domingo, 12 de fevereiro de 2017

Se tivesse tido coragem...

...
José Manuel Constantino recandidata-se à Presidência do COP. Das 33 federações de modalidades olímpicas (i. e., que estão no programa dos J. O.) obteve o apoio de 27.

Constantino diz que agregou em vez de separar (seja lá o que isso for!)... Sobre as 6 federações que não o apoiam diz: "Há duas sobre as quais se desconhece o estado actual, houve duas que não conseguimos contactar e outras duas que não tomámos a iniciativa de fazê-lo porque não desejávamos os apoios." («A Bola», 11.02.2017, p. 41).


São elas (as seis!): Basebol/Softbol, Karate, Taekwondo, Ténis, Tiro com Arco e Tiro com Armas de Caça.

Se tivesse tido coragem teria dito quais são aquelas de que se desconhece o estado actual, quais as que não conseguiu contactar e de quais não desejava o apoio.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

8 países anunciados em 4 países...

... 
Nova Iorque, ali para as bandas da 42th street...


Londres, ali para as bandas de Regent street...

Múrcia, Corte Inglês...


Osaka, ali para as bandas de Tsutaya...


Malandros e atrevidos!

...
Jenny Candeias, na edição de ontem do jornal «A Bola» (09.02.2017, p. 32) falava-nos de algo inexistente na estrutura organizativa da nossa modalidade a nível do país: “O nosso desporto, de estrutura associativa, tem na base clubes e, na cúpula, federações. Mas a posição mais difícil será a de dirigentes que se encontram a meio da estrutura: o das associações. Estes, além de estarem fora da família clubística, raramente dispõem dos recursos profissionais das federações.
Não temos uma estrutura clubes – associações distritais/regionais – federação… E talvez não seja por a posição mais difícil ser a dos dirigentes que eventualmente se encontrariam a meio dessa estrutura… A existência de associações distritais/regionais iria relativizar o trabalho e a posição (ou o poder) da federação… por isso, talvez não conveniente… ou iria retirar o privilégio (e/ou talvez o lucro) de certos clubes/associações organizarem os campeonatos regionais… ou até mesmo nacionais.

Mas nessa mesma edição desse diário, António Simões fala-nos de uma coisa existente no futebol e que curiosamente também existe na nossa modalidade: “No futebol, às vezes, para se ganhar um jogo é preciso jogá-lo dos pés à cabeça como se estivesse a cantar a canção do bandido – com os jogadores (e o treinador) a tentarem, malandros e atrevidos, enganar o adversário” (p. 36). É verdade, no “Karate” para se ganharem alguns jogos este acabam por ser jogados dos pés à cabeça (ou da organização à tesouraria) cantando-se a canção do bandido, não havendo tão poucos malandros e atrevidos como isso, pois não são só os adversários que são enganados mas até o comum dos mortais…
Repare-se no negócio montado com os cursos de treinadores (com formadores pagos e com tutores "pro bono"), com as acções de formação - mas aqui parte da culpa deve ser atribuída ao RJFD e ao PNFT - e no que se passa com as selecções nacionais.


E siga a banda!


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Esperança


...
Nós esperamos que 2017 seja melhor... temos esperança (ainda não descobri se "esperar" e "esperança" são provenientes do mesmo étimo), mas como dizia, julgo eu, Walter Benjamim, a esperança é para os desesperados!



"Na verdade, a beleza da vida é a sua incerteza."*


 


*(Yoshida Kenkō (吉田 兼好), "Tsurezuregusa" (1330 - 1332).

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Happy New Year 2017






Um conto...

...
Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso que se dedicava a ensinar Zen aos jovens.

Apesar da sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Queria derrotar o samurai e aumentar a sua fama.

O velho aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo. Chutou algumas pedras em sua direcção, cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais.

Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.

No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.

Desapontados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.

- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?

- A quem tentou entregá-lo - respondeu um dos discípulos.

- O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. Quando não são aceites, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.


(De autor desconhecido, publicado por Aoi Kuwan.)


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Obrigado António Simões!

...
Alguém disse, e já há algum tempo, que vivemos na era da informação...

A televisão entra-nos pela casa dentro e nós recusamo-nos a utilizar o botão on/off... os jornais colocam na 1ª página os títulos mais sensacionalistas mesmo que os conteúdos no seu interior não correspondam aos mesmos e nós continuamos a comprar... nas redes sociais partilhamos, partilhamos, partilhamos e não nos damos ao cuidado de verificarmos a fiabilidade da informação... e assim nos vão moldando o nosso intelecto e a nossa maneira de vermos as coisas... assim nos vão formatando pensando nós que estamos a decidir pelas nossas cabeças.

E se a crítica é fácil, por vezes o elogio é mais difícil, mas necessário quando indispensável.

Vem isto a propósito de uma notícia publicada no jornal «A Bola» no passado dia 15 de Dezembro, páginas 4 e 5, numa análise do jogo Vitória de Setúbal - Sporting (Taça de Portugal). Uma notícia que informando sobre a realidade dos factos vai buscar a história para melhor podermos compreender como decorreu esse jogo. Uma notícia que recorre a metáforas para melhor percebermos por que motivos o Sporting só ganhou por um golo. Uma notícia que cita Cruyff e que vai buscar Garrincha para entendermos por que o Setúbal só perdeu por um golo. Uma notícia que revela uma linha muito ténue entre prosa e poesia...

Este articulado mostra-nos exactamente a diferença entre um jornalista e muita da escória que por aí polula tentando manipular as nossas opiniões esquecendo-se que podemos recorrer sempre a Sarte e perguntarmos o que fazemos daquilo que fizeram de nós...





Uma notícia assinada por António Simões, jornalista de «A Bola», que já nos habituou a um raciocínio metafórico, a uma escrita que compara o actual com o passado e que desvenda muito do desconhecido no desporto. António Simões escreve com pés de veludo e com pluma de pavão, mas acima de tudo, escreve com uma alma do tamanho de um gigante. António Simões quando escreve, escreve a negrito! António Simões (tal como nós e tal como eu) um dia partirá - espero que daqui a longos anos - mas vai deixando por cá um legado enorme. Das muitas sementes que lança à terra, algumas hão-de germinar. Outros jornalistas o acompanham... e outros jornaleiros também. Compete-nos a nós distinguirmos uns dos outros!

Entender-se-á melhor o que pretendo dizer - e o que quero dizer é: "Obrigado António Simões!" - se lermos duas crónicas deste autor. A primeira de Janeiro de 2013 e a segunda de Outubro de 2012. Aqui ficam...


 





terça-feira, 29 de novembro de 2016

Feijões

...
Dois discípulos procuraram um mestre para saber a diferença entre conhecimento e sabedoria.

O mestre disse-lhes: “Amanhã, bem cedo, coloquem dentro dos sapatos 20 grãos de feijão, 10 em cada pé. Subam, em seguida, o monte que se encontra junto a esta aldeia, até o ponto mais elevado, com os grãos dentro dos sapatos”. 

No dia seguinte, os jovens discípulos começaram a subir o monte. Lá pela metade, um deles estava padecendo de grande sofrimento: seus pés estavam doridos e ele reclamava muito. O outro subia naturalmente a montanha. 

Quando chegaram ao topo, um estava com o semblante marcado pela dor, o outro sorridente. Então, o que mais sofrera durante a subida perguntou ao colega: “Como você conseguiu realizar a tarefa do mestre com alegria, enquanto para mim foi uma verdadeira tortura?” O companheiro respondeu: “Meu caro colega, ontem à noite cozinhei os 20 grãos de feijão”.

Que não se confunda conhecimento com sabedoria...

Um ajuda a ganhar a vida; o outro constrói-a. Saibamos cozinhar nossos feijões!

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

道 究 限 無

...




Certa vez resolvi perguntar a Ōnaga Ryōichi Sensei (翁長良一 先生) o que era aquele quadro por cima do altar onde estava o Busāganashī, no seu primeiro Dōjō em Vistalegre, Múrcia. 

Após a pergunta,  a resposta:

–  Shodō! - respondeu-me ele.

– Como? - perguntei eu - Se estão lá quatro ideogramas e Shodō só possui dois?

– Shodō, é uma Arte, significa "O caminho da escrita". A Arte da caligrafia japonesa. O que tu queres é saber o significado do que está escrito no quadro... foi-me oferecido por um amigo meu, Mestre em Shodō...  

– Sim, é isso Sensei...

– O caminho é infinito… o que lá está escrito é Mugen-kyūdō (pronuncia-se mais ou menos como Munhenkudô) e significa “A via da pesquisa não tem limites". Por muito que treines, por muito que estudes ou pesquises, nunca encontrarás um fim… terás sempre algo mais que procurar!

Tinha eu 25 anos e era apenas um cinto verde com uma lista (4º kyū)



No próximo mês contabilizar-se-ão 35 anos após essa primeira deslocação a Múrcia. E lá estarei, para comemorar não só com Ōnaga Ryōichi Sensei mas também com todos os meus companheiros da OGKK España que tão bem me têm recebido ao longo destes anos em Múrcia - Pepe, Paco Orenes, Jesus, Javier, Pedro, Paco Rojico, Julian, Guerrero, José Carlos, Carlos Garcia, Carmen, Inmaculada, y muchos más. 




Quanto ao quadro, esse lá continua, no dōjō actual... 

Perguntam-me de onde sou e não sei! Nasci em Luanda, Angola, vim para Portugal para perto de Viseu e acabei por me radicar entre Lisboa e Sintra. Mas de uma coisa tenho a certeza: Múrcia é a minha segunda cidade.

Quanto ao caminho... cá continuamos caminhando!







sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Um post no facebook

...
Nuno Moreira, capitão da selecção nacional colocou o seguinte post no facebook:
"Campeonato do Mundo em Linz.
Chegou o momento de eu fazer o que nunca fiz no facebook. Vou falar um bocado sobre a tristeza que me invade bem como a de todos os meus amigos da seleção. Sou um atleta que estou nas seleções desde 2003 e acho que nunca me senti como me sinto hoje... estamos a 5 dias supostamente de sair para a Áustria (campeonato do mundo da wkf - prova máxima da modalidade) e mais uma vez para representar as cores nacionais. Ainda não sabemos informações concretas sobre a nossa participação... participação essa que mais uma vez vamos pagar... 800€ é o que nos pedem... mas ainda sem sítio para dormir... dizem vocês "800€?" Claro e já pagamos desde 2011. Tiramos dinheiro do nosso orçamento para pagar o campeonato do mundo e mais 4000€ que gastamos em preparação para este campeonato... e agora perguntam "e a federação?"....Qual federação? Aquela que nos obriga a pagar tudo e que nem equipamentos tem (fatos de treino, t-shirts, kispos e camisolas) para os 8 dias que vamos lá estar? Sem dúvida devo responder àqueles senhores da federação que disseram que eu e os meus colegas somos uns filhos da p..... que não agradecemos à federação.... pois, agora posso dizer MUITO OBRIGADO a todos por tudo o que nos dão e nos fazem passar.... 

Já agora, informação de última hora...

Equipa: vamos segunda às 5h da manhã de carrinha para Lisboa para viajar as 10h para Munique para fazer mais 3 horas de viagem para chegar em forma e poder competir na quarta e é melhor não chegarmos às medalhas na equipa senão não podemos competir porque o nosso voo está para regressar domingo enquando a prova ainda está a decorrer.... 
Hehehehhe ... isto é uma palhaçada e não tem outro nome...

Treino 5 horas por dia para me preparar para estas provas e representar o meu país e a paga que tenho é esta....

Mas atenção o meu objectivo continua a ser o título mundial... mas sem ganhar entre 2 e 5 mil euros/mês como todos os meus adversários que vão estar no mundial."


domingo, 2 de outubro de 2016

Medíocres

...
"Talvez o mundo pertença aos seres medíocres. Só eles caminham em segurança."

(Palavras de Veniero em "Dante e os crimes do mosaico", de Giulio Leoni, Ed. Presença, 2005.)



quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Só uma questão!

...
Todos estes formadores são remunerados. 

A minha questão é: os tutores de estágio também o irão ser?


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

PNFT - uma reflexão!

...
"Um aspeto de pormenor, que consideramos muito importante ser clarificado, é a questão dos direitos adquiridos. Treinadores que já estão na carreira (Grau II, III e IV), que obtiveram o seu TPTD, mas que não têm o 12º ano. Exemplo: se tiver o Grau IV está no processo final da carreira e pode não ter o Grau III – já o de Grau III, que por exemplo só tinha o 9º ano, fica agora impedido de progredir até resolver a questão escolar."

"Um outro aspeto importante ter em conta é os valores que algumas federações estipulam para os Cursos de Treinadores. Se o IPDJ financia a formação de treinadores, seria expectável que os cursos fossem tendencialmente gratuitos, principalmente os dos graus iniciais – Grau I e II, ou pelo menos ter um preço base estipulado em função do número de participantes e do financiamento público que é concedido."

"Clarificar a questão dos 50% de créditos que são atribuídos aos treinadores que exercem funções de tutor. Para estes, os restantes 50% devem ser em que componente?"

"Há Federações Desportivas que continuam a permitir que dirigentes exerçam a função de Treinador no treino e na competição."

Estes são alguns dos pontos abordados no documento denominado "Reflexão sobre o Programa Nacional de Formação de Treinadores" elaborado pela Confederação de Treinadores de Portugal e entregue no dia 20 de Setembro 2016 ao Sr. Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Dr. João Rebelo e sua equipa de Gabinete.

domingo, 18 de setembro de 2016

O que resta dos J. O. do Rio 2016? (III e último)

...

Mal terminaram os J. O. do Rio, logo as análises vieram a lume.

Porque foram os melhores de sempre para Portugal, porque não se atingiram os objectivos, porque...

Vitor Serpa («A Bola», 27.08.2016, p. 37) aponta como solução essencial "a escola. Enquanto o poder político evitar a abordagem do desporto na escola como uma prioridade de um entendimento de regime para o futuro do país, cá estaremos de quatro em quatro anos, a fazer ridículos exercícios de explicação dos resultados olímpicos."

Tomaz Morais («A Bola», 27.08.2016, p. 32) vai mais longe ao afirmar que tudo "começa na falta de bases desportivas e escassa importância que é dada à disciplina de educação física (EF) no ensino básico e secundário. A escola tem de servir para a aquisição de conhecimentos diferenciados ao nível da EF, incrementando a tão falada cultura desportiva e física. Aumentar a carga horária do desporto escolar (DE) é urgente, ligá-la com eficácia ao desporto associativo e acabar com a desvalorização dos professores enquanto educadores e pedagogos de excelência no desenvolvimento integral dos jovens são algumas medidas que poderiam resultar..."

Com a razão que ambos possuem - embora se possa perguntar com que condições -, chamo a atenção para o muito que se fala em Desporto Escolar e pouco se fala em desporto na escola. Sim, porque não são a mesma coisa!

Sidónio Serpa («A Bola», 06.09.2016, p. 32) coloca o dedo na ferida quando afirma que "as referências ao desporto escolar como solução são falaciosas. Ainda que o maior número de praticantes aumente a probabilidade de emergirem talentos, isso implicaria um programa consistente visando o alto rendimento."

Não nos  basta ter atletas e treinadores de alto rendimento, é necessário ter organização, projetco, apoio especializado - económico, infraestruturas, condições de treino - e dirigentes desportivos e políticos também de alto rendimento.

E agora só duas pequenas reflexões...

1ª - Uma medalha de ouro olímpica em Espanha tem o prémio de 94.000 Euros - em Portugal 40.000 Euros (48.000 contra 25.000 para a prata e 30.000 contra 17.500 para o bronze).

2ª - Telma Monteiro, ao jornal «A Bola» (25.08.2016) afirmou: "Sei de quem foi dispensado do trabalho, mas não recebe porque a federação não tem dinheiro e o patrão não é obrigado a pagar-lhe."

Mais alguma coisa?

Daqui a quatro anos, depois de mais umas sardinhadas e de mais umas maratonas populares, cá estaremos a discutir o mesmo!

sábado, 3 de setembro de 2016

O que resta dos J. O. do Rio 2016? (II)

...
92 competidores portugueses foram aos J. O. do Rio de Janeiro.

Telma Monteiro regressou com uma medalha de bronze.
Emanuel Silva e João Ribeiro (K2 1000m) regressaram com um quarto lugar.
Fernando Pimenta (K1 1000m) e João Pereira (triatlo) trouxeram dois quintos lugares.
Chegaram aos quartos de final Marco Freitas (ténis de mesa) assim como a Selecção Nacional de Futebol.
Nelson Évora e Patrícia Mamona (ambos no triplo salto), Ana Cabecinha (20Km marcha) e os canoístas do K4 1000m deram ao nossos país quatro sextos lugares.
Nélson Oliveira (ciclismo, contra-relógio) volveu a Portugal com um sétimo lugar.

Para uns foram boas classificações. Para outros, nem por isso. Conclusões poderão ser tiradas de 3 formas diferentes:

1ª - Comparando o número de medalhas com o número de habitantes de Portugal (e aí poderemos olhar para a Austrália, para a Hungria e para a Holanda);

2ª - Comparando o número de medalhas com o total de competidores da comitiva olímpica (e aí também constataremos que países houve com comitivas menores e maior número de medalhas);

3ª - Descobrindo o quociente entre o número de participantes numa determinada prova e o lugar em que fica o competidor que se pretende analisar. 

A história do desporto mostra-nos que por vezes os maiores candidatos a vitórias fracassam no momento decisivo, tal como nos mostra o inverso (dir-me-ão que há um padrão médio: claro que há!). São demasiadas as variáveis que estão em jogo na prestação de um competidor nuns J. O. e por vezes nem todas são tidas em conta. Ficar-se em 123º ou em 134º lugar numa maratona em que 140 atletas chegam ao final não nos parece serem boas classificações, apesar das 15 desistências. Dizer-se que "não era o dia", que "não consegui ser eu", que "não caiu para o meu lado" ou que "não tinha que ser" nada justifica...
E chegados aqui, entramos no reino do mito da igualdade de oportunidades dos participantes no desporto. O desporto pretende apresentar a todos os seus interveniente directos uma igualdade de possibilidades dado que o espaço onde desenvolve as suas actividades assim como as normas que regem as mesmas são comuns. Mas o desporto ignora a igualdade de condições desses mesmos competidores – condições individuais diferentes (quer sejam de ordem genética, anatómica, fisiológica ou psíquica), condições de treino diferentes (no que diz respeito a metodologias, a instalações, a treinadores e a todo o restante apoio, incluindo o económico) e até diferentes condições de participação no momento (tempo) comum a todos os competidores (onde os antecedentes e todos os níveis de preparação emergem tal como as variáveis de circunstância momentâneas).

(continua)

domingo, 28 de agosto de 2016

O que resta dos J. O. do Rio 2016? (I)

...
Um maior distanciamento dos J. O. do Rio 2016 talvez nos proporcione um juízo mais lúcido. Daí, só agora esta reflexão!

Portugal tinha 115 atletas de 18 modalidades enquadrados no Projecto de Preparação Olímpica. Dez atletas integravam o nível 1 (provável obtenção de medalha) e vinte e cinco o nível 2 (prováveis finalistas).
Dos primeiros dez, seis pertenciam à canoagem (Fernando Pimenta, Emanuel Silva, João Ribeiro, David Fernandes, Teresa Portela e Hélder Silva), dois ao judō (Telma Monteiro e Jorge Fonseca), um ao taekwondo (Rui Bragança) e um do ciclismo (Rui Costa).
Dos "comentaristas" que polulam por aí, uns opinavam que Portugal tinha teoricamente sete/oito resultados que projectavam possível medalha; outros, ficavam-se pela projecção de 2/3 medalhas...

Resultados: Portugal trouxe uma medalha de bronze... (repare-se que José Garcia, chefe da Missão Olímpica, diz que ficámos com dez atletas nos seis primeiros lugares e José M. Constantino, Presidente do COP, afirma que ficámos com 10 atletas entre o 4º e o 8º lugares).

Com 13,5 milhões de euros gastos durante o ciclo olímpico - financiamento público - e sem conhecermos verbas de dotações privadas, outros resultados não seriam de esperar. Basta compararmos com a nossa vizinha a Espanha - 177 milhões de euros de orçamento público e 311 de dotações privadas - que obteve 7 medalhas de ouro, 4 de prata e 6 de bronze!

Muito fizeram os nossos competidores...

(continua)

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

E o rei continua a ir nu!

...
Tinto ou branco? Cheio!

Ninguém se lembraria de colocar um alcoólico a apresentar um programa de crítica de vinhos. Para o alcoólico, qualquer vinho é bom: emborracha!!!

O mesmo já não acontece com programas que apresentam viciados em poder (ou em €, £ ou US$) a debitar opiniões sobre a melhor forma de sobrevivermos às situações que eles próprios criaram.

Apenas uma minoria repara nisto, a grande maioria acomodou-se, vai correndo atrás da cenoura com que lhe acenam…

A publicidade alastra a todos os consumíveis, inclusivamente às ideias. Somos assim manobrados, manipulados, e a nossa opinião já não é a nossa opinião - passa a ser a opinião daquele que nos vende o produto que nos levou a comprar.

Analisar variáveis e contextos dá muito trabalho. Avaliar circunstâncias dá muito trabalho. Pensar também dá muito trabalho!

Os últimos dois dias foram dias de fazer a festa, lançar foguetes e apanhar as canas. O "Karate" estará no programa dos Jogos Olímpicos de Tokyo 2020. Aos que lutaram por isso, aos que acreditaram, os meus sinceros parabéns! Tenho pena que não seja o Karatedō a estar em Tokyo 2020. 

Para um total de 181 países há 60 vagas para kumite e 20 para kata. Que países vão estar presentes? Quem lá vai estar???

Pessoalmente, não me aquece nem arrefece que o "Karate" esteja no programa dos JO... nem me decepciona que dirigentes, árbitros, seleccionadores (e alguns treinadores) ou competidores que já estão há muito na alta competição tenham lutado por isso e para isso... Eles vão ser os verdadeiros beneficiados com isso. O que me escandaliza é o mais comum dos mortais defender essa posição só porque sim!!! Porque esses de nada irão beneficiar. ..

Apresentam-se como maiores vantagem mais visibilidade para a modalidade, maior alcance de público, aumento do número de praticantes e mais dinheiro para as federações. A maior visibilidade na TV do "karate" dos JO é como a visibilidade do Bruce Lee nos anos 70: aquilo que se vê é uma coisa, o que se faz outra completamente diferente. Em relação ao aumento do número de praticantes, recordo-me que na década de 80 a série «Fame» encheu os ginásios... mas disso, nada resta. Se vai haver mais dinheiro ou não para as federações veremos se, no caso de se vir a verificar esta premissa, reverterá a favor dos competidores...

E depois ainda há a história daquela criança, a única criança que se apercebeu que o rei ia nu!










segunda-feira, 18 de julho de 2016

Em miúdos endinheirados...

...
"Dizem que o desporto é uma escola de virtudes, mas infelizmente é mentira. A falta de honestidade é um dos seus pecados mortais. Quando olho para Lionel Messi - um ídolo de milhões de jovens que aufere fortunas obscenas em salários e contratos publicitários - e o vejo como um burlão fiscal contumaz, condenado a 21 meses de cadeia, pergunto-me: será que a FIFA, que lhe atribui Bolas de Ouro a eito, não tem nem quer ter em conta o perfil moral do atleta? Se esta é uma questão que lhe passa ao lado, é pena e lamentável."


(Manuel Martins de Sá, «A Bola», 12.07.2016, p. 38)




Aqui se toca na distinção entre homem e futebolista. Talvez agora possam compreender melhor por que motivos eu não sou fã de um futebolista que aperta o pescoço a um adversário, que cospe para outro, que mostra ao público o dedo médio da mão ao ser substituído e que não dá um autógrafo a uma criança por esta ter uma t-shirt do Barça vestida...

Em miúdos endinheirados, mas ídolos com pés de barro, são mais as semelhanças que as diferenças...


sábado, 11 de junho de 2016

A quem interessa o "Karate" no programa dos J. O.?

...

Primeiro esclarecimento: o "Karate" já é olímpico há muitos anos!
Segundo esclarecimento: o "Karate" não faz parte do programa dos Jogos Olímpicos!
Terceiro esclarecimento: os dois anteriores esclarecimentos referem-se a duas coisas muito diferentes!!!
Não sou contra a inclusão do "Karate" no programa dos JO, mas a ser incluído não me restam as menores dúvidas que aumentarão - ou surgirão novos - casos de corrupção, violência, fraude, morbilidade, exploração infantil, doping... nem duvido que a publicidade, a política e a religião se irão imiscuir cada vez mais nesta (nessa) modalidade.

Argumenta-se que sendo o Jūdō e o Taekwondō olímpicos com presença no programa, nada disso aconteceu nestas modalidades. ERRADO!!! Basta as pessoas pesquisarem e documentarem-se...
E porque a memória é curta, aqui deixamos alguns exemplos... só como exemplo!

Marius Vizer, actual Presidente da FIJ,  aquando presidente do clube romeno Liberty Oradea, alegada-mente passou um cheque de 3.000 marcos à tripla de arbitragem que dirigiu a final da Taça dos Cam-peões Europeus de Jūdō por equipas em 1999 – e os romenos sagraram-se como novos campeões europeus frente aos ucranianos do Taifu –, facto denunciado pelo presidente da União Europeia de Jūdō de então.
Abril de 2007: o COI suspendeu o Presidente da FIJ, Park Yong-Sun, por cinco anos (violação dos princípios éticos do COI e da Carta Olímpica), após ter sido condenado pela justiça sul-coreana a três anos de prisão, com suspensão de pena, por desvio de fundos.
No Taekwondō, Yong Kim, Vice-Presidente do COI, em 2004, foi acusado de corrupção e posteriormente condenado...


(Pequim, J.O. 2008, Ángel Matos)


Alega-se que a inclusão da modalidade no programa dos JO traria mais visão à mesma e mais praticantes - únicos pontos que vimos esgrimir a favor até hoje! 
Mas colocam-se aqui duas questões: 1ª - Que visibilidade? Uma visibilidade do tipo de haver mais sponsors e com um maior aumento da publicidade à volta da mesma? 2ª - Que tipo de praticantes? Competidores especialistas só em Kata ou só em Kumite?
Por vezes também se aflora a questão de poder haver mais verbas tratando-se de uma modalidade com presença no referido programa. Pois aqui também se levanta uma questão: verbas para quê e para quem?
Jaime Reis, da UNAM, recentemente publicou esta foto, onde se podem ver dados de 2004 e de 2014 de duas modalidades, interrogando-se sobre a discrepância do financiamento entre as mesmas:


Assim, parece-me que a grande questão não é o "Karate" fazer parte ou não do programa dos Jogos Olímpicos, mas sim uma outra questão:
A QUEM INTERESSA O "KARATE" NO PROGRAMA DOS JOGOS OLÍMPICOS?


sábado, 4 de junho de 2016

Elucidem-nos!

...
Ao lermos um jornal desportivo, não são só as letras gordas que importam. Na passada quinta feira, no jornal «A Bola», duas crónicas mereceram a nossa atenção: a de Jenny Candeias e a de António Simões. 

Isto porque, no momento em que muito (muitos) se deseja que o Karatedō entre para o programa dos Jogos Olímpicos, "(...) sem análises será difícil evoluir. Esta evolução tanto respeita o progresso dos praticantes, como o modo como técnicos apresentam o trabalho desenvolvido, por vezes confundido com um show. Umas vezes circense, outras vezes teatral. Ou seja, uma simbiose de qualidade duvidosa daquilo que faz muito bem o Cirque du Soleil." (Jenny Candeias, p. 39).

O panorama actual do Karatedō, a nível competitivo, faz-nos lembrar as palavras de Nélson Rodrigues, que nos são trazidas por António Simões (p. 45): "Existe uma aldeia espanhola em que as mulheres são quase bonitas, os homens quase honestos, as esposas quase fiéis, os ladrões quase ladrões."

Ao fazer-se desaparecer o sufixo «dō» do termo «Karatedō», para que a via desportiva singre (seja lá isso o que for!) porque a tradição (seja lá o que isso for!) já não é aplicável a essa mesma via, só se justifica que o Budō morreu... Necessário é que os defensores desta via nos elucidem se na mesma ainda existe o "dōjō"





Classificações da 5ª Taça PGKS

KATA

Infantis:

A
1º - Isabel Silva
2º - Joana Gonçalves
3º - Luísa Charters

B
1º - Artur Mendonça
2º - Matias Gomes
3º - Duarte Lucas

Juvenis:

A
1º - André Gomes
2º - Samuel Sousa
3º - Matilde Filipe

B
1º - Gonçalo Cavaleiro
2º - Diogo Lourenço
3º - Bernardo Oliveira

Cadetes

1º - Gonçalo Ferreira
2º - André Vieira
3º - João Cerqueira


IPPON KUMITE

Juvenis

1º - Gonçalo Cavaleiro
2º - Guilherme Costa
3º - Bernardo Oliveira

Cadetes

1º - João Cerqueira
2º - André Vieira
3º - Tatiana Ruivo


SHIAI KUMITE

Cadetes

1º - André Vieira
2º - Gonçalo Ferreira



domingo, 22 de maio de 2016

Os lápis de cor e a formação!

...

"Toda a instituição passa por três estágios - utilidade, privilégio e abuso."

François Chateaubriand


Não chega aprender com quem sabe. Tem de se aprender com quem sabe ensinar, com quem sabe fazer e sabe fazer ser! E não é por decreto que quem sabe passa a ter competências pedagógicas e didácticas!


Isto porque, à semelhança da formação contínua de treinadores, um dia destes poderá sair uma lei em que para se pintar com lápis de cor seja preciso fazer um curso. Sim, porque um afia-lápis possui uma lâmina e, sendo um objecto potencialmente cortante, é preciso evitar acidentes e é preciso evitar que essa lâmina seja usada com outros fins... Para além disso, um lápis bem afiado pode ser uma arma mortal (não sabiam? Claro que sabiam!!!). 12 lápis são 12 armas!!! E agora, vamos pintar com o amarelo...
Logo, só pessoas devidamente credenciadas (terão de fazer um curso e, para isso, pagar uma inscrição no mesmo) poderão pintar com lápis de cor. Claro que só poderá ministrar esse curso uma empresa devidamente certificada... Depois de terem o seu curso terão de pagar a licença de utilização dos lápis de cor e dos apara-lápis... E agora, vamos pintar com o azul...
Mas atenção: nos três meses seguintes terá de se frequentar uma acção de formação (e lá temos de novo os €, as £ ou os US$) sobre os diferentes modelos e utilizações dos apara-lápis consoante o diâmetro dos lápis... E nos seis meses posteriores uma outra acção de formação (outra vez os €, as £ ou os US$) sobre a sobreposição e a mistura de cores com os referidos lápis. Adivinhem agora quem vai dar essa formação! Claro, a tal empresa certificada, a qual irá cobrar inscrições para a acção de formação aos utilizadores dos lápis de cor... E agora, vamos pintar com os lápis todos...