sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Prendinha de Natal: as Kata de Goju-Ryu

Com a  ajuda fantástica de Joseverson Goulart, que agradeço, e porque os meus alunos andam sempre a perguntar "qual é a Kata a seguir a esta Kata", aqui fica uma prendinha de Natal...

Apesar de treinarmos inicialmente Tachi Kata (a fim de definir posições de pés, pernas e distribuição do peso do corpo - linha perpendicular que passa no centro de gravidade dentro da base de sustentação), damos um maior relevo a Fukyu Kata Dai-ichi e a Fukyu Kata Dai-ni precisamente para começarmos a coordenar as posições, o equilíbrio e a sustentação com a movimentação técnica de base do trem superior. Por vezes, para um treino de rotações a 180 e a 270 graus também treinamos Taikyoku Shodan, apesar de ser uma Kata de Shotokan...

Mas são as seguintes as principais Kata do nosso estilo, com a sua escrita em japonês e os significados dos seus nomes:

GEKISAI (1º e 2ª) 撃砕 - "Atacar e esmagar". Estas foram criadas por Miyagi Chōjun. Quanto à 1ª e à 2ª, em japonês são Dai-ichi 第一 e Dai-ni 第二 respectivamente.
SAIFĀ 砕破/最破 Dois significados são possíveis para este kata (de acordo com os ideogramas / formas escritas) encontrados em publicações japonesas: 
SAIFĀ 砕破 - "Esmagar e Destruir"
SAIFĀ 最破 - "Destruição Extrema"
SEIYUNCHIN 制引戦/征遠鎮  Em japonês SEIENCHIN - Dois significados são possíveis para este kata (de acordo com os ideogramas / formas escritas) encontrados em publicações japonesas. Existem vários significados para o nome deste kata espalhados por diversas fontes, por esta razão os ideogramas são apresentados separados de modo a criar-se a nossa própria interpretação:
制 SEI - "sistema, lei, regra"
引 YUN / EN - "puxar, rebocar"
戦 CHIN - "Guerra, luta, confronto"
制引戦 - "Sistema de lutar a puxar" (porque é isso exactamente que fazemos nos primeiros movimentos deste Kata).
征 SEI - "Subjugar".
遠 EN - "à distãncia"
鎮 CHIN - "Tranquilizar, pacificar"
征遠鎮 - "Subjugar e tranquilizar".
SHISŌCHIN 四向戦/師壯鎮 Dois significados são possíveis para este kata (de acordo com os ideogramas / formas escritas) encontrados em publicações japonesas:
SHISŌCHIN 四向戦 - "Lutar enfrentando quatro (adversários)"
De facto, "SŌ" simplesmente significa "Encarar, confrontar, enfrentar...", mas um grande número de fontes ocidentais definem este kata como "Lutar em quatro direções" (?).
SHISŌCHIN 師壯鎮 - "Depois da Batalha, Grande Tranquilidade"
SANSĒRŪ 三十六 Em japonês SANSEIRU - "36".
SĒPAI 十八 Em japonês SEIPAI - "18".
KURURUNFĀ 久留頓破/来頓破 Dois significados são possíveis para este kata (de acordo com os ideogramas / formas escritas) encontrados em publicações japonesas:
KURURUNFĀ 久留頓破 - "Prender Por Muito Tempo Destruir Subitamente" onde: KU significa "longo tempo", RU significa "deter, apertar, parar", RUN significa "subitamente, imediatamente, com pressa", FĀ significa "quebrar, destruir, derrotar".
KURURUNFĀ 来頓破 - "Vir e Destruir Subitamente".
SĒSAN 十三 Em japonês SEISAN - "13".
SŪPĀRINPAI 一百〇八 (ou 百歩連 PETCHŪRIN)  Dois significados são possíveis para este kata (de acordo com os ideogramas / formas escritas) encontrados em publicações japonesas:
SŪPĀRINPAI  一 百〇八 - "108". Também conhecida por PETCHŪRIN  百歩連 - "Encadeamento de cem passos".
SANCHIN 三戦 - "Três batalhas".
TENSHŌ 転掌 "palmas rotativas, palmas giratórias, palmas circulares".

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Do "Desejado" à implosão...


Saudosismo é continuar à espera do «Desejado»... Preocuparmo-nos em comparar o passado com o presente para que não se cometam os mesmos erros no futuro é fazer história, mesmo que muitas vezes sintamos que ficamos bradando no deserto...

Como diria Camões na sua poesia lírica, em mil quinhentos e qualquer coisa:

Já me desenganei que de queixar-me
Não se alcança remédio; mas quem pena
Forçado lhe é gritar, se a dor é grande.
Gritarei; mas é débil e pequena
A voz pera poder desabafar-me,
Por que nem com gritar a dor se abrande.


Parecer é uma coisa, ser é outra! Como se costuma dizer, à mulher de César não basta parecê-lo, há que sê-lo! Há os que se sentem assim...

... mas há coisas que parecem e não o são... e faço minhas as palavras de António Aleixo (1899-1949):

Gosto do preto no branco,
Como costumam dizer:
Antes perder por ser franco
Que ganhar por não ser. 

Por outro lado há outros que parecem assim... e se sentem assim...

... e que para além de sê-lo parecem-no e que para além de parecê-lo são-no, tal como a mulher de César!

O problema está em distinguir os que parecem e são dos que parecem e não são... Quando exprimimos as nossas posições publicamente estamos sujeitos à crítica, ao confronto, à ameaça, ao afastamento, à ostracização, principalmente se somos discordantes do poder instituído. 
Não sou saudosista, nem por uma questão de idade nem de sonhos. Quando começamos a colocar recordações no lugar dos sonhos aí sim, já nem saudosistas somos. Somos derrotados, vivemos agarrados ao passado e nem sequer vivemos. O passado ninguém o pode modificar, mas podemos servir-nos dele para avançarmos para uma coisa que se chama progresso na evolução... para algo que se chama conhecimento, via transcendente para a sabedoria... 
Ser saudosista é discutir muito sobre a forma como o Karaté deve ser em vez de tentarmos compreender como ele de facto existe, para nos podermos servir disso para o servirmos a ele. Quando exprimimos as nossas posições publicamente, quando as fundamentamos, estamos a servir o Karaté e não a servirmo-nos dele.

Volto de novo a António Aleixo (hoje estou para aqui virado!):

Queremos ver sempre à distância
O que não está descoberto,
Sem ligarmos importância
Ao que está à vista e perto.

Porque será que nós temos
Na frente, aos montes, aos molhos,
Tantas coisas que não vemos
Nem mesmo perto dos olhos?

Em democracia prevalece a vontade da maioria. Mas respeitando a vontade das minorias.

A maioria detém a legitimidade do poder que lhe é concedido através dos actos eleitorais e das votações.

Mas democracias alicerçadas em minorias (veja-se o "extraordinário" número de delegados na última AG da FNK-P) caminham para a implosão...

O poder regulamentar em qualquer federação desportiva titular do estatuto de utilidade pública desportiva, é atualmente exercido, primariamente, pela Direcção.

A Direcção da Federação é, na substância, o órgão regulamentar por excelência. Que façam os regulamentos... nem precisam de ir à AG! Até porque, com Assembleias-Gerais destas, acabou-se a democracia... Tanto interessa ter 2 praticantes inscritos como 200...

アルマンド   イノセンテス

Para treinar o espanhol...


É  DE  FÁCIL  TRADUÇÃO , VALENDO  A  PENA  A SUA  LEITURA  INTEGRAL .!!!!!!....




FÁBULA DEL TONTO
                 
Se cuenta que en una ciudad del interior, un grupo de personas se divertían con el tonto del pueblo, un pobre infeliz de poca inteligencia, que vivía haciendo pequeños recados y recibiendo limosnas.  
Diariamente, algunos hombres llamaban al tonto al bar donde se reunían y le ofrecían escoger entre dos monedas: una de tamaño grande de 50 centimos y otra de menor tamaño, pero de un euro. Él siempre tomaba  la más grande y menos valiosa, lo que era motivo de risas para todos.  
Un día, alguien que observaba al grupo divertirse con el inocente hombre, lo llamó aparte y le preguntó si todavía no había  percibido que la moneda de mayor tamaño valía menos y éste le respondió:
- Lo sé señor,  vale la mitad, pero el día que escoja la otra, el juego se acaba y no voy a ganar más mi moneda.
Esta historia podría concluir aquí, como un simple chiste, pero se pueden sacar varias conclusiones:
La primera: Quien parece tonto, no siempre lo es. 
La segunda : ¿Cuáles son los verdaderos tontos de la historia?
La tercera: Una ambición desmedida puede acabar cortando tu fuente de ingresos.
La cuarta, y la conclusión más interesante: Podemos estar bien, aun cuando los otros no tengan una buena opinión sobre nosotros. Por lo tanto, lo que importa no es lo que piensan los demás de nosotros, sino lo que uno piensa de sí mismo.
                
MORALEJA
'El verdadero hombre inteligente es el que aparenta ser tonto delante de un tonto que aparenta ser inteligente'...
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sábado, 10 de dezembro de 2011

Mensagem...

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É precisamente no dia em que se comemora o 63º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem que desejamos deixar aqui uma mensagem a todas as Mulheres e Homens de Bem... a todos os  Homens (Seres Humanos, independentemente de géneros), a todos os Homens Bons...



E deixamos essa mensagem através de um poema de Bertolt Brecht:

Avança: ouvimos
dizer que és um homem bom.
Não te deixas comprar, mas o raio
que incendeia a casa, também não
pode ser comprado.

Manténs a tua palavra.
Mas que palavra disseste?
És honesto, dás a tua opinião.
Mas que opinião?
És corajoso.
Mas contra quem?
És sábio.
Mas para quem?
Não tens em conta os teus interesses pessoais.
Que interesses consideras, então?
És um bom amigo.
Mas serás também um bom amigo de gente boa?

Agora, escuta: sabemos
que és nosso inimigo. Por isso
vamos encostar-te ao paredão. Mas tendo em conta os teus méritos
e boas qualidades
vamos encostar-te a um bom paredão e matar-te
com uma boa bala de uma boa espingarda e enterrar-te
com uma boa pá na boa terra.

citado por Slavoj Žižek, in "Violência - Seis Notas à Margem", 2008, Lisboa, Relógio D'Água, p. 41.
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

E a lua veio até nos...

“- Mestre, a lua clara e tranquila brilha tão alto no céu!
- Sim, ela está muito longe!
- Mestre, ajude-me a elevar-me até ela.
- Porquê? Não vem ela até ti?” 

“Os melhores contos Zen”, 2002, Editorial Teorema.
Realizou-se a Assembleia-geral (AG) da FNK-P tendo-se eventualmente cumprido a ordem de trabalhos. Uma Associações foram admitidas outras não. Sendo a mesma composta por 53 delegados, de estranhar a presença na mesma de alguns que o não eram, pois estiveram apenas para apresentarem as suas associações, as quais já tinham o processo formalizado, para serem admitidas no seio da FNK-P. De estranhar porque alguns delegados tiveram de se elevar até à lua para descobrirem (ou não!) que deveria ter sido feita a apresentação destas associações no Conselho Geral (CG)… e aí sim, os resultados transitariam só para a AG com delegados. Mas o CG, órgão decorativo, para mais nada há-de servir… a não ser para aquilo para que foi especificamente formado: a eleição desses mesmos delegados segundo o poder das associações e para satisfazer estatutos reféns de um RJFD.
Veio a lua ter com alguns delegados ao descobrirem que outros delegados há que alegadamente nem sequer estão inscritos nalguma associação… então como apareceram nas listas a serem votadas? Tinham o seu nome nos cadernos eleitoral? Mas se valeu para uns, para outros não, pois eventualmente um outro delegado presente também não tinha o seu nome nos cadernos eleitorais aquando das eleições, mas lá estava cantando e rindo…
Estive na AG? Não, não estive e provavelmente isto nem se passou… Mas que eleições com cadernos eleitorais deturpados são uma fraude, lá isso são!
Foi aprovado o relatório e Contas? Provavelmente sim!...
Mas não sei se algum delegado perguntou como é que alguém que detém um cargo administrativo na direção tem a receber em 2010 a quantia de cinco mil oitocentos e tal Euros! Repare-se que o Presidente só teve a receber 924.10 Euros…
Ou de que maneira são organizados os campeonatos para só 3 elementos do Conselho de Arbitragem terem a receber 12.306.73 Euros… Como é que um só formador tem a receber 3.434 Euros?
Também não sei se alguém perguntou em que foram investidos os 37.855.72 Euros das receitas dos Cursos de Formação! Ou os 11.535.00 Euros das Licenças de Treinadores…
É que o dinheiro é nosso: nosso do que pagamos em taxas e em inscrições, nosso através daquilo que pagamos de impostos e o IDP atribui à Federação!
Estarão os delegados a desempenhar o papel para que foram eleitos? Isto é, representarem-nos e fazerem chegar a nossa voz à lua?
Mas alguém se preocupa com isto? Não, disto, ninguém quer saber! Venha a próxima auditoria e tudo estará em condições…
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Aníbal, o destino


Vai-se realizar a primeira Assembleia Geral da FNK-P presumivelmente segundo os novos moldes – segundo o atual RJFD. O primeiro facto a realçar é o de antigos hábitos continuarem a estar arreigados… a convocatória convoca os associados! Ora, os associados da FNK-P são as associações e os clubes, enquanto que a AG de amanhã será composta pelos delegados eleitos pelo Conselho Geral – e que continuamos a desconhecer quem são… Quem representa as/os associadas(os)? Quem representa os praticantes? Quem representa os treinadores? Ou serão mesmo as/os associadas(os) a estarem presentes?
Sobre os assuntos que vão ser debatidos e que estão presentes na ordem de trabalhos, os delegados (se forem estes) consultaram aqueles que representam? Levarão à AG a sua voz? São perguntas que ficam, mas que imaginamos terem respostas negativas. A ser assim, o modelo de representatividade democrático encontra-se adulterado… mas disto, ninguém quer saber!
Ordem de trabalhos: admissão de novas associações! Quantas estão à espera há vários anos? Com quotizações pagas? Claro que algumas não era conveniente terem sido aceites em AG antes da eleição dos próprios delegados em AG. Por que motivo? Porque eleições com cadernos eleitorais deturpados são uma fraude! Porque há tachos a defender: uma associação até nem possuía um determinado número de nomes no caderno eleitoral, mas como o seu expoente máximo tinha o seu nome numa lista, que tudo avance assim… e avançou, sem impugnações! Uma associação tinha 0 votos, nenhum nome no caderno eleitoral, mas o nome do seu máximo expoente aparece numa lista e… presumivelmente foi eleito! Que tudo avance assim…  E avançou, sem impugnações! E até sobre estes dois casos, sobre estes dois expoentes máximos, consulte-se o relatório e contas que também irá ser posta à aprovação amanhã!...  e tirem-se conclusões!... mas disto, ninguém quer saber!
Agora é altura de aprovar novas associações: pois é! São mais 500€ (os provisórios definitivos!) por cada uma em cada ano. Mas mesmo depois de admitidas, nunca estarão na AG…
Ordem de trabalhos: aprovação de Relatório e Contas! Souberam ganhar uma batalha, mas não sabem como explorar uma vitória! Veja-se quanto no Relatório e Contas entrou de taxas associativas, inscrições de atletas, cursos de formação de treinadores… e quando se recebem 90 e tal mil euros no primeiro semestre deste ano do IDP não se levam os cadetes e juniores ao mundial da Malásia! Mas disto, ninguém quer saber!
Temos de ser mais solidários, disse Aníbal…
No tempo das Guerras Púnicas, outro Aníbal saiu de Cartago com um exército de 60 mil homens para dominar Roma. Antes de alcançar o seu objectivo, destroçou em Canas as mais poderosas legiões romanas: pudera, Roma tinha cavalos e Cartago tinha elefantes… Um dos seus comandantes, Maharbal, que se encontrava à frente de um batalhão com 37 elefantes de guerra, disse a Aníbal:
- Chegou a hora: dentro de cinco dias estarás a celebrar o teu imenso triunfo com um banquete no Capitólio…
Mas não. Apesar do sucesso, Aníbal deixou-se levar por súbito sinal de medo (e outro ainda mais estranho de desconfiança na sua força) e em vez de avançar as tropas para o alvo, determinou (trágico) que se esperasse por melhor ocasião para o ataque – e foi quando Maharbal  lhe murmurou, desolado,  profético :
- Sabes como ganhar uma batalha, não sabes como explorar uma vitória…
Se a atual Direção da FNK-P não souber afastar o espírito que traíu Aníbal, não é apenas o banquete no Capitólio que perderá, é toda a possibilidade de começar a gerir este organismo de uma outra maneira – mais transparente, mais justa, mais democrática!... Perderá a possibilidade de cada vez mais se poder acreditar nela, de credibilizar a nossa modalidade…
E não se esqueçam do que aconteceu por Aníbal desbaratar o impulso de Canas: Cartago acabou arrasada por Roma – e Aníbal suicidou-se na certeza de que qualquer adversário, por mais fraco que seja, pode sempre vencer-nos através dos débeis flancos que lhes abrimos dentro de nós…
Ganhar uma batalha nunca significou ganhar uma guerra…
(Os meus agradecimentos a António Simões, diretor executivo de «A Bola», pela sua crónica “Aníbal, o destino”, publicada a 27.09.11, p. 47, de onde transcrevi alguns excertos, com o devido respeito e consideração).



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O verdadeiro investigador...


O verdadeiro investigador não é aquele que faz grandes descobertas... ao contrário do que muitos julgam! É aquele que comunica aos outros os resultados das suas pesquisas, das suas investigações!...
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Corrupção, ética, moral, deontologia - tudo no mesmo saco?


"Se um remédio pode fazer-me mais valente, mais lúcido, mais generoso, onde é que fica a ética?"
Slavoj Žižek, em entrevista feita por Enric González, publicada no “El Pais” de 25/3/2006.


Ao abrir ontem o jornal «Público» na página 23, deparei-me com um artigo de São José Almeida intitulado “A corrupção em Portugal mudou e já não é o que era”.
A autora começa com palavras de Cândida Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, que lembra que «a corrupção não é uma invenção recente em Portugal, como não o é em qualquer sociedade humana. Onde há exercício de poder, há iminência de corrupção, de que alguém tente ser favorecido por quem detém esse poder.» E após uma quase análise histórica e cronológica, termina o seu artigo com palavras de João Cravinho: «Há um grupo de avençados, que são pagos em carreiras políticas e que até podem achar que não participam na rede de corrupção, que não se reconhecem como agentes e beneficiários, mas são-no. Depois, há os inocentes úteis, que não participam directamente, mas sem os quais o sistema não se aguenta. São os que dizem: ‘Não tenho provas, tragam provas’.»

Mais adiante, nessa mesma edição, mas na página 39, encontrei a “Opinião” do Prof. José Manuel Meirim: «Deparamo-nos com um impressionante poder federativo, omnipresente e tantas vezes autoritário e arbitrário. Contemplamos a incapacidade da administração pública desportiva nas suas funções de fiscalização. Vivemos na omissão do Estado, do Governo e na sua cumplicidade perversa com algumas organizações desportivas, sejam clubes ou federações desportivas. E o Direito do Desporto, esse, perde muita da sua magia inicial. O mito cai redondamente. Resta-nos a via dura do combate desigual contra a indecência e as ofensas aos direitos fundamentais das pessoas e a sua dignidade.»

Há uma transversalidade nestes dois textos, e referem-se ambos a algo digno da citação de D. Álvaro Vaz de Almada, primeiro conde de Abranches (1390-1449) e que já manifestei num post mais abaixo: «é fartar ... fartar ... vilanagem!»

E quais os motivos? A Ética é um espaço de reflexão e de discussão que deve estar presente no seio de qualquer sociedade, de qualquer instituição, de qualquer organização… a não estar corre-se o risco de não se distinguir a animalidade irracional de uma matilha da democraticidade de um grupo organizado. A primeira só possui responsabilidades intraespécie, o segundo possui responsabilidades sociais – logo, intergrupal.

A Ética é prescritiva, a Moral é normativa! Logo, quando temos carreiras simultâneas de treinadores e de técnicos de arbitragem mais imperativo se torna o debate e a existência de um código deontológico para cada uma destas classes… mas disso ninguém quer saber!

Na nossa modalidade, o Karaté, tão cheio de “Do” que até já o retirámos de «Karate-Do», tão cheia de máximas e de “Dojo Kun”, onde tem estado esse espaço de reflexão? Onde tem estado a sua responsabilidade social? Mas disso também ninguém quer saber…
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sábado, 3 de dezembro de 2011

Comemoração!


Alunos há que treinam, que praticam Karaté comigo há 25, 20, 15... anos. São os mais graduados e juntamo-nos ao sábado de manhã, no meu Dojo, para fazer um treino mais exigente, de nível mais avançado.


Faltam nesta foto, e por motivos diferentes relativos a cada um(a), tirada no passado sábado, a Cristina, a Sara, o João e a Rita. Foi a minha última foto em Gi com 54 anos...

Na segunda feira passada completei 55 anos. Nada de especial a não ser ficar um ano mais velho (como o vinho do Porto) e quase a entrar na fase de poder dizer "no meu tempo fazia-se isto e aquilo..."!

Hoje, no final do treino, esses meus alunos felicitaram-me. Não com um presente, não com uma prenda... Mas com algo que calou cá no fundo, pelo seu valor! Uma simples folha de papel... Impresso sobre a imagem de um quadro japonês representando um bambú, escreveram o seguinte texto:

Não será o Dojo uma metáfora da vida?

Nos primeiros treinos de Karate começamos por ouvir a voz de alguém que nos ensina a agradecer, a saudar, a ser humildes, a aceitar a dor e os erros dos outros.

Depois esta voz ensina-nos a cair sem nos magoarmos e incentiva-nos a erguer mais rápido, preparados para o que vem a seguir.

A voz leva-nos a dar os primeiros passos e fazer os primeiros gestos de defesa… e ataque, para logo nos ser dito que tudo o que é apreendido ali - daquele Dojo - servirá sempre e apenas para nos defendermos e àqueles que amamos, nunca para atacar e magoar.

Tudo é ensinado quase em segredo. Nunca aqueles gestos devem ser executados apenas por capricho fora das paredes daquele Dojo. Fazemos agora parte de algo… de uma equipa, de um grupo! E é com este que crescemos.

Esta mesma voz acompanha-nos pelos treinos sem fim, pelos meses, pelos anos, ensinando, corrigido, polindo os milímetros de um gesto quase perfeito, moldando, de forma subliminar, o nosso ser e a nossa personalidade.

Em tom autoritário a voz nunca cessa de nos incitar a superar os desafios, de nos testar em exames, de nos obrigar a evoluir… num grupo secreto, com um código secreto, numa linguagem secreta que quem de fora ouve não entende.

E assim, sem darmos conta, tornamo-nos adultos, cintos castanhos, cintos negros, forjados pelo punho, pela insistência e perseverança dessa voz.

A voz...

Esta voz não pode, nem nunca será a de um simples treinador, mas sim a de um Mestre, a de um Sensei, que lidera pelo seu conhecimento e exemplo de vida, que é respeitada e perdoada sempre que magoa a nossa carne, pois tudo isto nos fez crescer.

Por isto, e por tudo o mais que fica nas entrelinhas, nós dizemos:

Domo arigato gozaimashita Sensei Armando.

Muitos parabéns!

Texto assinado pelo Rui, pela Cristina, pelo Ricardo, pelo Vensã, pelo João e pela Núrya. Felizmente consegui ler o texto todo em voz alta, mas por fora a presença era uma, por dentro a emoção era outra. Desejo aqui agradecer-lhes o seu contributo, o seu esforço e os anos que têm passado comigo. Também tenho aprendido com eles. E de todos eles recordo-me de episódios marcantes. Lembro-me do Rui que começou a treinar aos 11 anos e que dois anos depois a mãe me veio agradecer o que eu tinha feito pelo filho... e que agora é meu colega de profissão... Da Cristina que tinha vindo de campeã nacional de mini-trampolins e que me deu dois filhos maravilhosos que treinam Karaté porque querem e gostam... e que foi campeã da Europa... Do Ricardo, cujos pais em mim confiaram para aos  9 anos ir comigo a uma competição em Paredes, mais tarde a Múrcia, e que continua a treinar apesar de estar a fazer um mestrado... Do Vensã que quando veio da Guiné teve de dar a volta à vida para subsistir... e que fez a sua licenciatura treinando... Do João e da Núrya que conseguem nos dias de hoje conciliar a universidade com os treinos... Gostaria de lhes dizer aqui que também me orgulho deles!

Quero também agradecer aos mais novos atualmente e aos seus pais e mães a confiança que em mim têm depositado...

Se me perguntassem quem era a voz, eu diria: Frank Sinatra!
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Carta aberta ao anónimo das 12.30...


Desta vez dirijo-me a um anónimo... aos muitos anónimos, aos que escrevem comentários anónimos sem nada de construtivo... aos que me têm dado "certos" conselhos... aos que não mostram a cara (medo?, falta de coragem? receio de se identificarem e verem os seus privilégios comprometidos?)... aos que me têm desafiado para abordar isto e aquilo... É fartar, vilanagem...



É sabido que, por uma questão de princípio, não publico comentários anónimos... Gosto dos debates olhos nos olhos... com argumentos fundamentados mesmo que sejam contra os meus... contra fundamentalismos e hipocrisias. Já aqui publiquei opiniões contrárias às minhas (que de comentário até passaram a post)e debatêmo-las - lembro-me do Bruno Afonso, do Carlos Rodrigues, do Carlos Camelo...

Porque motivo este blog não tem mais comentários? Porque muitos receiam deixar aqui a sua marca, pois exijo uma identificação, e receiam represálias... têm medo de retaliações! Eu também tenho medo, tenho medo de ter medo, pois como diziam os romanos "veritas odium porit" - a verdade gera o ódio (já aqui o disse, volto a repeti-lo!).

Ao último anónimo, o das 12.30, que comentou o post anterior, deixo-o com Jorge de Sena e o seu "Camões dirige-se aos seus contemporâneos":

Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos, 
os símbolos, e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrar
em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável 
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos, 
Que um vosso esqueleto há-de ser buscado,
Para passar por meu. E para os outros ladrões,
Iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo.

Mas como Jorge de Sena pode ser areia demais para a sua camioneta, e já que este coloca Camões a dirigir-se aos seus contemporâneos, deixo-o com o próprio Luís de Camões e a sua Poesia Lírica (sempre é do século XVI e talvez perceba melhor!):

Quem pode ser no mundo tão quieto,
Ou quem terá tão livre o pensamento,
Quem tão exp’rimentado e tão discreto,
Tão fora, enfim, de humano entendimento,
Que, ou com público efeito, ou com secreto,
Lhe revolva e espante o sentimento,
Deixando-lhe o juízo quasi incerto,
Ver e notar do mundo o desconcerto?

Vá lá, caro anónimo, coloque lá mais um... mas fundamente, justifique, apresente obra feita!!! Pode ser que me apanhe bem disposto e abra uma exceção. Talvez eu publique o seu comentário!!!

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Políticos, dirigentes e treinadores... e ética!


Os meios de comunicação social deram-nos a conhecer que ontem foi apresentado pelo secretário de Estado da Juventude e do Desporto as linhas gerais do “Plano Nacional de Ética e Desporto”. Mas em lado nenhum encontramos linhas, quer sejam segmentos de reta, semirretas ou mesmo retas… Fala-se, diz-se, que será introduzido em Janeiro próximo, que tem como principal missão introduzir os valores de respeito e fair play no desporto, seja nas escolas ou na alta competição… Pessoalmente não acredito, pois vão-se preocupar com o público – e não com as claques; vão-se preocupar em criar mais uma comissão para… – e não com a ética na própria prática desportiva, porque isso de questões estritamente desportivas não são para os tribunais...

E vou explicar por que não acredito. Primeiro os políticos:
1º - Rui Pereira, professor de direito, antigo presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo e ex-Ministro da Administração Interna, declarava na sua crónica do «Correio da Manhã» (08.01.06, p. 12) quenenhuma sociedade assegura a inexistência de quaisquer distúrbios e a punição de todos os crimes. Por exemplo, o modo seguro de erradicar a violência desportiva seria acabar com o próprio desporto”. Logo, o modo de acabar com a violência na sociedade será acabar com a própria sociedade…

2º -
Ainda há poucos dias Bagão Félix, ex-Ministro da Segurança Social e do Trabalho, ex-Ministro das Finanças e da Administração Pública , atualmente membro do Conselho de Estado dizia (escrevia) na sua crónica em «A Bola» (10.11.2011, p. 2): "Sou um benfiquista com uma relação indestrutível de monogamia clubística. Seja qual for o contexto, a modalidade, o momento, não imagino outra situação que não a vitoriosa. Sei quantas vezes a imersão emocional me obnublia a emersão racional. Aliás, é esta transmutação que me conduz a desfrutar, sem peias, o prazer da parcialidade."
Reparare-se no "prazer da parcialidade"...
E continua: "De facto, não há - creio - adepto a cem por cento que não seja parcial. Com militantismo. De outro modo, é porque a paixão é menor do que a que julga possuir."
Ainda bem que "só crê"! Para ser apaixonado não é necessário ser militante... nem parcial... basta amar algo e saber discernir o bem do mal!

E vou continuar a explicar por que não acredito: em segundo lugar os dirigentes desportivos:

Faço minhas, com o devido respeito e consideração, as palavras da Prof.ª Jenny Candeias expressas na sua crónica de hoje em «A Bola» (01.12.2011, p. 40): “Ao longo dos anos apercebi-me de que as agressões são mais frequentes vindas do lado de dirigentes e suspeito mesmo que alguns devem ter antenas, como certos invertebrados, que lhes permitem sentir para que lado podem fugir, quando o interesse pessoal estiver em causa. São como aranhas, moscas, formigas, escorpiões e abelhas dos quais só nos apercebemos quando nos incomodam. Têm capacidades que lhes aguçam os sentidos e os levam a pôr em acção as tais antenas para chegarem ao que apenas lhes interessa: poder, reconhecimento, dinheiro, whatever… desde que se mantenham no cargo. Reconheçamos que aguentam, com um bom estômago, coisas que enojam. Têm poder de encaixe, mesmo quando desmascarados. São ingénuos (para não dizer outra coisa) e não compreendem factos que estão à vista de quem é míope. Uns, só muito tarde percebem no que se meteram, outros, para atacarem ou defenderem, não hesitam em lançar veneno.” Faltou simplesmente referir o cinismo e a hipocrisia.

E por que continuo sem acreditar? Em último lugar, os treinadores (felizmente não todos!):
 
Muitos só possuem o Curso de Treinadores, mas muitos outros são licenciados em Educação Física para além de também possuírem o seu Curso de Treinadores. Mas a competição não se compadece com amadorismos e procuram levar os seus competidores ao lugar mais alto do pódio a qualquer preço. Possuem competências técnicas e pedagógicas, mas faltam-lhes as competências éticas e morais! Muitos sabem mas não conhecem e conhecer é obrigação de quem ensina e de quem ministra treinos. Terem sido bons competidores não é sinónimo de serem bons treinadores!
Numa boa equipa, com bons atletas/jogadores/competidores, qualquer treinador é bom… ponham um bom treinador a treinar competidores medianos e veremos os resultados!...
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Competição: quando o princípio do sundome não estava presente!



(fonte: Thomas Jeff, in http://stiljeferson.blogspot.com/)

Ao minuto 3.31 breve imagem de um Torneio da OGKK em Okinawa.
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29 de Janeiro - uma data a reservar...

Um grupo de amigos, velhos conhecidos, resolveu reunir-se e partilhar os seus conhecimentos e a sua experiência, tanto técnica como pedagógica. O primeiro desses encontros realizar-se-á no próximo dia 29 de Janeiro...


João Ferreira - 5º Dan de Shotokan, Rui Marques - 4º Dan de Shotokai, João Pereira - 4º Dan de Wado-Ryu, Armando Inocentes - 5º Dan de Goju-Ryu, Filipe Chamorro - 3º Dan de Aikido e 2º Dan de Kendo, Álvaro Silva - 3º Dan de Shotokan, e ainda outros, entre os quais Nuno Russo, expert em Jogo do Pau - Esgrima Lusitana, estarão nessa data no Judo Clube de Portugal para ministraem um seminário para crianças e adultos sobre «Reação Espontânea e Deslocamentos», matéria interdisciplinar e com conteúdos transversais aos vários estilos ou modalidades.

Em breve teremos mais informações... mas 29 de Janeiro é uma data a reservar!
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OGKK ESPAÑA


Viernes 25, sabado 26 y domingo 27 de noviembre se ha realizado el cursillo interno de la asociacion en las instalaciones deportivas del municipio de Fuentealamo. Como de costumbre, mas de 120 karatekas de toda España nos juntamos para disfrutar de la ocasión, aprender con nuestro gran Sensei Onaga y repasar detalles básicos de nuestro estilo.



(Este texto foi adaptado do blog de Carlos Garcia, a quem agradeço as fotografias gentilmente cedidas.)