terça-feira, 29 de novembro de 2011

黒帯驢馬 KURO-OBI ROBA. "O Burro Cinto Preto".


Era uma vez um comerciante muito rico que vivia a dizer que o seu burro era cinto preto de Karate-dô. Estava tão certo a este respeito que chegou a comprar um Karate-gi e um cinto preto à medida. Vestiu o seu burro com o karate-gi, atou o cinto à volta da barriga do burro e resolveu desafiar todos os mestres de todos os estilos de Karate para virem defrontar o seu animal!

Para tanto, decidiu escrever o seguinte cartaz:

DESAFIO QUALQUER CINTO PRETO A FAZER
ALGO A NÍVEL DE KARATE QUE O MEU BURRO
NÃO POSSA FAZER MELHOR!
RECOMPENSA:
Entrego imediata e gratuitamente todo o meu negócio comercial.

Espalhou cartazes por onde conseguia alcançar!

Passados alguns dias, alguém bate à sua porta:
- Toc, toc, toc!
- O que queres? - pergunta o comerciante.
- Vim desafiar o seu burro! - responde o truculento mestre de Karate.
Uns minutos após, os três, o comerciante, o burro e o mestre de karate dirigiam-se para a praça da cidade, onde seria o evento.
No local da competição, juízes a postos...
- SENHORAS E SENHORES, A COMPETIÇÃO VAI COMEÇAR! - ouvia-se nos altifalantes.
- E o que podes fazer de melhor? - pergunta o dono do burrito.
- Vou partir quarenta telhas com um Yoko-geri ("chute lateral")! - responde o mestre de Karate.
- Força! - diz o comerciante.
Tudo preparado. A população, aos gritos, apinhava-se para ver tal evento.
Telhas colocadas, o mestre prepara-se mentalmente por breves instantes e...
- KIIIIIIIIAAAAAAAAAAIIIIIIIIII!!!!!
- CRASHHHHHH!!
Quarenta telhas partida de uma ponta à outra!
Um verdadeiro espetáculo!
O comerciante olha para o seu burrito como se nada tivesse acontecido.
A população incrédula e agitada dividia-se sobre quem seria o vencedor.
O que viria a seguir?
Colocadas outras quarenta telhas em posição. É então que o comerciante diz:
- Não, não! Eu quero sessenta telhas!!
A população delira!!! Senhoras desmaiam, as crianças gritam... é a loucura total!
Colocadas mais vinte telhas... O burrito assume a sua posição com uma cenoura ainda a rodopiar na boca.
Ao toque do comerciante na orelha do burrito, este solta um grande "ió!!" ao mesmo tempo que dá um coice valente!
- CRASHHHHHH!!
Lá se foram sessenta telhas!! Todas partidas!
Foi a glória! O Burro havia derrotado um cinto preto de Karate de forma contundente!!
Vitorioso, o burrito volta ao estábulo com mais cenourinhas à sua espera.

Passados mais alguns dias...
- Toc, toc, toc! - batem à porta do comerciante.
- Ui! Deixa eu lá ver. Queres desafiar o meu burrito? Estou certo? - diz o comerciante.
- Sim! - responde o mestre de Karate com grandes calos nos nós dos dedos!
Lá foram eles novamente para a praça da cidade...
- SENHORAS E SENHORES, A COMPETIÇÃO VAI COMEÇAR! - ouvia-se nos altifalantes.
- E o que podes fazer de melhor? - pergunta o dono do burrito.
- Vou partir vinte blocos de pedra com um Gyaku-zuki ("soco invertido")! - responde o mestre de Karate.
Colocados os vinte blocos de pedra uns acima dos outros, a pilha sólida a ser partida era monstruosa! Parecia um pilar!
Tudo preparado, população, estações de rádio locais a transmitir o evento! Todos aos gritos, uns por cima de outros para ver tamanho espetáculo.
Telhas colocadas, o mestre prepara-se mentalmente através de um breve mokusô (“pensamento silencioso") e...
- AYÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!
- CRASHHHHHH!!
Vinte blocos de pedras partidos!!
Isso sim! Isso era realmente um feito extraordinário! Completamente fora do comum!
O comerciante olha para o seu burrito... e toma lá mais uma cenourinha!
Os colaboradores do evento voltam a empilhar mais vinte blocos de pedra para o próximo concorrente... E o que ocorre novamente? Exato!! O comerciante diz:
- Pára tudo, pára tudo! Eu quero trinta blocos de pedra!
Atendendo ao pedido do comerciante, mais dez blocos foram colocados.
A pilha de pedras que antes era uma monstruosidade agora estava gigantesca!
O comerciante - que não era burro - havia trazido uma plataforma que posicionava o seu burrito um tanto acima da pilha de blocos de pedras.
Ao ouvir o assobio do comerciante, o burrito zurrou como ele só... "iiióóóóó" e saltou da plataforma caindo com o seu pesado traseiro sobre a pilha de blocos de pedras!!
- CRASHHHHHH!!
Trinta blocos de pedras partidos!!
- Foi... foi... foi...
Não havia palavras para definir o que aquilo havia sido!
A população da cidade estava em êxtase.

Parecia mesmo que o burro era imparável!

Alguns até já o chamavam de "sensei Burro"!

Televisão, rádio, jornais... todo e qualquer meio de comunicação apenas tinha olhos e ouvidos para o burro que - na realidade - parecia mesmo ser cinto preto de Karate!!!!
Pois havia derrotado dois mestres sem grande esforço!

O comerciante que já era rico, ficou ainda muito mais rico - tantas eram as pessoas que, a partir deste momento, já apostavam enormes somas em dinheiro no burrito cinto preto!

Numa manhã,...
- Toc, toc, toc! - batem à porta do comerciante.
- Deixa eu lá ver. Queres desafiar o meu burrito? - diz o comerciante - com sorriso de orelha à orelha.
- Sim! - responde o mestre de Karate.
Lá foram eles novamente para a praça da cidade...
- SENHORAS E SENHORES, A COMPETIÇÃO VAI COMEÇAR! - ouvia-se nos altifalantes.
- E o que podes fazer de melhor? - pergunta o dono do burrito.
- Vais dar algum chute? - continua o comerciante.
- Não. - responde o mestre.
- Vais dar algum soco? - pergunta o comerciante, um pouco curioso.
- Não. - responde novamente o mestre.
- Então, o que sabes fazer? - pergunta o comerciante, já impaciente.
- Eu sei falar. - diz calmamente o mestre.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... Foi o silêncio geral!
- Porque... - continua o mestre - o que diferencia um verdadeiro karateka (um ser humano) de um burro com um cinto preto ao redor da barriga não é a capacidade de dar coices ou emprego da força irracional, mas a capacidade de falar, de debater, aprender e transmitir o que aprendeu.


Quanto ao final da história?!

O mestre não quis nada dos negócios do comerciante, porque - como o próprio mestre disse naquele dia: "Pode ficar com os seus negócios e com o seu burrito, pois a minha vida de karateka é muito atarefada. Com o pouco tempo que me resta diariamente, estudo o que eu ainda não sei... porque ainda tenho muito o que aprender sobre a arte que escolhi."

FIM

(^_^)


Conto de autoria de Joseverson Goulart, que amavelmente autorizou a sua transcrição, com os nossos agradecimentos. Publicada a 25 do corrente em http://jojimonogatari.blogspot.com/.

sábado, 26 de novembro de 2011


Aqui há tempos, no blog «Colectividade Desportiva», deixei um comentário que terminava com a seguinte parágrafo: “O que vamos nós fazer? Por mim vou continuar a ensinar e treinar crianças e jovens todos os dias da semana sem estar preocupado com medalhas. Só porque a criança, o jovem e o Homem estão primeiro que o desportista ou o competidor.

Logo um anónimo, daqueles que não dão a cara, comentou a seguir: “A sua ideia de "continuar a ensinar e treinar crianças todos os dias da semana sem estar preocupado com medalhas" é uma ideia banal, é o que todos os professores fazem, sem que o país evolua, tanto no Desporto como em qualquer outra área...
A sua ideia de que "a criança, o jovem e o Homem estão primeiro que o desportista ou o competidor" também é uma ideia banal, pouco exigente; e não há contradição na eventualidade de se conseguir tudo, incentivando os melhores a progredirem...

Hoje chamo a atenção para a crónica de Tomaz Morais publicada em «A Bola» ontem (25.11.2011) na página 38 e que a seguir respeitosamente transcrevo:

"Não ganha quem quer…

A tendência para reproduzir os seniores no desporto continua a ser um tema muito discutido entre técnicos e dirigentes. O mais fácil é a aplicação dos princípios, filosofias e metodologias que os mais velhos empregam, mas a vivência desportiva dos mais jovens é antagónica no processo e aplicação de sistemas de treino e competição. É indispensável que todos os que optam por investir o seu tempo no ensino e treino de crianças e jovens sintam que estão inseridos numa fase de preparação fundamental, cujas necessidades se apoiam no desenvolvimento de capacidades motoras, cognitivas e afectivas básicas. Nos seniores a preparação é orientada quase exclusivamente, para a optimização e maximização da performance dessas e outras capacidades. Não é difícil preparar um treino cheio de materiais e exercícios inovadores, que enchem o olho, mas podem ser vazios de conteúdo e significado. Na preparação de um treino para os mais novos deve ser considerado acima de tudo a integração de componentes que visem a exploração de cada um como um ser individual, com necessidades específicas e níveis de maturação distintos. As sugestões de grande simplicidade, mas com riqueza pedagógica, implicam um envolvimento construtivo do treinador para que os jovens se entreguem com entusiasmo e empenho na execução. Aprender bem os gestos técnicos mais elementares nestas idades significa muito em termos futuros. Fidelizar o jovem à modalidade e proporcionar-lhes riqueza técnica torna-o capaz de, mais tarde, responder às necessidades tácticas. Um dos segredos dos treinadores dos escalões de formação é a capacidade de criar formas jogadas e exercícios que cativem e concentrem os jovens na tarefa. Desta forma sentir-se-ão bem na modalidade e jamais deixarão de comparecer aos treinos. A retenção dos mais novos, fidelizando-os ao desporto, deve ser baseada numa integração constante para garantir uma capacitação e desenvolvimento em todas as áreas. Formar primeiro para ganhar depois é a pedagogia apropriada, infelizmente nem sempre aplicada. Não ganha quem quer, mas quem se prepara para ganhar!"


Provavelmente uma segunda leitura seria aconselhével para melhor assimilação!
Nem sempre concordo com o que Tomaz Morais escreve, e sou ninguém ao pé dele. Desta vez congratulo-o!
Mas seria bom que os Treinadores de Karaté percebessem e praticassem aquilo que ele aqui deixou escrito...

Seria???
...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Karate NÃO é Japonês.


Com a devida autorização do seu autor, publica-se um texto do blog Jôgi Monogotari, de Joseverson Goulart, que dada a sua importância merece ser trazido ao conhecimento dos leitores de Karate-do.pt. Com os nossos agradecimentos, aqui fica a sua transcrição.

"ARTES MARCIAIS

(bujutsu 武術) Também chamado bugei 武芸, agora comumente chamado budô 武道 ou "A Via Marcial" ou "O Caminho Marcial" são termos japoneses que englobam artes marciais como o Kendô 剣道 (esgrima japonesa), Jûdô 柔道 e Kyûdô 弓道 (arco e flechas). A antiga expressão bugei jûhappan 武芸十八般 (as 18 artes marciais) referia-se às seguintes artes:

01. 弓術 Kyû-jutsu - arqueria ou tiro com arco,

02. 馬術 Ba-jutsu - a arte do cavalo, hipismo,

03. 槍術 Sô-jutsu - arte da lança,

04. 剣術 Ken-jutsu - a arte da esgrima japonesa,

05. 水蓮 Suiren - natação,

06. 居合術 Iaijutsu - arte de desembainhar a espada,

07. 短刀術 Tantô-jutsu - a arte da espada curta,

08. 十手術 Jitte-jutsu - a arte do bastão dos oficiais do governo,

09. 手裏剣術 Shuriken-jutsu - a arte do lançamento de adagas,

10. 吹き矢術 Fukiya-jutsu - a arte do sopro de agulhas / zarabatana,

11. 薙刀術 Naginata-jutsu - a arte da alabarda,

12. 鉄砲術 Teppô-jutsu - a arte das armas de fogo,

13. 捕縄術 Hojô-jutsu/Hobaku-jutsu - a arte de nós e amarrações,

14. 柔 Yawara - o Jûdô contemporâneo,

15. 忍術 Ninjutsu - arte da espionagem,

16. 棒術 Bô-jutsu - a arte do bastão,

17. 錑術 Mojiri - a arte do bastão com picos em uma das extremidades e

18. 鎖鎌術 Kusarigama-jutsu - a arte da foice com corrente.

O karate não é considerado uma das artes marciais tradicionais japonesas, apesar de algumas vezes ser referido como tal fora do Japão. No período Edo (1600-1868), em adição às matérias acadêmicas, eram exigidas aos guerreiros que aprendesse seis artes marciais: esgrima, lança, arqueria, hipismo, jûjutsu (agora conhecido como Jûdô) e armas de fogo. Estas seis juntas com Gunji-senryaku 軍事戦略 "a estratégia militar" eram chamadas "As sete artes marciais". Estas eram ensinadas sob o nome Bushidô 武士道 (A Via - ou Caminho - do Guerreiro).

Após a Restauração Meiji (Meiji Ishin 明治維新 - 1868) o conteúdo das artes marciais mudou enormemente, refletindo o fato de que elas não mais deveriam ser utilizadas em combate e que já não eram de treino exclusivo da classe guerreira. Refletindo esta nova circunstância, o Bujutsu 武術 foi substituido pelo termo Budô 武道, implicando que deveria ser treinado mais sob princípios espirituais do que para o combate.

(...)

Depois da Segunda Guerra Mundial, houve a necessidade de modificar certas visões das artes marciais e (mudar) a ênfase de artes práticas com objetivo de defesa nacional para desportos que conferem maior harmonia e universalidade."

 
Em JAPÃO - PERFIL DE UMA NAÇÃO.
Publicado pela editora KODANSHA INTERNATIONAL, 1995 - Página 324.


Notas finais:

1. Isto são fatos históricos, portanto, quer muitos gostem ou não, não há como mudar a história do Japão para se adaptar às nossas conveniências a nível de ensino de artes marciais no ocidente. Posicionamentos caricatos, alienados, de ignorância histórica japonesa e afirmações do tipo "O meu estilo segue a tradição guerreira do antigo Japão" etc. definitivamente não refletem a realidade e tradição naturais das artes marciais que dignificam o Japão de ontem e de hoje. O respeito pela arte (marcial ou não) que se pratica também passa pela compreensão dos fatos históricos a ela ligados. A razão de o Karate não ser japonês exige - por parte de um certo tipo de instrutores desta arte - que tirem os seus traseiros do comodismo, desçam do pedestal de vaidade a que chamam graduações (DAN - cintos/faixas pretas) e humildemente ESTUDEM a arte que ensinam antes de difundirem disparates, tolices e ilusões que só na cabeça deles existem!

Uma sugestão: para iniciar, um estudo mais sério sobre a história de Ryûkyû (Okinawa) talvez não fosse uma má idéia para entender realmente o que é a tradição do Karate (?!).

2. Outra coisa que deve ficar bem clara é: por "princípios espirituais" entenda-se princípios espirituais japoneses para japoneses (porque eles têm o Shintô e o Budismo como guia filosófico-espiritual para os seus dia a dia) e não se aplica à civilização ocidental.

Instrutores mal informados que impingem uma treta religiosa no Karate deveriam parar com esta estupidez para o bem do próprio Karate... Pensando bem, nem chega a ser "treta religiosa no Karate", uma vez que não se vê nenhum monge com conhecimento efetivo e vivência religiosa a dar aulas - portanto - tais instrutores deveriam restringir-se ao que dominam e não inventem nada que não sejam capazes de fundamentar. Um DVD, um livro ou o Youtube não faz de ninguém um monge ou, pior, um samurai.

3. Assim sendo, o Karate deve ser praticado dentro do contexto no qual está inserido. Sem tretas, sem enganos, de forma honesta. Não precisa ser nenhum Albert Einstein para entender o que isso significa... principalmente deverá ter isto em mente quem for realmente um bom instrutor.



E nada mais tenho a dizer sobre este assunto.

 
Joseverson Goulart in http://jojimonogatari.blogspot.com/, 23 de Novembro de 2011.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Mais um "recuerdo"...


Torneio inter-associações, FPKDA, Porto, 1986. Kumite, shiro, embora quase sempre de costas nas fotos, mas sempre avançando e em cima do adversário. Mais um "recuerdo"... Tempos em que o controle, o foco e a concentração eram exigências máximas para se conseguir pontuar...


Lamentamos esta perda...


Segundo o blog 
http://karateshotokantrancoso.blogspot.com, do nosso amigo Eduardo Rafael, faleceu no passado dia 19 de Novembro, com 83 anos, em sua casa, Jacques Delcourt, fundador e presidente da antiga WUKO.

Um homem que deu muito ao Karaté competitivo, num tempo em que o kumite não se fazia com proteções de pés e pernas, tornando o controle muito mais exigente. Um tempo em que a competição não era ao "bota-fora" e em que na kata cada competidor tinha sempre uma segunda hipótese... 

Lamentamos esta perda...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

... e recordações antigas!


O passado tem destas coisas... momentos para recordarmos, recordações antigas!


Curso de Árbitros da FPKDA (1986? Liceu Camões?).
Na fila de baixo podemos ver os competidores que serviram de "cobaias" para os árbitros...
Na fila de cima identificamos a partir do segundo, João Coutinho, Álvaro Silva, Abílio de Almeida, Vilaça Pinto, António Pereira, Luís Barwani, António Sousa, João Ferreira, Vasco Canha, Jorge Monteiro e Botelho de Sousa. 


Curso de Formação de Karaté Infantil da FPKDA, 1987, ISEF, Cruz Quebrada.
Na foto de cima, ao centro na companhia de José Augusto.
Na foto de baixo, exercícios práticos com as filas "puxadas" por Jorge Viana, Luís Barwani, Armando Inocentes, Botelho de Sousa e Carlos Pereira.
...

domingo, 20 de novembro de 2011

Recordações atuais!


Desporto, Economia e Gestão


Decorreu no passado dia 17, em Cascais, o I Congresso Internacional de Futebol Profissional, que ficou mais conhecido por Football Tallks - é, o futebol tem destas coisas, o karaté não tem congressos... (excepção para o primeiro e último Congresso Nacional de Treinadores de Karaté - Janeiro de 2009 - ou para os Congressos Científicos de Artes Marciais e Desportos de Combate - o último, terceiro, em Maio de 2011).

Mas regressando ao Football Tallks, no mesmo, Karl-Heinz Rummenigge, conhecido futebolista campeão europeu pela Alemanha em 1980 e finalista no mundial de 1982 e 1986, declarou que "há muitos bons jogadores em Portugal, mas se calhar, são demasiados caros para nós" (JN, 18.11.2011, p. 49). Ora, Rummenigge é director-executivo do Bayern de Munique, o clube que teve um lucro de 290,9 milhões de Euros na época 2010/11, apesar da sua equipa de futebol não ter conquistado qualquer título (CM, 20.11.2011, p. 42).

Com estas afirmações e este modelo de gestão, não é de admirar que a Sr.ª Merkel, também alemã, dirija a União Europeia e, por arrastamento, Portugal...
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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Autonomia e independência


Na terça-feira passada, o Prof. Sidónio Serpa* alertava-nos para o facto de serem características fundamentais dos praticantes de alto rendimento a autonomia e a independência. Afirmava inclusivamente que “na verdade, será muito difícil que um atleta que sempre esteve dependente das instruções do seu treinador, venha a ter capacidade de responder autonomamente quando atinge uma idade que deveria corresponder a um nível de maturidade superior, mesmo que para tal venha a ser solicitado por quem o orienta na altura. A autonomia e independência nas respostas aos problemas colocados pela competição desportiva deve ser estimulado pelos processos metodológicos de treino ao longo da formação, estando intimamente ligados ao desenvolvimento pessoal para o qual deve contribuir o trabalho do treinador.” Realço desde já a utilização da palavra «dependente» na primeira frase.

Válido para o ser humano, para o atleta, e válido igualmente para as organizações e/ou instituições. No plano da gestão e da organização, se as mesmas não possuem autonomia e independência continuarão sempre reféns de algo… mesmo que julguem ou sintam os seus dirigentes que não.

Nas comemorações de ontem do 102º do Comité Olímpico de Portugal, Vicente Moura declarou que “há 10 anos tínhamos uma dependência do estado de 20 por cento e agora são uns 80”, mostrando-se satisfeito por estar a receber a tempo e horas os quatro milhões anuais para a preparação olímpica e já ter recebido 60 mil dos 660 mil previstos para a Missão (segundo o jornal «A Bola» de hoje, página 30). Realço também a utilização da palavra «dependência» no discurso.

A Lusa, através do Jornal de Notícias on-line de hoje, afirma que Vicente Moura revelou que o Comité Olímpico de Portugal assinou hoje três protocolos de patrocínio que representam 20 por cento de um orçamento que ronda os cinco milhões de euros.

Ainda segundo esta fonte, Vicente Moura declarou que "não é possível todo o desporto português viver na tutela do Estado", reafirmando a necessidade de encontrar formas alternativas de financiamento, depois de assinados os acordos com as empresas Modelo Continente, EDP e Procter & Gamble, que significam um encaixe de cerca de um milhão de euros. Não é possível mas vive...

No fim da cadeia alimentar, somos nós que pagamos estes patrocínios ao comprar no Modelo Continente, ao consumirmos energia elétrica, ao adquirirmos produtos da marca Gillette, Oral-B, Ariel, Tampax, Evax, Vick, pilhas Duracell ou eletrodomésticos Braun.

E termina o Prof. Sidónio Serpa a sua crónica afirmando que “os processos autocráticos na relação treinador-atleta não só estão culturalmente desajustados, como impedem a realização do potencial dos praticantes.

Mais uma vez, tal como para os indivíduos igualmente para as organizações e/ou instituições.

Tal como na nossa Federação se delibera autocraticamente que nos escalões de formação o painel de juízes de Kata pode ser constituído por 3 elementos (33,33% de poder para levantar a bandeira azul ou a vermelha para cada juiz) em vez dos normais 5 juízes (poder na ordem dos 20%, revelador de uma maior equidade).

Ou como na nossa Federação se organiza autocraticamente o actual modelo de competição nos mesmos escalões, em que alguns pais se deslocam por vezes cerca de 180 Km para o seu filho ou filha executar somente uma Kata ou disputar um Kumite… Bela pedagogia!



* “Estimular a autonomia”, «A Bola», 15.11.2011, p. 32.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Orgão sociais da FNK-P



Finalmente, embora com algum atraso, ficamos a conhecer os nomes daqueles que dirigem os destinos do Karaté no nosso país, ou seja, ficamos a saber quem são os nossos dirigentes.

Resta-nos saber quem são os delegados que representam os praticantes e os treinadores na Assembleia-Geral da FNK-P...

Retirada da página da internet da FNK-P com a devida consideração, aqui fica a constituição dos órgãos sociais:


Assembleia Geral
PresidenteElísio de Sousa
Vice – PresidenteManuel Castro
1º SecretárioRaquel Seixas

Direcção

Presidente da FNK-PJoão Salgado
Vice – PresidenteJorge Perestrelo
SecretárioÂngela Amorim
TesoureiroCarlos Silva
VogalJoão Garcês
[Departamento de Provas e Competições]
VogalBruno Santos
[Departamento de Relações Públicas e Marketing]
VogalCésar Silva
[Departamento de Informação]
VogalBruno Rosa
[Departamento de Formação]
VogalJosé Felino
[Departamento de Selecções]
SuplenteLeonardo Pereira
SuplenteFilipe Pamplona

Conselho Fiscal

PresidenteAntónio Belém
SecretárioFernando Morgado
VogalAntónio Caeiro
SuplenteTeófilo Fonseca
SuplenteJoaquim Soares

Conselho de Disciplina
PresidenteRui Bruno
SecretárioRui Nunes
VogalRita Garcia
SuplenteHenrique Botelho

Conselho de Justiça
PresidenteRicardo Sobral
SecretárioPedro Dias Ferreira
VogalGabriel Freitas

Conselho de Arbitragem
PresidenteJoaquim Fernandes
SecretárioAntónio Moreira
VogalJosé Chagas
VogalSusana Vieira
VogalJorge Palha
SuplenteHenrique Silva
SuplenteRui Inácio


terça-feira, 15 de novembro de 2011

O que é um exame de graduação?



Um exame de graduação faz parte do próprio Karaté. Não é a sua essência, mas pertence à sua tradição.

Um exame de graduação não se destina a aprovar ou reprovar um praticante... não se destina a atribuir um diploma ou a mudar de cinto... não se destina a dar uma graduação... Uma graduação conquista-se! Um exame de graduação não passa de uma avaliação do praticante em determinado momento.

Um exame de graduação não é mais do que um treino normal onde o praticante tem de mostar o que sabe, o que conhece, o que executa e como executa, em suma, um treino em que o praticante tem de demonstrar as competências adquiridas.

Um exame realizado por um Mestre que, sendo exigente consigo próprio, retira três horas três vezes por semana para o seu próprio treino e que todos os anos se desloca a Okinawa para durante um mês treinar com os seus colegas e com os séniores da sua associação, não pode ser um exame facilitista.

Um exame em que o candidato que se apresenta é o único presente no dojo não é um exame nem fácil, nem normal: antes pelo contrário! A exigência é levada ao extremo!

A aplicação do candidato nestas condições tem de ultrapassar todas as barreiras... o praticante transcende-se... atinge os seus limites e acaba por descobrir que os consegue superar... quer em termos físicos quer em termos mentais, quer em termos de resistência quer em termos de concentração, quer em termos de ação - reação quer em termos de rapidez na tomada de decisão...

Ser examinado entre dez, vinte ou trinta candidatos é uma coisa! Como é e o que é ser examinado como candidato único é outra coisa completamente diferente!...
...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mais um para a história!


Mais um estágio para a história. Curiosamente iniciado a 11.11.11... Um estágio para corrigirmos, para aperfeiçoarmos a nossa técnica, para atualizarmos as nossas competências...


Durante três dias, cerca de sessenta praticantes seguiram os ensinamentos do Sensei Onaga. Dos mais novos aos mais velhos, dos recentemente iniciados aos mais antigos, todos puderam beneficiar dos conhecimentos, da prática, da técnica e da pedagogia de um Mestre exigente consigo próprio e com aqueles que o seguem...

A preocupação do Sensei Onaga sempre presente em apoiar os mais jovens, em incentivá-los, em exigir sempre mais, mas dentro de uma dinâmica pedagogicamente produtiva quer técnica quer ludicamente...


Com crianças, com jovens, com adultos, com iniciados, com graduados, com instrutores, sempre a mesma preocupação: transmitir o seu saber e procurar que todos o acompanhem.


A entrega de diplomas de participação no estágio e dos recentemente graduados para 1º, 2º e 3º Dan...


No final, para além da oferta de um dístico com o símblolo da OGKK em Portugal, a entrega de uma recordação comemorativa dos 30 anos de seguimento dos seus ensinamentos...


E como sempre, para mais tarde recordarmos estes momentos passados em conjunto, os presentes...


Resta-nos esperar pelo próximo...
...

domingo, 6 de novembro de 2011

Sensei Ryoichi Onaga - esboço de uma biografia


O Sensei Ryoichi Onaga é natural de Naha, Okinawa, ilha do arquipélago Ryukyu, ao sul do Japão, berço do Karaté, onde nasceu a 5 de Fevereiro de 1948.
Iniciou-se na prática do Okinawa Goju-Ryu Karate-Do aos 16 anos, sob a orientação do Sensei Eiichi Miyazato, o sucessor do fundador do nosso estilo, Sensei Chojun Miyagi.

Sensei Miyazato e Sensei Onaga, em 1975, no Jundokan de Okinawa

Treinando intensa e diariamente, empenhando-se totalmente, adquire uma técnica excepcional, rápida, forte e correcta, chegando apenas em três anos a 1º Dan - aos 19 anos.
Já com a graduação de 4º Dan, é indicado para representar o nosso estilo em Espanha. A 12 de Setembro de 1972 chega a Múrcia, radicando-se nesta cidade. Em Fevereiro de 1973 inaugura o seu primeiro dojo - actualmente o European Hombu Dojo Gojunkan - e em 1977 cria a Associação Okinawa Goju-Ryu Karate-Do Kyokai de España, formada por vários dojos em diferentes localidades deste país, onde forma uma boa quantidade de excepcionais karatekas - basta apontar que em 2001 dois dos seus alunos conquistaram os 4º e 5º lugares no campeonato do mundo em Okinawa. 
Ao largo da sua trajectória, o Sensei Onaga formou numerosos instrutores que hoje em dia se encontram reconhecidos a nível internacional, os quais por sua vez, e sempre debaixo da sua supervisão,  repartem o seu ensino por toda a Europa e até por países da América.

(fotos: Associação Argentina Budokan - Okinawa Goju Ryu Karate-Do Kyokai , Sensei Mario Lugones)

Presidente da Okinawa Goju-Ryu Karate-Do Kyokai de España, membro da Comissão de Directores da Okinawa Goju-Ryu Karate-Do Kyokai do Japão, o Sensei Onaga dentro do dojo demonstra uma velocidade de execução das técnicas, um trabalho de ancas e a utilização de todo o corpo como um bloco de um modo impressionante. A sua execução da Kata, de qualquer Kata, é irrepreensível...
Adepto da perfeição técnica, aliada à dureza e flexibilidade que caracterizam o nosso estilo, o Sensei Onaga dá relevo ao que os praticantes sabem, executam e demonstram durante os treinos, em detrimento da graduação, já que não é esta que confere a técnica a um indivíduo - e aqui revela um grande princípio.
Os seus treinos, bastante duros e intensos, desenrolam-se de uma forma exigente mas humana, dando principalmente importância ao Khion e à Kata, as quais se praticam dezenas de vezes, enfatizando a Sanchin Kata a fim de testar os praticantes. O Kumite, assim como a competição, são relegados para uma posição inferior, já que o Sensei Onaga defende que um bom praticante tecnicamente também será um bom competidor, tendo cada um o seu estilo próprio na aplicação livre e eficaz das suas técnicas - o que revela outro grande princípio.

Tive a oportunidade de treinar pela primeira vez no dojo do Sensei Onaga em Dezembro de 1981 - no próximo mês completar-se-ão 30 anos. Durante uma semana pratiquei intensamente sob a sua orientação e por ele fui graduado cinto castanho. As duas primeiras vezes que convidei o Sensei Onaga para vir a Portugal foram respectivamente em 1985 e 1987. Variadíssimas vezes me acolheu em Múrcia para conseguir beneficiar dos seus ensinamentos. Em 1992 tive o privilégio de participar num estágio com o seu Mestre de sempre, o Sensei Miyiazato (na altura 10º Dan, falecido em 1999), e com  o seu colega Shinzo Chinen (recentemente falecido). A partir da fundação da PGKS, todos os anos se tem deslocado a Portugal a fim de realizar um estágio e repartir os seus conhecimentos comigo e com os meus alunos. É para com este Mestre que temos um sentimento de dever, de obrigação, o que para nós é uma responsabilidade acrescida.

O Sensei Onaga ostenta atualmente a graduação de Hanshi, 9º Dan, e é o Instrutor-Chefe para Espanha e representa a OGKK em toda a Europa.

No próximo domingo, por esta hora, já teremos terminado mais um estágio...
...

sábado, 5 de novembro de 2011

Os assistentes entre os 11 e os 14 anos


Com o título "Os assistentes entre os 11 e os 14 anos", Rui Alexandre Jesus publicou no jornal «Record», no dia 2 do corrente (http://www.record.xl.pt/opiniao/cronistas/juizo_perfeito/interior.aspx?content_id=724702) a seguinte crónica que transcrevemos com a devida reverência:

"A dificuldade de recrutamento de árbitros está a chegar a um limite que começa a colocar em risco a prática da modalidade. Neste contexto, a Associação de Futebol de Lisboa (AFL) entendeu procurar uma solução que resolveria o problema nos escalões abaixo dos 14 anos.

Devemos equacionar as possíveis consequências da alteração nas regras do jogo que um comunicado oficial trouxe consigo. O que está “em campo”, a esta data, é a possível indicação de jovens jogadores com idades entre os 11 e 14 anos, para exercerem funções de árbitros assistentes, em jogos dos seus “colegas”.

Centremo-nos em dois pontos de análise essenciais:

1.º: Há, ou não, uma alteração de regulamentos sem qualquer debate prévio com os agentes desportivos envolvidos e determinada por mera decisão de uma das entidades da estrutura associativa?

2.º: Há, ou não, uma obrigatoriedade de cumprimento daquela determinação, sendo que estão obrigados a respeitá-la só os clubes e seus dirigentes, ou também os jovens jogadores “chamados à função”?

Primeira observação: o que está em causa é a alteração do Regulamento das Provas Oficiais, que tem claramente uma norma alterada, no Capítulo 117, dedicado à Arbitragem. Poder-se-á entender que choca com o princípio da proteção da confiança e segurança jurídica, que deve ser respeitada por qualquer entidade cujas decisões afetem os associados.

Segunda observação: em nenhum momento é feita referência à natureza voluntária ou facultativa de adesão. Ora, todos os clubes, dirigentes e jogadores ficam obrigados ao rigoroso cumprimento e execução do que seja veiculado nos comunicados oficiais.

Assim, muitas dúvidas ficam quanto à eventual aplicação do Regulamento Disciplinar para as competições em causa, quando, por exemplo, algum jovem de 12 anos receba ordem de um dirigente para assumir funções de arbitragem e se recuse.

Uma vez que a AFL veio afirmar publicamente que o que se passa é uma mera experiência para avaliação durante a corrente época, caberá aos agentes desportivos afetados cuidar de apreciar a validade desportiva da mesma. Juridicamente, será ainda cedo para tirar conclusões."

Aí temos o futebol a resolver os seus problemas! O problema da falta de assistentes... Juridicamente ainda será cedo... pois até resta saber se ser assistente é uma atividade remunerada (será trabalho infantil?). Pedagogicamente até poderá ser útil "sentar" os jovens futebolistas no outro lado da barricada, de modo a olharem o jogo com outros olhos. Mas lá está o tal problema levantado por Rui Alexandre Jesus: é obrigatório ou facultativo? E escolher como e quem, e quais os critérios?

Mas aqui está uma maneira do Karaté resolver as situações da arbitragem de Kata nos escalões de formação (infantis, iniciados e juvenis), quando estes jovens só são avaliados por 3 juízes e não por 5. Há falta de juízes? Em caso afirmativo, sentam-se 3 em vez de 5! Até aqui tem imperado a posição de que "é a mesma coisa". Mas em 3 juízes cada um possui 33,33% de poder para levantar a bandeira azul ou a vermelha. Em 5 juízes esse poder passa para 20% havendo uma maior equidade. A equacionarem-se os mesmos problemas que no futebol, concluímos que manter a situação atual "não é a mesma coisa"...
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