quinta-feira, 30 de agosto de 2018

quinta-feira, 24 de maio de 2018

domingo, 22 de abril de 2018

Vinícius era Karateka

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Conta-se* que Antônio Maria, cronista e compositor pernambucano, frequentador da noite carioca, era muito amigo de Vinícius. Uma das actividades preferidas dos dois era, em fins de noite, seguir vira-latas pelas ruas a bordo de um «rabo de peixe», modelo de carro de luxo dominante na época. A solidão pior é a do ser que não ama. E os vira-latas amam, dizia Vinicius. Numa dessas noites, os vira-latas conduziram-nos até a praia, onde avistaram um grupo de velhinhos fazendo exercícios, chefiadas por um rapagão. De copo nas mãos, com o dia amanhecendo, os dois ficaram quietos observando aquilo por algum tempo. O silêncio foi quebrado por uma insólita proposta de Vinícius: "Maria, vamos fazer um pacto?". "Claro, peça o que quiser, Vinícius". "De hoje em diante, não vamos fazer jamais um só movimento desnecessário".
Vinícius era Karateka. Karate-Dō é isso aí: "jamais um só movimento desnecessário”.
* Wagner Homem e Bruno de La Rosa, in “Histórias de canções: Vinícius de Moraes”, 2013, Leya Brasil.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Sobre acontecimentos passados... ou sobre o papel da História...

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Conta-se que num mosteiro viviam dois monges que eram muito amigos e sempre cumpriam seus afazeres em conjunto.
Facto mais que sabido era os monges não se poderem sequer relacionar com mulheres...
Certo dia, ao dirigirem-se à vila mais perto, depararam-se com uma mulher que estava com dificuldades para atravessar o rio que dava acesso à mesma e que se encontrava agitadíssimo.
Um dos monges, virando-se para o outro, disse:
– Não podemos ajudá-la, fizemos votos de que não poderíamos tocar em mulher alguma!
O outro monge replicou:
– Também fizemos voto de ajudar a todas as pessoas e criaturas deste mundo, sem haver distinção!
Então, este mesmo monge colocou a mulher em suas costas e atravessou o rio, deixando-a na outra margem.
Os dois monges seguiram caminho e durante a jornada houve uma grande pausa na conversa entre ambos.
Passado algum tempo o silêncio foi interrompido pelo monge que era contra a ideia de carregar a jovem, que disse:
– Você não devia tê-la carregado, ela vai ser um peso na sua memória em toda esta sua caminhada!
O outro monge sabiamente respondeu:
– Eu deixei a mulher na margem do rio. No entanto, você é quem continua carregando a mulher às costas…

sábado, 6 de janeiro de 2018

Do engano

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Atribui-se a Rocky Balboa a seguinte frase:"Não importa o quanto você bate, mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar. O quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha.
Também se atribui a Thales de Mileto uma outra frase que vai no mesmo sentido: ''A questão não é o quanto você consegue bater e sim o quanto você consegue apanhar e continuar de pé, lutando.''

Ambas nos levam a uma exaltação da subserviência expressa na palavra «apanhar». Exaltação da célebre pedagogia da dor expressa no "no pain, no gain".
Reside aí o engano. Continuar de pé, lutando, sim. Seguir em frente, ganhando, igualmente sim! Recusando apelos à subjugação e ao serventilismo... Ao recorrer-se a estas citações não se está mais do que a tentar-se uma certa forma de manipulação das nossas opiniões, da nossa formação, entranhando no nosso espírito a necessidade de se estar por baixo antes de se atingir a mó de cima. Recuperar de adversidades é uma coisa, quando elas foram originadas por variáveis que estão - e sempre estiveram - fora do nosso controle. Cair voluntariamente nessas adversidades é outra totalmente diferente!



Meditem bem... lutem e ganhem!

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Tu já viste?

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Um jovem aluno de artes marciais pergunta ao seu mestre:
- Mestre, por que minha habilidade não evolui e eu sempre sou vencido? 
E o mestre com toda a paciência responde:
- Meu querido aluno, já vistes as gaivotas voando, flamejantes, pelo sol poente?
- Sim, meu mestre, eu já vi.
- E uma cachoeira derramando-se sobre uma pedra, sem tirar nada do seu devido lugar?
- Sim, meu mestre, já presenciei.
- Então, e a lua.. Quando toca a água calma, reflectindo toda sua enorme beleza?
- Sim, meu mestre, também já observei tal fenómeno.
- Eis o problema: tu ficas vendo essas tretas todas e não treinas...

domingo, 19 de novembro de 2017

Especialmente dedicado aos que aqui nada trazem!

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Um monge perguntou ao seu Mestre:
- “O que diríeis se eu chegasse ante vós sem nada trazer?”
O Mestre respondeu:
- “Deixai-o aí mesmo, no chão”.
O monge contestou:
“- Mas eu disse que nada trazia, como então poderia pôr algo no chão?”
- “Tudo bem então”, comentou o Mestre, despreocupado, “nesse caso, levai-o daqui!”.

Vila Nova de Gaia - Novembro 2017


Estágio Europeu 2018


domingo, 27 de agosto de 2017

sábado, 15 de julho de 2017

Sábado, dia 22, Karatedō e Kobudō

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Já no próximo sábado, às 17.30h!



Três associações, dois países, um caminho!
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sexta-feira, 26 de maio de 2017

A travessia do rio

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Certo dia um aprendiz chegou atrasado ao treino e o seu mestre disse-lhe:
- Estás atrasado. Onde estiveste?
Respondeu o aluno:
- Moro do outro lado do rio. O rio transbordou. Não consegui atravessar no lugar do costume. Não há ponte nem barco. Não conseguia chegar aqui...
- Bem - afirmou o mestre - mas agora estás aqui. Como conseguiste chegar? Atravessaste o rio a nado?
- Não mestre.
- A enchente baixou?
- Não - respondeu o aluno. - Eu só pensei: 'Meu mestre é a minha divina revelação. Ele é o meu deus. Vou simplesmente focar-me no meu mestre e andarei sobre as águas.' Então concentrei-e e fui dizendo: 'mestre, mestre, mestre, mestre...' e aqui estou!
- Bem - reflectiu o mestre - eu não conhecia esse aspecto de mim mesmo...
Ficou intrigado e não conseguia parar de pensar nisso.
Terminado o treino, após o aluno se ter ido embora, o mestre pensou: "Preciso experimentar isso."
Então, desceu a margem do rio, olhou em volta para ver se ninguém estava observando a sua experiência e foi dizendo: "Eu, eu, eu, eu..."
Pisou a água... e afundou como uma pedra.


quinta-feira, 23 de março de 2017

Sobre os "prize-money" - diálogo improvável!

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Diálogo improvável sobre prémios monetários em torneios:
- Viva, vamos os dois à final...
- É verdade, e o prémio são 500€!
- 500€ para mim se eu ganhar, 500€ para ti se tu ganhares! Qual a probabilidade de ganhar eu ou de ganhares tu? Tu é que percebes de matemática...
- Probabilidade indefinida, pois há muitas variáveis em jogo e ainda temos de contar com o risco, com o acaso e até com a subjetividade do árbitro... teoricamente poderemos dizer 50% para ambos... estamos às escuras...
- Bem, resolve-se já... deixas-me ganhar, recebes depois 150... sempre é mais certo!
- Então e se for eu a ganhar e te der 200 depois de receber os 500?
Quem ia arbitrar esta final até se encontrava por perto, e ao ouvir partes da conversa resolve intervir:
- Bem, meus amigos, resolvam lá quem vai ganhar, qualquer um me serve, mas para mim terão de vir 100...
- Ora bolas, vamos lá refazer as contas...

quarta-feira, 1 de março de 2017

Tolos...

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Há pessoas com responsabilidades que não dão bons exemplos, mas são figuras de referência... 

Pois é, é que se todos os sábios têm os seus mestres, os tolos também!

O problema é a falta de coragem para separarmos o trigo do joio...


Felizes os que nunca tiveram um "Mestre" com falta de carácter!!!

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Gasshuku cancelado

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Pela primeira vez somos obrigados a cancelar um estágio.

O estado de saúde de Ōnaga Ryōichi Sensei impede-o de de deslocar de avião até nós, pelo que teremos de aguardar uma melhor data.

Certos de que tudo correrá pelo melhor, daqui lhe enviamos os nossos votos de rápida recuperação.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Gurus do "karate"!

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Viriato afinal não habitava nos montes Hermínios... Egas Moniz nunca se apresentou a Afonso VII de Leão e Castela com uma corda ao pescoço... Martim Moniz não morreu entalado nas portas de Lisboa... a escola náutica de Sagres é uma ilusão... o Infante Santo nunca o foi nem o quis ser... Frei Miguel Contreiras nunca existiu... a frase "enterrar os mortos e cuidar dos vivos" não foi proferida pelo Marquês de Pombal nem D. Pedro IV alguma vez deu o grito "independência ou morte" nas margens do Ipiranga... Portugal não foi o primeiro país a abolir a pena de morte... Salazar não era tão casto nem tão austero quanto o quiseram fazer crer... e assim fomos manipulados, durante anos, no ensino da história...

Durante anos foi-nos vendida a perspectiva do Mestre Gichin Funakoshi (1868-1957):
空手に先手無し。 – Karate ni sente nashi.
"No Karate não existe primeiro ataque."

Durante anos não foi divulgado o ponto de vista do Mestre Chōki Motobu (1870-1944):
唐手は先手で有る。  Karate wa sente de aru.
"Em Karate, ataca-se primeiro!"

Existem por aí muitos gurus do "karate", alguns que só transmitem parte das coisas que sabem/conhecem para continuarem a ser gurus... outros, que se imitam ao «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço!"»



Nos USA, o «ensino equilibrado» tanto aposta no criacionismo como no ensino da rejeição das alterações climáticas... também poderemos ir por aí...