quarta-feira, 4 de maio de 2016

Em que transformaram o Karatedō?

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Pedro Proença, Presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, declara hoje ao «Record» (pág. 35) o seguinte:

"A mim interessa-me defender o espetáculo. (...) Enquanto presidente da Liga, tenho é de defender o futebol, os patrocinadores e o nosso talento."

Leia-se nas entrelinhas, faça-se o transfer para o Karatedō  e veja-se naquilo em que transformaram o mesmo!...

Deixo-vos com o conteúdo da 2ª Carta Aberta a Thomas Bach da World Karate Campaign:


To Mr Thomas Bach, President of the International Olympic Committee

Dear Mr President,

The road to recognition and inclusion in the Olympics is neither easy nor straightforward; nor has it provided the benefits for sport that most athletes had hoped for.
Two years into your presidency it was frustrating to hear that you proudly proclaimed FIFA as the leader or your campaign against match fixing. This was particularly strange, since exactly four weeks after your speech in Sochi, the American FBI revealed the huge corruption scandal in Sepp Blatter’s federation. The recent shocking news concerning the suspension of Mr Lamin Diac over allegations of financial corruption is further evidence that things are very wrong with the sports organisations affiliated to the IOC.
However, Mr President, it would seem that the IOC is no stranger to discrimination: there is documented evidence of the official correspondence between the International Taekwondo Federation and the IOC which clearly shows how the ITF never stood a chance of gaining IOC recognition when its opponent was the World Taekwondo Federation. Mr Un Yong Kim, President of the WTF and right-hand man of Mr Samaranch (one of your predecessors as President of the IOC), not only illegally lobbied for recognition of the WTF but was also jailed for corruption in South Korea. The sport of Taekwondo was greatly damaged by this flawed decision and two decades later, the technical performance of Taekwondo remains compromised, as is the popularity of the sport.
In our first open letter to you we mentioned that we simply did not understand why Mr Samaranch had the legal authority to recognise the WKF as the sole global representative of Karate when there is much official evidence to prove that Karate is a divided sport and thus cannot become an Olympic Sport without its unification.
The WKF’s Congress in Bremen, (November 2014), was one of the darkest days for World Sport. At the opening of the Congress, Mr President, a video showed you directly supporting Mr Antonio Espinos; he has subsequently been found guilty of using power by the CAS. Your support for Mr Espinos reminds everybody of Mr Jacques Rogge’s cynical words when, at the hearings concerned, he defended those embroiled in the Salt Lake City scandal by saying “They were legal and legitimate”.
Mr President, did you know that at the same WKF Congress in Bremen, the WKF passed an undemocratic rule giving the right of congress to its EC members? Consequently, whatever the EC members decide, everyone else must now automatically accept. This is neither impartial nor fair.
Mr President when you were recording that video, were you aware that the WKF has never had a chance to elect a new president? And that Mr Espinos has been leading the WKF since 1998?
Mr President, do you think this lack of transparency is acceptable?
Mr President, have you heard anything regarding the WKF 21.9 statute?
Our campaign, with more than 12,000 Facebook ‘likes' so far, expresses our strong objection to the latest consideration of Tokyo 2020. The WKF does not represent all Karate Sport, only a small part of it. If the IOC seriously intends to support a new demonstration sport that represents Japanese Karate, then it should abide by its requirement of unification and the IOC promise that it is committed to representing all Karate Sport in the Olympic Games.

sábado, 23 de abril de 2016

Para ti!!!

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O meu Karatedō nunca será como o teu, o teu Karatedō nunca será como o meu. 

Nunca suarás o teu karategi como eu suei o meu, nem o meu ficará alguma vez tão suado quanto o teu.

A tua kata nunca será igual à minha, nem a minha kata será alguma vez parecida com a tua.

Os meus ippon poderão ser parecidos com os teus, mas os teus ippon serão diferentes dos meus.

A minha Arte não se assemelhará ao teu Desporto, a tua Arte não será nunca comparável com o meu Desporto.

(Abro aqui um parêntesis: Alain de Botton diz que "a arte pode ser muito utilmente definida como uma disciplina dedicada a tentar poderosamente introduzir conceitos na cabeça das pessoas".)

Nunca a minha técnica superará a tua nem a tua será mais eficaz do que a minha.

Executarás bunkai superiores e mais perfeitas que as minhas, mas eu também executarei bunkai que deixarão as tuas para trás.

Aprendi contigo e tu aprendeste comigo, mas coloca sempre dúvidas naquilo que te ensinei. Podes ter a certeza que duvido de tudo aquilo que me transmitiste...

Treinámos juntos. Quando me empurraste eu agarrei-te e puxei-te... Quando te empurrei tu agarraste-me e puxaste-me... quando ataquei defendeste e contra-atacaste, quando me atacaste eu defendi-me e contra-ataquei... foste superior a mim e eu fui superior a ti!

Venceste-me no kumite e eu venci-te no kumite.

Porque umas vezes te mascaraste e outras vezes mascarei-me eu... mas fomos sempre nós, porque como diz o povo, "o que o berço não dá, Coimbra não acrescenta"!

Nunca te deixaste comprar nem nunca te vendeste, por mim nunca me vendi nem nunca me deixei comprar. Mas nisso, somos diferentes!

Sim, somos diferentes! Como dizia Camões, "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança..." Sim Camões tinha razão: "o mundo é feito de mudanças, tomando sempre novas qualidades". Umas boas, outras más, umas melhores, outras piores, mas dependendo sempre de uma certa subjectividade e de um certo ponto de vista!

Sim, porque umas pessoas são redondas, outras quadradas, umas morrem de pé, outras morrem sentadas!!! 
Emoji smile

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Da arbitragem... e dos erros de decisão dos árbitros

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"A iminente entrada em campo do vídeo-árbitro é uma revolução que, em teoria, irá servir para auxiliar o árbitro, mas, na realidade, acabará por os passar para segundo plano e lhes reduzir o poder e a discricionaridade. É isso que os desconforta e assusta. Agora, a medir a competência dos juízes é a moviola: quantas vezes menos esta os desmentir em campo, melhor nota eles terão. A sacralidade do golpe-de-vista do árbitro vai perder-se para sempre. Até aqui, ele via, sancionava e essa era a única lei vigente, a única e definitiva verdade. Ponto final. Em breve vai chegar o dia em que serão obrigados a confrontar a sua verdade com a verdade da máquina. Não só perderão o manto diáfano da isenção como ficarão sujeitos a um obrigatório processo de humanização."*

Válido para o futebol e válido para uma modalidade que tem plasmado no seu Art.º 24º do Regulamento de Provas, no ponto 2, o seguinte:

«Os protestos relacionados com a arbitragem só poderão incidir sobre os erros administrativos desta e não sobre a decisão dos membros do painel de arbitragem (de acordo com o artigo 11º das regras de arbitragem).»

*Manuel Martins de Sá, "A humanização dos árbitros", «A Bola», 12.04.2016, p. 28.

NOTA: a propósito do vídeo "Erro arbitral campeonato nacional de Karate" (clicar aqui para ver o vídeo).




domingo, 10 de abril de 2016

Formação de professores, de treinadores e de agricultores

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Senhores TREINADORES:

Todos os agricultores que compram, manuseiam ou aplicam pesticidas têm de obter uma licença, que passou a ser obrigatória a partir do dia 26 de Novembro de 2015. Para obterem essa licença têm de frequentar uma formação a ser paga do seu próprio bolso (não consegui apurar se a licença também será paga!).

Quem não tiver a referida licença arrisca-se a pagar uma multa de 500 euros se manusear pesticidas nas suas culturas. A acção de formação que capacita os agricultores para usarem aqueles produtos tem uma duração de 50 horas. Nos últimos três anos, enquanto não foi obrigatória, realizaram-se formações grátis. Agora paga-se!


ESTÃO A VER O MODELO?

Transcreve-se agora a coluna do Prof. David Rodrigues publicada a 9 do corrente no jornal «Público» e intitulada "O mito da formação de professores", aparecendo como subtítulo a frase "Não são os professores os únicos agentes de modificação dos sistemas educativos":



Antes de mais, devo fazer um registo de interesses: a grande maioria da minha vida profissional foi a dinamizar, realizar e investigar sobre a importância da formação de professores.  Não sou um arrependido, mas pretendo, tão- -só, com esta reflexão, partilhar algumas ideias que penso que aprendi com este interesse e prática que exerço há muitas dezenas de anos.
Não é razoável pôr em causa a importância da formação de professores. A escola é a porta da entrada de culturas novas, de formas de ver e de ler o mundo muito distintas.  É uma importante porta de entrada da inovação porque, por esta porta, entram serem humanos que, apesar de jovens, são já portadores de formas próprias de ver o mundo e são atores particularmente porosos e permeáveis ao mundo que os rodeia.  Uma escola que tem permanentemente aberta a porta para esta juventude não pode ser conservadora. E aqui um primeiro argumento: precisamos de formação de professores para que eles lidem (gosto deste verbo dinâmico “lidar”) com pessoas que querem aprender, que querem desenvolver-se, mas de forma diferente do que as gerações anteriores o fizeram.  Os professores, sem este acompanhamento formativo, ficariam certamente mais pobres na sua reflexão, nos seus valores e mesmo no seu trabalho pedagógico. Poder-se-ia perguntar qual a classe profissional que no momento atual pode passar sem ter uma proximidade com momentos de desenvolvimento profissional? 
A formação de professores — e agora refiro-me sobretudo à formação que é feita “em serviço”, isto é, quando os professores já se encontram em exercício profissional — é, pois, uma condição indispensável para que possam ter espaço para repensar e melhorar os seus valores e as suas práticas.
O reconhecimento da imprescindível importância da formação de professores tem, no entanto, conduzido a exageros que, de tanto incensar a formação, acabam por a tornar inatingível.  Quando são equacionadas as mudanças que são necessárias no sistema educativo, logo à cabeça aparece a formação de professores. Ora, este realce, que parece benigno e positivo, pode afinal não ser tão benigno e consensual como originalmente se apresenta. Por três razões principais:
Em primeiro lugar considerar que a formação de professores é a alavanca fundamental da inovação coloca o ónus do conservadorismo nos professores: tudo estaria melhor, se os professores fossem mais bem formados.  Todos os outros fatores que constituem uma intrincada e sólida rede de interesses que afeta a Educação (legislação, organização das escolas, currículos, encarregados de educação, famílias, comunidades, etc.),  todos estes fatores são relegados para um segundo plano.  Escolher a formação de professores como o elemento fundamental de mudança conduz à desvalorização de outros fatores que são, pelo menos, tão importantes quanto a formação. Este pensamento convida ainda a pensar que os professores (isto é, a sua falta de formação) são o verdadeiro problema da Educação.  É inevitável citar em abono desta perspetiva o recente estudo publicado pelo Conselho Nacional de Educação sobre a dimensão das turmas e em que se sugere que a dimensão da turma pode ou não ser um problema em função da atuação do professor. Aqui temos, de novo, a ideia de que o professor e a sua formação são por si mesmo capazes de reverter fatores educativos adversos.
Uma segunda reflexão chama-nos a atenção para a insuficiência da formação de professores, se não forem criados contextos em que essa formação possa florescer e tornar-se útil.  Um exemplo: já tive alunos de cursos de formação de professores que se mostraram brilhantes não só ao nível dos conhecimentos, mas também de uma perspetiva lúcida e clara do que é a sua missão na escola.  Já aconteceu que, tendo encontrado estes alunos algum tempo depois de terem iniciado a sua prática profissional, fico muito dececionado com o conformismo e conservadorismo que eles evidenciam.  A formação de que estes professores usufruíram esvaiu-se em ambientes escolares tradicionais, hierárquicos e temerosos de fazer algo que não seja “apropriado”. Assim, a formação de professores é um pobre e frágil argumento de mudança em estruturas escolares poderosas e conservadoras.


domingo, 13 de março de 2016

Regressamos... e com dúvidas!

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Regressamos!

E regressamos porque as dúvidas continuam!

Lemos por aí o seguinte:

"Os antigos como Itozo e Azato sensei, tinham a grande preocupação com o comportamento dos seus alunos, pois colocar uma “arma” nas mãos de uma mente fraca, facilmente molestada, que a qualquer oportunidade surgida, iria usar os conhecimentos do TODE, seria uma tragédia, uma mancha na reputação do sensei e de sua “escola”, então a criação de regras de comportamento eram essenciais, e ainda é nos dias de hoje.
Acredito que daí surgiu o KARATE NI SENTE NASHI – 空手に先手無し– (no Karate não existe primeiro ataque), se traduzido ao pé da letra.
Mas isso na minha opinião, é uma linguagem figurativa, para implantar na cabeça dos praticantes a ideia de evitar o confronto, porém, em muitos casos o sucesso de um embate depende da sua iniciativa (primeiro golpe), claro que antes devemos analisar a situação, depois que o embate foi julgado inevitável, podemos responder uma agressão física antecipando a mesma, como na estratégia do SEN NO SEN (先の先), muito usada no karate do dias atuais seja marcial ou esportivo."
Mas existem outras estratégias!
Reparemos:

後の先  GO NO SEN - lit. "Depois de (o inimigo) iniciar."
待の先  TAI NO SEN - lit. "Esperar (o inimigo) iniciar."
先の先  SEN NO SEN - lit. "Antes de (o inimigo) iniciar."
先先の先 SEN SEN NO SEN - lit. "Iniciar antes de (o inimigo) iniciar."

Se existe o "SEN SEN NO SEN", onde fica o "KARATE NI SENTE NASHI"???


(Um agradecimento especial a Joséverson Goulart.)

Presentes!



Estes foram os presentes no 15º Gasshuku da PGKS orientado por Ōnaga Ryōichi Sensei (翁長良一 先生), de 4 a 6 de Março, na Tapada das Mercês, Sintra, Portugal.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Encerra-se... mas fica uma janela entreaberta!


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Quando me empurraram, eu agarrei e puxei...

Quando me puxaram, eu aproveitei o balanço e pressionei...

Conforme o vento soprou assim icei a vela... quando vieram ter comigo e se dirigiram a mim antecipei-me... raramente me esquivei ou contornei os obstáculos...  

Quando me pisaram os calos estrebuchei, quando me pediram ajuda excedi-me...

Quando me desafiaram aceitei sempre de bom grado... quando me rejeitaram despedi-me...

Nalgumas situações singrei a pulso, sozinho, noutras tive excelentes companheiros... destes, alguns ainda permanecem!

Insurgi-me contra a subserviência, contra a manipulação, contra a passividade...

Porque eu fui o "tu" no "porque" de Sophia (sem falsas modétias, como muitos confirmarão)...

Porque foram muitos os que por aqui passaram, muitos os que apoiaram, os que aplaudiram, muitos os que discordaram, muitos os que contestaram... mas sempre muitos...

Porque o tempo se esgotou, porque os factos são factos e as suas interpretações meras subjectividades... e as análises meras perpectivas... 

Porque o desporto já não é o que era... ou talvez nunca o tenha sido... 

Porque continuamos escravos, indignados até à medula mas paralíticos até ao tutano...

E tendo-se esgotado o tempo é tempo de "karatedo.pt" dar a sua missão por terminada... 

Encerra-se assim este blog, ficando no entanto uma janela entreaberta (todas as gaiolas deveriam ter sempre uma janela entreaberta!!!).


PORQUE
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)




sábado, 5 de setembro de 2015

Limites

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Quer se queira, quer não, no desporto como na vida, há limites.

Os arautos da ilusão continuam afirmando: "segue os teus sonhos, supera os teus limites!".

É-se o produto de uma educação, produto de uma reprodução social, produto de uma manipulação inconsciente... e não se é produto de uma reflexão, de uma discussão salutar, de um espírito crítico.

No desporto, repare-se na situação e no conceito daquilo a que se chama "doping". O conceito refere-se apenas a algumas substâncias incluídas numa lista que vem sendo constantemente atualizada, embora sempre com um atraso em relação ao mundo real. O "doping" anda sempre à frente dos seus sistemas de detecção. E, para cada uma dessas substâncias, está estipulado um valor limite. Se o competidor revela mais 1 nanograma da dita por litro é criminoso, é desonesto, é batoteiro... mas se os resultados das análises concluem da existência de menos um nanograma por litro em relação a esse limite o competidor pode subir ao pódio, é um campeão e por vezes é até um herói.

Numa frase atribuída a Henry Peter pode ler-se: "a educação faz com que as pessoas sejam fáceis de guiar, mas difíceis de arrastar; fáceis de governar, mas impossíveis de escravizar". Também estas palavras, tal como a lista acima referida, devem ser atualizadas. A educação - e não só a de berço - começa a fazer com que as pessoas sejam fáceis de guiar, fáceis de arrastar, fáceis de governar, e passíveis de serem de escravizadas...

A submissão, a subserviência, a passividade,  a isso acabam por dar origem... e basta repararmos - observarmos, vermos - que algumas pessoas se regulam pelo que ouvem, enquanto outras se regulam por aquilo para que olham... verdades e factos são assim marginalizados... dando origem a que sofram mais com a ventura alheia do que com a dor própria...



quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Finalmente o desengano!!!

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Carácter, sinceridade, esforço, etiqueta e auto-controlo...



Finalmente compreende-se por que motivo o Dōjōkun (道場訓) se chama Dōjōkun e não outra coisa qualquer... pois se outra coisa qualquer se chamasse...

道 DŌ - Caminho, via; 場 JŌ - Local, lugar; 訓 KUN - Instruções, normas. São regras do Dōjō... só para o Dōjō... e nós a pensarmos que eram regras para a vida, incluíndo "fora do Dōjō"... É triste constatarmos que andámos enganados durante todo este tempo! Finalmente o desengano!!!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Competências

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É normal dizer-se que o dan define a competência técnica do karateka...

É normal afirmar-se que o dan define a competência técnica do treinador e o grau de treinador a sua competência pedagógica...

Estando a nossa actividade legislada, a legislação contempla as funções do "treinador de Karate", os cursos de treinadores e os seus vários graus, mas não contempla cursos nem graus para aqueles que não são treinadores de Karate-Dō mas exercem o seu ensino (e treino) assim como desempenham funções formativas - traduzindo, não contempla um reconhecimento e uma certificação daqueles que não se preocupando com resultados ou com medalhas se preocupam com a formação de seres humanos - ou seja, não contempla aquela figura que normalmente designamos por "Mestre"!

É uma lacuna grave? É!!! Mas mais grave ainda é não existirem parâmetros que definam a competência moral* daqueles que se dedicam ao ensino e ao treino do Karate-Dō!

Ou antes, não é tão grave assim porque a competência moral destes acaba por ser definida pelas suas acções e pelo seu comportamento!



* Nota: repare-se que não estou aqui a abordar a competência ética.
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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Exemplos de actores menores

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Uns dizem que Charles Chaplin disse que "a vida é um palco de teatro que não admite ensaios"... Outros juram a pés juntos que ele afirmou que "a vida é uma peça de teatro que não permite ensaios"...

A diferença está entre o palco e a peça... mas no mesmo palco várias peças podem ser apresentadas... e uma mesma peça pode ser apresentada em vários palcos.

E teremos de concordar que o elemento principal nesse palco, ou dessa peça, é o actor que desempenha um determinado papel... e que não há papéis menores... que há, isso sim, actores menores!

O jornal «A Bola» noticia hoje que "Diego Armando Maradona, de 54 anos, aproveitou a viagem à Tunísia, onde está a filmar um anúncio publicitário, para se encontrar com o antigo árbitro Ali Ben Nasser, que apitou o jogo dos quartos de final do Mundial de 1986, no México, entre a Argentina e a Inglaterra. 
«Apresento-lhe a minhas desculpas, marquei aquele golo graças à mão de Deus», disse o argentino, referindo-se ao célebre lance, que na altura escapou aos olhos do juiz."

Embora desculpas não curem feridas, à equipa da Inglaterra nem um pedido de desculpas... Um exemplo de um actor pequeno...

2 - Recentemente (8 de julho) fui convidado por um instrutor de Karate-Dō com responsabilidades associativas para integrar um painel de instrutores num evento onde cada um apresentaria o seu estilo. Depois de lhe ter enviado o material que me foi solicitado para a promoção do evento, foi-me comunicado (dois meses e meio depois) que "a decisão para o seu estilo recaiu maioritariamente em (...)", passando o Gōjū-Ryū  a ser representado por um outro instrutor de uma outra associação.

Também aqui não houve um pedido de desculpas... Confirma-se, de facto, que o Karate-Dō não forma o carácter dos seus praticantes, antes revela-o...




Desígnios não insondáveis e até transparentes... dissonância cognitiva mais que confirmada! Mais um exemplo, desta vez de actores menores!!!

Como diz Joseverson Goulart, "Deixemo-nos de hipocrisias! Não devemos "proteger o Caminho da Verdade" apenas quando nos convém! Tenham tomates para assumir esta postura nos seus dia a dia ou, então, parem de citar algo apenas porque fica bonito como palavras de um Dōjōkun."

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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Normal

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As quatro virtudes cardeais foram apresentadas inicialmente a partir da discussão de Platão, sensivelmente 300 anos antes de Cristo, na sua obra "República", no Livro IV. 

São elas a prudência (φρόνησις, phronesis), a justiça (δικαιοσύνη, dikaiosyne), a temperança (σωφροσύνη, sophrosyne ou moderação) e a fortaleza (ἀνδρεία, andreia ou força).

Foi durante o período feudal japonês que o código de honra dos Samurai se desenvolveu, embora o termo Bushidō raramente seja mencionado na literatura pré-moderna japonesa. O livro "Bushidō - The Soul of Japan" escrito por Inazō Nitobe é uma das primeiras obras escritas em inglês e para um público ocidental em 1905.

A justiça, a coragem, a benevolência, a cortesia, a sinceridade, a honra e a lealdade são apresentadas como sendo as virtudes do Bushidō.

Regista-se assim uma preocupação ao longo do tempo e em espaços diferentes em codificar conteúdos que possam orientar a vida do ser humano de um modo ético. Logo, e no mesmo sentido, normal também o aparecimento do Dōjōkun...

Na Stanza della Segnatura, que Rafael (1483-1520) pintou no Vaticano em 1509, a "temperança" segura com as mãos, numa pose suave, as rédeas de um corcel que não é visível aos nossos olhos.


Assim estamos nós hoje em dia em relação ao Dōjōkun, segurando as rédeas de um corcel que não é visível aos nossos olhos...

Normal a dissonância entre o propalado e o praticado!

Toda a gente pratica “o verdadeiro”, “o puro”, "o autêntico", “o tradicional” Karate-Dō! Ainda não encontrei ninguém que afirmasse praticar algo diferente (claro que estou a exceptuar aqueles que reconhecem só praticar "karate desportivo")...

Toda a gente recita o Dōjōkun, mas como refere Thérese Delpech*, "os valores, de que se faz grande eco nos discursos, parecem bons absolutamente para tudo, menos precisamente para a acção." 




* "O Regresso da Barbárie", Thérese Delpech, Quidnovi, Porto, 2007.

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domingo, 9 de agosto de 2015

J. O., projeções e mitos

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O antigo jogador inglês Gary Lineker explicou uma vez: “o futebol é um jogo para 22 homens, 11 de cada lado. Os jogadores chutam a bola de um lado para o outro. A bola tem de entrar numa baliza, defendida por um guarda-redes. O jogo demora 90 minutos e no final ganha sempre a Alemanha.”

Vem isto a propósito dos próximos Jogos Olímpicos, para os quais Portugal tem 115 atletas de 18 modalidades enquadrados no Projeto de Preparação Olímpica. Dez atletas integram o nível 1 (provável obtenção de medalha) e vinte e cinco o nível 2 (prováveis finalistas). 

Dos primeiros dez, seis são da canoagem (Fernando Pimenta, Emanuel Silva, João Ribeiro, David Fernandes, Teresa Portela e Hélder Silva), dois do judō (Telma Monteiro e Jorge Fonseca), um do taekwondo (Rui Bragança) e um do ciclismo (Rui Costa). 

Dos opinadores e "comentaristas" que polulam por aí, uns opinam que Portugal tem neste momento, teoricamente, sete/oito resultados que projetam possível medalha; outros, ficam-se pela projeção de 2/3 medalhas...

Ora, entendendo-se por opinião toda a proposição (verdadeira ou falsa) representativa que não é factual, constatamos que nenhum peso têm estas projeções... com a agravante de entrarmos no domínio das suposições.


A história do desporto mostra-nos que por vezes os maiores candidatos a vitórias fracassam no momento decisivo, tal como nos mostra o inverso (dir-me-ão que há um padrão médio: claro que há!). São demasiadas as variáveis que estão em jogo na prestação de um competidor nuns J. O. e por vezes nem todas são tidas em conta.

E chegados aqui, entramos no reino do mito da igualdade de oportunidades dos participantes no desporto. O desporto pretende apresentar a todos os seus interveniente directos uma igualdade de possibilidades dado que o espaço onde desenvolve as suas actividades assim como as normas que regem as mesmas são comuns. Mas o desporto ignora a igualdade de condições desses mesmos competidores – condições individuais diferentes (quer sejam de ordem genética, anatómica, fisiológica ou psíquica), condições de treino diferentes (no que diz respeito a metodologias, a instalações, a treinadores e a todo o restante apoio, incluindo o económico) e até diferentes condições de participação no momento (tempo) comum a todos os competidores (onde os antecedentes e todos os níveis de preparação emergem tal como as variáveis de circunstância momentâneas).

Por isso mesmo "no final ganha sempre a Alemanha.”
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