quarta-feira, 20 de maio de 2015

Tapada Sports Road Show

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Associação de Moradores da Tapada das Mercês vai potenciar a prática desportiva e a utilização de alguns equipamentos disponíveis nesta localidade.

A iniciativa TAPADA SPORTS ROAD SHOW vai realizar-se no dia 30 de Maio (sábado) em três tempos e dois locais distintos, tendo início às 10.00 h no Centro Comercial Floresta Center.

À tarde, a partir das 15.00 h no Parque Polidesportivo, situado na Rua Josefa de Óbidos, frente aos terrenos da Quinta da Marquesa, retorna-se à prática desportiva, onde várias modalidades irão estar em destaque.

A completar esta iniciativa desportiva aberta a toda a comunidade, decorrerá às 19.00 h no Floresta Center a conferência "Desporto e Ética, Ética e Desporto".



Na comemoração do seu 15º aniversário, a PGKS agradece a colaboração da Associação de Moradores da Tapada das Mercês, do Floresta Center, da Junta de Freguesia de Algueirão - Mem Martins e do Tapada Kids.


domingo, 10 de maio de 2015

O cisco no seu olho!

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Muitos dos ditos "mestres" recitam de cor o Dōjōkun e ensinam os seus alunos a fazer o mesmo...


Muitos dos ditos "mestres" batendo com a mão no peito estão sempre prontos para entoarem as cinco máximas e induzem constantemente os seus discípulos a fazerem o mesmo...

Mas se repararmos bem, veremos que são estes ditos "mestres" que mercantilizam o Karate-Dō, que o comercializam, que vivem dele, que promovem competições com "prize money", que treinam competidores para a prova de Kata espetando-lhes com «enlatados» (o que é senão um enlatado de conserva uma Sūpārinpē executada por um jovem de 15 anos que não conhece a sua Bunkai nem sabe executar corretamente uma Sansērū?)...

Aquele princípio de um jōkun que diz "treinar não traz recompensas materiais" está fora de moda!!! Ultrapassado! Mais que ultrapassado... Porque há quem treine para ter recompensas materiais...

A confirmá-lo, um profundo estudo já com 20 anos, de Shields e Bredemeier*, diz-nos que a prática continuada de uma modalidade competitiva pode levar o indivíduo a aceitar formas de violência e de fraude, desde que viabilizem a obtenção da vitória. 

Mas como diz o outro, ninguém vê o cisco no seu olho... e muito menos o barrote! Mea culpa... eu também não!



     * SHIELDS, David L. & BREDEMEIER, Brenda J., 1995, “Character Development and Physical Activity”, Human Kinetics Publishers, Champaign, Illinois.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A vaca...

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"Profeta e discípulo em peregrinação perderam-se na negrura de uma montanha rude, descobriram cabana com gente pobre dentro. Deram-lhes o que tinham: o calor da fogueira, o leite que lhes sobrara do jantar, contaram-lhes que a vaca era o que os sustentava. Dormitaram, partiram. Era de madrugada, a vaca pastava à beira de um precipício - e o profeta ordenou ao discípulo, desconcertando-o:

- Atira-a para o penhasco!


- A vaca morre, a família fica sem alimento, balbuciou.

O profeta insistiu, o discípulo cumpriu a ordem em angústia. Várias vezes, culpando-se, lamentou-se, chorou...
Algum tempo depois, voltaram à montanha. Já não era a cabana miserável, havia plantações em redor, animais pastando. Ao jantar, não lhes deram leite, serviram-lhes carnes, frutas, vinhos, licores, tudo da quinta grande, deles. Dormitaram, partiram. E o profeta soltou em brado ao discípulo:

- Se não empurrasses a vaca para o penhasco, continuavam a alimentar-se apenas de leite, não tinham mudado de vida..."


Escolhei a vossa vaca...
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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Um olho...

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Um jovem viajou através do Japão à procura de uma famosa escola de Karatedō. Quando chegou, foi recebido pelo Sensei.

"- O que desejas de mim?" perguntou o Mestre.

"- Eu gostaria de tornar-me seu aluno para vir a ser o melhor karateka do mundo. Quanto tempo terei de estudar?"

"- Dez anos, pelo menos!", respondeu o Mestre. 

"- Dez anos é muito tempo!" admirou-se o jovem. "- E se eu estudar duas vezes mais duro que todos os seus outros alunos?"

"- Vinte anos!" exclamou o Mestre.

"- Vinte anos? E se eu praticar dia e noite com todo o meu esforço?"

"- Trinta anos!", foi a resposta do Mestre.

"- Como é que cada vez que eu digo que 
vou trabalhar mais, o Mestre diz-me que ainda vou demorar mais tempo?" perguntou o rapaz.

"- A resposta é clara. Quando um olho está fixo no destino, só resta um olho para encontrar o caminho."


"Segue o teu sonho", na caligrafia de Miyazato Ei'ichi Sensei (宮里栄一 先生) - (1922 – 1999)

domingo, 5 de abril de 2015

O ladrão de machados

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"Um homem não conseguia encontrar o seu machado e suspeitou do filho do vizinho. Reparou no modo como o rapaz caminhava, modo que lhe parecia próprio de um ladrão de machados. A postura ao andar, a forma de falar e os gestos denunciavam-no como sendo o ladrão do machado.

Pouco depois, o homem estava a cavar no seu quintal e encontrou o machado perdido. No dia seguinte, avistou o filho do vizinho; desta vez, nada no comportamento do rapaz lhe parecia ser característico de um ladrão de machados."*



* Chuang Tzu e Lié Tzu, 2014, "A borboleta voando no vazio - um encontro com as raízes do taoismo", Lisboa, Dinalivro.

terça-feira, 31 de março de 2015

domingo, 15 de março de 2015

Balanço de um Estágio!

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Mais um estágio levado a cabo pela Portugal Gōjū-Ryū Karate-Dō Shinkōkai (葡萄牙剛柔流空手道振興会) e ministrado por Ōnaga Ryōichi Sensei (翁長良一 先生) - desta vez o 14º, apesar de o ter trazido a Portugal em 1985 e em 1986, muitos antes da formação da nossa jovem associação que este ano completa os seus 15 anos de existência.


Um estágio que ficou marcado, como sempre, pelas competências e qualidades técnicas, pedagógicas e humanas de Ōnaga Sensei, e que se pode resumir em três palavras: respeito, partilha e companheirismo.


Pela primeira vez contámos com companheiros nossos vindos de Espanha (Múrcia, Alicante e Badajoz), Bélgica (Beringen), Lituânia (Vilnius), Inglaterra (Birmingham) e Brasil (S. Paulo). A nossa casa estava representada pelo Porto, Gaia, Paredes, Matosinhos, Figueira da Foz, Portalegre, Lisboa, Benfica, Alfragide, Tapada das Mercês, Trajouce e Corroios.


Uma saudação especial para Paco Orenes Sensei, 7º Dan,  amigo de longa data, presente também pela primeira vez no nosso país. 

Foi um curto estágio no tempo, mas longo na prática e na aprendizagem. Cansativo para quem se empenhou e esgotante para quem o organizou. Mas como me disse um amigo distante através do facebook, "nas expressões faciais das fotos dá para verificar a satisfação dos karateka"!!!


E quando se reune o grupo que se reuniu, debaixo da orientação de uma pessoa de elevada craveira, o resultado só poderá ser positivo. Primeiro questionamos o Karate, depois vivemos o Karate, e, por último, o Karate interpela-nos. Como disse Milan Kundera, "o valor de um ser humano reside na sua capacidade para ir além de si próprio, de sair de dentro de si, de existir não só dentro de si como para os outros."

Dos mais novos aos mais velhos, dos menos graduados aos mais graduados, todos mostraram uma apetência enorme por absorver os conhecimentos transmitidos por Ōnaga Sensei... e a ajuda e o apoio de Paco Orenes Sensei foram inestimáveis!

Paco Orenes Sensei, Ōnaga Ryōichi Sensei e Armando Inocentes


Corroios

Lisboa e Trajouce

Figueira da Foz

Gaia, Porto, Paredes, Matosinhos e Portalegre

Vilnius, Lituânia

Birmingham, Inglaterra

Beringen, Bélgica

Múrcia, Alicante e Badajoz, Espanha
(sem Carlos Garcia, Inmaculada Gómez e Luís Garcia, já a caminho de Múrcia)

Benfica, Lisboa

Tapada das Mercês, Sintra

Os meus agradecimentos aos presentes e um abraço a todos!!!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Sintomas no desporto - uma crónica de Sidónio Serpa

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Dada a sua relevância, com a devida vénia transcrevo a parte inicial da crónica de hoje do Prof. Sidónio Serpa, publicada no jornal «A Bola», p. 32, e intitulada "Sintomas no desporto".


O desporto, como fenómeno social, não constitui santuário onde as virtudes humanas prevaleçam sobre os mais mesquinhos defeitos. Pelo contrário, tende a ampliar tensões sociais, rivalidades malsãs, egocentrismos acríticos. Numa sociedade que estimula a ostentação e confunde o ter mais coisas - que, no contexto desportivo podem ser vitórias - com a posse de valores de dignidade, cultura, ou de respeito interpessoal, o desporto não poderia ser diverso. A ética e o desportivismo quedam-se nas palavras repetidas em mero exercício de hipocrisia, ou de ignorância quanto ao conteúdo. Talvez sejam usadas sem se perceber que são o oposto das acções que se realizam, mas a inconsciência não anula a responsabilidade.


De realçar a frase destacada na versão impressa de «A Bola»: 

A ética e o desportivismo quedam-se nas palavras repetidas em mero exercício de hipocrisia, ou de ignorância quanto ao conteúdo.