sábado, 28 de abril de 2012

III Taça Kaizen

Desenrolou-se hoje... num dia que começou chuvoso mas que acabou por assistir ao despertar do sol, a III Taça Kaizen - uma das poucas provas de Karate em Portugal, ou até talvez a única, que assenta num modelo competitivo formativo para os mais jovens. Daí o termos visto pela primeira vez percursos físicos e percursos técnicos para os mais novos, para depois apresentaram as suas Kata - onde até alguns com menos de 6 anos participaram e já com elevado nível técnico (Pergunta-se: com estas idades? Responde-se: sim, era só ter ido assistir!). Uma prova onde os participantes nos escalões intermédios não são eliminados ao "bota fora"... mas competem todos contra todos! Onde se tenta que haja as mesmas condições de igualdade e de oportunidade, onde se tenta que haja sempre uma segunda hipótese...

Seriam 300 participantes? Seriam 200? O número certo não sei, mas não andará longe de qualquer um destes dois...

Podemos dizer que assistimos a provas não só de praticantes ou de competidores, mas também de alguns que já se revelam verdadeiros Karateka. De vários Dōjō, desde os tais que tinham menos de 6 anos até aos que tinham 36, desde os que subiram ao pódio até aos que não o conseguiram alcançar, foi gratificante ver a sua aplicação, o seu esforço e darem o seu melhor - chama-se a isso "sucesso".


Ter um pavilhão cheio, barulhento, estar a ser analisado por um painel de avaliadores ou ter um adversário leva necessariamente alguns competidores a uma certa ansiedade, a um nervosismo vulgar, principalmente quando é a primeira vez... mas a experiência que alguns demonstraram estará à espera dos anteriores...

Díficil nestas alturas ser treinador e ter vários competidores espalhados por seis áreas de competição (no caso da Cristina)... mas difícil também arbitrar corretamente e em consciência (no meu caso, do Vensã e do Rui).

Do Quinta Grande Health Club, do Tapada Kids e da Cooperativa de Ensino de Benfica, os Dōjō da PGKS presentes, muitos foram os que saíram do pavilhão desportivo de Casal Cambra com uma ou duas medalhas ao peito... mas hoje, o meu destaque vai para os não medalhados. Importante: estiveram presentes, deram o máximo, insistiram, competiram, participaram, mostraram motivação e empenharam-se - para eles os meus parabéns. Mas não me vou  esquecer dos que degrau após degrau conseguiram alcançar o topo - para estes, as minhas felicitações também. Mas mais importante que tudo, os meus parabéns pelo respeito que todos mostraram pelos colegas que foram seus adversários nesta prova.

Salutar a oportunidade de privar mais uma vez com colegas e "velhos" amigos tais como o José Ramalho, o Leonardo Pereira, o João Ramalho, o Nuno Santos, o Rui Catarrinha, o Marco Cruz, o Jorge Quaresma, a Rita Manteigas, o Nelson Gomes, a Joana Perdiz e alguns outros (já vai longa a lista mas estão todos incluídos!)...

Para finalizar, uma saudação especial para a Kaizen Karate Portugal... e até 2013!!!

(Nota: tentarei apresentar fotos para a próxima, assim como as classificações.)

アルマンド  イノセンテス

terça-feira, 24 de abril de 2012

Karate: ensinar ou vender?

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Em se tratando da arte marcial Karate, inúmeros são os assuntos abordados por especialistas, estudiosos, mestres; por revistas, livros, trabalhos universitários, “sites” e “blogs” na Internet, etc.. Contudo, poucos são aqueles que deixam clara a distinção entre verdadeiramente “ensinar” Karate ou “vender” Karate.
Este problema é tão mais grave à medida que muitos responsáveis e personalidades respeitáveis desta arte permitem uma certa ambiguidade a este respeito sem definir limites ou fronteiras entre o que é ou não eticamente válido na transmissão da arte em si.
Assim sendo, gostaria de introduzir esta matéria para reflexão e, talvez, entendermos o ponto da situação neste preciso momento.
Para começar, precisamos entender qual é a diferença entre “ensinar” Karate e “vender” Karate.
Entende-se por “ensinar” Karate as ações que visam transmitir os conhecimentos teóricos e práticos de um treino com fundamentação tradicional – dando-se uma ênfase particular à formação  cultural dos karateka sob sua responsabilidade – muitas vezes, dado o grau de exigência, registando-se um baixo número de praticantes.
Entende-se por “vender” Karate as ações que visam, muitíssimas vezes em detrimento do conhecimento efetivo, o aumento do número de escolas e alunos a fim de viabilizar economicamente (monetariamente) determinado instrutor, associação ou instituição – geralmente através de um ensino horrivelmente superficial em se tratando da teoria.
Algo que fica bastante evidente à primeira vista deste posicionamento é que – aparentemente – estas duas formas de “ver” o Karate parecem ser bastante divergentes entre si, o que é inegavelmente visível se analisarmos a história japonesa.
É de conhecimento geral que antigamente, no Japão feudal, as classes sociais obedeciam a um sistema rígido e hierárquico denominado Shinôkôshô (literalmente: “Guerreiros, Agricultores, Artesãos e Comerciantes”) – da classe mais alta à classe mais baixa respectivamente. Aos Guerreiros cabia o ofício da guerra, aos comerciantes cabia o ofício da comercialização… bastante básico, não?
Os Guerreiros, naquela época, não “vendiam” as artes que praticavam… não se pode nem imaginar tal coisa! A função da venda de bens e de serviços cabia aos comerciantes – a classe mais baixa do sistema Shinôkôshô…
Naturalmente, estamos a falar de um Japão feudal!
Mas, como também sabemos, tudo evolui… e a sociedade e cultura Japonesas não são exceções à regra: o Japão não é mais um sistema feudal, os Samurai já não existem e muitos conceitos que antigamente eram defendidos com a própria vida (como a “honra” ou o “dever”), hoje em dia, não passam disso mesmo: meros “conceitos”.
Assim, o sistema Shinôkôshô e muitas de suas características acabaram por ser extintos e, hoje em dia, já não somos capazes de definir com clareza onde acaba um guerreiro e onde começa um comerciante – dada a “evolução” normal e natural da história e do desenrolar dos eventos socioculturais.
Neste contexto – um tanto confuso para uns e perfeitamente conveniente para outros – o Karate emerge como uma arte em franco desenvolvimento e difusão. E é também neste contexto que aparece a “venda” da arte com fins socioeconómicos.
Enquanto “ensinar” implica “saber” (para ensinar), “vender” implica, de forma bastante superficial, “apresentar um produto”!
Saber uma arte, dominar os seus ínfimos pormenores é uma tarefa exigente, morosa e muitas vezes – se não na esmagadora maioria das vezes – uma tarefa que consome muito tempo em pesquisas, apontamentos, sistematização, treinos e analises… Tudo que é “monótono” e “enfadonho” é colocado diante de quem “ensina” a arte.
Contos fantásticos, estórias elaboradas, misticismos e explicações obscuras, cerimoniais exagerados, graduações “multicoloridas”, excesso de obras literárias (com o mesmo conteúdo)… tudo serve para “vender o peixinho” chamado Karate!
Sem dúvida, este último é muito mais apelativo! (^_^) Pois necessita apenas de apresentar ao cliente aquilo que ele quer…
Mas sejamos minimamente honestos: o Karate que hoje conhecemos se fosse apenas “ensinado”, teria o impacto mundial sem os “vendedores”?
A resposta é bastante simples: NÃO!
Era e ainda é necessário “incentivar” as pessoas a conhecer, a ter interesse a respeito da arte que se pretende apresentar. Daí o pedagogo, o professor, o mestre ter de assumir o papel de “difusor da arte” e apresentar um produto visualmente aceitável e credível ao público-alvo (basicamente torna-se um vendedor).
Por outro lado, é interessante notar que, nesta sociedade do século XXI com as inúmeras fontes de conhecimento disponíveis, os “clientes” estão a ficar cada vez mais exigentes com o “peixinho” que estão a comprar! Enquanto agora os “mestres” são obrigados a adaptar o ensino às exigências sociais, os “vendedores” são obrigados a saber mais e mais a respeito da arte que estão a divulgar.
Desta forma, alterando apenas um pouco a expressão “vender ou ensinar” (tipicamente feudal) para uma versão mais “evoluída” e contemporânea, eu diria que “recebe-se uma retribuição (monetária ou meritória) por um ensino fornecido”.
A questão que se coloca para reflexão pessoal (e particular) é:
“HONESTAMENTE, quanto vale o “ensino” que eu forneço?” ou
“HONESTAMENTE, eu SEI aquilo que ensino?” ou
“HONESTAMENTE, eu estou a fornecer “qualidade” ou “gato por lebre”?



(^_^)

Texto de Joséverson Goulart, cuja contribuição se agradece.

domingo, 22 de abril de 2012

Pedagogia do Desporto

                                                                                                                    
O 2º Congresso da SOCIEDADE CIENTÍFICA DE PEDAGOGIA DO DESPORTO "PEDAGOGIA DO DESPORTO: Âmbitos e contextos" terá lugar nos dias 26 e 27 de Maio de 2012 em Vila Real, na aula magna da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).


OBJETIVOS DO CONGRESSO

1. Refletir sobre a “grelha” da intervenção pedagógica nos diversos contextos em Educação Física e Desporto.
2. Identificar a influência da contextualização na diferenciação da intervenção pedagógica.
3. Divulgar a investigação em Pedagogia do Desporto, bem como as suas metodologias e paradigmas.
4. Promover a confiança e a interação entre os investigadores em Pedagogia do Desporto.

Para os interessados, toda a informação pode ser encontrada aqui.

sábado, 21 de abril de 2012

Um novo escândalo no futebol

"Rebentou um novo escândalo no futebol, envolvendo o nome de Paulo Pereira Cristóvão, vice-presidente do Sporting.
O caso tem contornos rocambolescos: Rui Martins, ex-líder de uma claque de Alvalade e colaborador da empresa de segurança do dirigente sportinguista, ter-se-á deslocado ao Funchal, antes do jogo entre o Marítimo e o Sporting, para fazer um estranho depósito de dois mil euros na conta bancária de José Cardinal, um dos árbitros escolhidos para aquele jogo da Taça de Portugal.
Na sequência das investigações e das buscas policiais, o ex-inspector da Polícia Judiciária pediu imediatamente a suspensão do seu cargo directivo no Sporting. Mas logo a seguir decidiu voltar atrás, tendo conseguido impor, surpreendentemente, o seu regresso, após uma reunião do conselho directivo leonino que durou mais de nove horas.
As causas deste caso grotesco, que mais parece o pico de um iceberg, ultrapassam a chafurdice em que alguns clubes de futebol estão atascados.
Em primeiro lugar, é preciso afirmar que o caso Cardinal é o espelho do país, que julgou que podia vencer à custa de truques; em segundo, é a demonstração da existência de uma cultura de gangsterismo nos mais diferentes sectores de actividade; em terceiro, é um sintoma inquietante de que algo vai muito mal no universo da segurança privada, em que empresas e profissionais credíveis são obrigados a conviver com cowboys disponíveis para todo o serviço, quiçá para fazer o que até está vedado aos serviços de informações; em último lugar, é mais um exemplo da habilidosa tentativa de confusão entre a presunção de inocência e a assunção da responsabilidade ética, uma prática que tem contribuído para o aviltamento desconcertante do funcionamento do regime democrático.
 (...)
A mudança também passa pela escolha dos mais competentes e com provas dadas para travar quem tem alimentado o polvo de interesses difusos e instalados através de métodos repugnantes, seja no desporto ou em qualquer outra área.
Subestimar a capacidade de compreensão, escrutínio e reacção dos portugueses é muito mais do que um erro colossal, é um falhanço histórico sem perdão."

Trancrevemos com a devida consideração este excerto das Crónicas Modernas de Rui Costa Pinto, intitulado "Faroeste à portuguesa", publicado hoje no jornal "i", página 13, podendo ser lido na íntegra aqui.

Nota: negritos da nossa responsabilidade.

Filosofia do Desporto


Para os interessados, toda a informação  pode ser encontrada aqui.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O que sabe a medicina acerca do ser humano?

...
Durante o jogo Pescara-Livorno, da série B italiana, no passado sábado, ao minuto 31, o médio da equipa visitante, Piermario Morosini, de 25 anos, caiu em pleno relvado com uma paragem cardíaca. Não colocámos aqui mais esta "morte súbita" atempadamente pois aguardávamos as conclusões da autópsia na tentativa de um melhor esclarecimento... 

(fotos: «A Bola», 1 e 2)

Mas a autópsia de Morosini, que durou cerca de seis horas e foi praticada no Instituto Forense de Pescara, revelou-se inconclusiva quanto às causas da morte do futebolista italiano,

Fontes médicas italianas disseram que os primeiros exames realizados não revelaram causas evidentes da morte, pelo que será necessário proceder a mais análises durante as próximas semanas, tendo excluído, por agora, enfarte e aneurisma ( ver Record e Público). Segundo o médico Cristian D'Ovidio, será necessário "prosseguir com mais testes, incluindo a informação toxicológica" (Record).

Até agora nada mais conseguimos saber... é caso para perguntarmos "o que sabe a medicina acerca do ser humano?", pois nestes casos nunca nos chegam respostas concretas... 

E as "mortes súbitas" no desporto são mais que muitas...

Os valores segundo Bartoon, de Luís Afonso




...(Com a devida vénia, mais uma vez, Bartoon, de Luís Afonso, publicado no jornal «Público», 15.04.2012, p. 53) 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Fraudes no desporto...


Os argentinos tiveram "a mão de Deus" por Maradona contra a Inglaterra, no Mundial de 1986.

Nós tivemos "a mão de Vata". Comemoram-se hoje 22 anos - foi em 1990. "A «mão» de Vata coloca a bola na baliza do Marselha e permite ao Benfica a qualificação para a final da Taça dos Campeões Europeus", lê-se no «Record» de hoje, página 38.

No passado domingo, o segundo golo do Chelsea, atribuído a Mata, aos 49 minutos, foi decisivo para lançar o Chelsea para a qualificação para a meia-final da Taça da Inglaterra, ao vencer o Tottenham por 5-1. Isto porque a bola, na realidade, não entrou na baliza, ao contrário do que o árbitro assistente assinalou.

Para quando as novas tecnologias no futebol? Se algumas fraudes não são intencionais, outras nem tanto...
...

terça-feira, 17 de abril de 2012

REIHŌ (礼法) – A etiqueta, parte integrante do KARATE-DŌ (空手道) (2)


(conclusão do post anterior...)



Tanto no Kata como no Kumite, no começo e no final das aulas, no início e no fim do trabalho com o parceiro... fazemos sempre a saudação! Portanto, podemos afirmar com 100% de certeza que a saudação é algo que se faz em qualquer momento do Karate-dō! Ao entrar no dōjō e ao sair, ao executar técnicas, ao praticar ou ao competir com ou contra o “outro”... mesmo na vida do dia a dia entre companheiros de treino. E, assim sendo, o treino do Reihō é de uma importância vital para a prática do Karate-dō!

Se isso tudo é verdade, será que não estamos a negligenciar o significado mais elementar e simultaneamente mais profundo, a parte mais importante do Karate-dō? Não estaremos a ser indulgentes para com o respeito pela arte e pelo outro ser humano ao nosso lado, quer seja companheiro quer seja adversário?

人敬メールー、デゥー敬メー。
CHŪ UYAMĒRŪ, DŪ UYAMĒ.
Se respeitares os outros, eles respeitar-te-ão a ti.

Ao deixar de lado a prática do que deveria ser a etiqueta e os "bons costumes tradicionais" do Karate-dō, será que estamos a seguir a máxima acima indicada e aquela com que se iniciou o post anterior ou a etiqueta é mais um daqueles movimentos "automáticos" que se executa "porque nos foi dito que era assim"?

Será que não somos capazes de ver o que está diante do nosso próprio nariz?

Mas outro aspeto que é importantíssimo para além do Karate-dō começar e acabar com a saudação, é o "durante"... o espírito da saudação (o seu significado, o seu conteúdo, o seu valor) deve estar sempre presente (deve ser praticado e vivido) durante o decorrer da atividade: treino, competição, etc... É a vivência desse espírito no “durante” que depois é transferido para a vida diária!

O ensinamento é perpetuado pela prática do próprio Karate-dō... mas só há ensinamento quando existe aprendizagem…  e a etiqueta só é ensinada quando é aprendida e o “outro” demonstra que a SABE e a CONHECE!

一、空手道は礼にはじまりり、礼に終ることを忘れるな。
HITOTSU - KARATEDŌ WA REI NI HAJIMARI, REI NI OWARU KOTO O WASURERU NA.
Importante, não se esqueça que o Karate-dō deve iniciar com saudação e terminar com saudação.

Sabemos e damos a real importância à saudação na nossa "Via", no nosso "Caminho" do Karate-dō? A “Via”, o “Caminho” são o próprio Karate-dō e a etiqueta faz parte dele.

Lembrem-se que a força de uma construção está na força do seu pilar mais fraco. Se o pilar mais fraco não aguentar, toda construção desmorona.

Há que haver tempo durante o treino para “treinar o treino” do Reihō...

E terminamos aqui com as questões daquela criança que pela primeira vez foi assistir a um campeonato de Karate (1).

A certa altura pergunta ao pai:
– Porque é que aqueles senhores de gravata e casaco azul estão sempre a baixar a cabeça uns para os outros?
– É a saudação meu filho, é um cumprimento.
– Mas eles cumprimentam-se mesmo?

(1) Armando Inocentes, 2009, Ritos, Reproduções e Crenças: uma análise socio-pedagógica, in J. Salgado e L. Pereira, “Karaté: entre a tradição e a modernidade”, Lisboa, FNK-P, pp. 117-158.

 Nota: este texto foi redigido em conjunto por Joséverson Goulart e Armando Inocentes

segunda-feira, 16 de abril de 2012

REIHŌ (礼法) – a etiqueta, parte integrante do KARATE-DŌ (空手道) (1)


Em todos os estilos de Karate-dō, todos nós - sem exceção - sabemos que:

一、空手道は礼にはじまりり、礼に終ることを忘れるな。
HITOTSU - KARATEDŌ WA REI NI HAJIMARI, REI NI OWARU KOTO O WASURERU NA.
Importante, não se esqueça que o Karate-dō deve iniciar com saudação e terminar com saudação.

É um conhecimento tão fundamental como o próprio Karate-dō.

A questão que colocamos é a seguinte: como instrutores, treinadores, árbitros ou juízes, Sensei ou Senpai, sabemos o que esta frase significa REALMENTE? E se sabemos damos-lhe o devido significado e valor?

Permitam-nos lançar alguns questionamentos sobre o que sabemos ou não, de facto, a respeito desta expressão e do seu significado.

Sem necessidade de muito trabalho mental e pela observação direta, todos nós sabemos que - como Karateka - treinamos os Kata até a exaustão, analisamos cada movimento, seus graus de execução, de precisão e como estes serão avaliados; praticamos as técnicas de Kumite um número incontável de vezes, praticamos para ser precisos, rápidos, aprendemos a "pontuar" e, novamente, treinamos, treinamos, treinamos...

Mas quando é que treinamos - estamos a falar realmente de TREINAR - a saudação (Reihō, quer seja Zarei - sentada -, quer seja Ritsurei - de pé)?

Lembrem-se, estamos a falar da máxima acima mencionada...

As federações nacionais e internacionais de Karate-dō aquando da realização de cursos de árbitros e da aprovação dos mesmo, o que dizem a respeito deste assunto?

Um árbitro de Kata (ou Kumite) o que observa numa competição, o que vê primeiro? Sem precisar de muito tempo para responder, verificamos a "saudação correta" ou a "execução do primeiro movimento" do Kata no primeiro caso, ou a "técnica a pontuar" no segundo? Regra geral, os árbitros não observam a saudação no princípio do Kata (nem no final!) e esta COMEÇA e TERMINA o Kata! Regra geral, os árbitros não observam a saudação no Kumite e este COMEÇA e TERMINA na saudação! Atenção – sabemos que generalizar é um defeito e que nem todos os árbitros assim procedem, mas estes são a minoria das minorias!

Portanto a saudação FAZ parte tanto do Kata como do Kumite e é algo a ser avaliado também!

Mas isso só importa se entendermos o grau de "respeito" e "conhecimento cultural" que a saudação traz em si. A formalidade, a execução correta do movimento... como se de um Kata se tratasse, uma precisão e perfecionismo de movimento como se de um Kumite se tratasse.

Quando numa competição presenciamos o competidor de Kata e de Kumite fazerem a saudação de maneiras completamente diferentes – a de Kata por vezes é cheia de “rócócós” e de "nove horas" e a de Kumite é "vou ali e já venho" – qual o seu valor?

A questão crucial é que a saudação demonstra o nosso grau de respeito para com o painel avaliador (no caso dos Kata), os juízes e nosso adversário em combate (no caso de Kumite)... ou seja, demonstra o nosso grau de educação e o quanto "compreendemos" o significado da máxima que inicia este post!

Já num exame de graduação, o painel de examinadores preocupa-se e avalia isso? Aqui, estamos em crer que sim… Por que será?

Portanto, é necessário que SAIBAMOS o que estamos a fazer... e SABEMOS?!


Nota: este texto foi redigido em conjunto por Joséverson Goulart e Armando Inocentes, terminando no próximo post.

sábado, 14 de abril de 2012

Embaixador para a Ética no Desporto

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A nossa modalidade encontra-se de parabéns!
A convite de Sua Excelência o Secretário de Estado do Desporto e Juventude foi designado Embaixador para a Ética no Desporto o Presidente da FNK-P.

Ao Presidente João Salgado votos de felicidades e de um bom desempenho no cargo!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A OGKK España ...


           ... organizou o seu Campeonato Nacional 2012.
Os interessados poderão ver  as fotos disponíveis no blog de Carlos Garcia, aqui.
Para que se tenha a noção do que é um Campeonato Nacional Associativo!

Dívidas e verdade desportiva


Sobre os salários em atraso em Portugal, onde há futebolistas que não recebem qualquer verba há quatro meses, o presidente do Sindicato, Joaquim Evangelista, lembrou que a "credibilidade do futebol português" fica posta em causa perante esta situação (Obradovic, jogador da U. Leiria, teve que mandar a esposa e o filho de volta para a Sérvia por ter ficado sem dinheiro para sustentar a família.).
"Existe concorrência desleal e o respeito integral pela verdade desportiva é posto em causa quando uns cumprem e outros não. É fundamental encontrar uma solução para este problema", apelou.

domingo, 8 de abril de 2012

FADU - Campeonatos Nacionais Universitários


Realizou-se no passado dia 10 de Março, em Aveiro, o «CAMPEONATO NACIONAL UNIVERSITÁRIO KARATÉ 2011 | 2012» (quase há um mês!).

Campeonatos pouco ou nada divulgados, mas cujos resultados poderão ser consultados aqui.

Como curiosidade, o título coletivo foi para a Universidade do Porto (43 pts), ficando em segundo lugar a AAUM (28 pts) e em terceiro o IPP (16 pts).

A Matemática aplicada ao Karate-o (空手道) segundo o conceito de Bumbu Ichi (文武一)


Matemática, do grego μάθημα, transcrito máthēma, significa "ciência", "estudo", "conhecimento" ou "aprendizagem" e μαθηματικός, transcrito mathēmatikós, significa "apreciador do conhecimento".

Em "Elementos de Geometria", escrito por Euclides cerca de 300 anos antes do nascimento de Jesus Cristo, no livro VI, terceira definição, aparece o texto abaixo, em tradução castelhana feita na época pelo cosmógrafo do Rei de Espanha Filipe II, Rodrigo Zamorano, no ano de 1576: "dize se ser dividida una línea recta com razon extrema y media quando fuere que como se ha toda a la mayor parte, assi la mayor a la menor."


 
Na nossa língua, «diz-se que uma recta está dividida em média e extrema razão quando o comprimento da linha total está para a parte maior como esta parte maior está para a menor.» Dito de forma mais concisa: «O todo está para a parte como a parte para o resto.»*

 

 "Quod Erat Demonstrandum..."

* Fernando Corbalán, 2010, "A Proporção Áurea - a linguagem matemática da beleza", RBA Coleccionables, S. A.

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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Jenny Candeias e as negligências num Portugal de brandos costumes


Mais uma vez, não resisto a transcrever um excerto da opinião da Prof.ª Dr.ª  Jenny Candeias, na página 38 de «A Bola» de ontem, que nos fala de negligências e de um "Portugal de brandos costumes, num eterno jogo de cadeiras que termina quando cumprido o objectivo imediato: ganhar um assento. Apurar a verdade é secundário e logo se misturam bem intencionados com negligentes e oportunistas, sem que os primeiros receiem que, daqui a uns anos, todos possam todos ser olhados como iguais."

E sobre um "fenómeno" que anda pelos noticiários e pelo youtube diz-nos que "anda pela Net e TV, Johanna Quaas, de 86 anos, que há vários compete em torneios para seniores. Para uns é holandesa e Quann. Para outros é alemã. Uns, mostram-na em Leipzig/11 como se fosse em Cottbus/12. Diz-se que faz rítmica, enquanto se vê solo de ginástica de aparelhos. Já a situaram mesmo na Taça do Mundo de Cottbus/12, de artística. Estive para escrever sobre isto. Não vale a pena! Quando até licenciados em EF se desinteressam da origem e evolução histórica onde ela está integrada, bem diferente da nossa e que justifica o presente... Brandos costumes e ignorância, costumam dar boas parelhas."

Tem razão Professora! Não vale a pena! Não vale a pena escrever sobre muitas coisas que andam por aí... e não só na ginástica! Porque de facto brandos costumes e ignorância não costumam dar boas parelhas, dão boas parelhas!

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quarta-feira, 4 de abril de 2012

A expressão BUNBU ICHI (文武一) e o seu significado...


Há conversas que por vezes nos marcam... tal como me marcou aquilo que
Onaga Sensei (翁長 先生) me disse em 1981 sobre o significado de Mugen-kudō (道究限無), do mesmo modo me influenciou uma frase sua que retive desde o já distante ano de 2003: A prática do Karate-Do sem conhecimento não é nada”, rematando logo a seguir - "mas é com a procura e o sacrifício do corpo que vais adquirir esse conhecimento..."

Há muito que estava estabelecido um relacionamento Mestre-discípulo em que para quem ministrava o ensino, a prática e o treino do Okinawa Gōjū-Ryū Karate-Dō (冲縄剛柔流空手道) - e não só! -, não chegava um saber-fazer: era necessário também um saber-estar, um saber-ser mas principal e essencialmente um saber-fazer-ser.


E esse é o propósito fundamental da pedagogia - o "saber-fazer-ser". Essa é a responsabilidade de quem ensina!


Vem isto a propósito do que significa o conceito de BUNBU ICHI (文武一) - e aqui recorro a Joséverson San transcrevendo do seu blog, com o seu consentimento:

"Outro aspecto do treino dos guerreiros feudais, mais exactamente dos Samurai, era a expressão Bunbu Ichi, onde:

BUN - Literatura.
BU - Militarismo.
ICHI - O número um, nº 1.
 
Traduzindo literalmente significa "Literatura e Militarismo são uma única coisa".
Basicamente equivale à expressão ocidental "A pena e a espada em comum acordo".
Mas na realidade, este conceito vai um pouco mais longe.
Bunbu Ichi significa que "teoria e prática devem ser feitas na mesma proporção". Infelizmente, no ensino marcial contemporâneo, existem instrutores que afirmam que "estudar Karate não importa, o que importa é combater". O que estes instrutores não vêem é o óbvio diante dos seus narizes.
Se tradicionalmente a teoria e a prática devem ser treinadas como se fossem uma única coisa, então, o instrutor que só está interessado na parte prática do Karate só sabe 50% do que deveria ser Karate. E se não sabe 100% de uma matéria que se propõe a ensinar, está - de facto - em posição de "ensinar" honestamente?
Honestamente? Não! Porque - dado o alcance do seu conhecimento - não é capaz de responder ou tem poder de argumentação diante de questões literárias a respeito da arte que, como instrutor, deveria dominar a 100%.
Assim, para felicidade de determinados instrutores, onde só se justifica a prática do Karate e o "estudo" da arte está fora de questão, conceitos teóricos como "Bunbu Ichi" não foram muito difundidos aqui no ocidente; razão pela qual estes mesmos instrutores ainda podem dizer coisas disparatadas tal como: "karate só tem a ver com suar o karate-gi"...."


"A literatura (estudar) e o militarismo (treinar) devem ser como uma única coisa". O exemplo mais concreto que temos na nossa história é o de Luis Vaz de Camões...
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terça-feira, 3 de abril de 2012

Para os artistas que amam e admiram ARTE: 受手は撃手 [Ukete wa uchi te]


受手は撃手
Ukete wa uchi te
"As mãos que defendem são as mãos que atacam."

Agradeço a permissão de Denis Andretta, retirado do seu blog "Shitōryū Saichin News", presumindo que de autoria de Mabuni-kaiso.

... o que me fez recordar outro tipo de arte, arte poética:
"Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz."
(Manuel Alegre)





... o que me fez recordar outro tipo de arte, a escultura:

(fonte:problemas filosóficos)




... ou até a fotografia!

(fonte:pibbjovem.wordpress.com)
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Portugueses com bons resultados... Portugal com medalhas...


O Clube de Artes Marciais de Albufeira está de parabéns ao conquistar 5 medalhas para Portugal (duas de ouro, uma de prata e mais duas de bronze) na Taça do Mundo de Karate Kofukan World Cup 2012 Portugal, realizada no passado fim de semana em Carcavelos.

À União de Karate do Algarve, aos meus amigos João Dias e Luís Miguel Iglésias, assim como aos medalhados, as minhas felicitações.

(foto gentilmente enviada por Miguel Iglésias)

Embora desconhecendo restantes classificações, igualmente os meus parabéns a Albino Sousa do Karate Clube Capristano de Olhão, medalha de bronze em Kumite na sua categoria, assim como ao seu treinador.

Também de parabéns Luis Silva do Clube GRE Bonfim – CPK e o seu treinador, pois alcançou um dignificante 3º lugar em Kata no Open de Itália.

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

A minha ligação entre o Karate-Dō (空手道) e o Shodō (書道)


O meu primeiro contacto com o Shodō foi em 1981, quando resolvi perguntar a Onaga Ryōichi Sensei (翁長良一 先生) o que era aquele quadro por cima do altar onde estava o Busāganashī, no seu primeiro Dōjō em Vistalegre, Múrcia.

(À esquerda o primeiro Dōjō, em 1981 - embora não pareça, aquele jovem à sua direita, cinto verde, na altura 4º kyu, sou eu - e repare-se que o mesmo quadro se mantém no seu Dōjō atual - foto da direita, tirada no treino de aniversário de Onaga Sensei em fevereiro deste ano e cortesia do meu amigo Carlos Garcia.)

Após a pergunta,  a resposta:

 Shodō! - respondeu-me ele.

Como? - perguntei eu - Se estão lá quatro caracteres e Shodō só possui dois?

Shodō, é uma Arte, significa "O caminho da escrita". A Arte da caligrafia japonesa. O que tu queres é saber o significado do que está escrito no quadro... foi-me oferecido por um amigo meu, Mestre em Shodō...  

Sim, é isso Sensei...

O caminho é infinito… o que lá está escrito é Mugen-kudō (pronuncia-se mais ou menos como Munhenkudô) e significa “A via da pesquisa sem limites". Por muito que treines, por muito que estudes ou pesquises, nunca encontrarás um fim… terás sempre algo mais que procurar!
 

Tinha eu 25 anos e era apenas um 4º kyu…
Graças a Joséverson San, a quem agradeço, fiquei agora a saber o significado concreto de cada um dos ideogramas: MU - "Sem, não existir, inexistência"; GEN - "Limites, restrições"; KYŪ / KU - "Pesquisa, estudo (no sentido de pesquisar)" e DŌ - "Via, caminho"... este já é nosso conhecido.
Daí a importância que sempre dei nos meus treinos em ensinar aos meus alunos as características do estilo e o que quer dizer Gōjū-Ryū Karate-Dō (剛柔流空手道), assim como sempre procurei que soubessem identificar cada ideograma e saber qual o seu significado, tal como conhecerem as suas origens: Okinawa (沖縄), Higaonna Kanryō (東恩納寛量) e Miyagi Chōjun (宮城長順) (1888-1953).
Pouco tempo depois, a pesquisa levou-me a encontrar num livro editado em 1984 pela Penguin Books Ltd. (1), uma explicação mais pormenorizada sobre o que era o Shodō: “O pincel é uma extensão da nossa alma (…). Em  Shodō, não importa tanto a qualidade com a qual conseguimos reproduzir o estilo das letras, mas, sim, com que concentração, sinceridade e naturalidade permitimos que o eu interior se expresse através das pinceladas.
Em 1995 Teruo Chinen Sensei (知念 先生) demonstrou o seu Shodō quando me dedicou o nosso Dōjōkun (道场训) - as instruções do local do caminho filosófico, ou mais rotineiramente, as regras do Dōjō. 


Disse Joséverson San no seu blog: “No caso da escrita dos ideogramas (Shodō) e da arte militar (Budō), só aqueles que buscam o conhecimento tanto teórico como prático - conhecimento conseguido após muitos e muitos anos de estudo e treino - é que são capazes de detectar estas incorreções. Falhas que passariam - de outro modo - como sendo informações fidedignas. Estes Karateka é que são capazes de ver a beleza dos traços dos ideogramas, dos movimentos de um Kata ou das técnicas do Kumite... porque a beleza existe em todas as artes.” Karateka (空手家) que são experts, ou especialistas em Karate-Dō.
No Shodō o traço sublime (escrito ou pintado) é semelhante ao movimento sublime (técnica, kata - ou kumite - 組手) e a beleza só se revela e só existe quando e só quando ambos são corretamente executados e sentidos. Ambos levam o Ser Humano a transcender-se. Isso é Arte! Isso é Estética!
Tanto o traço como o movimento não existem por si sós - ambos possuem uma forma e um conteúdo, um significado, e são produtos do Ser Humano, do corpo que é cérebro e do cérebro que é corpo. Aqui se encontra a noção de motricidade intencional...
Mas esta ligação (simbiose) entre Karate-Dō (空手道) e Shodō (書道) vai muito mais além que essa motricidade intencional, essa arte e essa estética: “diz-se que a ética, a filosofia da prática, a pesquisa e a reflexão sobre o comportamento operativo do homem, quando se junta ao Este transforma-se em Est-ética…(2).

(1) Jackson S. Morrisawa e «Chozen-Ji/International Zen Dojo», s/d, “O Segredo de Acertar no Alvo”, São Paulo: Editora Pensamento.
(2) Isao Hosoe, in Khân, Gabriele Mandel, 2012, “Alfabeto Japonês”, Lisboa: Público, Comunicação Social, SA, p. 12.

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