quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Seminário Internacional nos Açores

A Associação de Karaté dos Açores, em colaboração com a Federação Nacional de Karaté – Portugal, vai promover na Região Autónoma dos Açores, um Seminário Internacional de Shiai Kumite, repartido em três níveis, sob a coordenação técnica de um dos grandes especialistas da modalidade da Federação Mundial de Karaté, Prof. António Oliva (Espanha).
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O primeiro nível deste Seminário será realizado nos dias 23 e 24 de Outubro de 2010, na ilha Terceira sendo os restantes em 2011 (2º nível) na ilha de São Miguel e 2012 (3º nível) na ilha do Faial e tem como limite máximo de participação 50 elementos.
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Nos dias 23 e 24 de Outubro este Seminário será realizado no Pavilhão do Complexo Desportivo do Estádio João Paulo II, Grota do Vale, em Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira – Açores.


PROGRAMA

NÍVEL I BÁSICO - Introducción a la Técnica, la Táctica y la Emótica. Definición, división y aplicación

23.10.2010 (Sábado)
Das 10H00 às 11h00 – Teórica
Das 11h00 às 13h00 – Prática / Teórica
Das 17h00 às 20h00 – Prática / Teórica

24.10.2010 (Domingo)
Das 10h00 às 13h00 – Prática / Teórica
Das 17h00 às 19h00 – Prática / Teórica
Das 19h00 às 20h00 – Teórica

CONDIÇÕES DE ACESSO

Os interessados terão de ter um mínimo de 14 anos de idade e enviar, até ao dia 18 de Outubro de 2010, e-mail para a Associação de Karaté dos Açores (aka@sapo.pt), com comprovativo de transferência bancária (NIB: 0038 0000 3160 6759 3019 2 – BANIF), bem como indicação dos seguintes dados:
Nome completo, Clube, Associação, Data de Nascimento, Graduação e Nível de Treinador da FNK-P.

PREÇO DO SEMINÁRIO

20,00 € (1 dia) – Inclui certificação de 6 horas
30,00 € (2 dias) – Inclui certificação de 12 horas

UNIDADES DE CRÉDITO

Aos Treinadores devidamente inscritos na FNK-P, serão averbadas as unidades de crédito com o timbre da FNK-P nas respectivas Carteiras de Identificação de Treinador (CIT) apresentadas ao Departamento de Formação da FNK-P, conforme abaixo descrito:

1 dia – 2 unidades de crédito
2 dias – 4 unidades de crédito

sábado, 2 de outubro de 2010

Campeão do Mundo

Mensagem SMS recebida hoje, às 17:39, do meu caro amigo António Moreira:

"Nuno Moreira acaba de se sagrar Campeão do Mundo em Kumite, estilo Goju-Ryu, em Cascais".

Parabéns Nuno, para ti e para toda a tua família. Um abraço!

Projecto de Desenvolvimento Estratégico

Como prometido, aqui fica um exemplo de um Projecto de Desenvolvimento Estratégico, o qual deverá ser estruturado após a elaboração da Matriz de Decisão Estratégica.

Como é fácil verificar-se, o mesmo só poderá ser efectuado após analisarmos prós e contras e contarmos com os planos/programas de outros parceiros e termos em conta os nossos recursos humanos, físicos e logísticos. Teremos também de nos focar para os objectivos que nos propomos atingir e as actividades que pretendemos desenvolver ou em que vamos participar, concluindo com a elaboração do nosso próprio plano anual ou plurianual.
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Espero mais uma vez ter contribuído...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O que fazer no início de uma época desportiva?


Alguns colegas meus, treinadores, perguntam-me por vezes o que fazer para poder dinamizar um pouco mais a vida do seu Dojo.
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Temos ao nosso alcance uma ferramenta muito útil - é preciso é perdermos, para ganharmos, um pouco de tempo exercitando-a para tirar dela o devido proveito.
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Trata-se de uma tabela de dupla entrada, uma Matriz de Decisão Estratégica. Teremos de estudar primeiro o ambiente em que o Dojo (ou até a própria Associação) se encontra inserido e analisar quais as principais ameaças externas, mas também as oportunidades externas - são factores que não dependem de nós, denominados factores externos.

A seguir fazemos uma análise da nossa organização - factores internos (forças e fraquezas) - e conjugando ambos os diagnósticos poderemos estabelecer estratégias que poderão melhorar o nosso desempenho e a nossa acção.

Se possuímos grandes forças na nossa organização, mas as ameaças externas são grandes, temos de partir para uma estratégia do tipo saída ofensiva. Mas se existem grandes oportunidades externas, então a melhor estratégia será um empenhamento ofensivo.

Por outro lado, se são grandes as nossas fraquezas internas, perante as ameaças externas teremos de adoptar uma estratégia do tipo saída defensiva. Mas ao depararmo-nos com as oportunidades externas, o empenhamento defensivo será primordial.

Este é um instrumento de gestão que deveremos usar no início de uma época desportiva ao estabelecermos um programa de actividades para a mesma. Depois deveremos partir para a elaboração de um Projecto de Desenvolvimento Estratégico (ficará para novas núpcias!).

A imagem não tem a melhor qualidade, mas aos interessados será enviada para: 1º - poderem observar um exemplo; 2º - possuirem um instrumento para manusearem.


Espero ter ajudado...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O País que temos... ou o País que somos!

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Ao lermos o último post do meu amigo José Ramalho, no seu blog - que vivamente recomendo - gojuhoshindo.blogspot.com, sobre o campeonato do mundo de Goju-Ryu, verificamos que não é Portugal que é pequeno, os portugueses (pelo menos a grande maioria deles) é que são de uma pequenez tacanha! Pelo menos alguns… pois não nos podemos esquecer que entre muitos outros temos um António Damásio, um João Magueijo, um Nuno Crato, uma Mariza, um Cargaleiro, um Siza Vieira, uma Vieira da Silva, um Eduardo Lourenço, um Vítor Baía e um Luís Figo (teremos um Cristiano Ronaldo?), uma Ticha Penicheiro, um João Garcia, um Moniz Pereira, um José Mourinho, tivemos um Camões, um Pessoa, um Saramago, um Egas Moniz, um Bento de Jesus Caraça, tivemos um Carlos Lopes, uma Rosa Mota e um Nuno Delgado, tivemos os cinco violinos, tivemos um Eusébio, Torres, Águas e Coluna, tivemos uma Amália, tivemos um Salgueiro Maia…

Num país em que um homem (Jaime de Ó, de 68 anos) em Idanha-a-Nova conhecido por violar animais, desde galinhas a burros, aparece morto com várias facadas no peito e no ânus; num país em que, em Celorico da Beira, um agricultor (Jorge Rodrigues, de 34 anos) está a ser julgado por conduzir com excesso de álcool uma carroça puxada por uma burra; num país em que o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol conseguiu evitar a demissão do Conselho de Disciplina e do Conselho de Justiça dessa mesma Federação, porque ambos «não queriam pactuar com ilegalidades» (veja-se o «Correio da Manhã» de 26 do corrente, ontem, página 38); num país em que não integra a Comissão para a Justiça Desportiva um doutorado que lecciona há seis anos consecutivos numa Universidade pública a inédita disciplina de Direito do Desporto, que é reconhecida pelos seus pares académicos mesmo de outras Universidades e que possui trabalhos científicos publicados entre nós e no estrangeiro (veja-se o jornal «Público» também de ontem, página 31); num país em que, na nossa modalidade, não existe uma Associação Nacional de Treinadores; num país em que durante um ano a Federação Nacional de Karaté – Portugal não promove nenhum curso de Treinadores, embora no seu plano e orçamento conste a realização em 2010 de quatro cursos, um de cada nível, quando até Dezembro deste ano (estarei a antecipar-me?) poderia pelos menos realizar um Curso de Treinador Monitor e um Curso de Nível I; num país onde os Treinadores de Karaté aguardam (e continuam a aguardar) as suas notas do CTNII (Barreiro), CTNI (Açores) CTNII e CTNIII (Lisboa); num país em que esta Federação lança o calendário de actividades para 2010-2011 e sobre formação nada consta; num país em que esta mesma Federação possui um “Assessor Técnico do Departamento de Formação” e que, dada a inexistência de um Director do Departamento de Formação (ou de alguém que tenha assumido essas funções, facto que desconhecemos), poderia solucionar estas lacunas (lembram-se que todos os anos, em Setembro, se realizava uma Acção de Formação de Formadores? Recordam-se que a FNK-P possui uma bolsa de cerca de duas dezenas de formadores nas várias áreas?)…

Neste país acreditamos que já tudo é possível, até o impossível e o altamente improvável!

Mas como estamos habituados a consumir só aquilo que nos dão, continuemos a consumi-lo, pois “a inequação do consumo domina a actividade do mundo moderno de uma forma cada vez imperativa pela determinante do lucro da globalização da economia mundial” como nos dizia Nuno Grande, no «Jornal de Notícias de 30.08.2007, na sua página 19. Dizia-nos ainda que “de facto, em todos os sectores da economia, criar falsas necessidades é fundamental para que os recursos sejam sempre insuficientes, e desse modo, a procura seja já garantida aos produtores”. Logo, infelizes dos “produtores” que nem essas falsas necessidades conseguem criar…

Mas alegremo-nos (a alegria dos infelizes é não estarem sós na sua miséria – não me recordo do autor, terá sido Victor Hugo?) pois, aliás, não somos só nós… Em Moçambique (onde também se fala português) uma fábrica de aguardente de determinada marca promoveu um concurso para eleger o «homem mais bêbado do mundo». Ofereceu cinco garrafas da mesma a cada um dos concorrentes e a conclusão foi… … a morte de cinco dos participantes!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Seminário para Treinadores

A Kaizen Karate Portugal é uma associação recente. No entanto temos diversos treinadores com mais de 20 anos de experiência.
Com a plena consciência que o futuro do Karate reside (também) na formação de crianças e jovens Karatekas, reconhecemos que existe no seio do nosso grupo uma lacuna nessa área.
De forma a preencher e colmatar essa lacuna, desafiámo-nos a organizar um seminário com treinadores nacionais de topo (Armando Inocentes, Joaquim Gonçalves, João Dias e Ricardo Camisão).
Certos que a formação ministrada será relevante para todos os agentes de ensino envolvidos nestas actividades, decidimos estender a mesma a todos os treinadores interessados em participar, independentemente da sua filiação.
Foi estabelecido um protocolo com a FNK-P que atribui 2 créditos a todos os treinadores participantes.
O seminário realiza-se no dia 23 de Outubro no Pavilhão Municipal do Alto do Moinho - Corroios, com início pelas 9h00 e términus às 18h30. Do mesmo constará uma componente teórica e uma outra prática.
O valor de inscrição será de 25€ nas inscrições efectuadas até dia 15 de Outubro.
Após esta data, a inscrição só poderá ser efectuada no local, pelo valor de 30€, com aceitação sujeita ao número de vagas existentes.
Todas as informações poderão ser obtidas através do telemóvel 918 503 932 ou do e-mail kaizen.k.portugal@gmail.com.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A importância da Bunkai

(foto de Gerardo Quintana, ogkklanzarote.blogspot.com)
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Há a tendência para definir o Karaté como «a via das mãos vazias» numa perspectiva etimológica. Atendendo ao conteúdo da actividade, a definição far-se-á pela eficácia (resultado) da técnica aplicada num determinado contexto táctico.
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Tendência também para definir a Kata como a «essência» do Karaté.
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Mas deveremos questionar se não serão demasiado superficiais estas questões.
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Em primeiro lugar, porque encarando o Karaté como um manancial de técnicas que, se dirigidas a pontos vitais, poderão ser letais, a segurança e a integridade do parceiro de treino ou do adversário são fundamentais. Por isso mesmo a ênfase dada ao «controlo» no treino e na competição. Daí o preferir utilizar o termo «respeito» como sinónimo de Karaté. Dentro e fora do Dojo! Não será por acaso que em Okinawa existe um provérbio que reza “se respeitares os outros, eles respeitar-te-ão a ti!”.
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Quanto à essência do Karaté, parece-me que não será de colocar a tónica na Kata mas sim na sua Bunkai. As inúmeras “técnicas escondidas” na Kata só se revelam na sua Bunkai… e esta é de tal modo relevante que a própria competição por equipas acabou por a adoptar…

Cada Kata possui a sua Bunkai Oyo, conhecida da maior parte dos treinadores e dos praticantes que, de facto, introduzem esta dimensão do seu próprio ensino e treino, como forma de melhor compreenderem a Kata, fazendo assim a sua análise e o seu estudo, pois esta não é uma mera coreografia – como pode parecer aos olhos do leigo – mas sim a representação de um combate real contra quatro adversários imaginários situados nos planos anterior, posterior e laterais mas que se podem deslocar hipoteticamente para planos diagonais.

Mas a partir da inicial Bunkai Oyo desenvolve-se um processo de revelação da aplicação prática da “técnica escondida” e um outro de criação quando existe pesquisa e investigação que nos levam a outras formas de Bunkai da mesma Kata mais evoluídas, mais elaboradas e mais “eficazes” com o devido «respeito» pelo acompanhante, pois a Bunkai é uma prática biunívoca.

Deixa então de ser uma tarefa fechada para se tornar numa tarefa aberta onde a criatividade, na impossibilidade de ser aprendida, se torna numa exercitação e numa busca constante.

Conclui-se então que o treino de Kata sem treino de Bunkai é incompleto, o que acaba por diminuir a "eficácia" do Karaté reduzindo a sua "essência"...


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Demonstração em início de época

Integrada nas Comemorações do 30º aniversário da Freguesia de Alfragide, levou-se a efeito no Pavilhão da Quinta Grande, no passado domingo, organizada pela Associação de Jovens de Alfragide - Velas da Juventude, uma demonstração de Kempo e de Karaté.

A representação do Karaté esteve a cargo dos praticantes do Quinta Grande Health Club e do Tapada Kids representando a Portugal Goju-Ryu Karate-Do Shinkokai, que procuraram apresentar uma visão global desta modalidade nas componentes de Kihon, Kumite, Kata e Bunkai.

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Após a saudação e a execução de técnicas paradas, deu-se seguimento à execução de técnicas de braços e de pernas com andamentos (Kihon).


Foi exemplificada a execução das técnicas anteriores com parceiro, mostrando-se como a cada ataque corresponde uma defesa e, num segundo tempo, um contra-ataque. Apresentou-se assim o Ippon Kumite e de seguida, específico do Goju-Ryu, o Sandan Uke Barai.


Os mais graduados tiveram a oportunidade de demonstrarem outras aplicações de Ippon Kumite mais avançadas.


Cada grupo, etário e/ou por graduações, fez a apresentação de algumas Katas, cabendo aos mais avançados a apresentação da Kata Sepai.



Desta Kata foi apresentada a sua Bunkai, procurando-se demonstrar a sua análise e a aplicação prática da sua sequência de técnicas.



A parte do combate livre também teve o seu momento, que esteve a cargo dos mais graduados ao apresentarem Randori e Kumite.




Os mais jovens, já iniciados na competição, puderam apresentar uma demonstração de Shiai Kumite (combate livre), embora não arbitrada.


Para a posteridade, os praticantes posaram na companhia da Dr.ª Beatriz de Noronha, Presidente da Junta de Freguesia de Alfragide, e do Dr. Luís Festas, responsável na mesma pelo pelouro do desporto, cultura e juventude.


Acompanhados dos pais e familiares, alguns dos quais pela sua primeira vez assistiram à apresentação de um resumo do do programa de ensino do Goju-Ryu Karate-Do e ao seu desenvolvimento.


Um início de época um pouco diferente mas movimentado...

sábado, 11 de setembro de 2010

Duas notícias...

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A primeira notícia faz-nos deparar esta semana com o falecimento do holandês Anton Geesink...
Um nome desconhecido para a maioria dos praticantes de Karaté porque Geensing foi um dos expoentes máximos do Judo, sendo membro do Comité Olímpico Internacional desde 1987.

Competindo na categoria mais pesada, Geesink foi o primeiro ocidental a conquistar um título internacional nesta modalidade. Geesink foi bicampeão mundial - primeiro em Paris, em 1961 e depois no Rio de Janeiro, em 1965, quebrando assim a hegemonia japonesa.
Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964, após os japoneses já terem conquistado três (leves, médios e semi-pesados) das quatro medalhas de ouro que se encontravam em disputa na estreia da modalidade em Jogos Olímpicos, aguardava-se com expectativa o open. Ninguém acreditava que a supremacia nipónica seria posta em causa!
No Nippon Budokan Hall, bastaram 9 minutos e 22 segundos para Geesing derrotar o tri-campeão nacional japonês Akio Kaminaga, diante de 15.000 pessoas.
O Japão ficou em estado de choque, ao ver contrariada a teoria de que um judoca hábil poderia derrotar qualquer adversário, de qualquer tamanho. Dois anos após a derrota, Kaminaga suicidou-se como forma encontrada para pedir perdão pela derrota.
Mas nestes mesmos Jogos Olímpicos o Japão sofreu outro desaire, desta vez na maratona: Kokichi Tsuburaya, favorito, viu-se relegado para um segundo plano durante toda a corrida por Abebe Bikila. À entrada no estádio, Tsuburaya entrou isolado na segunda posição, mas nos últimos duzentros metros viu-se superado pelo inglês Basil Heatley, tendo de se contentar com a medalha de bronze. Nove meses antes dos Jogos Olímpicos do México, após o calvário de algumas lesões, Tsuburaya concluíu que seria impossível chegar à vitória nos mesmos. Mais um suícidio honroso: Tsuburaya cortou as carótidas com uma lâmina de barbear e deixou escrita uma só frase lacónica: "não posso correr mais".
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A segunda notícia, também desta semana, leva-nos ao futebol e ao Barcelona. A Direcção deste Clube anunciou a criação de um código ético para evitar que se repitam casos de corrupção e e uma gestão mais transparente da Direcção, ao mesmo tempo que também vai criar uma denominada «comissão de controlo e transparência».
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Exemplo que deveria ser seguido por todas as organizações deportivas... pois como dizia o prémio Nobel russo Alexander Solzhenitsyn, "porque hesitar , se teremos de tomar essa decisão, inevitavelmente, algum dia? Porque repetir o que outros fizeram e seguir o angustiante percurso até ao fim, quando não estamos ainda tão adiantados a ponto de não podermos retroceder? Se o que está à frente da coluna exclama «estou perdido», temos, necessariamente de ir até ao ponto em que ele percebeu o seu erro e, somente depois de ali chegar, iniciar o caminho de regresso? Porque não retroceder e enveredar logo pelo caminho certo, onde quer que nos encontremos?". Solzhenitsyn ainda admitia que quem estava à frente da coluna desse conta do seu erro... Mas o que acontecerá se esse não perceber o seu erro? Ou os seus erros?...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Motivação no Desporto - um workshop da Kaizen

Uma Associação que se preze contribui para o desenvolvimento dos seus associados. Foi o que demonstrou a Kaizen Karate Portugal ao oferecer a todos os seus instrutores/treinadores, no passado domingo, um workshop sobre Motivação no Desporto, orientado pela Psicóloga Fátima Ramalho, nas instalações da APPAM, a qual contou com cerca de vinte formandos.

Um workshop com a duração de quatro horas, na qual foram apresentados e discutidos mitos sobre a motivação, factores intrínsecos e extrínsecos de motivação de treinadores e praticantes, assim como de estratégias de motivação.
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Para além dos instrutores da Kaizen, realce para a participação dos nosso colegas Leonardo Pereira e Carlos Pereira, tendo este último orientado da parte da tarde um treino de Shitei Kata, em que Saifa e Sepai foram analisadas competitivamente do ponto de vista da perspectiva do árbitro.

Pela iniciativa e pela reslização desta acção de formação, está a Kaizen de parabéns, assim como todos os que perderam o seu domingo ganhando ferramentas úteis para o seu desempenho na modalidade! Pela organização, pela transmissão de conhecimentos e pela camaradagem, os meus agradecimentos à Dr.ª Fátima Ramalho e aos meus amigos João Ramalho e Carlos Pereira. Um obrigado também ao José Ramalho pela foto.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Resposta ao desafio...

Lançado que foi o desafio de férias, responderam ao mesmo os meus amigos Bruno Afonso, Diogo Ribeiro, Dário Almeida, Hugo Sousa, Carlos Rodrigues e Fernando Gonçalves.

E o desafio lançado foi o seguinte:

Há aqui três afirmações verdadeiras.
No Karaté existem 4 estilos principais.
As origens do Karaté situam-se na Índia.
O termo Karate-Do foi formalizado em 1936.
Chojun Miyagi foi o fundador do Shito-Ryu.
Kihon, Kata e Kumite são os principais elementos do Karaté.

A única coisa que teriam de fazer era transcrever as três frases correctas para o comentário e enviar.

Vamos analizar as frases, começando por ordem inversa.

A última frase - Kihon, Kata e Kumite são os principais elementos do Karaté - não se pode considerar correcta, dado faltar «Bunkai», um elemento essencial. Conhecemos inclusivamente a importância da bunkai na competição em Kata equipa... No documento intitulado "O Âmago do Karaté", incluído num dos Manuais dos Cursos de Treinadores da FNK-P, Abel Figueiredo apresenta o seguinte organigrama:


Inclusivamente, no livro "Karaté: entre a tradição e a modernidade", editado pela FNK-P, no capítulo "A emergência do Karaté moderno e o seu âmago" o mesmo autor afirma que "hoje, a saudação ao adversário continua a ser o espaço ritualizador da ética essencial ao combate ritualizado (kumite), assim como à execução dos exercícios de treino com parceiro (bunkai) e sem parceiro (kihon e kata)". Ora, sendo a Kata um combate real contra adversários hipotéticos, a sua verdadeira compreensão - e execução - só se realizará com o conhecimente e a mestria da sua Bunkai.
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A penúltima frase, como é fácil de constatar, é falsa. Todos sabemos que Chojun Miyagi foi o fundador do Goju-Ryu, sendo o Shito-Ryu fundado por Kenwa Mabuni.
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Completamente correcta a frase «O termo Karate-Do foi formalizado em 1936». Como sabemos, Chomo Hanashiro (1869-1945) foi o primeiro Mestre a propor desde 1905 a mudança do nome da arte marcial praticada até então em Okinawa para Karaté. Em 1933 o Dai Nipon Butokukai lançou aos mestres do Tode ou de Okinawa-Te um repto baseado em 4 critérios para que a sua prática fosse reconhecida oficialmente: 1 - desenvolver um uniforme standard; 2 - adoptar o sistema de graduações dan/kyu de J. Kano; 3 - estabelecer um sistema de ensino/avaliação; e 4 - mudar o primeiro ideograma e adicionar o sufixo Do (Patrick McCarthy, in "The Bible of Karate - Bubishi").


Os caracteres iniciais que significavam "mão da China" passaram a ser escritos com outros caracteres, estes designando "a via das mãos vazias".
Em 1936 reuniram-se os principais Mestres de Okinawa, a aí eles tomaram a decisão de uniformizar o nome «Karate-Do». Nesta foto de 1937 podemos ver em pé, da esquerda para a direita, Shinpan Gusukuma, Tsuyoshi Chintose, Shoshin Shibana, Genwa Nakazone e na fila de baixo, sentados, Chotoku Kyan, Kentsu Yabu, Chomo Hanashiro e Chojun Miyagi.
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Passando para a frase «As origens do Karaté situam-se na Índia», verificamos que a mesma não é verdadeira pelo exposto anteriormente, apesar de, segundo a lenda, se constar que Bodhidharma (aproximadamente no início do século V), um monge Budista, se deslocou da Índia para a China, aí influenciado a prática das artes marciais. Sabemos que, de facto, na Índia existe um dos mais antigos métodos de combate, o Kalaripayat, e que vários Mestres de Okinawa se deslocaram à China para estudarem com outros Mestres... Mas as origens do Karaté situam-se em Okinawa!

Sem discussão o facto dos quatro principais estilos serem o Shotokan, o Shito-Ryu, o Goju-Ryu e o Wado-Ryu, apesar de haver mais estilos. Assim, podemos considerar verdadeira a frase «no Karaté existem 4 estilos principais».

Verificamos agora que temos três frases falsas e duas frases correctas... Ora, a perspicácia do Karateca e/ou do Treinador, dado que era pedido que transcrevessem as três frases correctas, levar-nos-ia a ter de considerar correcta... a primeira frase... porque esta também constava do conjunto! Teriam de ser então transcritas as seguintes:

Há aqui três afirmações verdadeiras.

No Karaté existem 4 estilos principais.

O termo Karate-Do foi formalizado em 1936.

Claro que existia no meio de tudo isto um exercício... ou uma rasteira... e ninguém transcreveu as frases correctas para o comentário. Mas aqueles que responderam ao meu desafio vão na mesma receber o livro que prometi entregar a quem acertasse (o Hugo e o Fernando já o possuem, e irei combinar via e-mail a melhor maneira de o fazer chegar às vossas mãos).

A todos, o meu obrigado!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Após férias... o regresso!

E após este interregno, cá estamos de novo…
Uma pausa dominada pelos fogos florestais, por acidentes nas auto-estradas, por debates sobre um guarda-redes (afinal, o único da equipa que não pode falhar!), pelo facto de um seleccionador ter “perturbado” um controlo anti-doping, pelos casos mediáticos resolvidos (ou não resolvidos) na justiça, pela provável eliminação dos «chumbos» nas escolas – deixaremos de nos preocupar com o insucesso escolar e passaremos só a preocuparmo-nos com o analfabetismo (pelo menos elimina-se um problema!)…
Laura Decker lá partiu para a sua volta ao mundo, de Portimão ou de Gibraltar (não chegámos a conclusões), um clube inglês contratou um jogador português que nunca passou pelo escalão mais alto do nosso futebol… e lá continua este país onde existe cerca de 32% da área mundial de sobreiros a ser o maior exportador mundial de cortiça (8oo milhões de Euros por ano em produtos) mas a ser um dos maiores importadores de rolhas…
Dos primeiros Jogos Olímpicos da Juventude (entre os 14 e os 18 anos), em Singapura, voltámos todos alegres e contentes com três medalhas – entre 204 países, competindo em 26 modalidades, Portugal fez-se representar por 19 competidores em dez dessas modalidades: atletismo, canoagem, ciclismo, ginástica, natação, remo, taekwondo, ténis de mesa, vela e triatlo. Ouro no triatlo por estafetas, prata em taekwondo e bronze na natação. Uns Jogos Olímpicos da Juventude dos quais o Karaté não consta…
Um país pequenino em que continuamos a ser pequeninos, apesar do chavão de que o que é nacional é que é bom, porque continuamos a recusar pensar grande… Lembro-me aqui de uma citação de Máximo Gorki, no sugestivo título «A Canção do Falcão», onde dizia que “a quem nasceu para rastejar não é possível voar”!
Mas cá estamos de novo… recomeçam os treinos, começamos a tratar das inscrições na Federação dos nossos alunos, conhecemos o programa de competições e de arbitragem… mas nada mais, pelo menos até agora, mas ainda estamos no início...
Quero agradecer aos sete magnifícos (até agora) que aceitaram o meu repto do desafio de férias mas, como prometido, vamos aguardar até ao dia 5.

sábado, 14 de agosto de 2010

Desafio... de férias!

Finalmente vou ter a oportunidade de ter duas semanas de repouso... mental e corporal.

Mas quero deixar-vos aqui um desafio, que se irá estender até ao dia 5 de Setembro, visto muitos também se encontrarem a gozar o seu merecido repouso. Respondam só através do comentário a este post - só serão aceites respostas identificadas - indicando no final o vosso e-mail para vos poder contactar posteriormente. A todos os que acertarem, terei o prazer de oferecer um exemplar do livro "Da Ética Desportiva às Perversidades no Desporto". E se já o tiverem, ao acertarem poderão ter a possibilidade de o oferecerem a algum amigo...

Ora aqui vai o desafio!

Há aqui três afirmações verdadeiras.

No Karaté existem 4 estilos principais.

As origens do Karaté situam-se na Índia.

O termo Karate-Do foi formalizado em 1936.

Chojun Miyagi foi o fundador do Shito-Ryu.

Kihon, Kata e Kumite são os principais elementos do Karaté.

A única coisa que terão de fazer é transcrever as três frases para o comentário... e continuação de boas férias! Ou boas férias também para os que só vão agora...
(P. S. - modéstia à parte, claro que o livro terá dedicatória e será autografado!!!)

Final do Curso de Zen Shiatsu

Terminou hoje o Curso de Zen Shiatsu ministrado pelo Sensei Soichiro Matsumoto, licenciado pela Federação Japonesa de Shiatsu, e reponsável pela Nipon Spa, o qual se desenrolou no Hombu Dojo da PGKS, com início a 22 de Maio.

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O dia foi dedicado à avaliação dos formandos, a qual foi feita individualmente, tendo sido o Sensei Matsumoto coadjuvado pelo Terapeuta José Cardoso.
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O grupo de trabalho liderado pelo Sensei Matsumoto e auxiliado
pelos terapeutas José Cardoso e Leonardo Pereira.
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O ensino do Sensei Matsumoto...

A prática dos alunos...

... e o jantar de confraternização, com todos os formandos, durante o qual a PGKS teve a oportunidade de presentear o Sensei Matsumoto com um Diploma de Agradecimento em nome da Associação...






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Domo Arigato Gozaimashita...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Desporto, competição, vitória... e derrota!

O post anterior levou-me a uma reflexão sobre a competição, a vitória e a derrota... ou talvez até sobre as diferenças entre o antigamente e o agora das mesmas, até porque já antes de Lavoisier (nada se cria, nada se perde, tudo se transforma!) Camões havia dito que o mundo efeito de mudanças tomando sempre novas qualidades.

O Prof. Dr. Olímpio Bento afirmava no jornal «A Bola», no dia 24 de Maio de 2007, que vencer é um modo de desaprender, quando passam despercebidas as circunstâncias em que o triunfo é obtido. Este transforma-se assim num meio de encomendar uma sucessão de derrotas.

E essas circunstâncias podem ser muitas e variadas... principalmente se se encarar a vitória como um fim e não como um meio de atingir algo! Tal como a sucessão de derrotas pode determinar várias e diferentes formas de derrota (consequências!).


As vitórias, tanto no desporto como na vida, são importantes. E tornam-se de tal modo importantes quanto importante é a sua antítese, já que, como também existem as derrotas, são estas que tornam a vitória importante (La Palisse, não?).

Na minha Dissertação de Mestrado (Inocentes, 2002), já eu abordava a complexidade da vitória. De lá transcrevo os quatro parágrafos que se seguem.

«Novos comportamentos confrontam-se com os valores morais e éticos em que assenta toda uma cultura, e a degradação dos valores instituídos origina comportamentos diferentes dos normalmente aceites pela sociedade. De um processo de interacção, onde se analisam as intervenções e reacções, adquirem-se as informações necessárias para se conhecer o que influencia a modificação do comportamento e a interacção que se estabelece no decorrer de um processo de modificação do comportamento pertence ao âmbito pedagógico (Sarmento, 1991).

“E, no domínio educativo, o jogo e o desporto, mesmo na sua dimensão da competição desportiva, são excelentes meios de entendimento comportamental… desde que não esqueçamos que a pedagogia também estuda a relação educativa na base da compreensão dos interlocutores (relações humanas)” (Sarmento, id.), até porque, e em relação ao tentar alcançar a vitória durante o jogo, num âmbito comportamental, ganhar deverá ser definido “como sendo o melhor que se pode ser, independentemente do que o adversário (oponente) é capaz de conseguir” (Sarmento, 1992).

Professores e treinadores terão de fazer com que os praticantes sintam que a vitória é somente uma parte do prazer de jogar, porque a vitória em si mesma, após estar consumada, deixa de ter significado (Bento, 1995).

Terão de fazer com que um bom resultado competitivo seja aquele que comprove, pela positiva, o empenhamento máximo dos competidores, traduzindo uma superação qualitativa em relação à prestação que está ao alcance dos praticantes desportivos (Teotónio Lima, 2000), pois ganhar não é tudo nem a única coisa e perder não constitui obrigatoriamente um fracasso (Coelho, 1988).»

Logo, a vitória é um momento, é fugaz... a sua existência está no caminho e não no final.

Estando o desporto ligado à competição, esta permite que o indivíduo se auto-avalie e confirme (ou não!) se teve sucesso mediante os seus progressos (auto-emulação) ou se avalie comparativamente em relação aos outros ou em relação a um instrumento de medida (hetero-emulação). Muitas vezes essa avaliação só é feita através da vitória, mas há outros meios formativos. Por isso mesmo, Teotónio Lima (1980) dizia que a competição poderia representar um operador pedagógico.

Mas não uma competição ou uma vitória por qualquer meio ou a qualquer preço...

Ora, a profissionalização do desporto mostra-nos também a passagem da vitória como um meio para a vitória como um fim, não tendo esta última o mesmo sentido nem o mesmo preço que a primeira, já que da vitória sobre si mesmo (tradicional no sucesso, na superação individual) se passou para a vitória sobre o outro (típica da competição, do rendimento, do espectáculo).

“No desporto procura-se sempre o melhor resultado e este é, claro, a vitória”, diz-nos Paula Brito (2007).

Ninguém compete para perder (Sarmento, 2004) e quando o que está em causa é a vitória temos de reconhecer que o espírito desportivo actual não pode ser o mesmo de antigamente.

Apesar de ainda continuar arreigado entre nós o mito do fair play, Bento (2004) pergunta-nos se poderá ele “ser hoje o princípio moral mais importante do desporto quando o não é da sociedade?”. Hoje, a resposta provável será negativa.

Temos andado a criar falsas ilusões em relação ao desporto com as crianças quando nos debruçamos sobre a competição dando relevo ao «o que interessa é participar!». Araújo (2006) interroga-nos: “ganhar ou perder é igual?” E o mesmo Araújo (id.) responde-nos: “É óbvio que não!”.

Nada mais falso do que o «ganhar ou perder, tudo é desporto», pois na competição, mais do que o esforço para atingir a vitória, mais do que o superar os obstáculos, o que de facto interessa é, de facto, essa vitória – mas vitória só com o cumprimento total das regras, que são iguais para todos, com o respeito pelo adversário, pelos juízes e pela verdade desportiva. Olímpio Bento (2007) pergunta-nos: “Não sabe melhor ganhar do que perder?!”.

Em vez de continuarmos a tentar ensinar as crianças e jovens a saberem perder talvez seja mais importante começarmos a ensiná-las a ganhar. Como refere Sarmento (2004), “de facto, «ganhar não é tudo», mas concordemos que é agradável, e que ninguém trabalha (no desporto como na vida social) para perder. Então o problema está no tipo de vitória, ou seja, o que temos para ganhar, quando praticar desporto é não perder”. Quando as crianças e jovens souberem ganhar, então também saberão perder quando confrontadas com essa situação.

Mas mais uma vez, nem saber ganhar nem saber perder por qualquer meio ou a qualquer preço...



ARAÚJO, Jorge, 2006, “Excelência, um compromisso emocional”, Horizonte, Lisboa, Vol. XXI, n.º 125, Set./Out., pp. 19-26.
BENTO, Jorge Olímpio, 2007, “Em Defesa do Desporto”, in Bento, J. O. & Constantino, J. M., (Coords.), “Em Defesa do Desporto – Mutações e Valores em Conflito”, pp. 9-55, Coimbra, Almedina.
BENTO, Jorge Olímpio, 2004, “Desporto – Discurso e Substância”, Porto, Campo das Letras.
BENTO, Jorge Olímpio, 1995, “O Outro Lado do Desporto”, Porto, Campo das Letras.
COELHO, Olímpio, 1988, “Pedagogia do Desporto – Contributos para uma Compreensão do Desporto Juvenil”, Lisboa, Livros Horizonte.
INOCENTES, Armando, 2002, “A Violência na Prática Desportiva Infanto-Juvenil”, Dissertação de Mestrado, FMH-UTL, doc. não publicado.
SARMENTO, Pedro, 2004, “Pedagogia do Desporto e Observação”, Cruz Quebrada, FMH-UTL.
SARMENTO, Pedro, 1992, “Pedagogia do desporto – aspectos da formação do treinador”, Horizonte, Vol. VIII, n.º 50, Jul./Ago. 92, Lisboa, Livros Horizonte, pp. 67-70.
SARMENTO, Pedro, 1991, “Reflexões sobre a pedagogia do desporto”, Horizonte, Vol. VII, n.º 45, Out./Nov. 91, Lisboa, Livros Horizonte, pp. 92-97.
TEOTÓNIO LIMA, 2000, “Saber Treinar, Aprende-se!”, Lisboa, Centro de Estudos e Formação Desportiva, Ministério da Juventude e do Desporto.
TEOTÓNIO LIMA, 1980, “Alcance Educativo da Competição”, in Barreto, H., “Da Actividade Lúdica à Formação Desportiva”, ISEF-UTL, Cruz Quebrada, pp. 77-103.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Ao ponto a que chegámos!...

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Notícia de ontem, mas com destaque nas edições de hoje do Jornal de Notícias e do Correio da Manhã.

Na Finlândia, realiza-se um Campeonato Mundial de Sauna desde 1999.
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Agora aconteceu o inimaginável e a tragédia ocorreu!
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Este ano o campeonato acabou mal depois de um russo, finalista da competição, ter morrido enquanto o outro finalista, um filandês, teve de ser hospitalizado.

A página 23 do Diário de Notícias, acima reproduzida, mostra na foto (Sari Gustafsson - AP) o russo Vladimir Ladyzhensky que sofreu queimaduras fatais, enquanto na foto ao lado (Mauri Ratilainen - EPP) o Correio da Manhã, na página 31, apresenta o finlandês Timo Kaukonen, pentacampeão do mundo, a ser socorrido, após ter desmaiado ao fim de seis minutos, tempo durante o qual ambos se encontraram submetidos a uma temperatura de 110 graus centígrados.
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No ano passado, o finlandês sagrou-se campeão pela 5ª vez ao manter-se na sauna durante 3 minutos e 46 segundos...
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De salientar que nesta edição do Campeonato participaram 135 pessoas de 15 países...
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O Homem, na sua ânsia de se medir com tudo e com todos acaba por provocar situações destas, estando muitas vezes por detrás das mesmas avultadas quantias de dinheiro...
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Por outro lado, a vontade de criar, de diversificar, leva o Homem a cair no ridículo...
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A competição deveria ser um meio (e não um fim) saudável para a prática do desporto!
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Apesar desde Campeonato já levar 12 edições - tendo sido declarado o seu cancelamento definitivo após estas ocorrências - só agora tivemos conhecimento da sua existêncis e pelas piores razões. Mas sabemos que existem campeonatos de lançamento de telemóveis, hóquei praticado em piscinas debaixo de água, golfe em superfícies de gelo no Pólo Norte, kayak pólo (pólo aquático jogado em canoas), futebol americano jogado por senhoras em lingerie e muitas mais modalidades "exóticas", quando também já se disputam campeonatos mundiais de futebol robóticos (que saudades dos matraquilhos!)...
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Ao ponto a que chegámos!...

sábado, 7 de agosto de 2010

Curso de Zen Shiatsu

No próximo sábado chegará ao fim o Curso de Zen Shiatsu levado a cabo no Hombu Dojo da PGKS, o qual foi dirigido pelo Sensei Soichiro Matsumoto da Nipon Spa, e que teve a duração de 48 horas, tendo sido frequentado por 12 alunos.

O Shiatsu é um método de massagem japonesa de origem milenar. No início do século passado século foi resgatado pelo Sensei Mitsuo Matsunaga, que o introduziu no mundo. O Shiatsu actua através da pressão com os dedos e com a mão sobre os canais e os pontos de acupuntura.

Ao aperfeiçoar e introduzir técnicas não dolorosas no Shiatsu, o Sensei Matsunaga fez nascer o Zen Shiatsu, também conhecido como Shiatsu sem dor.

O Shiatsu trabalha pressionando os meridianos com os polegares e o Zen Shiatsu trabalha muito mais com as palmas das mãos. As pressões são largas, abertas e mais suaves. O Zen Shiatsu trabalha os meridianos (tonificando ou sedando) e ao mesmo tempo faz um grande trabalho de alongamento da musculatura referente à área do meridiano, trazendo sensação de bem-estar e relaxamento.
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Enquanto o Shiatsu trabalha com as duas mãos simultaneamente, o Zen Shiatsu trabalha com uma mão de apoio em contacto directo com o paciente e exercendo uma tonificação, enquanto a outra mão age sobre os meridianos e pontos dissolvendo bloqueios e estagnações de energia.
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O Zen Shiatsu é restaurador, sendo a ideia básica a de restaurar o funcionamento orgânico e não a de tratar sintomas.
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No entanto, através do Zen Shiatsu equilibra-se o sistema energético do corpo, e cria-se uma sensação de energia e bem-estar, "enfraquecendo" os sintomas presentes. Deste modo, os sintomas são atingidos indirectamente.
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Uma das principais indicações do Zen Shiatsu é a diminuição da tensão física e mental.
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A todos aqueles que frequentaram este Curso e que irão ser examinados no próximo dia 14, desejamos os melhores êxitos, esperando que promovam posteriormente os conhecimentos aqui adquiridos.



terça-feira, 3 de agosto de 2010

Haverá indícios?...

A holandesa Laura Dekker, com apenas 13 anos de idade no ano passado, pretendia dar uma volta ao mundo num veleiro sozinha, para tentar tornar-se na mais jovem pessoa solitária a circum-navegar o nosso planeta por mar, mas a isso foi impedida em Agosto de 2009 pelo tribunal de Utreque, contra a vontade dos pais. Aliás, o pai da criança-jovem chegou a perder sua guarda por decisão da justiça, dado ter sido ele a autorizar a viagem.

(foto: Corne van der Stelt/AP in www.csmonitor.com/World/Global-News)

Já este ano, em Julho, o tribunal de Middleburg considerou que entretanto Laura cumpriu os requisitos para iniciar a travessia, tendo até concluído um curso de primeiros socorros e efectuado várias viagens em veleiro para adquirir maior experiência.

O Conselho de Protecção à Criança da Holanda declarou que não irá recorrer da decisão do tribunal de Middelburg, afirmando o seu porta-voz que o tribunal tinha sido muito claro: “os pais de Laura têm a responsabilidade final sobre a filha. Fizemos tudo o que podíamos". Foi graças à intervenção deste Conselho que se passou mais um ano e apesar de na audiência de 20 de Julho, o mesmo ter pedido aos juízes a prorrogação por mais 12 meses, com o objectivo de tentar impedir esta viagem com dois anos de duração, alegando preocupação quanto ao seu desenvolvimento sócio-afetivo, o tribunal holandês rejeitou o pedido de prolongação da supervisão de Laura Dekker.

Pai e filha deverão partir amanhã, quarta-feira, da Holanda para Portugal, numa viagem à vela que servirá para realizar (segundo fazem constar) os últimos ajustes da sua embarcação.

Com partida de Lisboa, Laura Dekker iniciará então sozinha a sua travessia com o objectivo de completar a volta ao mundo.

Colocam-se aqui várias questões, apesar de se afirmar que 60% das crianças no norte da Holanda sabem manobrar barcos a vela melhor que muitos adultos na condução de um automóvel.

Cabe aqui perguntar o seguinte:

1º - irão as autoridades portuguesas permitir a largada de um barco à vela tripulada por uma criança-jovem de 14 anos para fazer uma travessia sozinha de tal extensão?

2º - que patrocínios, que verbas e que publicidade estão implicadas neste evento?

3º - só porque os pais autorizam a viagem da filha (e provavelmente planearam a mesma em conjunto) deverão ser os únicos responsáveis por ela?

4º - quais os limites de liberdade que devem ser dados aos adolescentes?

5º - haverá indícios (ou existirá mesmo?) no desporto exploração infantil?

6º - no momento em que são anunciados pela primeira vez os Jogos Olímpicos da Juventude – a chama foi acesa numa cerimónia oficial no passado dia 23 de Julho, em Olímpia, na Grécia – que se irão realizar de 14 a 26 deste mês em Singapura e em que irão participar 3600 jovens (a comitiva portuguesa será composta por 19 atletas) não deveremos fazer uma reflexão sobre o papel do desporto na educação dos nossos jovens?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Dois portugueses, um francês e um inglês...

Admiram-se os meus alunos quando lhes digo que o Karaté, para além de ser praticado, também tem de ser estudado...
E não só o Karaté, mas tudo o que gira ao seu redor!
Assim, proponho-me aqui a aconselhar os interessados a lerem nestas férias alguma destas obras de interesse.

A primeira, embora de 1982, continua actual: "A Manipulação dos Espíritos", de um conjunto de autores sob a direcção de Alexandre Dorzynski e editada pela Assírio e Alvim. Este livro mostra-nos como desde pequenos somos sujeitos a pressões, voluntária ou inconscientemente exercidas que visam fazer-nos pensar (e agir) de um modo diferente do nosso e como somos submissos em relação a quem detém o poder ou a autoridade. Os autores tentam identificar e explicar as principais manipulações a que estamos expostos, pondo em evidência os mecanismos a que os manipuladores recorrem. Excepcional a apresentação da experiência de Stanley Milgram... e da sumissão à autoridade!
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Mas sendo o anterior um livro já antigo, embora actual - diga-se mais uma vez - e provavelmente difícil de encontrar no mercado, apresento uma sugestão alternativa que desenvolve o mesmo tema. Vicente Romano escreveu "A Formação da Mentalidade Submissa" que a Deriva publicou em 2006. Diz o autor que "o pensamento mágico, acrítico, gera uma consciência conformista, submissa. O que significa deixar por mãos alheias a solução dos problemas próprios, situação em que tudo pode ser facilmente manipulado por esses interesses estranhos."

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O terceiro livro, de autoria de Florence Braunstein e editado em 2001 pela L´Harmattan, assenta basicamente em três questões: a primeira assenta no que nós fizémos das artes marciais. Esta questão diz respeito ao modo como fomos do Bujutsu, "técnicas de combate", ao Budo, "a via do combate" e se tornou uma filosofia existencial. Ao impor os nossos ritos, os nossos ritmos, o nosso corpo e as nossas limitações físicas, complexificámos estes levando à sua estetização. Outra consequência é também a sua desportivização excessiva, e ainda mais removê-las de seu propósito original de técnicas de sobrevivência. A segunda refere-se ao que as artes marciais fizeram de nós e nos permitiram enfatizar as consequências de uma verdadeira ideologia da corporeidade e como elas, num mundo em vias de des-simbolização, de um indivíduo a quem a sociedade tem banalizado, delas não têm necessidade e como ele pode reconstruir e estabilizar a identidade graças a elas. Finalmente, o terceiro, leva-nos a questionar as artes marciais como possíveis novas técnicas de New Age de acordo com o conceito de eficiência ocidental, e não mais asiática, alterando assim profundamente o significado mesmo da estratégia e dos seus conceitos iniciais.

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Por último, de Charles Hackney, "Martial Virtues - lessons in wisdom, courage, and compassion from the world's greatest warriors", já editado este ano pela Tuttle Publishing. Aqui uma abordagem sobre de onde são provenientes estas virtudes, se são inerentes às artes marciais ou se podem ser cultivadas e ensinadas. O autor, percorrendo o mundo de Este a Oeste, socorrendo-se de filósofos, guerreiros e civilizações desde a antiga Grécia até aos Samurai e Ninja do Japão, emprega ferramentas da moderna psicologia para examinar o desenvolvimento dos valores marciais.

Leiam, que qualquer um deles vale a pena!...

E nós aqui tão perto... parte dois!

Acabaram ontem os Europeus de Atletismo, em Barcelona.
Comparava eu há dias, Portugal com os nossos vizinhos, que tiveram capacidade, organização (e dinheiro!) para organizar este evento.
Mas vamos aos números:
No Europeu de atletismo de 2006, em Gotemburgo, a Espanha fez-se representar por 78 atletas e Portugal por 28. A Espanha obteve 3 medalhas de ouro, 3 de prata e 5 de bronze. Portugal conquistou 2 medalhas de ouro, 1 de prata e 1 de bronze.
Para Barcelona a Espanha levou mais 10 atletas (total de 88) e Portugal levou mais 14 (total de 42). Proporcionalmente, aumentámos o número de competidores...
Os nossos vizinhos arrecadaram nestes últimos campeonatos 2 medalhas de ouro, 3 de prata e 3 de bronze. Quanto a nós, não vimos o ouro e trouxemos 1 medalha de prata e 3 de bronze...
Agora é só uma questão de contas (e de dinheiro!):
1º - proporcionalmente deveríamos ter levado 31 atletas (e não 42, mas tivémos dinheiro para isso!)...
2º - proporcionalmente deveríamos ter ganho uma medalha de ouro (mas não chegámos lá!)...
3º - nas medalhas de prata somos iguais aos espanhóis comparando as passagens de 3 para uma (mas eles continuam a subir 3 vezes ao segundo lugar do pódio e nós só uma!)...
4º - nas medalhas de bronze somos melhores que os espanhóis: eles de 5 passaram para 3 e nós de 1 passámos a ter tantas como os espanhóis (logo, melhorámos aqui!)...

Afinal, até somos grandes comparados com nuestros hermanos... só não temos é o nível de vida deles!

E que tal fazermos o mesmo exercício em relação ao Karaté?


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