sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A "arte" do treinador ou a "arte" do Mestre?

...
Equacionar o termo "arte" num contexto de «arte marcial» arrastou-nos para outras perspetivas! Uma colaboração, que divulgamos aqui, chega-nos através de António Santos - e com o equacionamento de novas questões! Os nossos agradecimentos!


OSS

Ora vamos tentar dar uma ajudinha na temática da "arte", o que nos leva ao DESPORTO DE COMBATE ou ARTE MARCIAL...

Penso que os karatekas podem não saber teorizar a menor distância entre dois pontos, mas sabem muito bem percorrer a distância mais curta entre dois pontos (uma linha reta).

Os karatekas sabem bem o que é o/a Bunkai, os treinadores é que podem ter dúvidas.

Os treinadores são obrigados a preocuparem-se com o resultado desportivo, mas o objetivo dos Sensei é ensinar KARATE-DO.

O tema levantado é pertinente e atual, mas para mim preocupa-me mais onde é que tem de ser discutido.

Provavelmente numa organização de karatekas, mesmo que ela se chame Associação Nacional de Treinadores de Karate.

No dia 10 de setembro de 1994 em Coimbra e a 21 de Abril de 1996 em Lamego, alertei para esta questão o então preletor (agora presidente da ANTK) de uma ação de formação da Federação, dizendo-lhe que não me identificava como treinador. A reação foi mais ou menos:
- Este tipo que vem lá do estrangeiro pensa que é quem?
Perante tal reação calei-me, e apenas lhe pedi uma assinatura no meu passaporte desportivo (recordo que o atual presidente da ANTK foi o interpelado).

Estou em querer que o passo tinha que ser dado, porém logo aí devíamos ter acautelado se havia diferença entre arte marcial e desporto de combate.

Agora estamos no dilema:
Somos treinadores de desporto ou mestres de karate-do?

Alguns, embora não soubessem param onde iam, queriam era dar um passo grande. O certo é que chegados aqui, (uns de forma voluntária, outros puxados e outros arrastados) olhamos uns para os outros e começamos; ai ai ai ...ai ai ai que não me sinto bem com o rótulo  de treinador, pois não me diferencio entre treinador de desporto e mestre de arte marcial.

Aconselho a tomarmos o exemplo do Sensei Chujun Miyagi em 1940 quando perante uma situação difícil criou um/a kata que se dá pelo nome de Gekisai dai ichi, e tem a particularidade de no final avançar com o pé direito.
Avançamos todos, nem que seja apenas um só passo, rumo à nossa organização de classe, mesmo que ela se chame ANTK.
Uma vez a casa arrumada, podemos teorizar as diferenças entre o desporto de combate e as artes marciais. Para além de tentarmos saber "arte: o que é?" teremos de saber onde está a "arte"...

Mas atenção, todos são mesmo todos. Porque o todo é sempre mais do que a soma das partes.

António dos Santos.
Praticante de GOJU-RYU.

domingo, 21 de outubro de 2012

Arte: o que é?


Já nos preocupámos muito com o termo "marcial", mas rara é a vez em que nos pre-ocupamos com termo "arte" - proveniente do latim ars (técnica e/ou habilidade).

(Fotos: capa de «A Bola», 22.08.2012 e capa de «Mind Power», de Kazumi Tabata,Tuttle Pub.)

A grande questão que quero aqui colocar aos leitores deste blog é a seguinte: se afirmamos que o karate-dō é uma "arte marcial", o que se entende por "arte" nesta situação? 

Aceitam-se sugestões... comente por favor!

domingo, 14 de outubro de 2012

Demitam-se, sejam honestos!



Devemos desafiar os treinadores de escalões jovens a pensar primeiro o processo.
Tomaz Morais
(«A Bola», 12.10.2012, p. 40.)


Este deveria ser, por exemplo, um dos desafios já há muito lançado aos treinadores de karate-dō... por quem possui responsabilidades na matéria! Não sabemos é se existe esse "quem"...

Mas nós, treinadores de karate-dō, sabemos que existe  (ou que não existe...) uma Associação Nacional de Treinadores de Karaté, e conhecemos a sua obra (?) desde o seu início em 2000... 

Mas não vamos falar do passado... vamos falar de uma associação que gostaríamos de ter (pelo menos alguns treinadores, talvez a maior parte!)... talvez no futuro!

Mais do que cargos repartidos por estilos, associações ou por zonas do país seria benéfico ter um grupo que trabalhasse em prol dos treinadores, os representasse, defendesse os seus interesses e com o qual pudéssemos contar e colaborar .

Gostaríamos de ter uma associação em que se reunissem todos os treinadores - ou a maior parte deles - com direitos e deveres iguais, sem termos de ter  associados Fundadores, Ordinários e Extraordinários (estes últimos, não estando especificamente incluídos na categoria anterior, são aqueles que "manifestem um relacionamento atendível com as actividades de ensino e treino de Karaté" - serão "treinadores" sem cédula de treinador de desporto?). Gostaríamos de ter uma associação em que todos tivessem direito a voto, até mesmo aqueles que frequentaram os seus cursos de formação, podendo no entanto não exercer o ofício!

Gostaríamos de ver uma associação com uma Direção ativa e dinâmica, uma associação em que os órgãos gerentes fossem eleitos para um período de quatro anos (e não três), acompanhando os ciclos federativos, colaborando com a Federação... para promover a nossa modalidade.  Uma Direção que se preocupasse com as preocupações dos treinadores, interventiva e que nos congregasse. Zélia Matos diz que, em relação à competência para intervir, se devem distinguir "duas componentes principais – o conhecimento e a disponibilidade para agir."* Só conhecimento não chega... Não há disponibilidade? Demitam-se, sejam honestos!

Seria ótimo vermos uma associação de classe preocupar-se em dinamizar a existência de comissões de apoio. Um exemplo: uma comissão que levasse os árbitros a ensinar verdadeiramente as regras e os regulamentos de arbitragem aos treinadores virados para a competição. Mais dois exemplos: uma comissão que elaborasse os tão propalados códigos éticos e deontológicos, assim como uma comissão de juristas para apoio aos treinadores e à Direção nos casos de disciplina e na aplicação de sanções, assim como para a defesa legal dos treinadores. No que se refere à defesa dos interesses dos treinadores, quantos deles conhecem as cláusulas da apólice do seguro desportivo?

Gostaríamos de ver uma associação de treinadores com um site autónomo onde, para além do comum, se colocasse a listagem dos treinadores licenciados. Pais, praticantes, competidores e público em geral deveriam saber quem está habilitado a ministrar o ensino, o treino e a prática do karate-dō.  Isto seria uma medida pedagógica e uma medida fiscalizadora! Ou que cumprisse os seus Estatutos publicando os nomes dos seus associados... Gostaríamos de ver essa associação organizar, pelo menos de dois em dois anos, um Congresso de Treinadores, a fim de poder dar voz aos seus anseios, reunindo mesmo todos os que não fossem seus associados. A informação hoje em dia é célere - gostaríamos de ter uma associação que criasse um blog onde todos se pudessem expressar ou levantar as suas questões, não de ter um site (mais que desatualizado!) incluído numa outra associação e de não ter uma página no Facebook inativa, imóvel, amorfa...  Gostaríamos que os treinadores se fizessem ouvir! Que levantassem a sua voz! Que comunicassem uns com os outros e que quebrassem o isolamento a que se sujeitam e a que os sujeitam…

Apetecia-nos dizer, através da nossa associação de classe, tal como Sidónio Muralha diria:

Algemados – não importa por que leis –
Seja qual for a vossa raça e a vossa casta,
Vinde dizer o que sabeis!
– por agora é quanto basta.


Gostaríamos de ter uma organização digna do seu nome que atribuísse uma identificação a cada associado, uma organização digna do seu nome que publicasse material de apoio aos treinadores e organizasse Acções de Formação não só com técnicos credenciados da nossa modalidade mas também com técnicos de outras modalidades e Professores Universitários.

Acima de tudo, seria lindo termos uma associação de classe que promovesse as competências dos Treinadores dedicados ao karate «desportivo», mas também aos que são a favor do karate «tradicional» e do “dō”, aos preocupados com a formação de Seres Humanos - o que se poderia conseguir através de estágios tradicionais de cada estilo com mestres de renome e de consenso entre as várias linhas... e ao mesmo tempo através da realização de colóquios, seminários ou conferências com pessoas especializadas na cultura japonesa e na filosofia da nossa modalidade.

Ouro sobre azul seria termos uma associação que representando-nos, tivesse uma bandeira dentro da nossa sociedade, colaborando pelo menos com uma instituição de solidariedade social. A visibilidade da organização só poderia credibilizar e dignificar os treinadores de karate-dō.

Gostaríamos de ter uma associação de treinadores que esclarecesse a todos as dificuldades que estarão para surgir com o novo Programa Nacional de Formação de Treinadores e com a Cédula de Treinador de Desporto, com a sua duração de cinco anos, com a supervisão pedagógica...

Será uma utopia? Pensamos que não, pois uma verdadeira associação de classe poderia unir-nos se por nós tivesse consideração... Os treinadores são os verdadeiros motores da modalidade! Sem treinadores nada mais há... nem competidores, nem prticantes, nem karate-dō!

Parafraseando José Fanha, diríamos que

Não sabemos de palavras vãs
peito aberto a meio da praça
somos construtores de amanhãs
em cada dia que passa.


Os treinadores de karate-dō têm sido construtores de amanhãs. Embora desamparados, alguns sós, têm sido construtores de amanhãs e pretendem prosseguir nesse caminho. 

Os treinadores de karate-dō merecem… há é quem não os mereça!!! 

* Zélia Matos, 1989, “Professor de Educação Física.  Aspectos éticos da sua profissão.”, in “Desporto, Ética, Sociedade”, FCDEF-UP.


Nota aos leitores deste post:

Se entenderem que devem continuar na vossa "quinta", 
se entenderem nada dizer para não criarem inimizades 
ou para defenderem os vossos privilégios,
então não comentem!

Revelarei depois quantas visitas o mesmo teve...


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Comemorar o 3 de outubro...

...
Todos os anos costumo comemorar o dia 3 de outubro... Este ano não comemorei - talvez porque 5 de outubro fosse o último feriado comemorativo da implantação da República, talvez porque 7 de outubro fosse o primeiro dia do karate-dō...

Mas quais os motivos? Simples - foi a 3 de outubro de 1973 que pela primeira vez enverguei um karategi! Um karategi feito por medida - sim, fui tirar medidas primeiro e foi confecionado depois -, pois ainda não os havia comercializados em barda (isto em Luanda) e muito menos de várias marcas. Um karategi em que não havia costuras na manga - tal como nos kimono - como nos de agora...

(fotos: arquivo pessoal)

Nesse dia fiz pela primeira vez a saudação à entrada do dōjō  - um dōjō ao ar livre, com piso de cimento, em que fazíamos bolhas debaixo dos pés que antes de rebentarem já tinham outras bolhas por baixo...

Etiqueta, aquecimento e primeiras técnicas ensinadas por João Fiel Lopes, na altura kyu... E a partir daí, sempre às segundas, quartas e sextas e ritual  mantinha-se, por vezes na praia ao fim de semana...

Não comemorei este ano no dōjō, mas fica aqui a comemoração!

(fotos: Cristina Lopes)

No próximo ano serão 40 anos... aí sim, espero comemorar de uma outra forma, agradecendo aos que me ensinaram e continuam a ensinar, aos que me têm acompanhado ao longo da vida nos momentos difíceis e nos momentos de glória, a alguns colegas com quem tenho compartilhado ideias, conhecimentos e suor, aos meus alunos - alguns que deixaram a prática mas que continuam em contacto comigo - com quem divido aquilo que faço e aquilo que sei...

No próximo ano...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Festival de Artes Marciais em Alfragide

...
No passado dia 29 de Setembro a Junta de Freguesia de Alfragide levou a efeito um Festival de Artes Marciais apresentando o kenpō, o karate-dō e o taekwondō. Aqui ficam algumas imagens dos momentos altos deste Festival que falam por si... com os nossos agradecimentos pelo convite endereçado!


A apresentação do Festival esteve a cargo do Dr. Luís Festas e da Dr.ª Beatriz de Noronha, Presidente da Junta de Freguesia, que deram as boas vindas aos três representantes destas modalidades diferentes...

O kenpō terminou a sua demonstração com um teste de quebra... 

Okinawa Gōjū-Ryū Karate-Dō Kyōkai esteve representada por 26 praticantes da PGKS, dos dojo de Alfragide e da Tapada das Mercês, demonstrando várias fases de treino...










Todo o programa técnico, desde a base até aos aspetos mais avançados, foram percorridos nesta demonstração  apresentada por praticantes de vários escalões etários e karatekas de várias graduações, a qual culminou com apresentação de uma aplicação (bunkai) da kata "SĒPAI" contra bokken (sabre de madeira)...

A finalizar, foi apresentada uma classe infantil de taekwondō que mostrou também todo o cambiante técnico que os mais jovens praticam durante os treinos...

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Ensaio sobre a pasmaceira

...
Esta semana a comunicação social deu-nos a conhecer a carta assinada por 15 nadadoras espanholas onde revelam maus tratos cometidos pela ex-selecionadora nacional de natação sincronizada Anna Tarrés.

Foi com esta treinadora que Espanha ganhou quatro medalhas em Jogos Olímpicos (duas das quais em Londres), vinte e três em Campeonatos Mundiais e vinte e cinco em Campeonatos Europeus... 

Algumas questões se levantam: selecionadora desde 1994, só agora se revelam esses métodos? As famílias, os dirigentes, de nada tinham conhecimento? A ser verdade, no alto rendimento os meios justificam os fins? A ser falso (e recordo-me aqui do livro exemplar "Eu menti" de Virginie Madeira e Brigitte Vital-Durand), como se defenderá e quem defenderá a ex-selecionadora?

Lembro-me agora de um e-mail enviado em tempos para a FNK-P por um pai que se queixava que o treinador de karate-  do seu filho lhe dava "carolos" na cabeça... e que, por acaso, mesmo denunciando optou por não apresentar queixa... (E se tivesse apresentado? Em que lençois estaria metido esse treinador? Quem averiguaria e quem estaria do seu lado?)...

Esta semana também se veio a saber que a romena Florica Leonida, atualmente com 25 anos, campeã europeia de ginástica artística em juniores (2002) e medalha de prata por equipas nas Taças do Mundo de 2003 e 2006, abandonou esta modalidade aos 21 anos, optando por emigrar. Iniciou-se como instrutora de fitness numa academia alemã, mas um mau contrato de trabalho desta emigrante levou-a a acumular dívidas e a ser despejada de sua casa. A prostituição foi a solução para sobreviver... 

As instituições a que poderiam ter recorrido as protagonistas destes dois exemplo falharam... tal como falhou a instituição a que poderíamos recorrer, nós, treinadores de karate-... devido a uma pasmaceira generalizada... embora ainda estejamos a tempo!

(Foto: Armando Inocentes)
...

domingo, 23 de setembro de 2012

Uma opinião sobre a ANTK - o comentário que virou post!


O que não sabe é um ignorante,
mas o que sabe e não diz nada é um criminoso.


Bertolt Brecht


Caro Inocentes e restantes treinadores, eu não quero ser criminoso!

Em meu entender o tema que levantas tem importância elevada, e deve ser tratado com a maior seriedade.

Gostaria de serenar os vossos espíritos, porque creio que alguma coisa está, ou vai ser feita, de contrário, então, “temos” dinheiro.
Antes de divulgar o que sei, penso que uma sociedade ou organização reflete o comportamento dos seus cidadãos ou associados.

Devemo-nos questionar:
1 - O que queremos?
2 - Qual o nosso contributo para chegarmos aqui? 
3 - O que podemos fazer para o nosso futuro e para as gerações vindouras?

Posto isto, passo a factos.
Quando se “constituiu” a ANTK, inscrevi-me, paguei a minha quota e a de mais sete pessoas que na altura tinham graduação superior a 3º kyu (eram meus assistentes). Essas pessoas por razões diversas deixaram de praticar karate. Alguns anos mais tarde o então, e agora, presidente da ANTK, sugeriu-me que as quotas pagas, se refletissem apenas na minha quotização. Como a ANTK se tinha constituído em conflito e nessa altura as “águas” estavam calmas, aceitei. Este ano na formação de Alfabetização Motora e Especialização Desportiva de 2/6/2012 em Pombal, o Sr. Presidente da ANTK, que estava lá, informou-me que eu era o nº 21, e que tinha apenas a quota deste ano para pagar - paguei.
Ora bem, se sou o nº 21 há pelo menos 9 anos, há no mínimo mais 20 pessoas que pagaram, ou deviam ter pago quotas todos estes anos. Pelo que conheço, o Sr. Presidente da ANTK pode ter alguns defeitos, mas é seguramente pessoa de boas contas. Então temos dinheiro. Não tenho qualquer recibo dos meus pagamentos, mas acredito que o dinheiro está lá.
É verdade as coisas funcionam de forma manuscrita, e o Sr. Presidente tinha lá algumas folhas. Mas ele tem um fixeiro da JKF GOJU KAI onde tem muito bem cadastrados os membros da JKF. Houve uma altura que algumas pessoas tinham “necessidade” de graduações, hoje mais de um milhar de treinadores tem necessidades prementes de ter uma associação de classe forte.

Parafraseando Pedro Abrunhosa, vamos fazer o que ainda não foi feito.

Embora algumas pessoas só consigam trabalhar em palco e com os holofotes virados para si, eu não me importo de ajudar nos bastidos e até de sujar as mãos. Agora que nós temos de ter uma atitude construtiva para pôr a ANTK a funcionar, lá isso temos.

Não podemos é ficar parados a apontar o que o outro não fez. Temos é de dizer o que  podemos fazer.

Por mim, creio ter sido o segundo a reunir vários estilos a competir em Portugal (da primeira vez que tinha acontecido ficaram mais divididos à saída do que estavam à entrada).
Sujeitei-me a ser raptado para se constituir a FPK ou a FPKDA (e ainda por cima o carro que me transportava deitava mais fumo para o banco de trás do que pelo escape).
Quando a FNK-P se estava a colapsar financeiramente, contribuí com um perdão de dívida de 270 contos (informando que aquele seria o último perdão).

Outras pessoas fizeram coisas muito mais importantes. Estou seguro que continuarão a fazê-lo - refiro-me concretamente ao atual presidente da ANTK, a ti, Armando Inocentes, que tens neste momento uma série de ideias para a ANTK muito interessante, e estou em crer que temos muita gente competente e de boa fé disponível para trabalhar em prol do karate em geral e da ANTK em particular. A entrada em vigor da nova lei de bases do desporto e do exercício físico vai obrigar-nos a ter uma associação de classe que funcione.

António dos Santos, 6º Dan
Treinador de grau IV
Presidente da APGKK


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sobre uma associação de classe (a dos treinadores de karate-dō)

...
Alguns comentários anónimos ao post anterior (que continuarei a ler mas nunca a publicar por serem anónimos - por uma questão de princípio, quer eu concorde quer discorde deles, quer me apoiem, quer me critiquem!) e alguns e-mails e telefonemas de colegas meus levaram-me a refletir um pouco mais sobre o que tem sido a ANTK e aquilo que deveria ser, pois muitos treinadores desconhecem certos factos, outros ignoram para que serve uma associação de classe e outros ainda encontram-se esquecidos...

Para estes últimos, os esquecidos, faço minhas as palavras de Jorge de Sena em «Fidelidade»:

"- nesta insólita fortuna, à luz que vem
oh só em poeiras inofensivas, rezo
a mim mesmo para não perder a memória,
por vós, para que saibais sempre lembrar-vos
de que tudo se perde onde se perde a paz,
e primeiro que tudo se perde a liberdade."

Aos que ignoram para que pode servir uma associação de classe, posso-lhes dizer que uma verdadeira associação nacional de treinadores de karate-dō não se deverá só preocupar com o expresso no art.º 2º dos estatutos da ANTK. Se os treinadores a viver exclusivamente da sua atividade são uma minoria, isso não isenta os restantes das suas responsabilidades. Há interesses dos treinadores que devem ser defendidos por quem os representa. Como se justifica que um treinador espere dois anos pela sua classificação num curso? Sendo a formação da responsabilidade da FNK-P, como pode uma associação cujos dirigentes são formadores da própria FNK-P defender os treinadores neste campo perante essa federação? Não existirá aqui conflito de interesses? Não estarão aqui presentes certas incompatibilidades? É que houve treinadores que durante esse tempo, com prejuízo próprio, se viram impossibilitados de apresentar credenciais perante organismos públicos...

O Programa Nacional de Formação de Treinadores, cujos futuros cursos terão algumas componentes teóricas entregues à responsabilidade das Universidades de Educação Física e Desporto, terão respetivamente 600, 800, 1100 e 1500 horas de estágio... não deverá a associação de classe ter uma palavra a dizer sobre os programas e sobre os supervisores, orientadores ou metodólogos desses estágios?

Quem defenderá um treinador de karate-dō a quem aconteça algo parecido com o que aconteceu a certo Professor de Educação Física (ver aqui)? E o alerta foi dado também por alguém que sabe do que fala (ver aqui) e que do assunto sabe mais do que eu... A quem irá recorrer, se acontecer, o treinador a quem algo semelhante aconteça?

Estando os treinadores representados na AG da FNK-P pelos seus delegados, quem defendeu os treinadores cujos nomes nem sequer constavam nos cadernos eleitorais no último ato eleitoral? Ninguém (e assim estes não votaram!), porque um dos eleitos até nem sequer estava também nos cadernos eleitorais mas... era quem era... era o próprio Presidente da ANTK! Auscultam esses delegados aqueles que representam??? Levam as suas opiniões paras as ditas AG´s???

Já agora, os associados da ANTK que pagaram jóia e quotas, já receberam os respetivos recibos? Eu e os treinadores da minha associação ainda não...


Está patente o descrédito desta instituição... mas não temos dúvidas nenhumas em assacar as responsabilidades aos próprios treinadores, aos desinteressados... uns porque se calam para defender as próprias quintas, outros porque se escondem (para não dizer acobardam!) no anonimato, outros ainda porque revelam o seu próprio medo! E como nos disse Alexandre O'Neill no seu «poema pouco original do medo»:

"O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos 
a ratos

Sim

a ratos"

Já chegámos???

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Carta aberta aos treinadores de karate-dō

...
Assumindo-me essencialmente como treinador de karate-dō, dirijo-me a todos aquele que, tal como eu, abraçaram a responsabilidade de transmitirem conhecimentos teóricos e práticos acerca da nossa modalidade e que se dedicam e contribuem para a formação harmoniosa de seres humanos, independentemente de serem adeptos do "karaté desportivo" ou da "arte marcial". E realço que, neste momento, a legislação portuguesa não contempla «mestres» mas sim «treinadores de desporto»...

A 11 de Junho de 2011 tivemos no Auditório do Complexo de Alto Rendimento sito nas Piscinas do Jamor, na Cruz Quebrada, a última Assembleia-Geral da Associação Nacional de Treinadores de Karaté, onde foram eleitos os órgãos sociais para o triénio 2011-2014.

Nessa AG, onde foi equacionada a ação da ANTK nos últimos anos, o Presidente da Direção cessante afirmou que - e são palavras textuais - "não vale a pena perceber porque é que a ANTK não tem funcionado nestes últimos três anos". E reconheceu também que "a direção perdeu o mandato já há alguns anos" tendo esta revelado algumas "incompetências"... Acontece que o mesmo Presidente foi reeleito! Estavam presentes 33 associados, numa associação que já tinha contado quase com duas centenas de treinadores... Aquele que foi eleito Presidente do Conselho Fiscal viria a afirmar que "as coisas funcionaram um pouco artesanalmente..." mas concedemos nesse momento, os presentes, ao votarmos, o benefício da dúvida! Está provado que o "artesanalmante" continuou, mas o desempenho das nossas funções não se pode compadecer com isso!


Ao fim de um ano e três meses, em que o logo da ANTK apareceu em três ou quatro eventos, que orgão de classe temos que nos possa representar ou que defenda os nossos interesses? Tinhamos um original, agora temos uma fotocópia... Mas o mais preocupante é que nem os treinadores de  karate-dō  se preocupam com isso... até ao momento em que derem conta que não podem recorrer a nada nem a ninguém no momento em que necessitarem! Podem os treinadores exercer as suas funções sem uma associação de classe? Claro que podem, mas não é a mesma coisa...



Tem a ANTK feito algo em prol dos treinadores? Infelizmente a resposta é nula...

Nenhum dos pontos do art.º 2º dos estatutos da ANTK foi cumprido neste último ano - fins e atribuições da mesma! 

«Compete à Direcção declarar a perda da qualidade de associado mediante a actualização anual da listagem de associados» - art.º 7º, ponto 2. Onde está essa listagem? Nem publicada, nem enviada aos associados  - e eu encontro-me associado (ou encontrava-me, já não sei!).

A AG dever-se-ia reunir extraordinariamente no primeiro trimestre de cada ano para apreciar e votar aquilo que todos nós sabemos (art.º 16º), mas nada se passou... Reuniu-se? NÃO!! Se na altura (junho de 2011) existiam em caixa cerca de 5.200 Euros, que destino foi dado a essa verba? Em que se investiu durante este ano?

Estão pessoas competentes nos órgãos sociais da ANTK? Não duvidamos que sim! Mas não confundimos pessoas com desempenho de cargos! Qual o âmago da questão? Identificamos duas situações - a dos elementos dos órgãos sociais e a dos treinadores!

A primeira, que sem rebuço queremos deixar aqui, expressa uma opinião - e como tal discutível - sobre os elementos da Direcção: o Presidente é Assessor Técnico do Departamento de Formação da FNK-P e Formador, o Vice-Presidente é Formador da FNK-P e o Tesoureiro é Selecionador Nacional e Formador - logo, para além de conflito de interesses, parece-nos que quando se tentam tocar todos os burros ao mesmo tempo algum há-de ficar para trás... 




A segunda situação refere-se aos treinadores, pois esbarram numa parede, já que se quiserem solicitar uma AG terão de apresentar um requerimento com as assinaturas de cem associados fundadores e ordinários no pleno gozo dos seus direitos sociais (art.º 16º, ponto 2) - CARICATO!!! Possui a ANTK cem associados no pleno gozo dos seus direitos neste momento???

E esbarram numa parede em que quem detém o poder "representa os treinadores" mas que mais uma vez perdeu a legitimidade para os representar... logo, ilícito e inaceitável! Esbarram numa parede em que muitos perderam o interesse em fazerem-se representar... os ativos, os dinâmicos, os interessados, esbarram numa parede de apatia por parte de alguns treinadores...

Como sair desta situação? Como termos uma verdadeira associação de treinadores? Questões que deixo à Vossa consideração...
...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Tiago Silva participa no 14º Campeonato Mundial de Artes Marciais de surdos

...

Publicada na página da internet da FNK-P em 2012/09/11, podemos ler a notícia com o título supra e que, com a devida vénia, transcrevemos:

"O Atleta TIAGO MANUEL SILVA, que pertence à ANAM – Associação Nacional de Artes Marciais, acompanhado pelo seu Treinador João Cardiga, foi selecionado para participar nos 14º Campeonatos Mundiais de Artes Marciais de Surdos, que se realiza na Venezuela nos próximos dias 17 a 24.

Desejamos os maiores êxitos, honrando, assim, o Karate nacional.

As despesas do Atleta e seu Treinador, são suportadas pelo Comité Paralímpico de Portugal."

Felicitando competidor e treinador, a questão que se coloca é se a nossa modalidade irá participar nos  Jogos Mundiais (IWGA) em 2013... (ver o comentário de João Boaventura ao post anterior).
...

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Dia de...


Temos o dia do pai, o dia da mãe, o dia da criança... Temos o dia da água e o dia da árvore... Temos o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas (ainda temos?)... Os mexicanos têm o dia dos mortos, nós temos o dia de todos os santos... até já temos o "dia do nada"...

O  editor-chefe do jornal «Record», Luís Pedro Sousa, diz na página 2 da edição de hoje que hoje é "dia de Cristiano Ronaldo"...

Agora temos o dia do karate-dō, a comemorar-se a 7 de outubro, na campanha desenvolvida pela Federação Mundial, com vista a que esta modalidade integre o programa olímpico - sim, porque o  karate-dō é uma modalidade olímpica, o que acontece é que não integra o programa dos Jogos Olímpicos... Uma campanha largamente difundida nas redes sociais e denominada "The K is on the Way"!

Mas, por que motivo 7 de outubro? Precisará o  karate-dō de um "dia"? Pesando prós e contras, comparando com outras modalidades, será benéfico para o  karate-dō este integrar o programa dos Jogos Olímpicos?

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Armstrong: Herói ou Vilão? - por Lídia Peralta Gomes

...
Fantástica a crónica de Lídia Peralta Gomes na edição de hoje do «Record», na sua página 2, intitulada "Herói ou Vilão", a qual, porque vale a pena ler e comentar, com a nossa reverência transcrevemos na íntegra.


A DECISÃO DE ARRANCAR A LANCE ARMSTRONG OS TÍTULOS NO TOUR NÃO É LÍMPIDA. 
A DESISTÊNCIA DO NORTE-AMERICANO TAMBÉM NÃO.

(Foto: Reuters, Record, 27.08.2012, p. 2)


No verão de 1999 estava prestes a fazer 12 anos e tinha três meses de férias. Foi assim até 2005, ano em que entrei para a faculdade. Durante esses sete anos abdiquei de estar com os amigos, de ir à praia, enfim, tudo aquilo que os miúdos fazem nas férias.

Tudo para ver Lance Armstrong a subir o Alpe d’Huez, o Hautacam e o Galibier, para ver o norte-americano a passear-se de amarelo nos Campos Elísios, permanentemente a tremelicar de emoção por sentir que, sim, estava a ver a história a desenhar-se à minha frente. Nós, mais novos, somos mesmo assim, precisamos de heróis como de pão para a boca.

Agora sei que, muito provavelmente, todas essas tardes fechada em casa foram tempo perdido. Muito provavelmente porque, sem confissão cabal por parte de Armstrong ou sem a divulgação pública de provas concretas, podemos optar por confiar na agência norte-americana antidopagem (a já célebre USADA) ou não. O processo é, no mínimo, nebuloso. Por um lado, o texano é condenado tendo por base testemunhos de um grupo de ex-colegas, gente da credibilidade de um Floyd Landis ou de um Tyler Hamilton, a quem foram oferecidos acordos que, diz-se, envolveriam penas de suspensão por doping substancialmente mais leves e a possibilidade de não terem de devolver todos os prémios monetários ganhos ao longo da carreira. E, oficialmente, continua a não existir uma amostra positiva que prove que Armstrong andou todos estes anos a brincar connosco.

Por outro lado, não será este "baixar de braços" justificado com "cansaço" (!) quase uma declaração de culpa? Face a acusações tão atrozes, capazes de deitar por terra a mais bonita história do desporto, não seria lutar até ao fim a única opção? Principalmente quando estamos a falar de alguém que desafiou as estatísticas e venceu um cancro quando tinha menos de 40% de hipóteses de o fazer? Estranho.

Esperemos então pacientemente pelo veredicto final da UCI, única entidade que pode retirar os 7 títulos no Tour a Lance Armstrong, confirmando a decisão da USADA, que à luz dos regulamentos é discutível. Mas nada vai evitar que para sempre o Planeta fique dividido em dois: entre os que acreditam que Armstrong é um dos maiores campeões do desporto mundial e os que creem que é uma grande fraude. De que lado é que eu estou? Confesso, ainda não sei. Não sou ingénua ao ponto de pensar que o Mont Ventoux se sobe com bifes e esparguete, mas também sou partidária daquela máxima postulada por S. Tomé: ver para crer.

domingo, 26 de agosto de 2012


The Power of Karate Comes From the Brain

Brain scans of karate experts show that there are subtle differences in certain areas of brain that probably enables them to punch harder from a very close range.

Publicado na «Medical Daily» a 15 do corrente e da autoria de Amber Moore, pode-se (e deve-se!) ler aqui.

Responsabilidade desportiva - por Fernanda Palma

...
Com a devida vénia, transcrevemos a crónica de hoje de Fernanda Palma, publicada no Correio da Manhã, na sua página 14, intitulada «Responsabilidade desportiva». Porque interessa a todos os que se interessam por desporto...


Entre a responsabilidade desportiva e a responsabilidade penal existe uma fronteira qualitativa que, por vezes, se revela imprecisa. Os comportamentos adotados pelos atores desportivos no decurso das provas ou em seu redor atingem, com frequência, um nível de veemência física que invade o espaço de liberdade e segurança dos adversários.

A responsabilidade penal começa quando uma prática não se configura como mera violação das regras desportivas, por ser grosseiramente lesiva e inadequada. Por exemplo, no pugilismo, os murros na nuca são proibidos, mas não implicam, em regra, responsabilidade penal. Mas uma dentada na orelha (como foi dada por Tyson a Holyfield) já é ofensa corporal.

É certo que o Código Penal não traça a fronteira entre condutas aceites ou toleradas na atividade desportiva (ainda que violadoras das regras do jogo) e comportamentos que devem ser considerados ofensas corporais, à partida simples, puníveis com prisão até três anos mediante queixa. Têm de ser as representações sociais a fornecer esses critérios de adequação.

Um critério possível atende ao conjunto de condições de que depende a prática desportiva. Se no futebol, por exemplo, se considerasse ofensa corporal o vulgar empurrão ou a rasteira, tornar-se-ia inviável o próprio jogo tal como hoje o conhecemos. Só haverá aí ilícito desportivo. Mas nada impede a intervenção do Direito Penal se um jogador esmurrar outro.

As ofensas corporais são pois delimitadas, naqueles desportos que se praticam através de jogos ou lutas, por critérios de adequação social que abrangem não só as práticas permitidas pelas regras do jogo, mas também aquelas que estão próximas e representam riscos típicos da atividade desportiva. Trata-se de riscos que os intervenientes aceitam presumivelmente.

Uma questão que foi suscitada pelo recente caso de Luisão é se, no relacionamento entre atletas e árbitros, valem também certos critérios de adequação. Embora a margem de tolerância seja menor do que na relação entre atletas em competição, a resposta é positiva. Há casos em que a responsabilidade pode ser restringida ao plano puramente disciplinar.

A existência de dolo (ofensa ‘voluntária’) ou negligência grosseira, a gravidade da ofensa e os motivos e fins do agente, no contexto da situação concreta do jogo, são elementos de que depende a afirmação da responsabilidade penal. No caso de esta existir, será cumulável com a responsabilidade disciplinar, por ter sido praticada uma infração desportiva.


sábado, 25 de agosto de 2012

Uma reflexão sobre os resultados nacionais em Londres 2012

...
Passou a euforia... passaram os aplausos e as críticas... arrefeceram os ânimos...

Por isso mesmo uma última reflexão, esta sobre os resultados nacionais nos J. O. de Londres 2012, conforme o prometido!

De um lado os que argumentaram que os portugueses sofrem de falta de cultura desportiva - quem o afirmou saberá quantos buracos tem um campo de golfe? Ou as medidas de uma baliza de futebol? Ou quem foi Oscar Schmidt? - de um outro lado os que afirmaram que esta delegação portuguesa foi a melhor preparada de sempre, os que afirmaram que o desporto português está obsoleto... ou ainda os que disseram que aos portugueses faltou o querer, o treinar e o vencer...

O que é certo é que se falou muito nos diplomas... depois falou-se muito numa medalha de prata... 

Uma comitiva com 77 competidores - mas nada se disse quanto aos restantes números do staff... quantos dirigentes, quantos fisioterapeutas, quantos treinadores, quantos psicólogos (terá ido algum?)... ou quanto se gastou... ou qual os montantes com que contribuíram os patrocinadores (EDP, Continente...)!

Certezas ficam: nós é que sustentamos aqueles que foram a Londres... quando pagarmos a luz ou formos ao hipermercado...

Certezas ficam: atletas tratados de maneira diferente... os que perderam e ficaram lá, os que perderam e tiveram de vir embora... quem ficou, ficou à nossa custa (e os argumentos que sustentam essa tese são discutíveis!).

Um só exemplo, que tive a oportunidade de constatar, e que deixo para reflexão: a Irlanda tem  cerca de 6 milhões de habitantes, Portugal cerca de 10 milhões... A Irlanda levou 54 competidores, Portugal 77... A olho nu, proporcional! Mas a Irlanda levou para casa 1 medalha de ouro, 1 de prata e 3 de bronze...

Mas o mais curioso é que tanto os medalhados como os restantes irlandeses foram tratados de maneira igual, na vitória e na derrota!


(Foto: Armando Inocentes)


Estamos em crise mas houve dinheiro para Londres! Justificou-se irem atletas só para "rodar"? Talvez sim, talvez não...

Enquanto o governo inglês aproveitou logo as primeiras medalhas para apresentar um discurso sobre o desenvolvimento do desporto escolar, o que aconteceu cá? Anunciou-se em plenos Jogos a perda das bolsas dos atletas tal como se anunciou a redução da carga horária de Educação Física nas escolas...

Criticar os atletas? Se deram o seu máximo na preparação e nas provas, não é merecido mesmo que tenham sido derrotados... Mas se foram passear, sim, critiquem-se estes mas também quem os levou a Londres...

Não temos uma base que sustente a pirâmide? Não, nem parece que a venhamos a ter... O desporto escolar não pode resolver tudo... clubes e federações têm as suas responsabilidades...

Agora, durante quatro anos, façamos umas sardinhadas, bebamos um penaltis, discutamos o futebol e... estaremos prontos para os próximos J. O. - estaremos cá para pagar de novo!

"A única competição que verdadeiramente importa é a próxima. A anterior já é uma medalha na vitrine ou na gaveta, ou no baú."* Atrevo-me a acrescentar - HOJE! Aguardamos os resultados dos paralímpicos e a visibilidade que terão...

* Bernardinho, 2007, "Cartas a um Jovem atleta: determinação e talento, a caminho da vitória", São Paulo, Ed. Campus/Elsevier, p. 90.

Nota: já agora, sabem quem foi Bernardinho?