domingo, 30 de junho de 2013
domingo, 23 de junho de 2013
Hoje, tal como antes...
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* Arthur Koestler, 1961, "O Zero e o Infinito", Porto Alegre, Editora Globo.
"Deve ter havido hilaridade entre os macacos quando o homem de Neanderthal fez o seu aparecimento na Terra. Os macacos altamente civilizados balançavam-se graciosamente de galho para galho; o homem de Neanderthal era tosco e grudado à Terra. Os macacos, saciados e pacíficos, viviam num folguedo requintado, ou catavam pulgas em contemplações filosóficas; o homem de Neanderthal, pesado e taciturno, cruzava o mundo, distribuindo pancadas com a sua clava. Os macacos, da copa das árvores, desciam o olhar divertido sobre ele, atirando-lhe castanhas. Às vezes ficavam horrorizados: eles comiam frutas e plantas tenras com grande refinamento; o homem de Neanderthal devorava o alimento cru, abatia os animais e os seus semelhantes. Derrubava árvores que sempre haviam estado de pé, removia rochas do lugar consagrado pelo tempo, transgredia todas as leis e tradições da selva. Era grosseiro, cruel, destituído de dignidade animal: do ponto de vista dos macacos altamente cultivados, uma recaída bárbara da história. Os últimos chimpanzés sobreviventes ainda torcem o nariz à vista de um ser humano..."*
* Arthur Koestler, 1961, "O Zero e o Infinito", Porto Alegre, Editora Globo.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
sábado, 1 de junho de 2013
Fora dos Jogos Olímpicos
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Tanto espavento à volta do "The K is on the way", tanta sofreguidão para o Karate estar em 2020 nos Jogos Olímpicos, mas ninguém se preocupou em explicar o porquê de só o Kumite ser candidato! A hipocrisia veio ao de cima até nos próprios vídeos de apresentação. A competição sempre se apresentou com duas provas: Kumite (combate) e Kata (forma técnica)... os "puristas" do Karate chamado "tradicional" defendem que a Kata é o âmago do Karate mas pretendem ver o mesmo no programa dos Jogos Olímpicos!
Maior visibilidade? Para quê?
O publico não percebe o que é Kata? E percebe as regras da Esgrima, da Ginástica ou até mesmo do Ténis?
Há pessoas que nunca aprendem! Nem à segunda vez... A ganância é tão grande... os interesses são tantos... que ainda lá hão-de ir terceira vez! Expliquem quem sairia beneficiado com o Karate nos Jogos Olímpicos! Como diria Maquiavel, "os homens são tão simples e submetem-se a tal ponto às suas necessidades presentes, que aquele que engana encontrará sempre alguém que se deixe enganar."
terça-feira, 21 de maio de 2013
A pressão e a ética desportiva
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Hoje, no «Record», uma crónica exemplar de Mónica Jorge que pode ser lida aqui e nos mostra que afinal "mano, ainda há ética no desporto!" (na sequência do post anterior).
Hoje, no «Record», uma crónica exemplar de Mónica Jorge que pode ser lida aqui e nos mostra que afinal "mano, ainda há ética no desporto!" (na sequência do post anterior).
"Afinal, a ambição e a pressão de querer ganhar (seja o que for, nem que seja só protagonismo) (...) não pode estar acima da ética desportiva e dos nossos valores morais."
E se "a nossa atitude perante determinados contextos diz muito mais do que realmente somos", quase que me atrevo a substituir somente o termo «atitudes» por «comportamentos»... pois "o desporto deverá ser sempre um “educador” de valores, ideias e perfis." Deverá... mas nem sempre é!!!
Pena que não tenhamos mais exemplos semelhantes, quer a nível de praticantes e competidores, quer a nível de treinadores, árbitros e dirigentes!
Para refletirmos, termino com palavras do atual Presidente do Comité Olímpico: “É falsa a tese que apresenta o desporto como
algo cuja bondade é intrínseca. Apresenta-se o desporto como sinónimo de
cultura, de progresso, de saúde, de educação, de fraternidade, um remédio a
muitas patologias das sociedades modernas é fácil e de sucesso imediato. Por
vezes, vai-se mesmo mais longe e apresenta-se o desporto como 'uma escola de vida' ou 'uma escola de virtudes'.”* Apresenta-se... e há os que acreditam!!!
*José Manuel Constantino, 2012, "O
Espetáculo Desportivo no Mercado Global. A Internacionalização Económica do
Desporto." Lisboa, Bnomics.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Fantástico!
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É fantástico como por vezes podemos apreciar uma pessoa a falar de ética e de deontologia várias vezes durante um dia e constatarmos a seguir que a mesma viola normas e regulamentos sem rebuço... passando impune, pois basta-lhe pegar numa borracha e apagar o que fez!
Como disse Forrest Atlee para o seu irmão Ray, personagens de um romance de Grisham*:
“– Já não há ética, mano. Andas na lua. A ética é para pessoas como tu ensinarem aos alunos que nunca irão usá-la.”
Mas o mais surpreendente é observarmos um rebanho imenso a segui-la!
* John Grisham, 2004, “A Convocatória”, Lisboa, Círculo de Leitores.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Subsídio-dependência!
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José Pinto Correia afirma na sua página do Facebook que o projecto olímpico para 2016 está parado um ano depois de Londres 2012...!
E acrescenta: "O projecto olímpico para 2016 tem um ano de vazio. Nada foi definido, nem o pacote financeiro, nem os objectivos para a participação desde que acabaram os Jogos de Londres de 2012. Não há, portanto, nem estratégia, nem modelo de governação. Como é isto possível? Melhor mesmo: como foi isto possível até hoje? E durante quanto mais tempo vai tudo ficar indefinido?"
Aí está o busílis da questão: o pacote financeiro e os objectivos - talvez mais o primeiro que o segundo.
Se o teatro não é subsidiado e não atrai público, dissolve-se a companhia de teatro e vão para o desemprego os seus atores. O mesmo com o bailado. O mesmo com as orquestras de música. Com os museus passa-se algo semelhante... Enfim, de facto a cultura é uma coisa e o desporto outra... ou vice versa!
Nos Estados Unidos o desporto de rendimento não depende do governo. Novas formas de atraír espectadores, novos métodos para gerarem receitas ou novas estratégias para garantirem patrocinadores são postas a funcionar... Daí as ligas fechadas...
No dia da sua posse, José Manuel Constantino considerou que o Estado deve «deixar às organizações desportivas o que está no âmbito das suas missões». Verdade! Mas como é possível se as organizações desportivas estão economicamente reféns desse Estado? Mas como é possível se é esse Estado que impõe a maneira dessas organizações funcionarem (veja-se o Regime Jurídico das Federações Desportivas)?
quarta-feira, 24 de abril de 2013
A força da colaboração
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Segundo o Prof. Sidónio Serpa*, "a ginástica artística portuguesa teve nos últimos anos notável melhoria de resultados internacionais" devido a "um desenvolvimento muito positivo do relacionamento entre os treinadores dos diferentes clubes que assumiram a evolução da sua modalidade como missão comum, criando um ambiente de bom entendimento e de compromisso na colaboração. Foi um acto colectivo de inteligência que, todavia, não é muito habitual no desporto onde a rivalidade desportiva tende a ser prolongada a nível pessoal, e onde os objectivos associados aos resultados individuais ou da equipa geram individualismo no trabalho, por vezes temperado (envenenado?) com deslealdades e falta de desportivismo." Desenvolvimento esse a que a própria Federação não deve ser alheia... nem eventualmente a Associação Portuguesa de Treinadores de Desportos Gímnicos - repare-se que não é uma «Associação Nacional de Treinadores de Ginástica»!
Ainda segundo a sua opinião, "lamentavelmente, encontramos muitos exemplos, no contexto das várias modalidades, que seguem lógicas opostas àquela. Aí observamos que a evolução desportiva, ainda que tenha lugar, não atinge o potencial possível. Verificamos, também, que a própria situação profissional dos treinadores não se consolida como seria benéfico para todos, fruto de um relacionamento que desperdiça a força da comunhão de esforços, estratégias e objectivos. As certezas inflexíveis impeditivas da colaboração resultam de inseguranças pessoais, e o desejo mesquinho de querer ter algum poder no pequeno meio das modalidades e de se destacar entre os pares leva a guerras de grupos e indivíduos que culminam na derrota de todos. A psicologia social há muito demonstrou a elevada probabilidade de percas generalizadas nos jogos em que todos querem ganhar sem colaborar."
Na senda de Adorno (1963), Parlebas (1969), Villiaumey (1991), Gutiérrez Sanmartín (1995), Lassalle (1997), Olímpio Bento (1999, 2004 e 2005) e de Saint-Martin (2004), que nos mostram uma bivalência do desporto, o Prof. Sidónio Serpa vem agora alertar-nos para este facto: "o desporto, como meio de transmissão de valores, é perfeitamente neutro. Com efeito, tanto pode ter um impacto profundamente positivo na formação moral e cívica dos seus actores, como pode induzir as mais vis abordagens, plenas de egoísmo e desrespeito pelos outros."
E termina com uma crença: "acredito que a prazo ganham os que se regem pelos valores éticos, mesmo que não figurem no topo da classificação desportiva."
Esperamos que esta sua crença seja válida...
* "A força da colaboração", «A Bola», 23.04.2013, p. 32.
terça-feira, 23 de abril de 2013
Homenagem aos vencedores do KDT4
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Embora tardia, aqui fica a minha homenagem aos competidores que, participando pela primeira vez no Karate Demo Team 4, venceram a prova em Montelavar no passado dia 3 de abril, garantindo a sua presença no IBERANIME. Equipa formada por Rute Baptista, Rúben Jacinto, Alberto Cavaleiro e Yúri Inocentes...
Embora tardia, aqui fica a minha homenagem aos competidores que, participando pela primeira vez no Karate Demo Team 4, venceram a prova em Montelavar no passado dia 3 de abril, garantindo a sua presença no IBERANIME. Equipa formada por Rute Baptista, Rúben Jacinto, Alberto Cavaleiro e Yúri Inocentes...
(p. f. clique no play para ver o vídeo)
O logo da equipa (girl on fire)...
... e a despedida do IBERANIME!
domingo, 31 de março de 2013
O pseudo-verdadeiro
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*J. M. Constantino, 2006, "Desporto - geometria de equívocos", Lisboa, Livros Horizonte.
Não sou fã de Miguel Esteves Cardoso. Por isso mesmo sou
insuspeito! Começo por não perceber porque escreve “Facebook” e “Internet” com
maiúsculas… (tal como muita gente, tanta gente que às vezes até eu escrevo!) Mas tenho de me curvar perante o seu artigo “O pseudo-verdadeiro”, publicado no jornal «Público» a 17.02.2013,
na página 45. Aqui fica na íntegra, porque merece ser lido até ao final!
«Abre-se um jornal ou uma revista;
vê-se um anúncio de televisão; vai-se ao Facebook ou ao raio que o parta na
Internet e é tudo tão fake que o que
mais dói é ser tão aberta e facilmente descobrível ser tão fake.
Sempre foi assim. O que mais
horroriza agora é que as pessoas – os seres humanos com quem contactamos – não
só ecoam a falsidade do que recebem, acriticamente, online, como a prolongam e trazem para a vida real, como se fosse
verdade.
“Viste a mentira/hipocrisia/fraude
que eu usei para dizer bem, ironicamente, da mentira/hipocrisia/fraude com que
pareço andar obcecado, apesar de, presentemente, não estar?” E a resposta não é
tanto “sim” mas “por onde hei-de eu começar?”
Os americanos têm fake como dantes, como J. D. Salinger,
se dizia phoney, a fingir. As línguas
latinas não têm adjectivos à altura de tal baixeza. Chamamos hipócrita,
fraudulenta e armada em carapau de corrida a pessoa que tenta fazer passar-se
por quem não é.
Desde as relações públicas às
revistas ditas cor-de-rosa tudo é projectado e emitido com um sentimentalismo
mentiroso e ignorante, que desconhece a verdade e, através dessa ignorância,
atinge a inocência da gula de quem quer comer à custa da curiosidade de quem é
incapaz, por preguiça, incompetência e incultura, o que não lhe apetece nem
saberia apreciar.
Dantes a hipocrisia era mais
sincera: sabia-se o que era dito por ser esperado ou por ser boa educação.
Ainda era possível distinguir. Hoje já não é.»
Num blog sobre Karate-dō ou sobre desporto, um post destes? Quais os motivos? Fácil!... É só uma questão de fazermos o transfer! Alguns saberão o que quero dizer... ou então leiam o livro "Desporto - geometria de equívocos"* do recém eleito Presidente do COP, José Manuel Constantino, que aqui aproveito para saudar publicamente, enviando os meus parabéns, tal como ao Presidente da FNK-P, João Salgado, que integra a sua comissão executiva!
Num blog sobre Karate-dō ou sobre desporto, um post destes? Quais os motivos? Fácil!... É só uma questão de fazermos o transfer! Alguns saberão o que quero dizer... ou então leiam o livro "Desporto - geometria de equívocos"* do recém eleito Presidente do COP, José Manuel Constantino, que aqui aproveito para saudar publicamente, enviando os meus parabéns, tal como ao Presidente da FNK-P, João Salgado, que integra a sua comissão executiva!
*J. M. Constantino, 2006, "Desporto - geometria de equívocos", Lisboa, Livros Horizonte.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Uma entrevista...
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«El karate consiste en respetar, no en pegar patadas»
Uma entrevista de Ryoichi Onaga Sensei, Hanshi, 9º Dan de Okinawa Gōjū-Ryū Karate-Dō (沖縄剛柔流空手道), representante da OGKK para a Europa, a "laverdad.es" de Murcia, que apesar de superficial e muito sintética mostra o verdadeiro caminho seguido por este Mestre.
Realçamos aqui apenas dois parágrafos:
-¿Qué es lo más difícil de enseñar?
-La paciencia y la continuidad son dos factores que tienen que estar siempre en la mente de un buen maestro. Son algo fundamental, porque la enseñanza y el karate, desde mi punto de vista, son para toda la vida. Voy a enseñar y a entrenar hasta que mi cuerpo diga que no puede más.
-¿Y de aprender?
-Nos pasamos toda la vida aprendiendo. Entreno yo solo todas las mañanas y siempre aprendo algo nuevo. Un refrán dice que el camino del estudio es infinito, sea la materia o el ámbito que sea, y creo que tiene razón.
-¿Qué es lo más difícil de enseñar?
-La paciencia y la continuidad son dos factores que tienen que estar siempre en la mente de un buen maestro. Son algo fundamental, porque la enseñanza y el karate, desde mi punto de vista, son para toda la vida. Voy a enseñar y a entrenar hasta que mi cuerpo diga que no puede más.
-¿Y de aprender?
-Nos pasamos toda la vida aprendiendo. Entreno yo solo todas las mañanas y siempre aprendo algo nuevo. Un refrán dice que el camino del estudio es infinito, sea la materia o el ámbito que sea, y creo que tiene razón.
terça-feira, 26 de março de 2013
A soberba e o despeito
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*Opinião do Prof. Sidónio Serpa, hoje, em «A Bola», pág.30.
"(...) sempre me irritou a soberba dos vencedores, lamentável imbecilidade e disfarçada descrença em si, que necessitam gritar aos outros a imagem que pretendem que tenham deles. Como se a qualidade superior necessitasse de arautos... Numa lógica inabalável, são estes que mais revelam o despeito nascido das derrotas, incapazes de reconhecer as virtudes adversárias e as incapacidades próprias que caracterizam o desporto em irremediável alternância, seja qual for a duração de cada ciclo. Adeptos que reagem irracionalmente, dirigentes que desprezam a ética, técnicos que incham nas vitórias e estalam o verniz das derrotas, atletas que se julgam super-heróis imortais estão por todo o lado e são de todas as cores.
Haveria mais harmonia se, na vida, prevalecessem os princípios baseados no respeito pelo outro, na consciência das próprias limitações, na noção de que a vida se faz da complementaridade e alternância de papéis, na compreensão de que a existência humana é sequência de momentos que rapidamente podem transportar da glória e felicidade supremas à mais profunda miséria material e moral. Então, mais de acordo com os valores iniciais, o desporto seria eminente e universalmente educativo."*
Resumindo, é tudo uma questão de educação (não onde, nem por quem, nem quando, mas COMO!). No desporto, somos educados para a soberba e o despeito - e isso é reprodutivo! Há muito que venho defendendo que se deve ensinar crianças e jovens a sonhar mas a conhecerem os seus limites, a tentarem sempre mas a saberem quando devem parar, que se deve ensinar crianças e jovens a ganhar... e não como muitas vezes - a maior parte das vezes - se faz: "tens de aprender a perder"! Temos bons treinadores - visam o resultado - mas maus pedagogos!
segunda-feira, 25 de março de 2013
sábado, 23 de março de 2013
Formação? Ou ilusão?
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O que se entende por formação? "A formação é um processo
contínuo e sistemático de aprendizagem no sentido da inovação e aperfeiçoamento
de atitudes, saberes e saberes-fazer e da reflexão sobre valores que
caracterizam o exercício das funções inerentes a cada profissão." (1) Mas a formação também pode ser "um conjunto de possibilidades
de adaptação activa, algo muito diferente de
«acomodação», ou seja, a oferta de um máximo de esquemas de comportamento
possíveis face a novas situações e a condução a prováveis associações dos
mesmos." (2)
Daí uma federação apostar na formação (complemento e/ou atualização de conhecimentos) dos seus treinadores.
De 2007 a 2009 a FNK-P ofereceu aos seus treinadores (em programa apresentado e calendarizado no início de cada época desportiva) 8 ações de formação distribuídas pelas 6 zonas do país (incluindo Açores e Madeira), sendo a formação que ia ao encontro dos treinadores e não estes atrás da mesma (Lisboa, Viseu, Paredes, Vila das Aves, Funchal, Almada, Porto, Guarda, Beja, Carcavelos, St.º Tirso e Ponta Delgada), e assim designadas: 1- Novas tendências da arbitragem; 2- As regras de competição adaptadas aos jovens; 3- Diário electrónico do treinador; 4- Metodologia de Treino de Shiai Kata; 5- Liderança e ansiedade no karate; 6- O marketing ao serviço do karate; 7- Ética, desporto e karate; 8- A legítima defesa e o praticante de karate.
Em 2007 foram realizadas 10 ações de formação, num total de 33 horas, estando presentes 339 treinadores. Em 2008 realizaram-se 21 ações de formação, num total de 69 horas, em que participaram 550 treinadores. Em 2009 o panorama foi idêntico...
Os treinadores podiam livremente escolher os temas que mais lhes interessavam, para os quais tinham mais apetências ou estavam mais motivados, podiam selecionar os assuntos em que sentiam mais carências e escolherem as ações de formação em que queriam participar - daí a média aproximada de cerca de 29 treinadores em cada ação de formação.
Mas agora, como os treinadores têm de fazer em média por ano 12,5 horas, 15 horas ou 20 horas, todos acorrem - cerca de 90 em cada ação de formação - às ações de formação que aparecem mês sim mês não, mesmo que o assunto não lhes interesse diretamente! Mesmo que não estejam motivados... O que interessa é estar presente (diferente de participar e adquirir conhecimentos para transpor para o dōjō)... o que interessa são as tais horitas!!!
(1) ONOFRE, M., 1996, “A Supervisão
Pedagógica no Contexto da Formação Didáctica em
Educação Física”, in Carreiro da Costa, F.; Carvalho, L. M.; Onofre, M. S.;
Diniz, J. A. e Pestana, C., “Formação de Professores em
Educação Física – Concepções, Investigação, Prática”, FMH-UTL,
Cruz Quebrada, pp. 75-118.
(2) LAGRANGE, G., 1977, “Manual de Psicomotricidade”, Ed. Estampa, Lisboa.
quarta-feira, 13 de março de 2013
sábado, 9 de março de 2013
Perseguição política
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Fernando Tenreiro é um conhecido economista do desporto. Professor universitário, durante muito tempo manteve o seu blog ativo (Desporto e Economia). Um blog conjunto com João Boaventura e Bruno Avelar Rosa. Um blog válido e esclarecido - e esclarecedor!
No passado dia 26 de fevereiro, Tenreiro anunciou que "por perseguição política, improvável numa democracia real este blogue sobre o desporto português e uns pós de economia e bem fazer, termina aqui."
Num comentário a 5 do corrente, Tenreiro ainda escreveu:
" (...) a democracia no desporto português é o deserto de reacções ao que lhe acontece.
A democracia no desporto não é feita por uma voz isolada e mais duas que se incomodam.
O desporto português deixa muito a desejar como democracia e a sociedade paga-lhe da mesma forma.
Para o desenvolvimento da actividade associativa desportiva os exemplos de austeridade, desnorte, e erro também, são muitos, sem me dirigir a ninguém a particular.
No desporto português há muito medo e essa a razão para chegar à sua desconfortável situação actual."
Esclarecido e esclarecedor, para quem sabe e conhece o e do desporto, Fernando Tenreiro terminou com uma das suas maiores lições!!!
...
sábado, 2 de março de 2013
Finalmente! Qualquer outro RJFD será melhor que este!
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Finalmente um grupo de trabalho para proceder à análise do diploma que estabeleceu o Regime Jurídico das Federações Desportivas (publicado ontem no D. R.):
Dr. Vasco Paulo Lynce de Faria (coordenador);
Prof. Doutor José Manuel Meirim;
Prof. Doutor Pedro António Pimenta da Costa Gonçalves;
Prof. Doutora Maria José Carvalho;
Mestre Alexandra Pessanha;
Mestre Ana Celeste Carvalho;
Mestre Lúcio Miguel Teixeira Correia;
Mestre Paulo de Moura Marques;
Mestre Ricardo Alberto Santos Costa;
Dr. José Luis Pereira Seixas;
Dr. Luís Paulo Relógio;
Dr. Gonçalo Silvestre, em representação do Gabinete do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares;
Dr. Guilherme Müller Araújo, em representação do Gabinete do Secretário de Estado do Desporto e Juventude;
Dr. João Diogo Manteigas, em representação da Associação Portuguesa de Direito Desportivo;
Dr. Humberto Santos, em representação do Comité Paralímpico de Portugal;
Prof. Doutor Carlos Paula Cardoso, em representação da Confederação do Desporto de Portugal.
Residem nestas pessoas as nossas esperanças...
Finalmente um grupo de trabalho para proceder à análise do diploma que estabeleceu o Regime Jurídico das Federações Desportivas (publicado ontem no D. R.):
Dr. Vasco Paulo Lynce de Faria (coordenador);
Prof. Doutor José Manuel Meirim;
Prof. Doutor Pedro António Pimenta da Costa Gonçalves;
Prof. Doutora Maria José Carvalho;
Mestre Alexandra Pessanha;
Mestre Ana Celeste Carvalho;
Mestre Lúcio Miguel Teixeira Correia;
Mestre Paulo de Moura Marques;
Mestre Ricardo Alberto Santos Costa;
Dr. José Luis Pereira Seixas;
Dr. Luís Paulo Relógio;
Dr. Gonçalo Silvestre, em representação do Gabinete do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares;
Dr. Guilherme Müller Araújo, em representação do Gabinete do Secretário de Estado do Desporto e Juventude;
Dr. João Diogo Manteigas, em representação da Associação Portuguesa de Direito Desportivo;
Dr. Humberto Santos, em representação do Comité Paralímpico de Portugal;
Prof. Doutor Carlos Paula Cardoso, em representação da Confederação do Desporto de Portugal.
Residem nestas pessoas as nossas esperanças...
domingo, 24 de fevereiro de 2013
O Karate-dō olímpico!
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* Gonçalo M. Tavares, 2004, "O Senhor Brecht", Lisboa, Ed. Caminho.
O naufrágio*
Apenas o
hipopótamo e o seu dono escaparam ao naufrágio, saltando para cima de um
pequeno bote.
O hipopótamo era o ganha-pão do homem e por isso quando o pequeno
bote se começou a inclinar para o lado onde estava o animal, o homem ficou
preocupado com a possibilidade de este se afogar. Para evitar que a pequena
embarcação se desequilibrasse completamente o homem cortou um pedaço do
hipopótamo e comeu-o, o que também era oportuno pois começava a estar com fome.
O pequeno pedaço tirado ao hipopótamo permitiu que o bote recuperasse o
equilíbrio entre os dois lados, como uma balança. Mas por pouco tempo. Novamente
o bote começava a ir ao fundo do lado do hipopótamo. Este, apesar do bocado que
lhe fora retirado, ainda era mais pesado que o seu dono. O homem decidiu então
comer mais um pedaço do hipopótamo. Depois de o fazer, olhou para o barco e viu
que ainda não era suficiente: tirou mais um bocado do animal e comeu-o. O barco
recuperou o equilíbrio.
A viagem durou ainda algumas semanas e o homem, de seis em seis
horas, via-se obrigado a cortar mais um bocado do animal.
Talvez não fosse a solução perfeita, mas não poderia correr o
risco de perder o hipopótamo.
(Foto: The K is on the Way Karate 2020)
O Karate-dō tem sido um grande hipopótamo... Agora pretende-se que ele faça parte do programa olímpico de 2020 mas sem a prova de Kata!!!
* Gonçalo M. Tavares, 2004, "O Senhor Brecht", Lisboa, Ed. Caminho.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Aos que querem ser treinadores...
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Recentemente, no Fórum de Formadores da FNK-P, equacionou-se a questão dos novos Cursos de Treinadores... Recordamos que o Curso de Grau I possuirá 40 horas de formação geral, 40 horas de formação específica e 550 horas de estágio.
Primeira questão: montante da inscrição no curso? Se os anteriores cursos de treinador monitor implicavam uma inscrição de 100€ para uma carga horária de 30 horas... para 630 horas o candidato terá de pagar como inscrição a quantia de... ... ...
Segunda questão: sendo a formação comparticipada pelo Estado através de contratos-programa, justificar-se-á a duplicação ou triplicação da inscrição conforme o ventilado no referido Fórum?
Antigamente havia praticantes que faziam o CTM não para exercerem funções pedagógicas, mas pura e simplesmente para aumentarem os seus conhecimentos! Provavelmente daí o facto de dos "2100 treinadores de Karate acreditados no anterior modelo de formação cuja responsabilidade total na sua organização foi da Federação Nacional de Karate – Portugal (FNK-P), passámos para um número próximo dos 1300 treinadores possuidores de Cédula de Treinador de Desporto – Karate (CTD/TPTD)" conforme refere a própria Federação.
Quem irá pagar 200 ou 300 Euros para aumentar os seus conhecimentos? Quem irá pagar 200 ou 300 Euros para dar treinos (e quando os reembolsará através das remunerações?) Receia-se que não haja inscrições suficientes para realizar um curso destes... ora, anteriormente a formação sempre se sustentou a si própria! O que se quererá dizer com "não haver inscrições suficientes"? Prejudiquem-se alguns... em detrimento de outros!
Terceira questão: a orientação dos estágios! Estes estão já perfeitamente definidos (regulamentos de estágios), mas só agora é que se acordou para o "como" e "com quem" em relação à sua organização... Já em setembro do ano findo 17 federações desportivas começaram a debater o assunto, sem sabermos se a FNK-P se envolveu neste debate! Mas que foi alertada anteriormente, isso foi, pois continua em vigor o mesmo «regulamento de formação de treinadores» apesar do PNFT... Se uma licenciatura em Educação Física possui um estágio de cerca de 170 horas - veja-se por exemplo o que se passa na FMH - por que motivo um simples Curso de Grau I terá 550 horas?
Não haverá candidatos? Perdem-se clientes? Não se justificam as verbas atribuídas?
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terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Triste país este... Três questões!
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28 competidores convocados para "defender as cores nacionais" na Turquia dependerão do seu bolso - do bolso da sua família - ou do bolso das suas associações. Triste país este...
(Foto: FNK-P)
Na convocatória de 20 do corrente, pode-se ler o seguinte:"Condicionada que se encontra a FNK-P na disponibilidade económico-financeira, e baseada na convocatória provisória, encetou a direcção contactos com as associações que têm os seus atletas convocados, com vista ao pagamento das despesas dos atletas." - Pais há que para garantirem que os seus filhos defendam as cores nacionais já desembolsaram cerca de 1000/1200 Euros!
Através de contratos-programa, o Estado financia a alta competição. Poderão as verbas vir mais tarde - mas a questão que se coloca é: irão os atletas ser ressarcidos das quantias que despenderem após a federação receber essas verbas?
Outra questão se coloca: se uma federação tem 60 associações em que cada uma paga anualmente 500€ (60x500 = 30.000€) e 14.000 praticantes a pagar cada um 5€ (5x14.000 = 70.000€), a mesma não possui verbas?
Uma última questão: dois dirigentes, dois selecionadores e dois árbitros, irão à Turquia a "expensas próprias"?
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
10 anos de trabalho!
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Desde 25 de janeiro de 2003 que a PGKS, representante em Portugal da Okinawa Gōjū-Ryū Karate-Dō Kyōkai (沖縄剛柔流空手道協会), possui o seu dōjō próprio, o qual foi inaugurado nessa mesma data pelo Sensei Ryoichi Onaga. Dez anos se comemoram hoje, de trabalho e de dedicação, pretendendo aqui agradecer a todos aqueles que me dão a oportunidade de com eles repartir algo!
Sensei Onaga inaugurando o dōjō
O grupo inicial: André, Cristina, Armando, Rui, Gonçalo e Filipe de pé;
Alexandre, Núrya, Ricardo e Vensã sentados.
Alguns dos que hoje em dia aqui praticam...
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Coragem e legalidade!
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A Federação Portuguesa de Vela poderá ter de efetuar novas eleições dos órgão sociais, após a 12ª Vara Cível de Lisboa ter ordenado a suspensão das deliberações tomadas na Assembleia-Geral - pode-se ler em «A Bola» de hoje, na página 39.
Motivo: cadernos eleitorais errados, que terão de ser corrigidos!
Coragem de três Associações que apresentaram inicialmente uma providência cautelar...
Falta de coragem de Associações e Clubes que aceitaram os cadernos eleitorais errados na última Assembleia-Geral da FNK-P (aqui e aqui) dado que a mesma não foi impugnada... tendo até sido eleitos delegados cujos nomes nem dos cadernos eleitorais constavam... vivendo-se assim numa ilegalidade legal!
E depois falam-nos numa modalidade que segue os princípios do Bushidō e em que cada estilo até possui um Dōjō-kun...
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sábado, 12 de janeiro de 2013
Comparações... ou talvez não!
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Semana dominada pelos melhores de 2012: melhor futebolista, melhor treinador, melhor melhor... Poucos falaram de Bolt, de Phelps ou de Serena Williams (exceção feita a António Simões).
Semana em que Sidónio Serpa se preocupou com a educação do atleta, frisando que "a promoção do ser humano inteiro não se deve limitar à obsessão pelo resultado desportivo" e em que Manuel Martins de Sá nos veio mais uma vez dizer que na Argentina as claques gerem o tráfico dos bilhetes falsos e da droga com o apoio da polícia...
E depois ainda dizem que Guardiola recusou cumprimentar Ronaldo... e que Armstrong vai ao programa de Oprah contar toda a história - serão notícias relevantes?
Semana em que ficamos a saber que a Federação Portuguesa de Ginástica passou a cobrar as entradas nas provas nacionais...
Mas o que interessa isto a quem pratica Karate-dō? Nada, a não ser que sirva para estabelecer comparações... ou talvez não!
Querem exemplos?
Temos três embaixadores para a ética no desporto: o que fazem neste domínio?
Temos treinadores (é o único termo que está na lei) e não sabemos se são instrutores ou mestres... porque à partida a missão do treinador é preocupar-se com o resultado competitivo!
Temos uma final do nacional de Clubes onde um juiz empunha a bandeira vermelha com a mão esquerda e os outros quatro com a direita (será que ele quis mesmo levantar a bandeira azul na sua mão direita?)...
Continuamos a ter um site federativo onde as deliberações do C. D. e do C. J. continuam em branco, contrariamente à lei... ou não existem processos disciplinares?
E se a Federação começar a cobrar "ingressos" nas provas nacionais?
Deixem lá, desistam, amanhã é dia de clássico... todos iremos saber o resultado do Benfica - Porto mas poucos irão saber o que foi resolvido hoje na Assembleia Geral da FNK-P...
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
A Progressão da Hierarquia no Karate-dō.
Recebido de um amigo identificado, o que agradeço, publico o presente texto para que se possa refletir sobre o seu conteúdo!
Esta é a minha posição há mais de 25 anos. Estou a ficar cansado de tanto Dan de promoção ou liquidação total.
E é a minha posição sobre a progressão da hierarquia no Karate-dō sustentada numa avaliação com parâmetros iguais.
Existe mais de uma dezena de estilos de Karate-dō, algumas centenas de associações de estilo e transversais e uma enorme disparidade nos critérios de graduação de todos estes cintos negros, cuja progressão deveria ser programada e aferida por um colégio de gente competente e com conhecimentos multifacetados.
É o que acontece nas Federações espanhola (há mais de trinta anos), francesa e italiana, para não falar de outras, as quais não aceitam graus atribuídos pelo exterior, para poderem harmonizar a modalidade segundo critérios a cumprir por todos. Isto para além de que a fonte de receita que os japoneses ou seus substitutos bebem , poder passar a ser federativa, remunerando ainda os membros dum eventual Conselho de Graduações. Dificuldades para montar uma organização, claro que há, mas, não é para vencer dificuldades e abrir caminho ao progresso que existem as Federações?
Em 1988 entreguei ao sr. Presidente da FPKDA um “Projecto de Regulamento de Graduações” que previa, para além de programas técnicos de exame por grau e por estilo, uma bastante equilibrada distribuição crescente de dificuldades para vencer, por forma a harmonizar essa evolução de forma justa.
Nunca nada se fez. Resultado, há gente com 6ºs e 7ºs. Dan que beneficiaram da amizade, generosidade ou outras estratégias comerciais ou políticas enquanto outros que “deram sempre o litro” não acompanharam (por exigência dos seus mestres) a harmonia que uma qualificação deve sempre conter.
A título de graça, existiam 6ºs Dan japoneses no seu estilo, que apenas eram 4ºs. Dan na Federação espanhola (que conheci bem), e, por isso, venho ressuscitar essa ideia, dado que até fico tonto, por vezes, com tanto Shian que ao pé de yondan e godan não valem um traque.
Existe ou não existe um Conselho de Graduações na FNK-P?
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Um desporto com nove dedos...
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No recente Seminário "Move-te por valores", Gonçalo M. Tavares, escritor e Professor na Faculdade de Motricidade Humana, iniciou a sua intervenção apresentando-nos dois contos de sua autoria. Um deles, «A revolta»*, aqui fica, com as necessárias ilações...
Para o Rei era fundamental que toda a população, sem excepção, estivesse satisfeita.
Quando apareceu aquele estrangeiro extremamente feliz e com seis dedos em cada mão, o Rei ordenou que os médicos do Reino implantassem mais um dedo em cada um dos habitantes. E que os médicos fizessem o mesmo uns aos outros. Ninguém invejaria os seis dedos daquele estrangeiro.
Assim se fez. Todos ficaram com seis dedos em cada mão.
No ano seguinte chegou outro estrangeiro - com ar ainda mais feliz - que tinha sete dedos em cada mão.
O Rei de novo ordenou que os médicos do Reino implantassem mais um dedo em cada um dos habitantes. Assim foi feito.
No ano seguinte um estrangeiro com oito dedos por mão, que não parava de exibir a sua felicidade, provocou nova implantação geral: oitavo dedo.
No ano seguinte: um estrangeiro com nove dedos. E ainda mais feliz.
A mesma operação. Todos os do Reino ficaram com nove dedos em cada mão. Dezoito no total.
Foi então que no ano seguinte chegou um estrangeiro com o rosto mais feliz que alguma vez fora visto por ali com cinco dedos em cada mão.
Depois de um momento de hesitação, o Rei ordenou aos médicos que cortassem quatro dedos por mão a cada habitante.
Havia um problema, no entanto. Os nove dedos em cada mão dos cirurgiões já não conseguiam operar: os dedos atrapalhavam-se uns aos outros. Já não era possível: teriam que ficar todos com nove dedos em cada mão.
Como o Rei não conseguiu dar à população os cinco dedos daquele estrangeiro feliz, rebentou uma revolta e o Rei foi deposto.
(Foto: http://pt.dreamstime.com)
Quando se aborda uma mudança de valores em toda a nossa sociedade, com este exemplo, metáfora atual, concluímos que o desporto - analisando toda a sua evolução ao longo da história e das civilizações - depois de ter nove dedos nunca mais conseguirá voltar a ter cinco dedos...
* Gonçalo M. Tavares, 2004, "O Senhor Brecht", Lisboa, Ed. Caminho.
domingo, 23 de dezembro de 2012
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Seminário "Move-te por valores" - notícia que não chega!
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O Plano Nacional de Ética no Desporto, o Instituto Português do Desporto e Juventude em colaboração com a Faculdade de Motricidade Humana - Universidade Técnica de Lisboa realizaram hoje o Seminário sob o lema "Move-te por Valores", que teve lugar no Salão Nobre daquela Faculdade, o qual apresentou um painel de oradores notável e com intervenções de grande qualidade.
O Plano Nacional de Ética no Desporto, o Instituto Português do Desporto e Juventude em colaboração com a Faculdade de Motricidade Humana - Universidade Técnica de Lisboa realizaram hoje o Seminário sob o lema "Move-te por Valores", que teve lugar no Salão Nobre daquela Faculdade, o qual apresentou um painel de oradores notável e com intervenções de grande qualidade.
Um Seminário ao qual gostariam de ter assistido muitos Treinadores de karate-dō e muitos karatekas... mas que infelizmente não foi divulgado entre a nossa comunidade e muito menos na página da FNK-P (a qual é parceira institucional do PNED) ou na página do facebook "FNKP - Federação Nacional de Karate Portugal (unofficial)"! No entanto estiveram presentes no mesmo o Presidente desta Federação, assim como o Diretor do Departamento de Formação!
O karate-dō tem três Embaixadores para a Ética no Desporto... dois deles estiveram lá!
Uma informação que não se publicitou... uma notícia que não chega... uma sonegação de uma realização... A quem interessam?
domingo, 9 de dezembro de 2012
Seppuku (切腹)
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Dois animadores de rádio australianos divertiram-se com um telefonema para um hospital... As televisões transformaram-no em "reality show"! O público riu-se!!! A enfermeira que atendeu o telefonema e transferiu a chamada suicidou-se! Os animadores foram criticados...
A 2Day FM declara: "estamos convencidos que não fizemos nada de ilegal." JUSTIFICAÇÃO errada!!! A questão é: O QUE FIZERAM CABE DENTRO DOS LIMITES DA ÉTICA E DA DEONTOLOGIA??? Os dois animadores estão a receber aconselhamento intensivo...
Miguel Esteves Cardoso escreve no «Público» de hoje (p. 53) o seguinte: "A diabolização dos dois apresentadores australianos é inaceitável. Ninguém tem culpa. Não é essa a tragédia. A tragédia é que uma pessoa se matou sem razão para se matar. Foi vítima de um princípio de honradez que ela tinha: foi pena ter sido tão honrada. Se alguém tem culpa é a curiosidade pública à volta da gravidez da mulher que casou com o filho mais velho do príncipe Carlos. A curiosidade pública é um monstro bisbilhoteiro e é muito pior do que os monstrengos que decidem ganhar a vida a saciá-la."
Foi pena? Há que ter pena de todos aqueles que cometeram seppuku (切腹)?
Pergunta-se: a "moral" australiana" é diferente da "moral" inglesa?
Nota: ontem participámos numa ação de formação em que foi abordada a ética no karate-dō... meditemos!
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