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O que se entende por formação? "A formação é um processo
contínuo e sistemático de aprendizagem no sentido da inovação e aperfeiçoamento
de atitudes, saberes e saberes-fazer e da reflexão sobre valores que
caracterizam o exercício das funções inerentes a cada profissão." (1) Mas a formação também pode ser "um conjunto de possibilidades
de adaptação activa, algo muito diferente de
«acomodação», ou seja, a oferta de um máximo de esquemas de comportamento
possíveis face a novas situações e a condução a prováveis associações dos
mesmos." (2)
Daí uma federação apostar na formação (complemento e/ou atualização de conhecimentos) dos seus treinadores.
De 2007 a 2009 a FNK-P ofereceu aos seus treinadores (em programa apresentado e calendarizado no início de cada época desportiva) 8 ações de formação distribuídas pelas 6 zonas do país (incluindo Açores e Madeira), sendo a formação que ia ao encontro dos treinadores e não estes atrás da mesma (Lisboa, Viseu, Paredes, Vila das Aves, Funchal, Almada, Porto, Guarda, Beja, Carcavelos, St.º Tirso e Ponta Delgada), e assim designadas: 1- Novas tendências da arbitragem; 2- As regras de competição adaptadas aos jovens; 3- Diário electrónico do treinador; 4- Metodologia de Treino de Shiai Kata; 5- Liderança e ansiedade no karate; 6- O marketing ao serviço do karate; 7- Ética, desporto e karate; 8- A legítima defesa e o praticante de karate.
Em 2007 foram realizadas 10 ações de formação, num total de 33 horas, estando presentes 339 treinadores. Em 2008 realizaram-se 21 ações de formação, num total de 69 horas, em que participaram 550 treinadores. Em 2009 o panorama foi idêntico...
Os treinadores podiam livremente escolher os temas que mais lhes interessavam, para os quais tinham mais apetências ou estavam mais motivados, podiam selecionar os assuntos em que sentiam mais carências e escolherem as ações de formação em que queriam participar - daí a média aproximada de cerca de 29 treinadores em cada ação de formação.
Mas agora, como os treinadores têm de fazer em média por ano 12,5 horas, 15 horas ou 20 horas, todos acorrem - cerca de 90 em cada ação de formação - às ações de formação que aparecem mês sim mês não, mesmo que o assunto não lhes interesse diretamente! Mesmo que não estejam motivados... O que interessa é estar presente (diferente de participar e adquirir conhecimentos para transpor para o dōjō)... o que interessa são as tais horitas!!!
(1) ONOFRE, M., 1996, “A Supervisão
Pedagógica no Contexto da Formação Didáctica em
Educação Física”, in Carreiro da Costa, F.; Carvalho, L. M.; Onofre, M. S.;
Diniz, J. A. e Pestana, C., “Formação de Professores em
Educação Física – Concepções, Investigação, Prática”, FMH-UTL,
Cruz Quebrada, pp. 75-118.
(2) LAGRANGE, G., 1977, “Manual de Psicomotricidade”, Ed. Estampa, Lisboa.