sábado, 5 de outubro de 2013

3.out.1973 - 3.out.2013: 40 anos são muitos anos...

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Quem diria?
Alguma vez o jovem imaginaria, no primeiro dia em que envergou um karategi, que 40 anos depois ainda o continuaria a envergar? Não, nem tal lhe passou sequer pela cabeça!



Mas o que é certo é que por cá continua!

domingo, 22 de setembro de 2013

Falem-me em "tradicional"...

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Com a cortesia de Joséverson Goulart, a quem agradeço, uma questão pertinente...


Mas só há uma resposta: o Gōjū-Ryū !!! Na linha de Chōjun Miyagi e de Eiichi Miyazato temos a Okinawa Gōjū-Ryū Karate-Dō Kyōkai (沖縄剛柔流空手道協会)... aliás o Presidente da Federação de Karate de Okinawa, Sensei Teruya, é desta associação!!!

domingo, 1 de setembro de 2013

As duas espécies de praticantes...


É normal no final de um ano civil fazer-se o balanço desse mesmo ano. Fazer-se o balanço de 40 anos de Karate-Dō é muito mais difícil e complicado... mas talvez nem valha a pena fazer esse balanço!

Todos nós caminhamos para o fim da vida. Todos nós vivemos de recordações. Mas parece-me que o mais importante será preocuparmo-nos não com o passado, não com o futuro, mas sim com o presente e com as sementes que por cá deixaremos. Porque aquilo que fazemos sobre nós recai!... 


Mas um momento de reflexão não fará mal a ninguém... principalmente quando após a organização e realização de um Festival de Artes Marciais se chega à conclusão que existem duas espécies de praticantes nas mesmas: aqueles que singraram por si prórpios ao longo da vida, que realizaram esforços enormes para se irem superando dia a dia e que podem até nem ser bons praticantes mas que demonstram possuir valores, que respeitam para serem respeitados e que são dignos daquilo que fazem; e aqueles que nunca tiveram dificuldades em pagar a mensalidade do dōjō, que sempre encontraram tudo feito, a quem sempre facilitaram a vida e que poucas ou nenhumas dificuldades encontraram ao longo da vida para chegarem ao mesmo patamar onde chegaram os outros, enfim, aqueles que em vez de servirem as Artes Marciais se servem delas!

E se "a ausência de evidência não significa necessariamente a evidência de ausência", já não é tão ausente o facto de estes últimos serem aqueles que mais propalam o Dōjōkun em vez de o praticarem!

Isto porque dos vários convites enviados para participarem no dito Festival, alguns nem resposta obtiveram... 


Mas houve um conjunto de praticantes e alguns experts, uns sacrificando o seu domingo, outros a sua família, outros ainda que decidiram fazer cerca de 500 quilómetros para estarem presentes, que marcaram a sua posição. Solidários com dois amigos que comemoravam 40 anos de Karate-Dō, compareceram! E, solidários, mostraram o seu respeito e a sua amizade para com estes, os quais por sua vez retribuíram... De realçar ainda aqueles que marcaram presença nas bancadas num incondicional apoio!!!


Vivemos uma época em que, para certos indivíduos, é mais fácil olhar para o seu próprio umbigo que para o horizonte (talvez uma questão de distância!). Vivemos uma época em que, para certos indivíduos, é mais fácil ser falso e hipócrita (talvez uma questão de oportunidade!). Mas como dizia Anton Tchekhov, "eles são honestos: não mentem sem necessidade." 

Aliás, já nos vamos habituando a que a hipocrisia e a falsidade não possuam medo de sair à rua a qualquer momento... de cara destapada! 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Analisar os resultados de uma seleção nacional

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Analisar uma modalidade sem a comparar com outras é analisar nada... principalmente em termos de alta competição. Mas vamos correr esse risco analisando o Atletismo, ou não, se o quisermos comparar com o Karate!
Nos recentes Mundiais de Atletismo, em Moscovo, uma seleção constituída por 12 atletas nenhuma medalha conquistou (sim, houve um 4º lugar e um outro entre os 8 primeiros!)... 
Há 6 campeonatos do Mundo de Atletismo em pista de onde Portugal veio sem medalhas... e repare-se que em Helsínquia 1983, Portugal participou com 11 atletas, em Tóquio 1991 com 23 atletas, em Sevilha 1999 com 25 atletas, em Paris 2003 com 14 atletas, em Daegu 2011 com 24 atletas...
Helsínquia 1983, Paris 2003 e agora, Moscovo 2013, são as comitivas mais pequenas (11, 14 e 12 atletas). Em todo os outros Mundiais, as seleções foram constituídas por 20 ou mais atletas e em todos eles houve medalhados. 
Daqui poderemos à primeira vista inferir que:
- quanto maior é a comitiva mais probabilidades há de se obterem medalhas: muito discutível!
- quanto menor é a comitiva menor a probabilidade de se obterem medalhas: por inversa da anterior, do mesmo modo muito discutível!
Podem os resultados ser sempre analisados segundo vários critérios. Mas parece-me que o melhor de todos eles se centra na razão entre o número de participantes e número de lugares no pódio... correlacionando esta razão com as verbas dispendidas!
Já se fez essa análise no Karate?

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Uma linha muito ténue...

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Há uma linha muito ténue entre o político e o dirigente desportivo... Não, não é pelo facto de muitos dirigentes desportivos terem sido políticos, ou de muitos políticos terem sido dirigentes desportivos!

É apenas por um simples facto: em Portugal, em qualquer uma destas ocupações, poucos são profissionais e menos ainda os bem preparados para desempenharem essas funções.

Há pouco tempo, a Federação Portuguesa de Atletismo divulgava quatro decisões do seu Conselho de Disciplina castigando quatro fundistas por casos direta ou indiretamente ligados ao chamado «doping». Arons de Carvalho perguntava: "Mas serão os atletas os principais culpados? (...) Desde 2011 já foram suspensos seis dos principais fundistas nacionais, por EPO ou devido ao passaporte biológico. Quem esteve por trás  deles?" (Record, 18.07.2013, p. 28).

Os atiradores portugueses que vão aos Mundiais de esgrima, vão participar sem qualquer apoio federativo... o que também já se verificou no Karate, com famílias a pagarem as despesas de quem foi representar o País!

Nos Mundiais de atletismo a realizarem-se em Moscovo, a comitiva portuguesa é composta por doze atletas e... sete treinadores! Entretanto o departamento médico da FPA demite-se em bloco. Motivo: cortes financeiros sem orientação e pedidos para trabalhar de "borla"!

Verifica-se assim que o problema não será só da malfadada crise... o problema reside numa gestão de meios e de recursos humanos por parte de amadores!

Mas, tal como dizia Jenny Candeias em «A Bola» (26.02.2013, p. 38), "aumenta o apetite por cargos no desporto. Neste, como nas autarquias, clubes e associações. Para os inteligentes, o desporto passou a ser trampolim para novos vôos. Para os medíocres, prémio de consolação. Mas, curiosamente, afastando cada vez mais aqueles de quem se esperaria vontade, prestígio e coragem para o dirigir."

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A "economia" do aproveitamento

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A taxa de inscrição nos Cursos de Grau I de Treinador de Karate aumentaram de 100€ para 300€. Claro que se pode argumentar que a carga horária do curso aumentou... Mas um aumento de 200% não será exagerado? Ainda por cima depois de se aumentarem as quotas de praticante de 5€ para 10€?

Comparemos com outras Federações (em que os cursos possuem a mesma carga horária):

Curso de Grau I de Treinador de Hóquei em Patins - 150€

Curso de Grau II de Treinador de Hóquei em Patins - 250€

Curso de Grau I de Treinador de Basquetebol: 20 a 23 candidatos - 130 €; 24 a 27 candidatos - 120 €; 28 a 30 candidatos - 110 €

E eis aqui um aumento (ou dois!) que é igual ao IVA da restauração - aumentaram o IVA, fecharam restaurantes, a receita foi menor! Continua-se de olhos fechados em relação ao velhinho princípio da economia "vendo mais barato, mas vendo mais"! 

Aproveitamento de quem? E à custa de quem?

quarta-feira, 17 de julho de 2013

É hora de acabarmos com vergonhas assim!

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«Podia falar-vos de uma das primeiras finais da Taça de Inglaterra em futebol. Em 1875. Marindin, capitão do Royal Engineers, vendo que um jogador do Old Etonians se lesionara gravemente, retirou-se de campo para que “assim se mantivesse o equilíbrio de forças entre as duas equipas” – e, nos dias seguintes, toda a gente dizia que se o fair play existia, era aquilo o fair play.
Podia falar-vos de Hitler na tribuna de honra dos Jogos Olímpicos de Berlim à espera da vitória de Lutz Long no salto em comprimento que fosse sinal da superioridade alemã. E, sim, Long estava à frente, Jesse Owens não acertava com a chamada. De súbito, viu-se o alemão a dar um conselho e ele a aplicá-lo. Resultado: voou assim para a vitória - e Hitler, espumando, jurou-lhe vingança. A vingançafoi enviar Lutz Long para a frente de batalha, mal começou a Guerra, a Guerra que o matou.
Podia falar-vos da final dos 200 metros dos Jogos Olímpicos de Berlim, de Usain Bolt a voar para a eternidade, de Churandy Martina e Wallace Spearmon a cortarem a meta como os "primeiros humanos" da corrida. Minutos depois, os juízes desclassificaram-nos e quem recebeu a medalha de prata foi Shawn Crawford. Shawn, sentindo que a medalha não era sua por direito, semanas depois foi a um hotal de Zurique deixar na receção um embrulho para Martina. Na caixa estava a medalha olímpica - e um cartão que dizia: "Foste tu que correste para isto, logo isto não é meu, é teu."
Podia contar-vos mil e uma histórias assim.
Só não consigo perceber como é que histórias assim não evitam o reverso negro da medalha, esse reverso negro da medalha de que, no fundo, somos todos culpados por não nos envergonhar mais do que nos envergonha - e faz com que alguém possa contar, por exemplo, que um jogo entre rapazes do Benfica e do FC Porto tenha terminado como terminou. E eu que, sobre isso, também podia dizer mais, não preciso dizer mais do que isto: é hora de, todos nós, acabarmos com vergonhas assim.»

Esta é a crónia de Carlos Móia, Presidente do Maratona Clube de Portugal e Embaixador do Plano Nacional para a Ética no Desporto, publicada no «Record» de hoje, na sua página 2.

Carlos Móia não consegue perceber... mas se percebesse que o desporto está atualmente comercializado, se percebesse que sem a EDP, a Vodafone e o Banif - com o nosso dinheiro - não seria possível realizar as maratonas e meias maratonas que se realiza em Portugal, talvez não escrevesse isto!

Se percebesse que o dinheiro, os tais cincos minutos de fama na TV e a ânsia de poder levam a casos como os recentes de Tyson Gay, Asafa Powell, Jean-François Gillet ou os ocorridos na Federação Internacional de Ginástica, talvez não escrevesse isto...

... ou deste modo!

12º Estágio Europeu da OGKK


De 11 a 14 de Julho desenrolou-se em Múrcia, Espanha, o 12º European Gasshuku da OGKK sob a orientação dos Sensei Koei Teruya (10º dan), Keikichi Nakasone (10º dan), Ryoichi Onaga (9º dan), Masataka Muramatsu (9º dan), Tokimitsu Minei (8º dan), Toshiro Fujioka (7º dan) e Shigeru Uehara (7º dan). 
Portugal esteve presente com 9 elementos, realçando-se a conquista do 3º lugar em Kata no escalão de 13/14 anos masculino por Keanu Kattin no 31º Campeonato comemorativo do 40º aniversário da OGKK Espanha. 
Presentes karateka da Rússia, Letónia, Lituania, Finlândia, República Checa, Bélgica, França, Argentina, Inglaterra, Itália, Suíça, Japão e Espanha, num total de cerca de 400 participantes.

Visão geral do estágio.

A representação portuguesa da OGKK, comitiva esta que ainda integrou António Santos, 
Jorge Oliveira, Jhonny Kattin e Keanu Kattin da Goju-Kai.

Yuki Oshiro, 13 anos, campeão de Kata do Japão, vencedor da categoria 13/14 anos, 
aqui cumprimentando o colega de treino e adversário na competição Yúri Inocentes.

Na companhia de Onaga Sensei...

Kururunfa: demonstração final...

 ... coroada por uma notável Seisan executada por Onaga Sensei!

domingo, 23 de junho de 2013

Hoje, tal como antes...

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"Deve ter havido hilaridade entre os macacos quando o homem de Neanderthal fez o seu aparecimento na Terra. Os macacos altamente civilizados balançavam-se graciosamente de galho para galho; o homem de Neanderthal era tosco e grudado à Terra. Os macacos, saciados e pacíficos, viviam num folguedo requintado, ou catavam pulgas em contemplações filosóficas; o homem de Neanderthal, pesado e taciturno, cruzava o mundo, distribuindo pancadas com a sua clava. Os macacos, da copa das árvores, desciam o olhar divertido sobre ele, atirando-lhe castanhas. Às vezes ficavam horrorizados: eles comiam frutas e plantas tenras com grande refinamento; o homem de Neanderthal devorava o alimento cru, abatia os animais e os seus semelhantes. Derrubava árvores que sempre haviam estado de pé, removia rochas do lugar consagrado pelo tempo, transgredia todas as leis e tradições da selva. Era grosseiro, cruel, destituído de dignidade animal: do ponto de vista dos macacos altamente cultivados, uma recaída bárbara da história. Os últimos chimpanzés sobreviventes ainda torcem o nariz à vista de um ser humano..."*


* Arthur Koestler, 1961, "O Zero e o Infinito", Porto Alegre, Editora Globo.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

sábado, 1 de junho de 2013

Fora dos Jogos Olímpicos

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Tanto espavento à volta do "The K is on the way", tanta sofreguidão para o Karate estar em 2020 nos Jogos Olímpicos, mas ninguém se preocupou em explicar o porquê de só o Kumite ser candidato! A hipocrisia veio ao de cima até nos próprios vídeos de apresentação. A competição sempre se apresentou com duas provas: Kumite (combate) e Kata (forma técnica)... os "puristas" do Karate chamado "tradicional" defendem que a Kata é o âmago do Karate mas pretendem ver o mesmo no programa dos Jogos Olímpicos!

Maior visibilidade? Para quê? 

O publico não percebe o que é Kata? E percebe as regras da Esgrima, da Ginástica ou até mesmo do Ténis?




Há pessoas que nunca aprendem! Nem à segunda vez... A ganância é tão grande... os interesses são tantos... que ainda lá hão-de ir terceira vez! Expliquem quem sairia beneficiado com o Karate nos Jogos Olímpicos! Como diria Maquiavel, "os homens são tão simples e submetem-se a tal ponto às suas necessidades presentes, que aquele que engana encontrará sempre alguém que se deixe enganar."

terça-feira, 21 de maio de 2013

A pressão e a ética desportiva

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Hoje, no «Record», uma crónica exemplar de Mónica Jorge que pode ser lida aqui e nos mostra que afinal "mano, ainda há ética no desporto!" (na sequência do post anterior).



"Afinal, a ambição e a pressão de querer ganhar (seja o que for, nem que seja só protagonismo) (...) não pode estar acima da ética desportiva e dos nossos valores morais."

E se "a nossa atitude perante determinados contextos diz muito mais do que realmente somos", quase que me atrevo a substituir somente o termo «atitudes» por «comportamentos»... pois "o desporto deverá ser sempre um “educador” de valores, ideias e perfis." Deverá... mas nem sempre é!!!

Pena que não tenhamos mais exemplos semelhantes, quer a nível de praticantes e competidores, quer a nível de treinadores, árbitros e dirigentes!

Para refletirmos, termino com palavras do atual Presidente do Comité Olímpico: É falsa a tese que apresenta o desporto como algo cuja bondade é intrínseca. Apresenta-se o desporto como sinónimo de cultura, de progresso, de saúde, de educação, de fraternidade, um remédio a muitas patologias das sociedades modernas é fácil e de sucesso imediato. Por vezes, vai-se mesmo mais longe e apresenta-se o desporto como 'uma escola de vida' ou 'uma escola de virtudes'.”* Apresenta-se... e há os que acreditam!!!



*José Manuel Constantino, 2012, "O Espetáculo Desportivo no Mercado Global. A Internacionalização Económica do Desporto." Lisboa, Bnomics.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Fantástico!

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É fantástico como por vezes podemos apreciar uma pessoa a falar de ética e de deontologia várias vezes durante um dia e constatarmos a seguir que a mesma viola normas e regulamentos sem rebuço... passando impune, pois basta-lhe pegar numa borracha e apagar o que fez!

Como disse Forrest Atlee para o seu irmão Ray, personagens de um romance de Grisham*

“– Já não há ética, mano. Andas na lua. A ética é para pessoas como tu ensinarem aos alunos que nunca irão usá-la.


Mas o mais surpreendente é observarmos um rebanho imenso a segui-la!


* John Grisham, 2004, “A Convocatória”, Lisboa, Círculo de Leitores. 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Subsídio-dependência!

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José Pinto Correia afirma na sua página do Facebook que o projecto olímpico para 2016 está parado um ano depois de Londres 2012...!
E acrescenta: "O projecto olímpico para 2016 tem um ano de vazio. Nada foi definido, nem o pacote financeiro, nem os objectivos para a participação desde que acabaram os Jogos de Londres de 2012. Não há, portanto, nem estratégia, nem modelo de governação. Como é isto possível? Melhor mesmo: como foi isto possível até hoje? E durante quanto mais tempo vai tudo ficar indefinido?"

Aí está o busílis da questão: o pacote financeiro e os objectivos - talvez mais o primeiro que o segundo. 

Se o teatro não é subsidiado e não atrai público, dissolve-se a companhia de teatro e vão para o desemprego os seus atores. O mesmo com o bailado. O mesmo com as orquestras de música. Com os museus passa-se algo semelhante... Enfim, de facto a cultura é uma coisa e o desporto outra... ou vice versa!

Nos Estados Unidos o desporto de rendimento não depende do governo. Novas formas de atraír espectadores, novos métodos para gerarem receitas ou novas estratégias para garantirem patrocinadores são postas a funcionar... Daí as ligas fechadas...

No dia da sua posse, José Manuel Constantino considerou que o Estado deve «deixar às organizações desportivas o que está no âmbito das suas missões». Verdade! Mas como é possível se as organizações desportivas estão economicamente reféns desse Estado? Mas como é possível se é esse Estado que impõe a maneira dessas organizações funcionarem (veja-se o Regime Jurídico das Federações Desportivas)?

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A força da colaboração

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Segundo o Prof. Sidónio Serpa*, "a ginástica artística portuguesa teve nos últimos anos notável melhoria de resultados internacionais" devido a "um desenvolvimento muito positivo do relacionamento entre os treinadores dos diferentes clubes que assumiram a evolução da sua modalidade como missão comum, criando um ambiente de bom entendimento e de compromisso na colaboração. Foi um acto colectivo de inteligência que, todavia, não é muito habitual no desporto onde a rivalidade desportiva tende a ser prolongada a nível pessoal, e onde os objectivos associados aos resultados individuais ou da equipa geram individualismo no trabalho, por vezes temperado (envenenado?) com deslealdades e falta de desportivismo." Desenvolvimento esse a que a própria Federação não deve ser alheia... nem eventualmente a Associação Portuguesa de Treinadores de Desportos Gímnicos - repare-se que não é uma «Associação Nacional de Treinadores de Ginástica»!

Ainda segundo a sua opinião, "lamentavelmente, encontramos muitos exemplos, no contexto das várias modalidades, que seguem lógicas opostas àquela. Aí observamos que a evolução desportiva, ainda que tenha lugar, não atinge o potencial possível. Verificamos, também, que a própria situação profissional dos treinadores não se consolida como seria benéfico para todos, fruto de um relacionamento que desperdiça a força da comunhão de esforços, estratégias e objectivos. As certezas inflexíveis impeditivas da colaboração resultam de inseguranças pessoais, e o desejo mesquinho de querer ter algum poder no pequeno meio das modalidades e de se destacar entre os pares leva a guerras de grupos e indivíduos que culminam na derrota de todos. A psicologia social há muito demonstrou a elevada probabilidade de percas generalizadas nos jogos em que todos querem ganhar sem colaborar."

Na senda de Adorno (1963), Parlebas (1969), Villiaumey (1991), Gutiérrez Sanmartín (1995), Lassalle (1997), Olímpio Bento (1999, 2004 e 2005) e de Saint-Martin (2004), que nos mostram uma bivalência do desporto, o Prof. Sidónio Serpa vem agora alertar-nos para este facto: "o desporto, como meio de transmissão de valores, é perfeitamente neutro. Com efeito, tanto pode ter um impacto profundamente positivo na formação moral e cívica dos seus actores, como pode induzir as mais vis abordagens, plenas de egoísmo e desrespeito pelos outros."

E termina com uma crença: "acredito que a prazo ganham os que se regem pelos valores éticos, mesmo que não figurem no topo da classificação desportiva."

Esperamos que esta sua crença seja válida...


* "A força da colaboração", «A Bola», 23.04.2013, p. 32.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Homenagem aos vencedores do KDT4

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Embora tardia, aqui fica a minha homenagem aos competidores que, participando pela primeira vez no Karate Demo Team 4, venceram a prova em Montelavar no passado dia 3 de abril, garantindo a sua presença no IBERANIME. Equipa formada por Rute Baptista, Rúben Jacinto, Alberto Cavaleiro e Yúri Inocentes...


(p. f. clique no play para ver o vídeo)

O logo da equipa (girl on fire)...

... e a despedida do IBERANIME!


domingo, 31 de março de 2013

O pseudo-verdadeiro

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Não sou fã de Miguel Esteves Cardoso. Por isso mesmo sou insuspeito! Começo por não perceber porque escreve “Facebook” e “Internet” com maiúsculas… (tal como muita gente, tanta gente que às vezes até eu escrevo!) Mas tenho de me curvar perante o seu artigo “O pseudo-verdadeiro”, publicado no jornal «Público» a 17.02.2013, na página 45. Aqui fica na íntegra, porque merece ser lido até ao final!



«Abre-se um jornal ou uma revista; vê-se um anúncio de televisão; vai-se ao Facebook ou ao raio que o parta na Internet e é tudo tão fake que o que mais dói é ser tão aberta e facilmente descobrível ser tão fake.
Sempre foi assim. O que mais horroriza agora é que as pessoas – os seres humanos com quem contactamos – não só ecoam a falsidade do que recebem, acriticamente, online, como a prolongam e trazem para a vida real, como se fosse verdade.
“Viste a mentira/hipocrisia/fraude que eu usei para dizer bem, ironicamente, da mentira/hipocrisia/fraude com que pareço andar obcecado, apesar de, presentemente, não estar?” E a resposta não é tanto “sim” mas “por onde hei-de eu começar?”
Os americanos têm fake como dantes, como J. D. Salinger, se dizia phoney, a fingir. As línguas latinas não têm adjectivos à altura de tal baixeza. Chamamos hipócrita, fraudulenta e armada em carapau de corrida a pessoa que tenta fazer passar-se por quem não é.
Desde as relações públicas às revistas ditas cor-de-rosa tudo é projectado e emitido com um sentimentalismo mentiroso e ignorante, que desconhece a verdade e, através dessa ignorância, atinge a inocência da gula de quem quer comer à custa da curiosidade de quem é incapaz, por preguiça, incompetência e incultura, o que não lhe apetece nem saberia apreciar.
Dantes a hipocrisia era mais sincera: sabia-se o que era dito por ser esperado ou por ser boa educação. Ainda era possível distinguir. Hoje já não é.»


Num blog sobre Karate-dō ou sobre desporto, um post destes? Quais os motivos? Fácil!... É só uma questão de fazermos o transfer! Alguns saberão o que quero dizer... ou então leiam o livro "Desporto - geometria de equívocos"* do recém eleito Presidente do COP, José Manuel Constantino, que aqui aproveito para saudar publicamente, enviando os meus parabéns, tal como ao Presidente da FNK-P, João Salgado, que integra a sua comissão executiva!

*J. M. Constantino, 2006, "Desporto - geometria de equívocos", Lisboa, Livros Horizonte.



quarta-feira, 27 de março de 2013

Uma entrevista...


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«El karate consiste en respetar, no en pegar patadas»


Uma entrevista de Ryoichi Onaga Sensei, Hanshi, 9º Dan de Okinawa Gōjū-Ryū Karate-Dō (沖縄剛柔流空手道), representante da OGKK para a Europa, a "laverdad.es" de Murcia, que apesar de superficial e muito sintética mostra o verdadeiro caminho seguido por este Mestre. 



Realçamos aqui apenas dois parágrafos:


-¿Qué es lo más difícil de enseñar?
-La paciencia y la continuidad son dos factores que tienen que estar siempre en la mente de un buen maestro. Son algo fundamental, porque la enseñanza y el karate, desde mi punto de vista, son para toda la vida. Voy a enseñar y a entrenar hasta que mi cuerpo diga que no puede más.
-¿Y de aprender?
-Nos pasamos toda la vida aprendiendo. Entreno yo solo todas las mañanas y siempre aprendo algo nuevo. Un refrán dice que el camino del estudio es infinito, sea la materia o el ámbito que sea, y creo que tiene razón.


terça-feira, 26 de março de 2013

A soberba e o despeito

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"(...) sempre me irritou a soberba dos vencedores, lamentável imbecilidade e disfarçada descrença em si, que necessitam gritar aos outros a imagem que pretendem que tenham deles. Como se a qualidade superior necessitasse de arautos... Numa lógica inabalável, são estes que mais revelam o despeito nascido das derrotas, incapazes de reconhecer as virtudes adversárias e as incapacidades próprias que caracterizam o desporto em irremediável alternância, seja qual for a duração de cada ciclo. Adeptos que reagem irracionalmente, dirigentes que desprezam a ética, técnicos que incham nas vitórias e estalam o verniz das derrotas, atletas que se julgam super-heróis imortais estão por todo o lado e são de todas as cores.

Haveria mais harmonia se, na vida, prevalecessem os princípios baseados no respeito pelo outro, na consciência das próprias limitações, na noção de que a vida se faz da complementaridade e alternância de papéis, na compreensão de que a existência humana é sequência de momentos que rapidamente podem transportar da glória e felicidade supremas à mais profunda miséria material e moral. Então, mais de acordo com os valores iniciais, o desporto seria eminente e universalmente educativo."*



Resumindo, é tudo uma questão de educação (não onde, nem por quem, nem quando, mas COMO!). No desporto, somos educados para a soberba e o despeito - e isso é reprodutivo! Há muito que venho defendendo que se deve ensinar crianças e jovens a sonhar mas a conhecerem os seus limites, a tentarem sempre mas a saberem quando devem parar, que se deve ensinar crianças e jovens a ganhar... e não como muitas vezes - a maior parte das vezes - se faz: "tens de aprender a perder"! Temos bons treinadores - visam o resultado - mas maus pedagogos!

*Opinião do Prof. Sidónio Serpa, hoje, em «A Bola», pág.30.

sábado, 23 de março de 2013

Formação? Ou ilusão?

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O que se entende por formação? "A formação é um processo contínuo e sistemático de aprendizagem no sentido da inovação e aperfeiçoamento de atitudes, saberes e saberes-fazer e da reflexão sobre valores que caracterizam o exercício das funções inerentes a cada profissão." (1) Mas a formação também pode ser "um conjunto de possibilidades de adaptação activa, algo muito diferente de «acomodação», ou seja, a oferta de um máximo de esquemas de comportamento possíveis face a novas situações e a condução a prováveis associações dos mesmos." (2)

Daí uma federação apostar na formação (complemento e/ou atualização de conhecimentos) dos seus treinadores.

De 2007 a 2009 a FNK-P ofereceu aos seus treinadores (em programa apresentado e calendarizado no início de cada época desportiva) 8 ações de formação distribuídas pelas 6 zonas do país (incluindo Açores e Madeira), sendo a formação que ia ao encontro dos treinadores e não estes atrás da mesma (Lisboa, Viseu, Paredes, Vila das Aves, Funchal, Almada, Porto, Guarda, Beja, Carcavelos, St.º Tirso e Ponta Delgada), e assim designadas: 1- Novas tendências da arbitragem; 2- As regras de competição adaptadas aos jovens; 3- Diário electrónico do treinador; 4- Metodologia de Treino de Shiai Kata; 5- Liderança e ansiedade no karate; 6- O marketing ao serviço do karate; 7- Ética, desporto e karate; 8- A legítima defesa e o praticante de karate.  

Em 2007 foram realizadas 10 ações de formação, num total de 33 horas, estando presentes 339 treinadores. Em 2008 realizaram-se 21 ações de formação, num total de 69 horas, em que participaram 550 treinadores. Em 2009 o panorama foi idêntico...

Os treinadores podiam livremente escolher os temas que mais lhes interessavam, para os quais tinham mais apetências ou estavam mais motivados, podiam selecionar os assuntos em que sentiam mais carências e escolherem as ações de formação em que queriam participar - daí a média aproximada de cerca de 29 treinadores em cada ação de formação.



Mas agora, como os treinadores têm de fazer em média por ano 12,5 horas, 15 horas ou 20 horas, todos acorrem - cerca de 90 em cada ação de formação - às ações de formação que aparecem mês sim mês não, mesmo que o assunto não lhes interesse diretamente! Mesmo que não estejam motivados... O que interessa é estar presente (diferente de participar e adquirir conhecimentos para transpor para o dōjō)... o que interessa são as tais horitas!!!


(1) ONOFRE, M., 1996, “A Supervisão Pedagógica no Contexto da Formação Didáctica em Educação Física”, in Carreiro da Costa, F.; Carvalho, L. M.; Onofre, M. S.; Diniz, J. A. e Pestana, C., “Formação de Professores    em Educação Física – Concepções, Investigação, Prática”, FMH-UTL, Cruz Quebrada, pp. 75-118.

(2) LAGRANGE, G., 1977, “Manual de Psicomotricidade”, Ed. Estampa, Lisboa.

sábado, 9 de março de 2013

Perseguição política


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Fernando Tenreiro é um conhecido economista do desporto. Professor universitário, durante muito tempo manteve o seu blog ativo (Desporto e Economia). Um blog conjunto com João Boaventura e Bruno Avelar Rosa. Um blog válido e esclarecido - e esclarecedor!

No passado dia 26 de fevereiro, Tenreiro anunciou que "por perseguição política, improvável numa democracia real este blogue sobre o desporto português e uns pós de economia e bem fazer, termina aqui."

Num comentário a 5 do corrente, Tenreiro ainda escreveu:

" (...) a democracia no desporto português é o deserto de reacções ao que lhe acontece.
A democracia no desporto não é feita por uma voz isolada e mais duas que se incomodam.
O desporto português deixa muito a desejar como democracia e a sociedade paga-lhe da mesma forma.
Para o desenvolvimento da actividade associativa desportiva os exemplos de austeridade, desnorte, e erro também, são muitos, sem me dirigir a ninguém a particular.
No desporto português há muito medo e essa a razão para chegar à sua desconfortável situação actual."

Esclarecido e esclarecedor, para quem sabe e conhece o e do desporto, Fernando Tenreiro terminou com uma das suas maiores lições!!!
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sábado, 2 de março de 2013

Finalmente! Qualquer outro RJFD será melhor que este!

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Finalmente um grupo de trabalho para proceder à análise do diploma que estabeleceu o Regime Jurídico das Federações Desportivas (publicado ontem no D. R.):

Dr. Vasco Paulo Lynce de Faria (coordenador);
Prof. Doutor José Manuel Meirim;
Prof. Doutor Pedro António Pimenta da Costa Gonçalves;
Prof. Doutora Maria José Carvalho;
Mestre Alexandra Pessanha;
Mestre Ana Celeste Carvalho;
Mestre Lúcio Miguel Teixeira Correia;
Mestre Paulo de Moura Marques;
Mestre Ricardo Alberto Santos Costa;
Dr. José Luis Pereira Seixas;
Dr. Luís Paulo Relógio;
Dr. Gonçalo Silvestre, em representação do Gabinete do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares;
Dr. Guilherme Müller Araújo, em representação do Gabinete do Secretário de Estado do Desporto e Juventude;
Dr. João Diogo Manteigas, em representação da Associação Portuguesa de Direito Desportivo;
Dr. Humberto Santos, em representação do Comité Paralímpico de Portugal;
Prof. Doutor Carlos Paula Cardoso, em representação da Confederação do Desporto de Portugal. 

Residem nestas pessoas as nossas esperanças...

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O Karate-dō olímpico!

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O naufrágio*
 
Apenas o hipopótamo e o seu dono escaparam ao naufrágio, saltando para cima de um pequeno bote.

O hipopótamo era o ganha-pão do homem e por isso quando o pequeno bote se começou a inclinar para o lado onde estava o animal, o homem ficou preocupado com a possibilidade de este se afogar. Para evitar que a pequena embarcação se desequilibrasse completamente o homem cortou um pedaço do hipopótamo e comeu-o, o que também era oportuno pois começava a estar com fome. O pequeno pedaço tirado ao hipopótamo permitiu que o bote recuperasse o equilíbrio entre os dois lados, como uma balança. Mas por pouco tempo. Novamente o bote começava a ir ao fundo do lado do hipopótamo. Este, apesar do bocado que lhe fora retirado, ainda era mais pesado que o seu dono. O homem decidiu então comer mais um pedaço do hipopótamo. Depois de o fazer, olhou para o barco e viu que ainda não era suficiente: tirou mais um bocado do animal e comeu-o. O barco recuperou o equilíbrio.

A viagem durou ainda algumas semanas e o homem, de seis em seis horas, via-se obrigado a cortar mais um bocado do animal.

Talvez não fosse a solução perfeita, mas não poderia correr o risco de perder o hipopótamo.

 (Foto: The K is on the Way Karate 2020)

Karate-dō tem sido um grande hipopótamo... Agora pretende-se que ele faça parte do programa olímpico de 2020 mas sem a prova de Kata!!!



* Gonçalo M. Tavares, 2004, "O Senhor Brecht", Lisboa, Ed. Caminho.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Aos que querem ser treinadores...

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Recentemente, no Fórum de Formadores da FNK-P, equacionou-se a questão dos novos Cursos de Treinadores... Recordamos que o Curso de Grau I possuirá 40 horas de formação geral, 40 horas de formação específica e 550 horas de estágio.

Primeira questão: montante da inscrição no curso? Se os anteriores cursos de treinador monitor implicavam uma inscrição de 100€ para uma carga horária de 30 horas... para 630 horas o candidato terá de pagar como inscrição a quantia de... ... ...

Segunda questão: sendo a formação comparticipada pelo Estado através de contratos-programa, justificar-se-á a duplicação ou triplicação da inscrição conforme o ventilado no referido Fórum?

Antigamente havia praticantes que faziam o CTM não para exercerem funções pedagógicas, mas pura e simplesmente para aumentarem os seus conhecimentos! Provavelmente daí o facto de dos "2100 treinadores de Karate acreditados no anterior modelo de formação cuja responsabilidade total na sua organização foi da Federação Nacional de Karate – Portugal (FNK-P), passámos para um número próximo dos 1300 treinadores possuidores de Cédula de Treinador de Desporto – Karate (CTD/TPTD)" conforme refere a própria Federação.

Quem irá pagar 200 ou 300 Euros para aumentar os seus conhecimentos? Quem irá pagar 200 ou 300 Euros para dar treinos (e quando os reembolsará através das remunerações?) Receia-se que não haja inscrições suficientes para realizar um curso destes... ora, anteriormente a formação sempre se sustentou a si própria! O que se quererá dizer com "não haver inscrições suficientes"? Prejudiquem-se alguns... em detrimento de outros!

Terceira questão: a orientação dos estágios! Estes estão já perfeitamente definidos (regulamentos de estágios), mas só agora é que se acordou para o "como" e "com quem" em relação à sua organização... Já em setembro do ano findo 17 federações desportivas começaram a debater o assunto, sem sabermos se a FNK-P se envolveu neste debate! Mas que foi alertada anteriormente, isso foi, pois continua em vigor o mesmo «regulamento de formação de treinadores» apesar do PNFT... Se uma licenciatura em Educação Física possui um estágio de cerca de 170 horas - veja-se por exemplo o que se passa na FMH - por que motivo um simples Curso de Grau I terá 550 horas?

Não haverá candidatos? Perdem-se clientes? Não se justificam as verbas atribuídas?
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