terça-feira, 18 de setembro de 2012

Carta aberta aos treinadores de karate-dō

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Assumindo-me essencialmente como treinador de karate-dō, dirijo-me a todos aquele que, tal como eu, abraçaram a responsabilidade de transmitirem conhecimentos teóricos e práticos acerca da nossa modalidade e que se dedicam e contribuem para a formação harmoniosa de seres humanos, independentemente de serem adeptos do "karaté desportivo" ou da "arte marcial". E realço que, neste momento, a legislação portuguesa não contempla «mestres» mas sim «treinadores de desporto»...

A 11 de Junho de 2011 tivemos no Auditório do Complexo de Alto Rendimento sito nas Piscinas do Jamor, na Cruz Quebrada, a última Assembleia-Geral da Associação Nacional de Treinadores de Karaté, onde foram eleitos os órgãos sociais para o triénio 2011-2014.

Nessa AG, onde foi equacionada a ação da ANTK nos últimos anos, o Presidente da Direção cessante afirmou que - e são palavras textuais - "não vale a pena perceber porque é que a ANTK não tem funcionado nestes últimos três anos". E reconheceu também que "a direção perdeu o mandato já há alguns anos" tendo esta revelado algumas "incompetências"... Acontece que o mesmo Presidente foi reeleito! Estavam presentes 33 associados, numa associação que já tinha contado quase com duas centenas de treinadores... Aquele que foi eleito Presidente do Conselho Fiscal viria a afirmar que "as coisas funcionaram um pouco artesanalmente..." mas concedemos nesse momento, os presentes, ao votarmos, o benefício da dúvida! Está provado que o "artesanalmante" continuou, mas o desempenho das nossas funções não se pode compadecer com isso!


Ao fim de um ano e três meses, em que o logo da ANTK apareceu em três ou quatro eventos, que orgão de classe temos que nos possa representar ou que defenda os nossos interesses? Tinhamos um original, agora temos uma fotocópia... Mas o mais preocupante é que nem os treinadores de  karate-dō  se preocupam com isso... até ao momento em que derem conta que não podem recorrer a nada nem a ninguém no momento em que necessitarem! Podem os treinadores exercer as suas funções sem uma associação de classe? Claro que podem, mas não é a mesma coisa...



Tem a ANTK feito algo em prol dos treinadores? Infelizmente a resposta é nula...

Nenhum dos pontos do art.º 2º dos estatutos da ANTK foi cumprido neste último ano - fins e atribuições da mesma! 

«Compete à Direcção declarar a perda da qualidade de associado mediante a actualização anual da listagem de associados» - art.º 7º, ponto 2. Onde está essa listagem? Nem publicada, nem enviada aos associados  - e eu encontro-me associado (ou encontrava-me, já não sei!).

A AG dever-se-ia reunir extraordinariamente no primeiro trimestre de cada ano para apreciar e votar aquilo que todos nós sabemos (art.º 16º), mas nada se passou... Reuniu-se? NÃO!! Se na altura (junho de 2011) existiam em caixa cerca de 5.200 Euros, que destino foi dado a essa verba? Em que se investiu durante este ano?

Estão pessoas competentes nos órgãos sociais da ANTK? Não duvidamos que sim! Mas não confundimos pessoas com desempenho de cargos! Qual o âmago da questão? Identificamos duas situações - a dos elementos dos órgãos sociais e a dos treinadores!

A primeira, que sem rebuço queremos deixar aqui, expressa uma opinião - e como tal discutível - sobre os elementos da Direcção: o Presidente é Assessor Técnico do Departamento de Formação da FNK-P e Formador, o Vice-Presidente é Formador da FNK-P e o Tesoureiro é Selecionador Nacional e Formador - logo, para além de conflito de interesses, parece-nos que quando se tentam tocar todos os burros ao mesmo tempo algum há-de ficar para trás... 




A segunda situação refere-se aos treinadores, pois esbarram numa parede, já que se quiserem solicitar uma AG terão de apresentar um requerimento com as assinaturas de cem associados fundadores e ordinários no pleno gozo dos seus direitos sociais (art.º 16º, ponto 2) - CARICATO!!! Possui a ANTK cem associados no pleno gozo dos seus direitos neste momento???

E esbarram numa parede em que quem detém o poder "representa os treinadores" mas que mais uma vez perdeu a legitimidade para os representar... logo, ilícito e inaceitável! Esbarram numa parede em que muitos perderam o interesse em fazerem-se representar... os ativos, os dinâmicos, os interessados, esbarram numa parede de apatia por parte de alguns treinadores...

Como sair desta situação? Como termos uma verdadeira associação de treinadores? Questões que deixo à Vossa consideração...
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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Tiago Silva participa no 14º Campeonato Mundial de Artes Marciais de surdos

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Publicada na página da internet da FNK-P em 2012/09/11, podemos ler a notícia com o título supra e que, com a devida vénia, transcrevemos:

"O Atleta TIAGO MANUEL SILVA, que pertence à ANAM – Associação Nacional de Artes Marciais, acompanhado pelo seu Treinador João Cardiga, foi selecionado para participar nos 14º Campeonatos Mundiais de Artes Marciais de Surdos, que se realiza na Venezuela nos próximos dias 17 a 24.

Desejamos os maiores êxitos, honrando, assim, o Karate nacional.

As despesas do Atleta e seu Treinador, são suportadas pelo Comité Paralímpico de Portugal."

Felicitando competidor e treinador, a questão que se coloca é se a nossa modalidade irá participar nos  Jogos Mundiais (IWGA) em 2013... (ver o comentário de João Boaventura ao post anterior).
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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Dia de...


Temos o dia do pai, o dia da mãe, o dia da criança... Temos o dia da água e o dia da árvore... Temos o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas (ainda temos?)... Os mexicanos têm o dia dos mortos, nós temos o dia de todos os santos... até já temos o "dia do nada"...

O  editor-chefe do jornal «Record», Luís Pedro Sousa, diz na página 2 da edição de hoje que hoje é "dia de Cristiano Ronaldo"...

Agora temos o dia do karate-dō, a comemorar-se a 7 de outubro, na campanha desenvolvida pela Federação Mundial, com vista a que esta modalidade integre o programa olímpico - sim, porque o  karate-dō é uma modalidade olímpica, o que acontece é que não integra o programa dos Jogos Olímpicos... Uma campanha largamente difundida nas redes sociais e denominada "The K is on the Way"!

Mas, por que motivo 7 de outubro? Precisará o  karate-dō de um "dia"? Pesando prós e contras, comparando com outras modalidades, será benéfico para o  karate-dō este integrar o programa dos Jogos Olímpicos?

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Armstrong: Herói ou Vilão? - por Lídia Peralta Gomes

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Fantástica a crónica de Lídia Peralta Gomes na edição de hoje do «Record», na sua página 2, intitulada "Herói ou Vilão", a qual, porque vale a pena ler e comentar, com a nossa reverência transcrevemos na íntegra.


A DECISÃO DE ARRANCAR A LANCE ARMSTRONG OS TÍTULOS NO TOUR NÃO É LÍMPIDA. 
A DESISTÊNCIA DO NORTE-AMERICANO TAMBÉM NÃO.

(Foto: Reuters, Record, 27.08.2012, p. 2)


No verão de 1999 estava prestes a fazer 12 anos e tinha três meses de férias. Foi assim até 2005, ano em que entrei para a faculdade. Durante esses sete anos abdiquei de estar com os amigos, de ir à praia, enfim, tudo aquilo que os miúdos fazem nas férias.

Tudo para ver Lance Armstrong a subir o Alpe d’Huez, o Hautacam e o Galibier, para ver o norte-americano a passear-se de amarelo nos Campos Elísios, permanentemente a tremelicar de emoção por sentir que, sim, estava a ver a história a desenhar-se à minha frente. Nós, mais novos, somos mesmo assim, precisamos de heróis como de pão para a boca.

Agora sei que, muito provavelmente, todas essas tardes fechada em casa foram tempo perdido. Muito provavelmente porque, sem confissão cabal por parte de Armstrong ou sem a divulgação pública de provas concretas, podemos optar por confiar na agência norte-americana antidopagem (a já célebre USADA) ou não. O processo é, no mínimo, nebuloso. Por um lado, o texano é condenado tendo por base testemunhos de um grupo de ex-colegas, gente da credibilidade de um Floyd Landis ou de um Tyler Hamilton, a quem foram oferecidos acordos que, diz-se, envolveriam penas de suspensão por doping substancialmente mais leves e a possibilidade de não terem de devolver todos os prémios monetários ganhos ao longo da carreira. E, oficialmente, continua a não existir uma amostra positiva que prove que Armstrong andou todos estes anos a brincar connosco.

Por outro lado, não será este "baixar de braços" justificado com "cansaço" (!) quase uma declaração de culpa? Face a acusações tão atrozes, capazes de deitar por terra a mais bonita história do desporto, não seria lutar até ao fim a única opção? Principalmente quando estamos a falar de alguém que desafiou as estatísticas e venceu um cancro quando tinha menos de 40% de hipóteses de o fazer? Estranho.

Esperemos então pacientemente pelo veredicto final da UCI, única entidade que pode retirar os 7 títulos no Tour a Lance Armstrong, confirmando a decisão da USADA, que à luz dos regulamentos é discutível. Mas nada vai evitar que para sempre o Planeta fique dividido em dois: entre os que acreditam que Armstrong é um dos maiores campeões do desporto mundial e os que creem que é uma grande fraude. De que lado é que eu estou? Confesso, ainda não sei. Não sou ingénua ao ponto de pensar que o Mont Ventoux se sobe com bifes e esparguete, mas também sou partidária daquela máxima postulada por S. Tomé: ver para crer.

domingo, 26 de agosto de 2012


The Power of Karate Comes From the Brain

Brain scans of karate experts show that there are subtle differences in certain areas of brain that probably enables them to punch harder from a very close range.

Publicado na «Medical Daily» a 15 do corrente e da autoria de Amber Moore, pode-se (e deve-se!) ler aqui.

Responsabilidade desportiva - por Fernanda Palma

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Com a devida vénia, transcrevemos a crónica de hoje de Fernanda Palma, publicada no Correio da Manhã, na sua página 14, intitulada «Responsabilidade desportiva». Porque interessa a todos os que se interessam por desporto...


Entre a responsabilidade desportiva e a responsabilidade penal existe uma fronteira qualitativa que, por vezes, se revela imprecisa. Os comportamentos adotados pelos atores desportivos no decurso das provas ou em seu redor atingem, com frequência, um nível de veemência física que invade o espaço de liberdade e segurança dos adversários.

A responsabilidade penal começa quando uma prática não se configura como mera violação das regras desportivas, por ser grosseiramente lesiva e inadequada. Por exemplo, no pugilismo, os murros na nuca são proibidos, mas não implicam, em regra, responsabilidade penal. Mas uma dentada na orelha (como foi dada por Tyson a Holyfield) já é ofensa corporal.

É certo que o Código Penal não traça a fronteira entre condutas aceites ou toleradas na atividade desportiva (ainda que violadoras das regras do jogo) e comportamentos que devem ser considerados ofensas corporais, à partida simples, puníveis com prisão até três anos mediante queixa. Têm de ser as representações sociais a fornecer esses critérios de adequação.

Um critério possível atende ao conjunto de condições de que depende a prática desportiva. Se no futebol, por exemplo, se considerasse ofensa corporal o vulgar empurrão ou a rasteira, tornar-se-ia inviável o próprio jogo tal como hoje o conhecemos. Só haverá aí ilícito desportivo. Mas nada impede a intervenção do Direito Penal se um jogador esmurrar outro.

As ofensas corporais são pois delimitadas, naqueles desportos que se praticam através de jogos ou lutas, por critérios de adequação social que abrangem não só as práticas permitidas pelas regras do jogo, mas também aquelas que estão próximas e representam riscos típicos da atividade desportiva. Trata-se de riscos que os intervenientes aceitam presumivelmente.

Uma questão que foi suscitada pelo recente caso de Luisão é se, no relacionamento entre atletas e árbitros, valem também certos critérios de adequação. Embora a margem de tolerância seja menor do que na relação entre atletas em competição, a resposta é positiva. Há casos em que a responsabilidade pode ser restringida ao plano puramente disciplinar.

A existência de dolo (ofensa ‘voluntária’) ou negligência grosseira, a gravidade da ofensa e os motivos e fins do agente, no contexto da situação concreta do jogo, são elementos de que depende a afirmação da responsabilidade penal. No caso de esta existir, será cumulável com a responsabilidade disciplinar, por ter sido praticada uma infração desportiva.


sábado, 25 de agosto de 2012

Uma reflexão sobre os resultados nacionais em Londres 2012

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Passou a euforia... passaram os aplausos e as críticas... arrefeceram os ânimos...

Por isso mesmo uma última reflexão, esta sobre os resultados nacionais nos J. O. de Londres 2012, conforme o prometido!

De um lado os que argumentaram que os portugueses sofrem de falta de cultura desportiva - quem o afirmou saberá quantos buracos tem um campo de golfe? Ou as medidas de uma baliza de futebol? Ou quem foi Oscar Schmidt? - de um outro lado os que afirmaram que esta delegação portuguesa foi a melhor preparada de sempre, os que afirmaram que o desporto português está obsoleto... ou ainda os que disseram que aos portugueses faltou o querer, o treinar e o vencer...

O que é certo é que se falou muito nos diplomas... depois falou-se muito numa medalha de prata... 

Uma comitiva com 77 competidores - mas nada se disse quanto aos restantes números do staff... quantos dirigentes, quantos fisioterapeutas, quantos treinadores, quantos psicólogos (terá ido algum?)... ou quanto se gastou... ou qual os montantes com que contribuíram os patrocinadores (EDP, Continente...)!

Certezas ficam: nós é que sustentamos aqueles que foram a Londres... quando pagarmos a luz ou formos ao hipermercado...

Certezas ficam: atletas tratados de maneira diferente... os que perderam e ficaram lá, os que perderam e tiveram de vir embora... quem ficou, ficou à nossa custa (e os argumentos que sustentam essa tese são discutíveis!).

Um só exemplo, que tive a oportunidade de constatar, e que deixo para reflexão: a Irlanda tem  cerca de 6 milhões de habitantes, Portugal cerca de 10 milhões... A Irlanda levou 54 competidores, Portugal 77... A olho nu, proporcional! Mas a Irlanda levou para casa 1 medalha de ouro, 1 de prata e 3 de bronze...

Mas o mais curioso é que tanto os medalhados como os restantes irlandeses foram tratados de maneira igual, na vitória e na derrota!


(Foto: Armando Inocentes)


Estamos em crise mas houve dinheiro para Londres! Justificou-se irem atletas só para "rodar"? Talvez sim, talvez não...

Enquanto o governo inglês aproveitou logo as primeiras medalhas para apresentar um discurso sobre o desenvolvimento do desporto escolar, o que aconteceu cá? Anunciou-se em plenos Jogos a perda das bolsas dos atletas tal como se anunciou a redução da carga horária de Educação Física nas escolas...

Criticar os atletas? Se deram o seu máximo na preparação e nas provas, não é merecido mesmo que tenham sido derrotados... Mas se foram passear, sim, critiquem-se estes mas também quem os levou a Londres...

Não temos uma base que sustente a pirâmide? Não, nem parece que a venhamos a ter... O desporto escolar não pode resolver tudo... clubes e federações têm as suas responsabilidades...

Agora, durante quatro anos, façamos umas sardinhadas, bebamos um penaltis, discutamos o futebol e... estaremos prontos para os próximos J. O. - estaremos cá para pagar de novo!

"A única competição que verdadeiramente importa é a próxima. A anterior já é uma medalha na vitrine ou na gaveta, ou no baú."* Atrevo-me a acrescentar - HOJE! Aguardamos os resultados dos paralímpicos e a visibilidade que terão...

* Bernardinho, 2007, "Cartas a um Jovem atleta: determinação e talento, a caminho da vitória", São Paulo, Ed. Campus/Elsevier, p. 90.

Nota: já agora, sabem quem foi Bernardinho?

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Portugal: o rescaldo dos J. O. Londres 2012

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A comunicação social, hoje, dá-nos conta que o investimento do Estado português na preparação e participação nos Jogos Olímpicos Londres 2012 ascendeu a 15,1 milhões de euros e resultou na obtenção de uma medalha de prata, a "mais cara" das últimas três edições, numa contabilidade simplista.

Nos Jogos que ontem terminam, a Missão de Portugal totalizou 28 pontos, tal como em Pequim 2008, resultantes das 10 posições de finalista alcançadas: uma medalha (7), dois quintos lugares (8), dois sextos (6), dois sétimos (4) e três oitavos (3).

Mais uma vez numa aritmética simplista, sem correspondência direta com a realidade, Portugal investiu uma média de 196 mil euros por cada um dos atletas presentes em Londres 2012, ao longo de quatro anos, aproximadamente seis vezes menos do que a anfitriã Grã-Bretanha, um dos "gigantes" dos Jogos.

Comparando com todos os países da Europa, que não só os da União Europeia, Portugal não escapa à parte final da tabela, ficando no mesmo patamar que Chipre e Montenegro. Sem medalhas, só Áustria, Albânia, Malta, Luxemburgo, São Marino, Islândia, Lichtenstein e Ilhas Feroé.

Portugal “perde” para todos os países de população idêntica (aproximadamente com 10 milhões de habitantes), nomeadamente para a Hungria (9,9 milhões e 17 medalhas), Bielorrússia (9,4 milhões e 13) e Suécia (9,4 milhões e 8).

Fica também atrás de países com cerca de metade da sua população, como a Dinamarca (5,5 milhões e 9), a Irlanda (4,5 milhões e 8) ou a Noruega (5,0 milhões e 4), ou francamente mais pequenos, como Estónia (1,3 milhões e 2), Eslovénia (2,0 milhões e 4) ou Croácia (4,2 milhões e 6).

Na Europa, numa classificação ponderada de população (população por medalha), Portugal só supera a Turquia - país que teve cinco medalhas e tem 74,7 milhões de habitantes, o que dá uma média de uma medalha por 14,9 milhões. No topo da lista, a Eslovénia...

Bravo, Portugal!!!


(Fontes: sapo.pt e desporto.publico.pt)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Londres 2012: o que se recordará? (4)

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Recordar-se-ão as medalhas... porque a meritocracia impõe essa medida! Há quem defenda que a cultura desportiva de um país se vê pelo número de medalhas ganhas em J. O., campeonatos mundiais e afins... Ora, ontem nos J. O., o "medalheiro" dava para a China 36 medalhas de ouro, 22 de prata e 18 de bronze, dando para os USA 34 de ouro, 22 de prata e 24 de bronze. Se o índice mais importante for as medalhas de ouro, teremos a China em primeiro lugar... se o índice a ter em conta for o número de medalhas, teremos os USA (80) em primeiro lugar e a China em segundo (76)... se atribuirmos peso 3 às medalhas de ouro, peso 2 às de prata e peso 1 às de bronze teremos ambos os países empatados (170 "pontos")... 

Logo, tudo depende do critério a ter em conta!!! Para que serve o "medalheiro"? Por que não um medalhário?

Hoje o "medalheiro" já dá 39, 25, 26 para os USA e 37, 24, 19 para a China... ou seja, 90 - 80...

Por que não contar o número de competidores de cada país e relacioná-lo com os resultados? Comitiva grande tem mais hipóteses de medalhas? Deverão participar todos os atletas que atingiram os mínimos nem que seja para "rodarem"? Economicamente não deverão participar só os que têm mais possibilidades de alcançar o pódio? Os "wild cards" terão a sua razão de ser? 

QUAL O MOTIVO DESTAS QUESTÕES? 

Granada tem apenas nove atletas a competir em Londres. Kirani James, de 19 anos, vencedor dos 400m em atletismo com 43.94 segundos (campeão do mundo em 2011 em Daegu) representa este país... e é a sua única medalha de ouro! 

A nossa comitiva tem mais de 70 competidores e (só) tem uma medalha de prata... mas se contabilizarmos os "entre os 8 primeiros" estaremos à frente de Granada...

Mas Granada aparece em 41º lugar e Portugal em 58º no "medalheiro"...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Segue o teu sonho...




Em tempo de Jogos Olímpicos, nada mais apropriado do que seguirmos os nossos sonhos... até porque, como diria o poeta,  o sonho comanda a vida. "Segue o teu sonho", na caligrafia de quem foi um grande Mestre da Okinawa Gōjū-Ryū Karate-Dō Kyōkai (沖縄剛柔流空手道協会), Miyazato Ei'ichi (宮里栄一) Sensei.



Fonte: Michael Clarke, 2011, "Shin Gi Tai - Karate training for body, mind and spirit", Wolfeboro N. H.,YMAA Publication Center.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Espírito, técnica e corpo...

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Com a devida vénia, de Joséverson Goulart em 日本故知 - "A sabedoria antiga japonesa" -, transcrevemos o seu  post intitulado "SHINGITAI".



Shingitai é uma expressão composta por três ideogramas:


SHIN - Espírito.
GI - Técnica.
TAI - Corpo.

Antigamente era possivel encontrar esta expressão em pergaminhos (Kakejiku) pendurados em Dōjō e o seu significado indicava os valores - hierarquicamente do mais importante ao menos importante - aos quais deveria ser dado mais importância no treino de um guerreiro.

Assim, o treino espiritual vinha em primeiro lugar, o treino técnico em segundo lugar e o treino do corpo em terceiro lugar.

Outra interpretação fala da faixa etária: "Quando somos jovens, devemos ter um corpo forte, quando somos adultos devemos ter uma técnica forte e quando a idade chega devemos ter um espírito forte."


Não vou entrar no mérito da questão a respeito de como é feito o treino espiritual porque isto depende do contexto, da escola e de quem ensina.


NOTA: Sobre o tema, recomenda-se também a leitura do texto de Denis Andretta em karatedo-net.blogspot.pt.

domingo, 5 de agosto de 2012

Londres 2012: o que se recordará? (3)

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Já não temos mais dúvidas: Londres 2012 será recordada pela vitória de Usain Bolt na final dos 100 metros, com o tempo de 9,63 segundos, novo recorde olímpico e a segunda melhor marca de sempre (claro que a primeira também é dele!)... para além das 22 medalhas de Phelps... e da participação de Oscar Pistorius nos 400 metros...

E não, não vamos ainda abordar os resultados nacionais, pois vamos esperar pelo final - só disso veremos o que será recordado após a cerimónia de encerramento.

Mas não podemos deixar passar um facto mais importante que uma medalha... mais exemplar que a obtenção de um diploma... e que se recordará, seja qual for o resultado amanhã nos 3000 metros obstáculos femininos!

Clarisse Cruz, que caiu logo no início da prova de 3000 metros obstáculos, soube levantar-se e continuar... soube sofrer e lutar… e acabou por ser quinta na segunda série, com 9m 30,06s, tempo que bate por quase dez segundos a sua anterior melhor marca (9m 40,30s) apesar do desaire.

(Foto: David Gray/Reuters, in publico.pt)

Clarisse não é profissional como as suas adversárias: trabalha oito horas por dia na Câmara Municipal de Ovar. 

E mesmo assim Clarisse qualificou-se (ontem) para a final… Amanhã estará a competir!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Londres 2012: o que se recordará? (2)

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Rendemo-nos às evidências: Londres 2012 será recordada pelas 19 medalhas de Phelps...

Mas, mais uma vez, também por alguns motivos caricatos...


1. O treinador de vela da Coreia do Sul, Lee Jae-cheol, regressou a casa mesmo antes do início dos Jogos após ter sido interceptado pela polícia britânica a conduzir embriagado...

2. O futebolista suíço Michel Morganella foi o segundo atleta olímpico a ser dispensado da respectiva comitiva por comentários xenófobos numa rede social...

3. Quatro duplas femininas de badminton foram excluídas depois de terem gerido os seus jogos de maneira a encontrarem a seguir adversárias mais fracas...

4. O selecionador feminino do Japão deu instruções às suas futebolistas para evitarem o triunfo frente à África do Sul (resultado final 0-0). Norio Sasaki disse em conferência de imprensa que não queria que a sua equipa jogasse na Escócia (o que aconteceria em caso de triunfo), onde teria de disputar os quartos de final...

5. O pugilista angolano Tumba da Silva foi impedido de competir porque o seu treinador se esqueceu da pesagem...

6. No halterofilismo Zulfiya Chinshanlo venceu a categoria de 53Kg. Segundo uns, a atleta nasceu em Almaty e competiu pelo Cazaquistão... Segundo outros, é chinesa, chama-se Zhao Changling, se é do Cazaquistão mudou de nacionalidade e deveria ter esperado, como dizem os regulamentos, três anos até poder competir pelo novo país. O que é certo é que no pódio cantou o hino do Cazaquistão!


Desaparecem as "Shitei Kata" da competição?

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Jesse Enkamp anuncia no seu blog (Karate by Jesseo fim das "Shitei Kata", afirmando que finalmente vão desaparecer de cena dos campeonatos da WKF...

Embora não tenhamos nenhuma confirmação oficial sobre o assunto, a credibilidade que nos merece Jesse Enkamp leva-nos a aplaudir esta medida. Primeiro, porque cada Kata é específica do seu próprio estilo. Segundo, porque certos competidores - principalmente a nível de alta competição - tiveram de aprender a executar as Kata de outros estilos, com todas as implicações daí provenientes. Terceiro, porque standardizar aquilo que é um legado é abastardar um pouco o Karate-Dō. Quarto e último, porque a nível dos escalões mais jovens, uma progressão técnica racional no treino da Kata não os leva a atingir o seu verdadeiro significado - e aqui refiro-me principalmente às Kata de Gōjū-Ryū: SAIFĀ e SĒPAI - quando são obrigados a apresentá-las em competição.

Enkamp brinda-nos ainda com uma carta de 1982 da Okinawa Karate Federation dirigida à Japan Karate Federation, que vale a pena ler... e constatar quem a assina.   E a seguir a resposta...

terça-feira, 31 de julho de 2012

Londres 2012: o que se recordará? (1)

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Não sei se estes J. O. serão lembrados no futuro por causa dos grandes feitos, dos recordes ou dos atletas...

Mas de certeza que serão recordados por algumas particularidades um pouco insólitas!

1. Por causa do registo da palavra "Olympic" ser pertença do COI, o restaurante londrino Olympic foi obrigado a tapar as duas últimas letras durante o período em que decorrem os jogos e um pub teve de riscar no seu menu a baguete denominada "olympic torch" (tocha olímpica)...

2. A organização convidou o baterista dos «The Who», Keith Moon, para tocar na cerimónia de encerramento... Ora, Keith Moon faleceu em 1978!

3. A delegação indiana desfilou com uma "penetra" junta ao porta-estandarte...

4. Algumas das chaves das portas dos estádio de Wembley foram perdidas... pela polícia!

5. Nur Suryani, de 29 anos, competiu na prova de carabina... grávida de oito meses! De saudar...

6. Ye Shiwen, nadadora chinesa de 16 anos, venceu os 400 metros estilos, batendo o recorde mundial, sendo nos últimos 50 metros mais rápida que o próprio Ryan Lochte...

7. A primeira medalha de ouro da Lituânia foi conquistada por Ruta Meilutyle nos 100 metros bruços. Idade: 15 anos...

8. Broncas na ginástica e na esgrima. O pódio masculino da ginástica foi para a China, Grã-Bretanha e Ucrânia. Protestam os Japoneses, que ficaram em quarto, retificam-se as notas, Japão passa para segundo e Ucrânia fora do pódio. Na esgrima feminina, a coreana Shin A Lam, no combate contra a alemã Britta Heidemann, sofreu o toque que ditou a derrota (5-6) e a impediu de lutar pelo ouro no último segundo. Shin A Lam e o seu treinador clamaram por um erro de cronometragem defendendo que o tempo já se teria esgotado. A coreana sentou-se na pista em lágrimas e aguardou uma hora pela decisão sobre o protesto apresentado. Abandonar a pista significaria aceitar o resultado e a decisão. Passada uma hora, o protesto do treinador de Shin A Lam foi rejeitado e a atiradora coreana foi escoltada para fora da pista.


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Mesmo antes da cerimónia de abertura... e até logo!


Começaram antes de começar... mesmo antes da cerimónia de abertura, os J. O. de Londres 2012.


Começaram com o futebol feminino...


Começaram com a exclusão da saltadora grega Paraskevi Papahristou por comentários considerados racistas no Twitter...


Começaram com o anúncio de nove novos casos de doping, três ainda referentes ao Mundial de Atletismo de Daegu...


Começaram com a troca de bandeiras da Coreia do Norte pela da Coreia do Sul durante a jornada de abertura do torneio olímpico de futebol feminino...atrasando-se cerca de uma hora o início do jogo!


E continuaram com mais quatro atletas excluídos: dois halterofilistas turcos, um saltador em altura grego e um lançador de disco húngaro...


Logo, na cerimónia de abertura, Jordan Jovtchev, com 39 anos, simultaneamente presidente da federação de ginástica do seu país e ginasta competidor, será o porta-estandarte da Bulgária...


O que nos espera mais nestes Jogos Olímpicos? Até logo!



quinta-feira, 26 de julho de 2012

A vitória do género feminino: Parabéns a todas as Mulheres!


É conhecida a aversão de Pierre de Coubertin à participação das mulheres nos Jogos Olímpicos. 

Nos 204 países que sexta feira desfilarão na cerimónia de abertura dos Jogos de Londres 2012, atrás de cada bandeira poderemos ver pelo menos uma mulher pela primeira vez - é o caso do Brunei que só terá Maziah Mahusin, de 19 anos, para participar nos 400 metros. A Arábia Saudita terá duas judocas...

Parabéns a todas as Mulheres!


terça-feira, 24 de julho de 2012

FIFA: um dia a casa vem abaixo com tanta corrupção


O título é enganador. Até os menos céticos sabem que uma das instituições associativas privadas mais poderosas no mundo jamais virá abaixo por padecer de uma doença denominada corrupção. Esta tem vindo a denegrir e manchar, contínua e sigilosamente, o nome e a instituição em si desde há muitas décadas mas atingiu o seu auge a meio dos anos 90 e em meados da década de 2000.
Nomes como João Havelange (ex-Presidente da FIFA), Ricardo Teixeira (ex-Presidente da CBF e ex-membro do Comité Executivo da FIFA), Jack Warner (ex-vice Presidente da FIFA e ex-Presidente da CONCACAF), Bin Hammam (ex-Presidente da AFC e ex-membro do Comité Executivo da FIFA) têm vindo a ser arrastados na lama. Já Sepp Blatter, actual Presidente do organismo máximo do futebol mundial, luta todos os dias contra acusações provenientes de todo o lado, aumentando os seus telhados de vidro.
Ficou recentemente provado pelo Ministério Público Suíço que os dois primeiros, curiosamente ex-sogro e ex-genro respectivamente, receberam mais de 41 milhões de dólares em subornos relacionados com a atribuição dos direitos de imagem e marketing dos Mundiais FIFA. Por outro lado, para além de Warner ter lucrado balúrdios com a venda de bilhetes para os Mundiais FIFA no mercado negro, este e o seu ex-amigo Bin Hammam foram figuras de respeito na movimentação obscura que sempre ocorre nos bastidores que antecedem a decisão final sobre a candidatura vencedora da organização de um mundial de futebol
Hammam chegou mesmo a perfilar-se como um sério candidato a bater Blatter nas últimas presidenciais. A única entrave foi uma denúncia feita à FIFA a indicar que o qatari tinha comprado votos a seu favor lá para os lados de Trinidad e Tobago onde quem mandava era, precisamente, Jack Warner. Resultado: Hammam retirou a candidatura, foi banido para sempre da FIFA mas ganhou na semana passada o recurso que interpôs para o Tribunal Arbitral do Desporto, não tendo ficado provada a sua ligação a tais pagamentos mas, antes e apenas, a Jack Warner.
Agora, para nos ir entretendo como se de uma verdadeira novela se tratasse, temos apenas os telhados de vidro de Sepp Blatter: entre outros, regozijo-me com a transferência erroneamente efetuada por uma empresa suíça corrupta já falida (ISL), no valor de 1 milhão de dólares em Março de 1997, para a conta bancária da FIFA que Blatter fez questão de reencaminhar, acertadamente, para a conta pessoal de Havelange. Mas, para mim, o mais recente Comité de Ética da FIFA criado por Blatter e a imposição de um novo Código de Ética são a cereja no topo do bolo. Se o futebol fosse uma indústria séria e credível, os seus administradores não eram mais ricos que muitos clubes que lutam pela sua própria sobrevivência...


Transcrito com a autorização do autor, João Diogo Manteigas, publicado no Expresso de hoje (aqui).

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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Para acabar de vez com a educação física e o desporto escolar?

Crónica do Prof. Dr. José Manuel Meirim, no «Público» de ontem, domingo, na página 51:


1. Tantas e tantas vezes, nas aulas de Direito do Desporto, direccionadas para alunos das escolas superiores de Desporto, refiro os direitos que a Constituição da República Portuguesa consagra no âmbito desportivo e mesmo no da educação física.

Há como que um trio de ataque ou, visto pelo râguebi, um talonador e dois pilares.


O artigo 79.º estabelece o direito de todos ao desporto e adianta que incumbe ao Estado, designadamente em colaboração com as escolas, promover, estimular, orientar e apoiar a prática e a difusão do desporto.

Segue-se o artigo 64.º, onde se consigna que o direito à protecção da saúde também se realiza pela promoção da cultura física e desportiva, escolar e popular.

E, por fim - o que aqui é uma manifesta simplicidade -, o artigo 70.º, relativo aos jovens, especifica que eles gozam de protecção especial para efectivação dos seus direitos na educação física e no desporto.

2. Se bem atentarmos, nestas três normas da lei fundamental deste infeliz país, há algumas constantes: deveres a cumprir pelo Estado, o valor da escola, os direitos dos jovens e a importância da educação física e do desporto.

Visto isto, e muito mais que este espaço não pode albergar, o Governo faz tábua rasa deste património com as medidas que entendeu estabelecer para o próximo ano lectivo. As palavras para "encher" o programa do Governo na área do desporto cumpriram essa missão de propaganda e, como é norma, por aí se quedaram inertes.

Reduzir carga horária e tudo o mais que tenha a ver com a educação física e o desporto escolar é a política do Governo em total contramão com documentos e estudos, nacionais, europeus e internacionais.

3. São inúmeras as declarações de protesto e revolta que se recolhem sobre esta postura negacionista do valor do desporto na escola. Entre tantas outras manifestações de desagrado pelas medidas do Governo, registem-se a carta (aberta) ao ministro da Educação subscrita por 26 professores catedráticos, uma petição em defesa da Educação Física e mesmo a realização de um Congresso Extraordinário ("Não há Educação sem Educação Física"), organizado pelo Conselho Nacional das Associações de Professores e Profissionais de Educação Física e pela Sociedade Portuguesa de Educação Física.

4. Sabe-se bem como a força jurídica dos direitos económicos, sociais e culturais, onde se inserem as normas de que demos conta, é diminuída quando em confronto com o regime próprio dos direitos, liberdades e garantias.

Porém, um dos possíveis efeitos apresenta-se formalmente como algo que assusta qualquer pessoa: o princípio da proibição do retrocesso social.

Em que consiste? Basicamente em a Constituição não permitir que, quanto a um concreto direito, uma vez alcançado um patamar da sua realização, o Estado possa reduzi-lo.

Sujeito a elevado debate teórico, o princípio não tem recebido os favores do Tribunal Constitucional. Mas não é por isso que se deve abandonar essa bandeira normativa. Os outros tribunais, pelo menos num primeiro momento, podem ter uma palavra a dizer sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade dos despachos que traduzem essa diminuição do valor físico e desportivo quanto aos jovens em idade escolar. E, afinal, quem garante que o Tribunal Constitucional não altere a sua posição? 

domingo, 22 de julho de 2012

Do infinito valor da esperança

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Habituei-me a ler em «A Bola», quase como obrigatório, às terças feiras António Simões, Sidónio Serpa e Manuel Martins de Sá. Já antes lia Olímpio Bento, Jorge Valdano e Duda Guedes... às quintas feiras leio Jenny Candeias e às sextas Tomaz Morais. No «Record» habituei-me a ler diariamente alguns outros cronistas. Ao domingo é obrigatório Fernanda Palma no «Correio da Manhã», Daniel Sampaio e José Manuel Meirim no «Público», tal como José Luís Nunes Martins no «i». É deste último cronista, com o devido respeito, que pretendo transcrever neste blog algumas das considerações que tece na edição de ontem do jornal «i», na página 13, e cuja crónica com o título supra, pode ser lida na íntegra aqui:

"Só quem acredita no quase impossível sabe viver. A existência humana quando autêntica paira no intervalo estreito entre a fé e o desgosto, sempre com poucas certezas e muitas dúvidas.

(...) Qualquer espera dói. Porque se experimenta a falta do que não está, e porque por vezes se percebe que depois de se ter alcançado o que se espera haverá perda, entrando-se num estado onde a recordação do bom provocará angústia. Dessa forma, ainda antes de alcançado o objectivo, já se consegue pressentir a inquietação de ter perdido o que ainda nem sequer chegou. Mas há sempre futuro. Sempre. Mesmo quando não há esperança, há futuro...

(...) Há muitas ilusões, fraudes e fantasias. Saber distingui-las das esperanças é um dos pilares da sabedoria. Ter esperança é bem mais fácil do que acreditar nela, porque quem acredita verdadeiramente aposta a vida – e a morte – sabendo que nada faz sentido sem uma entrega completa. Esperando, mesmo contra todas as probabilidades.

Pobre é aquele que nunca esperou por nada, muito mais até do que quem, na esperança, passou todo o seu tempo à espera."
O que tem isto a ver com o Karate-dō? É só fazer o transfer... para bom entendedor, meia palavra basta!!!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Francisco Lázaro: como uma vítima passa a herói... ou um mito desfeito...

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Realizou-se ontem no Museu do Desporto, no Palácio Foz, uma tertúlia "Em Memória de Francisco Lázaro", cuja morte fez cem anos no passado dia 15. Presentes para além do Secretário de Estado do Desporto - Alexandre Mestre, do Presidente do COP - Vicente de Moura, do Presidente da CDP - Carlos Paula Cardoso, do Presidente da CPAT - José Curado, assim como de Fernando Mota e Jorge Vieira da FPA e do Presiente da nossa Federação, João Salgado,  outras personalidades compareceram.

A sessão, moderada por Cecília Carmo, jornalista da RTP, iniciou-se com a apresentação de um filme (que pode ser visto aquisobre a Maratona de Estocolmo de 1912.
António Simões, Diretor Executivo do jornal «A Bola» e vencedor do prémio Norberto Lopes dissertou, numa perspectiva histórica, sobre as dificuldades que já nesse tempo os nossos atletas tiveram para ir aos J. O. de Estocolmo, assim como sobre a vida pessoal (o seu trabalho de carpinteiro, a esposa grávida de quatro meses...), o treino e a maratona de Francisco Lázaro.
João Campos, treinador olímpico de atletismo, mostrou-nos o que é a preparação de um atleta olímpico para uma prova como a maratona, realçando que naquele tempo o treino de Lázaro, desafiando os elétricos desde o Bairro Alto até Benfica era tudo menos treino para a maratona.
Pedro Branco, médico da FPA, enfatizou o que sente um maratonista aos 10, aos 20 e aos 30 quilómetros, desfazendo a ideia de que a morte de Lázaro tivesse sido causada por uma meningite.
Jorge Silvério, Professor na Universidade do Minho, psicólogo do desporto e acompanhante de treinadores e atletas, colocou a tónica no termo "tenacidade" e mostrou como é importante a preparação psicológica de um atleta que tem de percorrer solitariamente 42,195 quilómetros.

Assim se desfizeram as ideias de que Lázaro tinha sido o único corredor a partir de cabeça destapada, tal como se desfez o mito de que Lázaro alguma vez tivesse andado à frente da maratona, questionando-se ainda um facto nunca esclarecido: quem era o seu treinador?

Ou por ter untado o corpo com sebo antes da corrida, o que impedia a sudação, ou pelo uso normal na altura da "emborcação" (uma mistura de quatro claras de ovo, uma gema de ovo, água destilada, essência de terebentina rectificada e ácido acético), ou por ter utilizado estricnina (normal também nessa época), ou por ter ingerido demasiado líquido na altura do abastecimento, o que é certo é que acabou por falecer... Desidratação e insolação foram apontadas como causas oficiais da sua morte. No relatório da autópsia a sua morte é atribuída a um «desequilíbrio hidro-electrolítico irreversível», onde consta ainda a referência a um fígado «completamente mirrado, do tamanho de um punho fechado e rijo, de tal forma que só se conseguia partir a escopro, como se fosse uma pedra.»

Francisco Lázaro, a quem se atribui a frase "ou ganho ou morro", pode não ter ganho, mas entrou para a história dos Jogos Olímpicos de Verão talvez pelas piores razões - ou porque a pátria precisava de um herói nessa altura -, dando início a uma lista de mortes que tem nomes como o do pugilista romeno Nicolae Berechet (Berlim, 1936) e o do ciclista dinamarquês Knud Jensen (Roma, 1960).