNK-P.

Mas nem o regulamento eleitoral expressava tal coisa!

Acontece que, após a aceitação da documentação exigível, a FNK-P deverá aceitar provisoriamente as filiações requeridas até à realização da próxima Assembleia Geral (próxima que deverá ser a primeira que se realizar), onde se procederá à votação respectiva no sentido da eventual ratificação da admissão (plasmado no Artigo 3º do Regulamento Interno).

Ora, a Kaizen Karate Portugal entregou a documentação necessária em Outubro de 2009. Foi realizada uma AG a vinte e sete de Junho de 2010 e uma outra a vinte e sete de Novembro de 2010 sem que, curiosamente, em nenhuma delas constasse da Ordem de Trabalhos a admissão de novas associações.

O executivo reconhece, o deliberativo nem por isso…

Moral da história: há uma aceitação tácita para pagar quota da associação, quota de treinador, quota de praticante, seguro desportivo, mas… não pertencemos a nada!

Como, se alguns dos meus alunos participaram em campeonatos regionais da FNK-P?

Como, se alguns deles até frequentaram cursos de treinadores?

Como, se a minha própria associação organizou um Seminário com o apoio da FNK-P em que eram concedidos créditos aos treinadores participantes e no qual eu até fui um dos formadores?

Como, se alguns dos treinadores da minha associação até participaram noutros eventos formativos organizados pela FNK-P (e pagando as respectivas inscrições)?

Como? Refugiando-nos no ponto 2 do já citado Artigo 3º!

Então para que serve o Artigo 9º do Regime Jurídico das Federações Desportivas (DL 248-B/2008 de 31 de Dezembro)? Não foram já há muito preenchidas as condições regulamentares de filiação definidas nos termos dos estatutos da FNK-P pela minha associação?

Foi possível impugnar algo? Não, porque não pertencíamos a nada…. Alguma associação impugnou algo porque os cadernos eleitorais estavam errados? Não, pois necessário é olhar para o seu umbigo e defender o seu tacho! A legalidade que se lixe…

E alguém se lembrou dos menores associados que pagam taxa federativa? Correcto que não possam votar, mas e os seus representantes legais?

Parece preocupação da FNK-P cumprir a lei numa direção, mas em dois sentidos… mas o que acontece? A resposta já é velha e conhecida: NADA!

Veja-se por exemplo o seguinte: as eleições foram a 17, mas hoje ainda não sabemos quem são os delegados que representam as associações na AG da FNK-P, ou quem me vai representar a mim como praticante ou como treinador…

Recorramos à página da net da FNK-P…. Tal como expressa o Regime Jurídico das Federações Desportivas (Art.º 8º) “as federações desportivas devem publicitar as suas decisões através da disponibilização na respectiva página da Internet de todos os dados relevantes e actualizados relativos à sua actividade, em especial: e) a composição dos corpos gerentes.” E o que se vê? Os órgão gerentes eleitos em 2007! Curioso até que continuem a aparecer o meu nome como director apesar de me ter demitido em Novembro de 2009! (lá estão no mesmo algumas teias de aranha…). Dez dias não não bastaram...

Mas acontecerá isto para não sabermos quem cai debaixo da alçada do Artigo 49º? (“É incompatível com a função de titular de órgão federativo: c) relativamente aos órgãos da federação ou da liga profissional, o exercício, no seu âmbito, de funções como dirigente de clube ou de associação, árbitro, juiz ou treinador no activo”)? Miraculosamente, aqui não acredito…

E se recorrermos à alínea b) do já citado Artigo 8º, sobre a publicitação das “decisões integrais dos órgãos disciplinares ou jurisdicionais e respectiva fundamentação” vemos que se clicarmos em «Conselho Disciplinar» aparece aquele comunicado com cheiro a mofo (quanto tempo tem? Dois anos?), provavelmente estrategicamente colocado sem data, informando que dois processos foram para o Conselho Jurisdicional – ad eternum, pois prescrições nem existem, tal como nem existem decisões sobre os mesmos…

Como disse Francisco Vieira em «Ala de Rei», “o facto da democracia funcionar para eleger dirigentes não pode satisfazer nem sossegar os dirigidos. A legalidade deve ser respeitada e na sua ausência deve ser exercida Justiça, doa a quem doer. Nem sempre aplicar a lei é fazer Justiça mas ignorá-la é a impunidade que se estabelece como regra.

Se não houvesse internet a democracia por si só sossegaria os dirigidos. Com internet a democracia não sossega os dirigentes (os curiosos, os que só olham para o seu umbigo) nem os dirigidos, mas alerta estes últimos para muita coisa.

Pois é... a internet também tem destas coisas...
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O inferno dos vivos

"O inferno dos vivos não é uma coisa que virá a existir; se houver um, é o que já está aqui, o inferno que habitamos todos os dias, que nós formamos ao estarmos juntos. Há dois modos para não o sofrermos. O primeiro torna-se fácil para muita gente: aceitar o inferno e fazer parte dele a ponto de já não o vermos. O segundo é arriscado e exige uma atenção e uma aprendizagem contínuas: tentar e saber reconhecer, no meio do inferno, quem e o que não é inferno, e fazê-lo viver, e dar-lhe lugar.”

Italo Calvino, 2008. "As Cidades Invisíveis", Editorial Teorema

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A ética no desporto português


Com todo o respeito, transcrevemos na íntegra o post de Fernando Tenreiro, do seu blog «O Desporto e a sua Economia», publicado a 10 do corrente (
http://desportoeconomia.blogspot.com/), com o título supra:

O debate sobre a ética que se faz no Colectividade Desportiva, aqui, tem duas dimensões e uma consequência, de entre muitas outras:

1. José Constantino discute o conteúdo do produto desportivo, quando refere a ética como parte ou exterior ao produto

2. João Boaventura, seguindo a deixa dos outros comentaristas, discute o conceito da ética referindo o conjunto de vários pensadores.

A consequência que retiro partindo de João Boaventura "Heidegger recorda que a etimologia de “ethos” tem um sentido mais antigo e mais sugestivo, o de “moradia” ou “lugar onde se habita”, isto é, a morada do homem é o ser que somos, e em que nos tornamos, pelo agir livre e responsável." e da imagem da gravidez de Levinas é a necessidade/obrigação do desporto ser grávido de ética.

Estes últimos aspectos relacionam-se intrinsecamente com a economia e o desenvolvimento das políticas nas organizações privadas e nas públicas.

Os economistas da economia das instituições como Douglas North e os estudos de Barro sugerem que a ética e a reputação são elementos essenciais do desenvolvimento e que os países mais desenvolvidos do mundo possuem valores éticos e critérios de reputação mais elevados do que os países que se atrasam no desenvolvimento económico.

Não basta aprovar códigos de ética e anunciar programas que depois se passam anos e anos sem aplicar e desenvolver ou dar condições para um desenvolvimento seguro do princípio entre os agentes desportivos e, tantas vezes, se actua em sentido contrário aos ditos códigos.

Os comportamentos desviantes de que fala José Constantino encontram-se ao mais alto nível, como sugere Armando Inocentes, quando os agentes públicos cerceiam o debate de ideias, impedem a produção e a promoção de informação e não prestam contas dos seus actos.

A gravidez de Ética tem consequências de que o exercício da política desportiva portuguesa tem estado arredada e que obriga a comportamentos consonantes com o dito 'estado interessante'.

Há quem sugira que nesta altura os dados já estão lançados e que a ética dos protagonistas os irá levar a determinados percursos que afinal serão produtores de menor quantidade e qualidade de desporto no sentido ético dos países europeus mais desenvolvidos.

Como dizia o treinador do anónimo Kaiser Soze 'A Ética vê sempre'.
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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

E se de repente…


Duda Guennes assina um conto, na edição de ontem de «A Bola», na página 35, intitulado “O dono da bola” e do qual, respeitosamente, transcrevemos a seguinte parte:

Jogavam Independente Esporte Clube, de Orlândia, e Nuporanga, da cidade do mesmo nome, interior de São Paulo, lá para os idos de 1975. A certa altura, o árbitro começou a proteger a equipa da casa, tentando desequilibrar o jogo, que estava 0-0. O jogador Otavinho, do Independente, achou que não tava legal e começou a protestar contra a parcialidade do juiz, terminando por ser expulso de campo. Acontece que tanto o apito usado pelo juiz como a bola do jogo pertenciam a Otavinho, que ao ser expulso reclamou o que lhe pertencia, tirando o apito da boca do árbitro e saindo de campo com a bola em baixo do braço.

Como não vimos nenhum “Otavinho” nos cadernos eleitorais, o que aconteceria se de repente os vários “Otavinhos” tirassem o apito e a bola à federação?

Já agora, transcrevemos o resto do conto:

Ante o final melancólico da partida, directores dos dois clubes, jogadores e torcedores reuniram-se para resolver o drama, chegando a uma solução conciliatória. Otavinho voltaria a campo, não como jogador mas sim como juiz, sendo substituído no time por um reserva. Selado o acordo, foi o juiz oficial expulso do campo e Otavinho tomou o seu lugar, apito na boca, devolvendo o esférico aos jogadores, para alegria de todos e felicidade geral dos boleiros e pedaleiros.

E se de repente os vários “Otavinhos” tomassem o seu lugar?
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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Afinal era verdade... e a culpa vai morrer solteira!


Aproveito para transcrever do blog «DO - o meu caminho», de Carlos Rodrigues (
http://karlosdo.wordpress.com/), com a devida vénia, retirado do seu último post "Demonstração vs Votos" o seguinte:

"(...) o meu nome não figurava nos Cadernos Eleitorais nem como treinador nem como praticante, e o mesmo se passando com todos os karatekas do Clube Atlético de S.Brás, portanto nem eu nem ninguém podia votar, um caso que a minha associação a KPS não conseguiu explicar uma vez que os outros clubes da KPS constavam dos cadernos."

Mais uma vez a culpa vai morrer solteira...
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Retiro de Cintos Negros


A Kaizen Karate Portugal vai organizar um Retiro de Cintos Negros a ser levado a cabo nos próximos dias 8 e 9 de Outubro, no Sport Hotel da Golegã.

A orientação deste evento estará a cargo do Sensei Aivaras Engelaitis, 5º Dan, originário da Lituânia, ligado ao Jundokan So-Hombu e aluno do Sensei Masaji Taira - 8º Dan.

Mais uma oportunidade para trocarmos conhecimentos...
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domingo, 18 de setembro de 2011

O circo...


Sempre gostei de circo! Sempre gostei da magia do maior espectáculo do mundo...

Sempre admirei o porco andar de bicicleta, sempre gostei de ver os três palhaços (o palhaço rico, o palhaço pobre e o palhaço parvo) e sempre me impressionou o equilíbrio e o jogo de ancas e de coluna tanto dos equilibristas, como das contorcionistas ou dos trapezistas.

Ontem tinha um bilhete para ir ao circo, a um circo muito bem organizado, o circo do carácter, da sinceridade, do esforço, da etiqueta e do auto-controlo. Um circo com presidentes, com conselhos, com assembleias gerais…

Mas por um daqueles motivos inexplicáveis, não fui...

Mas contaram-me! Contaram-me que iam fazer eleições nesse circo e que existia um regulamento que dizia que os escrutinadores eram um presidente, outro presidente de um conselho de disciplina (é um circo muito disciplinado e amante da legalidade) e mais três pessoas. Contaram-me que desse conselho de disciplina ninguém lá esteve, pelo que não sei para que serviu o regulamento...

Disseram-me que grupos de artistas, que há muito tinham pedido para pertencer a esse circo e todos os anos tinham pago as suas quotas, nem puderam falar por ainda não terem sido admitidos no mesmo... um deles com um documento do governo certificando-o como “artista” e um outro que durante largos anos pertenceu no próprio a um desses conselhos…

Falaram-me em listas de artistas que foram constituídas (deixaram os “animais” de fora)… falaram-me em cadernos eleitorais...

Também me falaram num grupo já admitido nesse circo mas sem ninguém inscrito no mesmo, sem um determinado nome no caderno eleitoral, mas com esse nome a ser votado... e com mais nomes de pessoas a faltarem nos cadernos mas com elas a votarem e a serem eleitas - pelo que também não percebi muito bem para que serviam esses cadernos...

Disseram-me também que se falou muito, que houve artistas que se gostaram de ouvir e houve artistas que quando deveriam tomar posições foram como os animais amestrados e meteram o rabo entre as pernas…

Não sei se é verdade o que me contaram, pois quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto. Provavelmente nem se passou nada disso...

Mas de certeza que amanhã - presumo que hoje tenha sido dia de folga - o circo do carácter, da sinceridade, do esforço, da etiqueta e do auto-controlo vai continuar com os seus espectáculos (ou espetáculos?). 

Mas os espectadores podem passar a espetadores graças ao novo acordo ortográfico. E aí poderão espetar não só o espetáculo...
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sábado, 17 de setembro de 2011

Hoje há eleições...


Hoje há eleições na FNK-P...

Quem ler atentamente o Regulamento Eleitoral da FNK-P constata que em nenhum lugar está especificado, nem subentendido, que os eleitores que elegerão os delegados de praticantes, treinadores e árbitros, devem pertencer a uma associação já aceite em AG pela FNK-P.

Existindo associações que já apresentaram em 2009 (e pelo que parece outras até antes) o seu processo de candidatura, com quotizações de associação, de praticantes, de treinadores e de árbitros pagas todos os anos, os seus praticantes, treinadores e árbitros possuem a qualidade de eleitores para os seus delegados.

Curiosamente, após eu escrever neste meu blog no dia 13 que "anormal é o referido regulamento poder permitir que praticantes, treinadores e árbitros dessas Associações ainda não inscritas possam fazer parte das listas para delegados à AG... Mas que podem, lá isso podem!!!", a federação apressou-se a apresentar os seus cadernos eleitorais (não se leia federação, leia-se direcção da federação!) onde não constam os nomes desses praticantes, treinadores ou árbitros...

Vai a federação impedir um treinador nestas condições, que não tem o seu nome no caderno eleitoral, mas que até já é possuidor da CÉDULA DE TREINADOR DE DESPORTO, de exercer o seu direito de voto?

Por outro lado o Artigo 15º dos estatutos da FNK-P especifica nos pontos seguintes que:
"3. Os delegados dos praticantes serão eleitos quadrienalmente por eleição directa dos praticantes inscritos na Federação até 31 de Dezembro de cada ano, com ficha individual averbada na F.N.K.-P nos termos regulamentares, designadamente com seguro desportivo em vigor nos termos da lei e cuja quota federativa anual se encontre paga, de acordo com a listagem divulgada pelos serviços da Federação na primeira semana do ano seguinte.
4. Os delegados dos árbitros serão eleitos quadrienalmente por eleição directa dos árbitros com inscrição válida na Federação nos termos do número anterior.
5. Os delegados dos treinadores serão eleitos quadrienalmente por eleição directa dos treinadores com inscrição válida na Federação nos termos do número três."  

Não poderão votar praticantes, treinadores e árbitros nestas condições só porque por incúria nunca as suas associações foram propostas a aceitação em AG apesar de terem as quotas em dia?

E  como é possível um elemento do Conselho de Arbitragem não ser eleitor?

Pois é, são perguntas a mais...

Só mais uma: eleições para quê?

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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Belo país este...


Belo país este... que nem vai ter ginastas a competir no 31º Campeonato do Mundo!
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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Desafios dos treinadores e desafios aos treinadores


Hoje, o Prof. Sidónio Serpa, na sua habitual coluna de opinião, fala-nos em «A Bola» (p. 40) dos "desafios dos treinadores".

Após dissertar sobre o recente fórum de treinadores de elite da UEFA, o Prof. Sidónio Serpa afirma que "em termos organizacionais, os treinadores passaram a ser quadros de elevado nível e responsabilidade, cujas funções exigem um conhecimento de diversas áreas da gestão, onde se incluem os aspectos administrativo, do planeamento e das pessoas. Para além dos atletas, têm que coordenar colaboradores em vários domínios. As conclusões do forúm reforçam a ideia de que para ser treinador, em qualquer modalidade, as questões técnicas inerentes ao desporto deixaram de ser as únicas importantes. Sobretudo no alto rendimento, o sucesso não é possível sem um conhecimento abrangente e o domínio das competências de gestão psicológica e interpessoal dos atletas."

Isto pressupõe treinadores habilitados com competências técnicas e metodológicas, pedagógicas, psicológicas, sociológicas e de gestão, enquadrados numa equipa multidisciplinar, que consigam nos escalões mais jovens formar Homens antes de formar Desportistas e que nos escalões de alto rendimento consigam formar Desportistas que apresentem resultados dignos de realce que dignifiquem a sua modalidade e o seu país - fazendo a retroversão, que irão dignificar os próprios Treinadores.

Lamentavelmente no Karaté as coisas não funcionam assim...

Iremos ver quem serão os digníssimos eleitos delegados dos Treinadores para representarem os mesmos na AG da FNK-P!

São desafios que se colocam aos Treinadores de Karaté!


Nota: negritos da responsabilidade de Karate-do.pt.
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O Rossio na Betesga...


Aproxima-se um acto eleitoral importante para a vida da FNK-P, estabelecem-se contactos, fazem-se acordos, elaboram-se listas... tudo procedimentos normais!

Tal como normal a elaboração de um regulamento eleitoral que não permite que as Associações que ainda não foram aceites pela AG da FNK-P tomem assento e votem no Conselho Geral (apesar de terem as suas inscrições anuais pagas, pois 500€ por ano dá muito jeito!) assim como dos seus treinadores e praticantes (mais uma verbazita!) - já agora, quantas Associações/Clubes estão nestas condições?

Anormal é o referido regulamento poder permitir que praticantes, treinadores e árbitros dessas Associações ainda não inscritas possam fazer parte das listas para delegados à AG... Mas que podem, lá isso podem!!!

Tal como anormal é realizar o Conselho Geral na sede da Federação... Se cada Associação se fizer representar por um elemento, caberão lá os cerca de 70 representantes? Ou iremos meter o Rossio na Betesga?
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O Desporto está de luto! Tal como o hóquei no gelo e o povo russo...


Trinta e seis membros da equipa de hóquei no gelo do Lokomotiv Yaroslav pereceram ontem quando o avião em que viajavam explodiu a 2 Km do aeroporto de Toulochna, a 300 Km de Moscovo.
Notícias vagas indicam haver dois sobreviventes não havendo no entanto notícias do treinador canadiano Brad McCrimmon.

Entre os mortos, muitos dos que posaram para esta foto:

(foto: AFP, «A Bola», 08.09.2011, p. 29)

Notícia que nos faz recordar 4 de maio de 1949, quando o avião que transportava a delegação do Torino de volta à Itália, após um amistoso contra o Benfica em Portugal, chocou contra uma das torres da basílica de Turim de Superga, a 600 metros de altura, não havendo sobreviventes.

Ou aquela outra em 6 de fevereiro de 1958, após a disputa de uma partida contra o Estrela Vermelha, em Belgrado, em que o Manchester fazia a viagem de retorno à Inglaterra. No acidente morreram 28 pessoas entre passageiros e moradores do local da queda do avião (nas proximidades de Munique). A equipa perdeu oito jogadores: Roger Byrne, Eddie Colman, Duncan Edwards, Mark Jones, David Pegg, Tommy Taylor, Liam Welan e Greoffrey Bent. Um dos sobreviventes foi Bobbby Chalton.

Outros acidentes de aviação semelhantes em 1987, 1961, 1969, 1979 e 1993 vitimaram jogadores e técnicos de outras tantas equipas...
 
Lamentável a perda destas vidas, deste jovens, destes desportistas...
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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Futebol: os sub-20 homenageados...


Com a devida vénia, transcrevemos a seguinte notícia do jornal «publico on line» de ontem:

"O Presidente da República, Cavaco Silva, condecorou nesta terça-feira a selecção portuguesa de futebol de sub-20 que se sagrou vice-campeã no Mundial da categoria, que decorreu na Colômbia.

Cavaco Silva aproveitou a ocasião para criticar o número de estrangeiros que competem em Portugal. “Esta selecção demonstrou que algo está errado no futebol português, quando mais de 50 por cento dos jogadores que actuam em Portugal são estrangeiros”, disse na cerimónia realizada no Palácio de Belém.

Os jogadores da selecção das “quinas” receberam a condecoração de Cavaleiro da Ordem do Infante Dom Henrique, enquanto a equipa técnica de Ilídio Vale foi agraciada com a Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique."

Veremos o que vai ser a carreira da "geração coragem" nas próximas duas décadas, pois daqui a 20 anos estes jogadores e treinadores terão uma cerimónia de aniversário igual à dos campeões de Riade ou de Lisboa...

Tal como têm sido homenageados os campeões europeus de Karaté em cada um dos seus estilos...
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O RJFD: destrinçar convicções de funções


Aconselha-se a leitura no blog «Colectividade Desportiva».


Basta clicar aqui: http://colectividadedesportiva.blogspot.com/ .

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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Terminou... e nada de medalhas! Sintomas?


Terminou o Eurobasket para a nossa selecção, em Panevezys, na Lituânia... a equipa das quinas averbou cinco derrotas... e Portugal não trouxe medalhas!

Terminou o Mundial de Atletismo, em Daegu, na Coreia... e Portugal não trouxe medalhas! Nem Nélson Évora...

Em relação a este último evento, situação só comparável com Helsínquia 1983, Tóquio 1991, Sevilha 1999 e Saint-Denis 2003.

(foto: jornal "i", 05.09.2011, p. 47)

Sintomas do actual estado do desporto nacional? Ou um caso do acaso?
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Agosto - The Silly Season!



Julho e agosto são meses de descanso… para alguns! No desporto não é norma…

Ainda em julho disputaram-se os mundiais de Natação em Xangai… e Portugal não trouxe medalhas!

Agosto trouxe a Cascais os catamarãs AC45 para a primeira etapa do Campeonato do Mundo da America’s Cup 2011-2012 – o mais antigo troféu do mundo – sem nenhuma equipa portuguesa presente.

Ao mesmo tempo desenrolava-se a Volta a Portugal em Bicicleta, uma volta ao país que curiosamente decorreu só a norte do rio Tejo, com a particularidade dos vencedores – pelo 4º ano consecutivo – serem de Tavira.

Na Colômbia disputou-se o Mundial de Futebol de sub-20 – Portugal editou a final de há 20 anos, jogando com o Brasil, mas não conseguiu editar o mesmo resultado… Um segundo lugar obtido por jogadores que não militam nas principais equipas portuguesas.

Agosto trouxe-nos um novo recorde nacional do lançamento do peso – em Copenhaga Marco Fortes lançou o peso a 20,89m. O homem que em 2008 disse que “de manhã, só estou bem é na caminha”, nos Mundiais de Atletismo que ainda decorrem, qualificou-se esta quinta-feira em Daegu, na Coreia do Sul, para a final do lançamento do peso com o 4.º lugar na sua série e o 9.º no geral, com a marca 20,32 metros.

Também neste mês faleceu Jean Tabary, aos 81 anos, o desenhador de BD que criou o grão-vizir Iznogoud, o tal que queria “ser califa no lugar do califa”. Tal como cá, onde muitos querem ser califa no lugar do califa… pena é haver tantos califas para tão poucos grãos-vizir.

Ainda em Agosto ficámos a saber que 58% dos jogadores da 1ª liga de futebol são estrangeiros e que o Benfica consegue jogar sem nenhum português… ao contrário dos 32 treinadores (1ª e 2ª liga), onde só 1 não é nacional…

O Mundial de Canoagem disputado na Hungria também decorreu em agosto… e Portugal não trouxe medalhas!

O curioso foi ver neste campeonato a dupla feminina alemã formada por Anne Knorr e Debora Niche com as medalhas de ouro ao peito no pódio e terem de ouvir não o actual hino oficial da Alemanha, mas o antigo hino usado nos anos do nazismo...

E enquanto os vice-presidentes dos EUA e da China celebravam um acordo de cooperação entre os dois países, a capital asiática assistiu a agressões mútuas entre os jogadores das seleções de basquetebol destes mesmos dois países…

As Universíadas decorreram também em agosto, em Shenzen, na China, mas Portugal desta vez trouxe medalhas: Nélson Évora (triplo salto) e Alberto Paulo (3000 metros obstáculos) trouxeram ouro, Sara Moreira (5000 metros) e Patrícia Mamona (triplo salto) trouxeram prata…

Em agosto vimos o estádio de Leiria ir a hasta pública…

Agosto foi o mês em que assistimos a Mourinho a agredir o adjunto de Pepe Guardiola, enfiando-lhe o indicador num olho… e em que vimos o Porto perder com o Barcelona.

E quando começava a Vuelta, os futebolistas espanhóis resolveram fazer greve por causa dos 200 profissionais da modalidade com ordenados em atraso. Semelhante logo a seguir em Itália…

No basquetebol fica-se a saber em agosto que Portugal se apura para o Campeonato da Europa – contra a Turquia, Espanha, Polónia, Grã-Bretanha e Lituânia poucas serão as hipóteses de medalhas….

E é também neste mês que temos um árbitro de futebol a recusar-se a dirigir um encontro sem ser substituído por solidariedade da sua classe. Mas houve jogo, arbitrado por um “distrital”. Leonor Pinhão escreveu: “O senhor Idalécio Martins (…) prestou um grande contributo ao futebol português ao destruir um dogma por implosão.” Mas disse mais: “Se um árbitro das divisões distritais em final de carreira actua melhor do que alguns dos nossos árbitros internacionais, quais são os critérios de avaliação que promovem e despromovem os homens do apito?” (A Bola, 25.08.2011, p. 46). Um bom motivo para se repensar a arbitragem do Karaté nacional… Quem nomeia e quem classifica são entidades distintas? O Conselho de Arbitragem é eleito ou nomeado?

Paris acolheu em agosto o Campeonato Mundial de Judo… e Portugal não trouxe medalhas! Nem Telma Monteiro, nem João Pina… Mas o francês Teddy Riner soube sagrar-se pela quinta vez campeão mundial!

De agosto restam os Campeonatos Mundiais de Atletismo, em que Portugal ainda não tem medalhas… Uns campeonatos em que vimos Usain Bolt ser eliminado por uma falsa partida, tal como o cubano Dayron Robles nos 110 metros barreiras por tocar com o braço no chinês Liu Xiang desestabilizando-o. Moral da história: ouro para o americano Richardson, prata para Xiang e bronze para Turner!

Uns campeonatos em que o duplamente amputado Óscar Pistorios finalmente competiu com as suas próteses contra os melhores do mundo, apesar de ter sido o último na sua série. Mas também em Daegu competiu Jason Smith nos 100 metros, indo até aos quartos-de-final, apesar de ter uma doença congénita que já lhe levou quase toda a visão.

E foi graças a estes campeonatos que demos conta que Susana Feitor já participou em 11 mundiais – e neste classificou-se na 6ª posição nos 20 quilómetros marcha! É obra!

Destes campeonatos resta-nos para setembro Nélson Évora…

E o Karaté? O Karaté, que descansou em agosto, aguarda também para setembro a eleição dos órgãos sociais da Federação Nacional de Karate – Portugal…

Para terminar recordamos os primeiros parágrafos de Horácio Lopes no seu texto "O futuro do desporto em Portugal" no blog «Colectividade Desportiva» a 20 de Junho de 2011:

"O Estado gasta anualmente perto de 60M€ a financiar Federações que se dedicam a promover campeonato nacionais e representar o país no estrangeiro.
Das várias FDN que conheço por dentro, uma grande parte deste dinheiro é gasto, não é investido. As FDN têm uma estrutura frágil, assente em pessoas com muito boa vontade mas parcos conhecimentos do que é GERIR DESPORTO e quase nada de GERIR. Quando se adianta que a nível da União Europeia a contribuição do desporto para o PIB está no intervalo 1,5% a 3%, a minha pergunta só pode ser uma:
Quando se vai dotar o deporto de uma estrutura de gestão DIGNA, CAPAZ e com KNOW HOW?"
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Agradecimentos


Gostaria de agradecer aos amigos Julio Suárez, Regino Ramos dos Santos, Jorge Bento, José Patrão, Ricardo Prelhaz, Carlos Rodrigues, Francisco Vieira, João Dias, Cristina Caeiro Lopes, José Augusto Neves, Rui Rafael Loureiro, José Ramalho, Filipe Ferreira, Carlos Garcia, Maria José Carvalho, Pedro Correia, José Lopes, Yúri Inocentes, Núrya Inocentes, Fernando Gonçalves e Luís Sérgio Mendes os votos de parabéns que enviaram pelo 2º aniversário do Karate-do.pt...

Das 118 visualizações que obteve o post anterior, 21 leitores congratularam este blog.

Sintomático para um blog que tem sido por vezes incómodo, mas objectivo... realista e à procura da verdade! Ver e nada dizer... consultar e não comentar... ler e não se comprometer...

Antes do 25 de abril, dizia-se:
- Meu filho, não fales porque vem aí a PIDE e prende-te!

A seguir ao 25 de abril passou a dizer-se:
- Meu filho, não fales porque dizem que és comunista!

Actualmente diz-se:
- Meu filho, não fales porque ficas queimado!

Mas este blog continuará a "Ser"!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

ANIVERSÁRIO!


A aventura iniciou-se às 17 horas e 8 minutos do dia 8 de Agosto de 2009. Faz precisamente hoje dois anos que Karate-do.pt está na blogosfera...

Dois anos em que foram colocados 315 posts os quais obtiveram 373 comentários.

29.241 visualizações e 36 seguidores, a última das quais desde ontem, do Brasil, Jornalista por profissão e Karateka por eterna vocação... visualizações essas provenientes de 46 países.

Páginas de artigos consultadas 109 vezes e de comunicações científicas 524 vezes.

O post mais visualizado, "O País que temos... ou o País que somos!", obteve 384 visitas.

Aos que só leram ou consultaram, aos que comentaram e aos que divulgaram, aos que aplaudiram e aos que detestaram, os meus agradecimentos.

Por isso mesmo, e como este blog tem "sido",  neste aniversário digo como Pablo Neruda: ! 


Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.


Um abraço cordial para todos!
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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Tenho vergonha de mim!

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Podia ser um português, mas não é! É um brasileiro que desabafa a sua indignação em língua bem lusitana.


Haverá algum português capaz de assumir uma posição semelhante?

Os meus agradecimentos ao Hélio Ramos, Açoreano de gema, por me ter enviado este vídeo!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Desporto no feminino - Maria José Carvalho

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Ao navegar pela internet, chamou-me a atenção há uns dias um título de uma das apresentações do célebre Congresso do Desporto: "REFORMA DO SISTEMA DESPORTIVO: Dos Moicanos ao Harry Potter; da Invenção do Cronómetro ao Cyber-Robot." Curiosidade activada, power point passado a fino...

Apresentação feita a 10 de Dezembro de 2006 por uma Mulher que abre a dizer que "há mais de 20 anos que participo, passiva e activamente em sessões públicas deste cariz. Resultados práticos..?? Poucos...!!" para continuar afirmando  que não "caíu de pára-quedas no sistema desportivo", que "o futuro é hoje" e que cita John Lennon: a vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro”.

Ex-praticante de voleibol e de andebol, tendo nesta modalidade sido campeã nacional, internacional A com cerca de 95 internacionalizações, e tendo participado em diversos Campeonatos do Mundo (1980 a 1994), Maria José Carvalho é Licenciada em Educação Física, Licenciada em Direito, Mestre em Gestão Desportiva, possui uma uma Pós-Graduação em Direito do Desporto e em 2007 concluíu o seu Doutoramento em Ciências do Desporto (Gestão Desportiva). Para além de dirigir o Gabinete de Gestão Desportiva da FADEUP, Maria José Carvalho ainda tem tempo, além da vida familiar, para se ocupar com a advocacia.    


Esta introdução serve pura e simplesmente para demonstrar que a par de uma vida profissional e familiar é possível atingirmos os nossos objectivos: é uma questão de gestão de tempo, é uma questão de opções, é uma questão de sacrifícios e também de força de vontade e de apoio familiar. Mas não desejando apresentar aqui nenhum currículum, aquilo que pretendo realçar é o tema da Tese de Doutoramento (2007) da Prof.ª Maria José: "Os Elementos Estruturantes do Regime Jurídico do Desporto Profissional em Portugal". Assunto com que muitos de nós pouco se preocupa e daí não percebermos porque Figo se passou do Barcelona para o Atlético de Madrid ou porque André Villas-Boas foi para o Chelsea... Confesso que não li a Tese, mas sei que existe um desporto profissional!

Logo no início de "Estado e Desporto Profissional: Relação Política e Regulativa" (1) a Prof.ª Maria José revela-nos que "o desporto goza de uma omnipresença e de uma omnipotência invulgares nos dias de hoje, sendo abusivo e incorrecto evidenciar e, sobretudo, superlativar uma das suas formas de expressão em detrimento de outras". Donde podemos inferir que há portanto várias formas de expressão do desporto, as nomenclaturas é que por vezes são diferentes (arte marcial, desporto de combate, etc.), mas que são Desporto.

Neste texto a autora percorre a história do desporto amador ao desporto profissional, aborda conceitos jurídico-desportivos e realça que o Direito não se reporta ao desporto profisisonal em si, mas sim às competições desportivas profissionais. Não temos nós no Karaté treinadores que são autênticos profissionais?

Da relação política passa para a relação legislativa (esta apresentada cronologicamente), mas o seu epílogo é fenomenal de onde transcrevemos o seguinte:

"Não podemos menosprezar a relevância da actividade económica e social e a peculiar lógica empresarial do desporto profissional, traduzidas principalmente no volume de negócios, de empregos e de fluxos turísticos." Mediante esta afirmação, talvez percebamos um pouco melhor por que motivos o Karaté nunca irá chegar a uns Jogos Olímpicos...

Continuando a transcrição: "Também não podemos olvidar o facto da prática desportiva profissional constituir um modelo, um referencial, para o bem e para o mal, do panorama desportivo nacional ." E aqui temos outro busílis da questão: até 2007 nunca foram detectados casos positivos de doping no Karaté... Processos disciplinares poucos... não por não haver indisciplina...

Mas o último parágrafo merece ser citado. "Contudo, é tempo de se proceder ao balanço deste intervencionismo, reflectir sobre a sua oportunidade e eficácia, sobre os seus pontos fortes e fracos, as suas ameaças e oportunidades, no fundo efectuar a reflexão e o debate público em torno da problemática do desporto profissional. Poderia ter sido o Congresso do Desporto, realizado entre 12 de Dezembro de 2005 e 18 de Fevereriro de 2006, o palco de excelência para o confronto de ideias e confluência de estratégias políticas, públicas e privadas, um passo importante para o projecto de desenvolvimento do desporto profissional (e aqui eu atrever-me-ia a acrescentar também o desporto amador, o de lazer e o escolar, embora não fosse este o tema a ser tratado na altura pela Prof.ª Maria José). Não o foi! Outros momentos terão de ser agendados e a curto prazo porque «não dar ao desporto (profissional) a devida importância é agir como se fôssemos circunstantes, vivêssemos fora do nosso tempo e ignorássemos a função que lhe pertence na modelação e feitura do mundo, da civilização e das pessoas» (palavras do Prof. Dr. Olímpio Bento)". 

"Outros momentos terão de ser agendados e a curto prazo..." o otimismo da Prof.ª Maria José sempre presente, mas já estamos em 2011...



Nota: negritos da responsabilidade de Karate-Do.pt.

(1) Maria José Carvalho, 2006, "Estado e Desporto Profissional: Relação Política e Regulativa", in J. O. Bento & J. M. Constantino, "O Desporto e o Estado - Ideologias e Práticas", Porto, Ed. Afrontamento.
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Informação do Exm.o Sr. Presidente da Mesa da AG da FNK-P

Do site da FNK-P, transcrevemos com a devida vénia:


Exmas. Associações, Praticantes, Árbitros e Treinadores,

É consabido que por força das alterações introduzidas, pelo DL nº 248-B/2008 de 31 de Dezembro, à Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto (Lei nº 5/2007 de 16 de Janeiro) a FNKP foi obrigada a alterar os seus estatutos de modo a conformá-los com a referida Lei de Bases em vigor.

É, também, consabido que por entendermos que essas alterações não beneficiam a estrutura federativa e a nossa modalidade, resistimos a essa alteração até ao último momento que correspondeu à exigência limite da entidade tutelar.

Na sequência das exigências impostas, a Assembleia Geral da FNKP, reunida extraordinariamente para o efeito, aprovou a alteração dos estatutos de acordo com aquela Lei de Bases.

É minha opinião pessoal e, presumo, de todos ou da maior parte dos agentes e membros da FNKP que esta alteração não acrescenta valor critico à FNKP, não acrescenta maior e melhor democraticidade, sendo até potenciador de confusão, conflitos e burocracia pelo que não auxilia o desenvolvimento da modalidade.

Porém, na qualidade de Presidente da Mesa da AG da FNKP estou obrigado a fazer cumprir os estatutos em vigor.

Assim e para cabal cumprimento do regulamento estatutário em vigor, decidi convocar uma Assembleia Geral eleitoral, com o fim único de eleger os órgãos federativos de acordo com as novas regras, para o próximo dia 17 de Setembro, em hora e local identificado na respectiva convocatória.

Nos termos das novas regras estatutárias, a Assembleia Geral da FNKP é constituída por delegados eleitos de acordo com o seu art.º 15º e 23º.

O acto eleitoral decorrerá nos termos previstos no Regulamento Eleitoral oportunamente aprovado em reunião de Direcção da FNKP.

Nos termos do nº 7 do art.º 4º do citado Regulamento Eleitoral, compete ao Presidente da Mesa da AG convocar e presidir à eleição de delegados dos praticantes, árbitros e treinadores, conforme as regras ali estabelecidas.

Já procedi à subscrição da referida convocatória, estando marcado o acto eleitoral dos delegados para o mesmo dia da AG da FNKP (17/09/2011), a realizar-se na sede da Federação, entre as 10h00 e as 13h00, de acordo com as regras eleitorais estabelecidas no nº 7 e seguintes do art.º 4º daquele regulamento eleitoral.

Chamo a atenção para a necessidade de uma leitura atenta daquele regulamento eleitoral a fim de se proceder de acordo com o ali preceituado, nomeadamente, no que respeita às candidaturas e prazos para o efeito.

Na certeza que todos compreendem as dificuldades que esta nova situação, por força das alterações introduzidas, acarreta e porque se trata de uma forma nova de eleger os órgãos sociais da FNKP, estranha a todos os actos eleitorais até agora realizados, solicito a melhor compreensão, colaboração e disponibilidade de todos os intervenientes para que o acto eleitoral ocorra de modo a servir os melhores interesses da modalidade e da FNKP.

Com as melhores saudações desportivas.

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral da FNKP

ELÍSIO SOUSA
ADVOGADO

Eleições directas para delegados à AG da FNK-P

Do site da FNK-P, transcrevemos com a devida vénia:


ELEIÇÕES DIRECTAS PARA DELEGADOS À ASSEMBLEIA GERAL DA FNKP

CONVOCATÓRIA

Nos termos das competências conferidas pelos Estatutos da FNKP em vigor, e do nº 7 do artº 4º do Regulamento Eleitoral da FNKP, aprovado em Reunião de Direcção em 09 de Novembro de 2010, convoco os praticantes, os árbitros e os treinadores de Karaté, inscritos na FNKP até 31 de Dezembro de 2010 e de acordo com o nº 8, 9 e 10 do artº 4º daquele Regulamento, para eleição dos respectivos delegados efectivos e suplentes à Assembleia Geral da FNKP, a realizar-se em acto eleitoral na sede da Federação Nacional de Karate – Portugal, sita na rua do Cruzeiro, nº 6 – r/c Dto. – Lisboa, entre as 10h00 e as 13h00 do dia 17 de Setembro de 2011.

Lisboa, 2 de Agosto de 2011

O Presidente da Assembleia Geral da FNK-P

Dr. Elísio Sousa

Conselho Geral da FNK-P

Do site da FNK-P, transcrevemos com a devida vénia:


CONSELHO GERAL

CONVOCATÓRIA

Nos termos das competências conferidas pelos Estatutos da FNKP, convoco o Conselho Geral da Federação Nacional de Karate – Portugal, para reunir em sessão extraordinária eleitoral, a realizar no próximo dia 17 de Setembro de 2011, com início às dez horas e encerramento às treze horas, no Comité Olímpico de Portugal, sito na Travessa da Memória nº36 – 1300-403 Lisboa.

ORDEM DE TRABALHOS

Ponto único – Eleição dos delegados, efectivos e suplentes, das associações de praticantes que sejam membros ordinários da Federação Nacional de Karate – Portugal à Assembleia Geral, de entre as listas de candidatos que, nos termos do Regulamento Eleitoral, sejam presentes.

Não comparecendo a maioria simples de associados para que o Conselho Geral possa reunir em primeira convocação, fica desde já convocado o mesmo Conselho Geral para reunir em segunda convocação, no mesmo dia, no mesmo local e com a mesma ordem de trabalhos, meia hora mais tarde, deliberando, então, com qualquer número de delegados presentes.

Lisboa, 2 de Agosto de 2011

O Presidente da Conselho Geral da FNK-P

(João Salgado)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Eleições para a FNK-P

Do site da FNK-P, transcrevemos com a devida vénia:


ASSEMBLEIA GERAL ELEITORAL

CONVOCATÓRIA

Nos termos das competências conferidas pelos Estatutos da FNKP em vigor e de acordo com o Regulamento Eleitoral aprovado em Reunião de Direcção da FNKP em 09 de Novembro de 2010, convoco a Assembleia Geral da Federação Nacional de Karate – Portugal para reunir em sessão extraordinária eleitoral, a realizar no próximo dia 17 de Setembro de 2011, com início às dezasseis horas e encerramento às dezoito horas, no Comité Olímpico de Portugal, sito na Travessa da Memória nº36 – 1300-403 Lisboa.

ORDEM DE TRABALHOS

Ponto único – Eleição dos órgãos sociais da Federação Nacional de Karate – Portugal para o quadriénio 2011/2015.

Não comparecendo a maioria simples de delegados para que a Assembleia Geral possa reunir em primeira
convocação, fica desde já convocado a mesma Assembleia Geral para reunir em segunda convocação, no mesmo dia, no mesmo local e com a mesma ordem de trabalhos, uma hora mais tarde, deliberando, então, com qualquer número de delegados presentes.

Lisboa, 2 de Agosto de 2011

O Presidente da Assembleia Geral da FNK-P

Dr. Elísio Sousa

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A violência na prática desportiva

Uma coisa é a violência na prática desportiva - entre os seus intervenientes diretos - outra coisa é a violência associada ao desporto - entre elementos do público, claques, hooliganismo, etc.,

A existência da primeira é mais condenável que a da segunda (se é que a da segunda pode ser menos condenável!). E é mais condenável se, de facto, o desporto for um campo de valores,,,

O que é certo é que começam a ser cada vez mais divulgados (o que não quer dizer que sejam mais frequentem) os comportamentos de violência entre atletas e jogadores, competidores ou desportistas.

Para os interessados, aqui fica uma listagem dos últimos vídeos em que vale a pena ver alguns animais em acção...

A Bola – 21.Jul.2011 - Paraguai - Venezuela termina com violência (com vídeo)

Record – 22.Jul.2011 - Atletas franceses trocam agressões no meeting do Mónaco (com vídeo) http://www.record.xl.pt/Galerias//interior.aspx?content_id=708690

A Bola – 23.Jul.2011 - Tour 2011: Alberto Contador agride espectador (com vídeo) http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=277394&rss=1

Correio da Manhã – 01.Ago.2011 - Jogador pontapeia árbitro (com vídeo) http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/jogador-pontapeia-arbitro-com-video

Expresso – 02.Ago.2011 - Agressão bárbara em jogo no Brasil (com vídeo) http://aeiou.expresso.pt/agressao-barbara-em-jogo-no-brasil-video=f664566

Record – 02.Ago.2011 - Jogo de basquetebol termina à pancada (com vídeo) http://www.record.xl.pt/multimedia/videos/interior.aspx?content_id=710348

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"Com bom advogado qualquer um se safa"

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Caso César Cielo - FINA arrasa TAS: "Com bom advogado qualquer um se safa".

Da responsabilidade de Duarte Ladeiras, com AFP, transcrevemos na íntegra, com a devida vénia, a notícia publicada ontem no jornal «Diário de Notícias» sobre este controverso caso.




O sucesso de um atleta acusado de doping junto do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) depende do nível do seu advogado e não da infracção de que está acusado. Esta forte crítica ao organismo máximo da justiça desportiva partiu da Federação Internacional de Natação (FINA), que não ficou satisfeita com o desfecho do caso César Cielo.

O brasileiro, campeão olímpico dos 50 metros livres, registou um controlo positivo, por detecção de furosemida, assim como outros três nadadores. Os quarto argumentaram que se tratou de dopagem acidental, por contaminação com furosemida de um suplemento nutricional, de cafeína, que os nadadores tomavam regularmente por prescrição médica. Todos foram punidos pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) com advertência e desclassificação, mas a FINA recorreu. O TAS só alterou a sanção de Vinicius Waked, impondo um ano de suspensão, por ser o segundo positivo da carreira deste nadador. De resto, o organismo máximo da justiça desportiva manteve as advertências.

O director executivo da FINA, Cornel Marculescu, mostrou o seu desagrado pela decisão do TAS. "Se tem um bom advogado qualquer um se safa. Se tem um mau advogado apanha o máximo. Se tiver um bom advogado e uma boa argumentação, consegue influenciar o painel de juízes. A margem é demasiado grande. Considero que é demais", afirmou Marculescu, referindo-se às sanções variáveis introduzidas pelo último código mundial antidopagem: dois a quatro anos de sanção para dopagem grave e intencional; até dois anos para substâncias específicas e doping acidental.

O responsável da FINA garantiu que quer discutir este assunto junto da Agência Mundial Antidopagem, para acabar com as enormes discrepâncias entre casos semelhantes. Marculescu deu como exemplo o caso da nadadora russa Anastasiya Ivanenko, que foi suspensa por dois anos, devido a um teste positivo também por furosemida, em Fevereiro de 2007 (altura em que o novo código antidoping não estava em vigor).

"Não é fácil explicar aos atletas porquê num dia é negro e no outro é branco. Como explicamos que se possa ir de uma simples advertência, que não significa nada, até dois anos pela mesma substância?", vincou Marculescu, considerando normal os assobios, vindos da tribuna dos atletas, quando Cielo ganhou os 50m mariposa no primeiro dias dos Mundiais [ganhou depois também os 50m livres]. "As pessoas estão frustradas."
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O drama que atingiu um dos heróis de Mandela

Mais um caso que reflete a vida futura dos que se dedicaram ao desporto.


Do jornal «Diário de Notícias» de hoje, com a devida vénia, transcrevemos a notícia completa.


Campeão mundial de râguebi em 1995 pela África do Sul - a mítica equipa que cumpriu o sonho de Nelson Mandela - e ex-capitão dos Springboks, sofre de doença degenerativa e tem cinco anos de vida.

Joost van der Westhuizen, ex-internacional dos Springboks, selecção sul-africana de râguebi, campeã mundial em 1995, viu esta semana confirmado por médicos norte-americanos que sofre de uma grave doença neurodegenerativa que lhe dá uma esperança de vida máxima de cinco anos.

Considerado um ídolo do desporto da África do Sul, o ex-capitão, de 40 anos, conta com 89 presenças nos Springboks, em que marcou 38 ensaios e 190 pontos de 1993 a 2003.
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Naoki Matsuda morre após desmaiar em campo

De novo uma morte em campo, com paragem cardiorrespiratória fatal...

Do jornal «Record» de hoje, com a devida vénia, transcrevemos a notícia completa sobre mais este caso de  morte súbita - mais uma entre tantas.


O antigo futebolista internacional japonês Naoki Matsuda, de 34 anos, morreu esta terça-feira devido a uma paragem cardiorrespiratória sofrida durante um treino que estava a realizar num clube da zona de Nagano, indicou a agência noticiosa nipónica Kyodo.

Segundo as informações divulgadas, Matsuda (à direita na foto) chegou inconsciente ao hospital, onde foram efetuadas, sem sucesso, tentativas de reanimação.

O defesa realizou 40 jogos com a camisola do Japão, tendo marcado presença no Mundial 2002, disputando um total de 385 jogos na Liga japonesa de futebol, ao serviço do Yokohama Marinos, clube que representou entre 1995 e 2010.
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Compreender a Kata


Habituados que estamos a definir Kata como "forma", ou como uma "sequência de técnicas de defesa e ataque que representam um combate real contra quatro adversários hipotéticos", deixamos aqui algumas observações que nos são transmitidas pelo Sensei Kenji Tokitsu no seu último livro.

Ao ponderar o significado de Kata como o conjunto básico de movimentos na prática de uma arte (1), comecei a descobrir a estrutura mental e o tipo particular de identificações (2) que cobriu cada prática.
A definição de Kata a que eu cheguei a partir deste estudo preliminar acabou por ser a expressão mais evidente de uma realidade social que era muito mais vasta e muito mais difícil de entender.

Em Japonês, a palavra Kata tem dois significados principais escrito com dois ideogramas:

1. "forma" 形 - etimologia:  "esboço de uma representação exata como que  usando pinceladas";
2. "molde" 型 - etimologia:  "forma original feita a partir de terra". Durante muito tempo, este ideograma também significou "faixas ou vestígios deixados para trás", "forma ideal", "lei", "costume".

A palavra Kata, significa então duas coisas. Primeiro, significa a imagem de uma forma ideal e seu contorno exato como ela vai ser representada. Em segundo lugar, começou a ser usada para designar a codificação e transmissão de conhecimento baseado num conjunto determinado de movimentos técnicos com o corpo, mas não sabemos em que era esse significado surgiu. Esse aspecto histórico é, de fato, bastante significativo.

Na realidade, a Kata desenvolve-se ao longo de uma tradição japonesa e deve ser olhada no seu contexto histórico.

Quando dizemos: "Eu tenho um corpo, eu tenho uma mão ..." uma separação já está em vigor. Este tipo de formulação antes não existiam em japonês, que foi inventado para traduzir idiomas Ocidentais. Esta separação não é sentida na técnica "wasa" ( técnica conectada ao corpo) (3). Qualquer um que adquire esta espécie de técnica tem a experiência de uma unidade total: "Eu sou o corpo, eu sou a mão" - além disso, "Eu sou a técnica, eu sou o que é feito". Neste sentido, o eu desaparece.


(1) Tokitsu refere-se aqui a arte como perfeição, incluindo o Noh, o Kabuki ou a Ikebana e não só a arte da guerra ou do combate.
(2) O autor usa a palavra "identificação" ao longo do texto, no sentido de "associar-se inseparavelmente com" (N. T.).
(3) Não nos esqueçamos que Kenji Tokitsu foi aluno do Sensei Funakoshi, que dizia que "muitas vezes, a quem falta a qualidade essencial da total seriedade, pode refugiar-se na teoria. A verdadeira prática não se faz com palavras, mas com a composição do corpo inteiro. O que aprenderes por ter ouvido aos outros, esquecê-lo-ás facilmente; o que aprenderes com o teu corpo, recorddá-lo-ás toda a sua vida." Mas também sabemos que para nós, ocidentais, a prática também tem de ser compreendida...

Apanha os botões de rosa enquanto podes!

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"Apanha os botões de rosa enquanto podes
E esta flor que sorri estará amanhã moribunda..."

- Em latim o termo para esse sentimento é carpe diem! Quem sabe o que significa?
- Significa “aproveita o dia”.
- Muito bem, Sr...?
- Meeks.
- Meeks, outro nome estranho. “Apanha os botões de rosa enquanto podes.” Porque é que o autor diz isto?
- Porque tem pressa!
- Não, mas obrigado por participar. Porque somos pasto para os vermes, rapazes. Acreditem ou não, todos nós nesta sala, um dia vamos deixar de respirar, vamos ficar frios e morrer.

- Carpe diem. Aproveitem o dia, rapazes. Tornem a vida de vocês extraordinárias.

(Clube dos poetas mortos, 1989)

  (A Bola, 27.07.2011, p. 37)

Felizes dos que apanham os botões de rosa enquanto podem!...
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