sábado, 31 de março de 2012

Notícia triste!


Faleceu esta semana Millôr Fernandes, o homem que disse que precisamos de um código de falta de ética.


Descanse em paz, mas parece-me que continuará à espera de tal código!

quinta-feira, 29 de março de 2012

O que é necessário para se chegar à execução desta primeira Gekisai (撃砕) aos 7 anos?

video

A primeira resposta que nos ocorre claro que é a de que só a transmissão do gesto técnico não chega... há que saber e conhecer o que é uma Kata (型)... e para isso há que utilizar métodos pedagógicos que permitam à criança compreeender isso.

A segunda resposta que nos vem à ideia é que a criança precisa ser assídua aos treinos, estar com atenção e concentração, aplicar-se, ser paciente e não desistir perante as adversidades.

E surge-nos logo outra resposta: a par da técnica, do modelo da tarefa fechada, há que explorar capacidades condicionantes e coordenativas de uma forma lúdica. Imprescindível nestas idades trabalhar o domínio do corpo, o domínio do objeto (objetos físicos que se manuseiam mas também objetos que reajem, tal como o parceiro ou o adversário), trabalhar o domínio da exploração espácio-temporal e principalmente os domínios da psicomotricidade e da sociomotricidade.


Classes com poucos alunos, o mais homogéneas dentro das possibilidades, e qualidade em detrimento da quantidade também são bons parâmetros para o sucesso...

アルマンド  イノセンテス

Mesmo em tempo de férias escolares, há alguns "heróis" que teimam em treinar...

De cabeça perdida - Rui Santos


Rui Santos é jornalista comentador da SIC e cronista do jornal «Record», onde publica hoje, 29.03.2012, na página 2 da edição impressa, a crónica que aqui transcrevemos parcialmante, com a devida vénia:

Os árbitros quiseram deixar de ser “anónimos” e contribuíram muito para aquilo que (de grave) está a acontecer. Quiseram adquirir importância e notoriedade.
Quiseram alcançar o estatuto de “estrelas”, a par de jogadores e treinadores. Os árbitros fazem-me lembrar aquelas “figuras públicas” que, num determinado momento das suas vidas, se colocam a jeito das revistas cor de rosa, e, depois, já cansadas de tanta exposição, queixam-se de não ter privacidade. Contudo, nada justifica – nem essa irresistível queda no “caldeirão da fama” – a entrada em cena do monstruoso Big Brother, capaz de tornar acessível a todos aquilo que deve ser do domínio privado, em nome da protecção do valor da cidadania.
Por mais resistência que se peça aos portugueses, não se trata de um caso de pieguice. É um caso muito sério de “direito à segurança” que não se pode nem deve alienar.
Outra coisa, bem diferente, é a chamada de atenção para as deformações do sistema, que potenciam o erro. O erro de facto e o erro por influência.
Em relação ao erro de facto já todos percebemos que numa superfície de 120x60 metros, mesmo com a ajuda de 2 ou 4 auxiliares e de um 4º árbitro, não é fácil decidir bem em todas as situações. É para isso que servem as reformas. O Mundo avança e o futebol está parado. Há algum paradoxo maior que este? A competição tornou-se mais rápida, mais atlética, mais “científica”, alcançou uma dimensão “industrial” e “comercial” compatível com a sua capacidade de gerar receitas (não confundir com a capacidade também enorme de destruir essas receitas…) mas as “leis do jogo” não acompanharam a evolução das sociedades modernas nem do futebol em si mesma. É também por isso que se estagnou nesta visão de erro por influência. É sobre ela que recaem há muito as atenções (e as movimentações), com maior prevalência nos países latinos.
Em vez de reformas, a persistência na manutenção ou na mudança das plataformas que geram essas influências.
(…)


Criminalizar a gestão danosa - Rui Rangel


Rui Rangel é Juiz Desembargador  e publica hoje no Correio da Manhã a seguinte crónica que transcrevemos na íntegra, com a devida consideração:

Um membro do Banco Central da Islândia disse que Portugal deve investigar quem está na origem do elevado endividamento do Estado. Disse, ainda, que é preciso ir aos incentivos e saber quem ganhou com isto, quem puxou os cordelinhos porque o fizeram e o que fizeram. Só por estas declarações este simpático islandês nunca podia ser português! Recorda-se que na Islândia o Primeiro-Ministro foi julgado por gestão danosa e por incompetência grosseira na gestão da coisa pública.
Esta receita de moralização da vida pública, que responsabiliza quem puxou os cordelinhos públicos, jamais fará parte da formação cívica da nossa classe política. Entre nós, o resultado do desastre financeiro provocado por gestão ruinosa e por incompetência grosseira dos dinheiros públicos, foi o de obrigar toda a gente a pagar a crise que só uns criaram. Procurar os responsáveis políticos pelo elevado endividamento do Estado, saber quem ganhou com isto é assunto que não interessa. E se disserem que é preciso responsabilizar criminalmente os políticos, é considerado um "herege", que merece ser lançado à fogueira. Não cabe nos pergaminhos da democracia julgar, criminalmente, os políticos responsáveis pelo défice monstruoso que deixaram. Dirão, ainda, que o que querem é judicializar a política. Este disparate está na linha de pensamento daqueles que, agora, querem uma petição dirigida ao Parlamento para fazer uma investigação à investigação criminal do processo ‘Casa Pia’. Santa ignorância!
Aqui no nosso burgo o que se pretende é perseguir cidadãos que pouco têm, por prestarem declarações falsas às finanças. Mas deixa-se de fora os dirigentes políticos que levaram Portugal à falência. Saber porque o fizeram e o que fizeram não faz parte das preocupações da agenda política. Em nenhuma democracia civilizada a actividade política escapa ao escrutínio da sanção penal. Não se pode prescindir da criminalização da actividade política, sendo esta a única maneira de salvar a política. A responsabilidade criminal é a forma mais eficaz de moralizar a política e a única que permite responsabilizar alguém, depois de largar o cargo, seja porque perdeu as eleições, seja por vontade própria. A mera responsabilidade política é curta e insuficiente e não garante que essas pessoas não voltem a desempenhar cargos importantes. Estar habituado a exigir dos outros que prestem contas não é o mesmo que as dar. Este é um dos males da nossa democracia. Alguém que autoriza de forma arbitrária encargos financeiros elevados sem mandato, só na via criminal deve encontrar o caminho da redenção e/ou da prisão. Aqui deixo um provérbio, para pensar: "o verdadeiro herói é aquele que tem mais coragem contra si mesmo".

terça-feira, 27 de março de 2012

Ratos... e ratazanas!!!


Rato: nome genérico dado a diversos mamíferos roedores pertencentes à família Muridae
. A Ratazana, da mesma família embora maior, é um animal com um estigma muito forte na sociedade, associado a doenças e pragas de outros tempos. Nos dizeres do dicionário online de português, na gíria brasileira "ratazana" significa "indivíduo ladrão". Segundo o EcoPro as ratazanas têm a visão pobre, entretanto excelente olfato, tato, audição e paladar, sendo mais agressivas que os ratos pretos...


Íamos dizer que há por aí muitos ratos e ratazanas... mas não, queremos apenas dar a conhecer um número de Geronimo Stilton da Editorial Presença dedicado a uma modalidade que conhecemos...

Alexandre Magno


Encontrando-se às portas da morte, Alexandre convocou os seus generais e comunicou-lhes os seus três últimos desejos:

1 - que o seu ataúde fosse levado aos ombros e transportado pelos melhores médicos do reino;
2 - que os tesouros que tinha conquistado (prata, ouro e pedras preciosas), fossem espalhados pelo caminho até à sua tumba:
3 - que as suas mãos ficassem balançando no ar, fora do ataúde e à vista de todos.

Um dos seus generais, assombrado por tão insólitos desejos, perguntou a Alexandre:

- Porque razão pretende que assim se faça?

Alexandre explicou:

- Quero que os mais eminentes médicos carreguem o meu ataúde para que percebam que perante a morte não têm o poder de curar. Quero que o solo seja coberto por meus tesouros para que todos possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem. Quero que as minhas mãos se balancem ao vento para que as pessoas possam ver que viemos com as mãos vazias e com as mãos vazias partimos.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Obi (帯) ou Hachimaki (鉢巻)?


Continuando com o que Carlos Camacho nos apresenta no seu blog «Karate-Do», aqui fica mais um conto retirado do já referido livro "Budo Secrets: Teachings of the Martial Arts Masters" que se refere igualmente aos inícios do Gōjū-Ryū (剛柔流).


O melhor aluno de Higaonna (東恩納) foi Miyagi Chōjun (宮城長順) (1888-1953), o verdadeiro fundador do Gōjū-Ryū (剛柔流) .
Miyagi (宮城) tinha muitos alunos, mas não lhes conferia os graus Dan (段), embora esse sistema de classificação fosse adotado por quase todas as outras artes marciais.
Miyagi (宮城) achava que os sistemas de graduação criavam níveis artificiais de obtenção dos mesmos, e as pessoas seriam julgadas por seus graus e não pelo seu caráter. Miyagi (宮城) instruía seus alunos a manterem em sigilo o fato de que praticavam o Karatê (空手道), em claro constraste com os alunos de outros locais de treinamento, que se vangloriavam de seus graus Dan (段) .


Para meditarmos, pois há aqueles que confundem um Obi (帯)  com um Hachimaki (鉢巻), e em vez de usarem a faixa à cintura usam-na na cabeça!

domingo, 25 de março de 2012

Ensinamentos em mãos erradas...


Carlos Camacho apresenta-nos
aqui, no seu blog «Karate-Do», um conto retirado do livro "Budo Secrets: Teachings of the Martial Arts Masters" (de John Stevens, 2001, Boston, Shambala Publications, Inc.) relativo aos primórdios do Gōjū-Ryū (剛柔流).

Higaonna Kanryō (東恩納寛量) (1853-1916), considerado o pai do estilo Gōjū-Ryū Karate-Dō (剛柔流空手道), levava uma vida frugal.
Apesar de ter pouco dinheiro, não aceitava pagamento de seus discípulos, e somente permitia que o presenteassem com comida uma ou duas vezes por ano.
Os discípulos de Higaonna (東恩納) achavam que um professor tão bom merecia ter uma quantidade maior de alunos e sugeriram que ele colocasse uma placa no seu local de treinamento, como faziam os outros mestres.
Kanryō (寛量) recusou: “Se eu pendurasse uma placa, seria o mesmo que convidar qualquer um a vir treinar, e isso é inaceitável. Ensinar uma arte marcial é como dar uma arma a alguém. Se a pessoa errada receber essa arma, pessoas inocentes vão ficar feridas.

Para meditarmos, pois parece que há ensinamentos que andam por mãos erradas e pessoas há que podem ficar "feridas"...


A morte continua a rondar o desporto


Esta semana,
Fabrice Muamba, jogador do Bolton,  caíu inanimado em pleno jogo da Taça de Inglaterra com o Tottenham. Esteve “morto” durante 78 minutos, apesar dos 16 choques que lhe foram ministrados com o desfibrilador. Felizmente está a recuperar…


Ontem, "dia negro para o voleibol italiano que chora a morte de Vigor Bovolenta. O ex-internacional transalpino, de 37 anos, perdeu a vida durante uma partida do campeonato B2 de Itália.
As equipas médicas ainda tentaram reanimar o atleta, depois deste se ter sentido mal durante o jogo entre a sua equipa, o Forlì, e o Lube Macerata, mas Bovolenta viria a chegar ao hospital já sem vida.
Vigor Bovolenta atuou 197 vezes pela seleção do seu país, tendo conquistado a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta’1996." (Jornal «Record»).

Os últimos ensinamentos que nos foram deixados por um grande Mestre: Miyagi Chōjun (宮城長順)


Não ser atingido por outros.
Não atingir os outros.
O princípio é a paz sem incidentes.
Estas são as minhas regras fundamentais.


Dissipar dúvidas...


Mais uma colaboração de Joséverson San enviada por e-mail e que agradeço, para dissipar eventuais dúvidas. Diz o seguinte:
"Decompus a caligrafia do Mestre Ôyama a fim de tornar visível o que ali está."

Fantástico como a comunicação social não apresentou mais um "golpe de karaté"!

(foto: Luís Forra/Lusa, jornal «i», 24.03.2012, pp. 48-49. Jogo Olhanense-Benfica, intervenientes Rui Duarte e Aimar.) 

Árbitro agredido por um juvenil


Numa colaboração que agradeço, aqui deixo o teor de um e-mail que me foi gentilmente enviado por uma colega atenta aos problemas da Ética no Desporto:

Caro Armando:
Aqui vai mais uma para o “Plano Nacional de Ética no Desporto”, publicada hoje no Correio da Manhã, pág. 35.
   «Jogo Sanguêdo-Lobão Árbitro agredido à cabeçada»
   “O árbitro do jogo de futebol de juvenis entre Sanguêdo e Lobão, em Santa Maria da Feira, foi ontem agredido à cabeçada por um jogador do Lobão. O atleta bateu na boca do juiz depois de ter sido expulso da partida, disputada no campo do Sanguêdo.
   O jogo dos juvenis da 2ª Divisão Série A da Série dos Últimos estava na segunda parte quando os jogadores se exaltaram. O árbitro, de 21 anos, mostrou o cartão vermelho e foi agredido. A partida, que dava a vitória ao Sanguêdo por 3-0, foi dada como terminada. Os Bombeiros de Lourosa levaram a vítima para o hospital. A.S.C./F.M.”

Num jogo de juvenis? Um árbitro com 21 anos que deve estar no início da carreira? Confesso que não sei o que é a 2ª Divisão Série A da Série dos Últimos, mas sei o que é um «juvenil» e o que é uma «agressão». O que irá fazer o PNED para evitar que situações destas se repitam?

Resto de um bom domingo.
Luísa Costa

sábado, 24 de março de 2012

Estágio JKF Goju-Kai em Portalegre


Não queremos deixar de divulgar aqui o estágio da JKF Goju-KAI em Portalegre, a 31 de Março, mesmo apresentando aqui o «corpo do delito», pois consideramos que algo falhou na publicidade...

 "Todos temos qualidades e defeitos; o sábio procura imitar as qualidades que percebe nos outros e evitar os defeitos." São palavras de Funakoshi Gichin (船越義珍) *.


Veja-se o post abaixo "Ignorância, descuido ou falta de revisão?" e respetivos comentários... e tiremos as devidas conclusões! O Gōjū-Ryū Karate-Dō (剛柔流空手道) merecia outra consideração...

* "Karatê-Dō - O meu Modo de Vida", editado em 1975 pela Kodansha International, Lda., traduzido por Euclides Luiz Alloni, s/d, na versão da Editora Cultrix, São Paulo, página 116.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Com razão ou sem razão, injustificável!


O momento em que uma jornalista da AFP é agredida por um agente da PSP na passada manifestação de 5ª feira (foto: Hugo Correia/Reuters, «Público», 23.03.2012, p. 4-5):


Uma máquina fotográfica dispara, pode ser uma arma, mas não mata ninguém... Que país este?


Já após este post inicial editado, encontrei esta montagem da ação com imagens da tvi-iol, tendo apurado que se trata da fotojornalista da France Press Patrícia Melo...

 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Paixão por palavras - Jenny Candeias


Mais uma vez chamo aqui a atenção para a coluna de opinião da Prof.ª Dr.ª Jenny Candeias, publicada hoje em «A Bola», na página 30, porque merece ser lida. Uma crónica sobre o papel da arbitragem... sobre árbitros e bom senso... sobre competências e interesses...

Com a devida consideração transcrevo apenas a parte final:

"Estes árbitros lidam com adultos e profissionais. Imagine-se os que trabalham com amadores e crianças! Há resultados que chegam a depender do senso comum/interesses, do seu desleixo ou distração ou de formação deficiente. Quando não dependem de interesses patrióticos,  simpatias clubísticas ou afinidades pessoais. Se não existir orientação independente do poder, acabam por desacreditar o desporto que deveriam valorizar pelo bom senso da verdade, em nome dos interesses de um senso comum. No desporto, sempre julguei que bom senso coincidia com ética e correta aplicação das normas. Estamos sempre a aprender."

Ignorância, descuido ou falta de revisão?


Joséverson Goulart (ex-praticante de Gōjū-Ryū - 剛柔流 e Professor de Japonês), Denis Andretta (praticante de  Shitō-Ryū - 糸東流) e Adriana Sati Tanaka (praticante de Shōtōkan - 松濤館)   são experts que mostram preocupação em transmitir os seus conhecimentos de língua japonesa aos karateka (空手家).

A tal ponto que esta última, no último post do seu blog coloca a questão: "Para praticar karate devo ajaponesar-me? CLARO QUE NÃO!". Mas já anteriormente tinha abordado o assunto: "Quem pratica karate deve aprender a língua japonesa? Deve sim adquirir um conhecimento básico, nem que seja o mínimo.

Colocarem num cartaz de um estágio de Gōjū-Ryū  (剛柔流) o símbolo/ideograma do Kyokushinkai (極真会) é uma calamidade! Como diz David Morrell, no Japão "se não podemos controlar as calamidades que o mundo inflinge sobre nós, podemos, pelo menos, controlar a disciplina e a dignidade com que encaramos essas calamidades".




As diferenças de ideogramas são notórias. Por muitas competências, conhecimentos e sabedoria que possam ter os orientadores desse estágio, sentimo-nos, como praticantes de Gōjū-Ryū (剛柔流), enganados. Claro que o cartaz pode não ter sido elaborado por esses experts, os organizadores podem não saber japonês, claro que os designers podem nada saber de Karate-Dō (空手道), mas  nas Artes Gráficas há uma situação que se chama "revisão"... e aí deveriam ser chamados esses experts a opinar!

Ficou o cartaz mais bonito com um "arabesco" no centro? Ficou, mas, por favor, deixem de enganar os incautos!
アルマンド  イノセンテス

terça-feira, 20 de março de 2012

Diferenças e semelhanças (II)


"O  talento não se compara, o impacto de cada um no clube também não, mas Gaitán imitou Eusébio na forma e postura como foi buscar a bola ao fundo das redes de Paços de Ferreira, depois de ter feito o 1-1.   Tal como o ‘pantera negra' no Mundial – 1966, frente à Coreia do Norte (5-3), o argentino transmitiu à equipa a ideia de que a reviravolta era possível", lê-se em «A Bola» de 13 do corrente, na sua página 5, sob as fotos de Nuno Ferrari/ASF e Vitor Garcez/ASF, numa referência ao jogo Paços de Ferreira – Benfica que terminou em 1-2.



Com as devidas diferenças, (as modalidades não se comparam, muito menos os intervenientes!) modestamente acrescentamos uma foto de 1986 (do nosso acervo pessoal) de uma fase de Shihon Kumite (四本組手) * onde no entanto poderemos constatar uma semelhança de comportamentos: a determinação, a tomada de decisão, a objetividade na ação, a persistência…

Pretendemos com este derradeiro post demostrar que não existem assim tantas diferenças entre diferentes modalidades...

* - combate contra quatro adversários
アルマンド  イノセンテス

Diferenças e semelhanças (I)


Ganhar por vezes não perdura por muito tempo, mas merece ser recordado...



... a derrota por vezes permanece muito tempo mas torna-se irrelevante!


Condicionalismos do desporto, pelo que devemos aprender com ambas!

Mas a vitória em si mesma, após estar consumada, já não é nada e encaminha para tarefas novas e superiores (Jorge Olímpio Bento, 1995), até porque ganhar não é tudo nem a única coisa e perder não constitui obrigatoriamente um fracasso (Olímpio Coelho, 1988).


segunda-feira, 19 de março de 2012

Algumas homenagens a Homens Bons...


Ontem, o homem de quem todo o país se riu, riu-se de todo o país. Se «de manhã na caminha é que é bom», é porque o corpo e a mente necessitam de períodos de recuperação. A sua dedicação e a sua preserverança destruiram o mito! Marco Fortes venceu a prova de lançamento de peso em Montenegro, com o novo recorde nacional de 21,02 metros.

Ontem faleceu um Homem esquecido. Homens Bons são sempre esquecidos. Tal como José Torres foi esquecido, António Leitão também o foi. O bronze nos J. O. de Los Angeles, em 1984, nos 5000 metros, atrás do suiço Markus Ryfeeel, que viria a ser apanhado com doping pouco depois, foi ofuscado nesses jogos pela medalha de ouro de  Carlos Lopes e pela de bronze de Rosa Mota (maratona é maratona...). Medalhado aos 24 e abandonando a competição aos 31, não merecia morrer aos 51 anos.

Hoje é «Dia do Pai». Os meus filhos felicitaram-me logo pela manhã (a minha mulher logo à meia noite!). Recordo-me do Homem que pela primeira vez me levou a um treino de Karate-Dō (空手道) - e muitas mais vezes... Nos últimos anos, todos os anos lhe telefonava neste dia e dizia-lhe «hoje é o nosso dia - temos um dia em comum!». Desde março de 2008 que não lhe posso dizer isso, mas, transmontano de gema, ficou-me uma frase que me disse já no seu leito de morte: «há que saber respeitar os outros...». Um Homem Bom que não há-de ser esquecido... 
アルマンド  イノセンテス

domingo, 18 de março de 2012

Formação de Treinadores 2012-2015


Finalmente uma luz na escuridão... em relação à futura formação de treinadores!

(Foto: Armando Inocentes)

Foi ontem apresentado, na sede do COP, o Programa de Formação 2012-2015  da FNK-P - programa ambicioso -, ao mesmo tempo que foram debatidas questões relacionadas com o novo modelo de formação de treinadores - formação geral, formação específica e estágio supervisionado.

O representante do IDP apresentou o novo modelo de formação de treinadores, da parte do presidente da FNK-P, João Salgado, assistimos a uma referência histórica ao passado da formação, da parte do Dr. Bruno Rosa, Diretor do Departamento de Formação, referência à formação de treinadores, de técnicos de arbitragem e de dirigentes, e da parte do Prof. Dr. Abel Figueiredo, Assessor Técnico deste Departamento, uma perspectiva geral da estrutura e dos conteúdos dos cursos de formação de treinadores. Presente também o Director do Desporto Escolar, assim como outros elementos da Direção da FNK-P, do seu Conselho de Arbitragem e inúmeros treinadores.

Um pequeno senão, quando alguém com responsabilidades tentou explicar ao Diretor do Desporto Escolar que o Karate-Dō (空手道) como desporto nasceu de valores quando se introduziu a noção de Sundome (寸止め) ao pretender-se que a técnica parasse a três centímetro do corpo do adversário, não causando assim nenhuma lesão, já que "san" queria dizer "três"... Como se vê, o terceiro numeral - em ichi, ni, san,  (, , ) - nada tem a ver com a primeira sílaba do conceito em causa, pois nem na nossa escrita utiliza no meio a mesma vogal...

A expressão "Sundome" significa literalmente "parar à medida"... algo como "parar numa distância segura" ou "parar precisamente antes do impacto" (aquilo a que nós erradamente chamamos "controle", até porque sun (寸)  significa "medida" e dome (止め) é sinónimo  de "parar", sendo proveniente do verbo tomeru (止める).

Citando Joseverson Goulart, "SUNDOME implica precisão e precisão implica muito treino. Falhas na aplicação deste conceito são "negligência pura". O que o instrutor deve ter em mente é que a negligência não é uma boa imagem para a sua escola. Por outro lado, a precisão, a capacidade de aplicar efetivamente o SUNDOME através do treino constante é a marca de bons instrutores, alunos e escolas."

Esta noção tem a ver com a perceção espacio-temporal - com trajetórias, com velocidades, com ritmos corporais - o que por sua vez tem muito a ver com a psicomotricidade e com o funcionamento neuronal!

Mas acima de tudo tem a ver muito com a tão esquecida sociomotricidade - a relação eu-outro - mediada por regras, por sentimentos, por deveres e por direitos!

Quando há precisão (sundome - 寸止め) no treino (em muito treino), no desporto, em situação real também se consegue passar para lá da medida correta e causar dano ou lesão (por exemplo em caso de defesa pessoal)... Para parar à medida há que conhecer bem a distância e a técnica a ser utilizada!

Esqueçam os três centímetros e preocupem-se com a perceção correta da trajetória da técnica, com a distância do alvo e com o foco!

"O arame farpado só serve para desencorajar os amadores", escreveu David Morrell.


アルマンド  イノセンテス

Para aqueles que julgam que o kiai (気合) é apanágio só do Karate-Dō (空手道)...



Michelle de Brito, Maria Sharapova, Paul Pierce, Andreas Thorkildsen, Michael Jordan, Carlie Butler e o já falecido Jim Fuchs , o pioneiro da atual técnica do lançamento do peso, são (eram) alguns dos desportistas que utilizam (utilizavam) o kiai (気合) na execução da sua técnica...

Talvez não da maneira como nós o entendemos, mas como aqui podemos constatar, o kiai (気合) não é apanágio só do Karate-Dō (空手道)... Tal como as outras modalidades desportivas possuem algo a aprender connosco, talvez nós também tenhamos a aprender algo com elas!

Contrariamente ao que muitos pensam, kiai (気合) não significa grito nem provém das cordas vocais, mas do abdómen... ki () está relacionado com a mente, o espírito, e ai (, 合い), deriva do verbo awasu (合わす), "unir". Literalmente poderá ser "concentrar ou unir o espírito e o corpo"... no momento em que a técnica terá a máxima eficácia...

アルマンド  イノセンテス

sexta-feira, 16 de março de 2012

Cooperativa de Ensino de Benfica

Mais um dōjō da PGKS, e por arrastamento da OGKK, este sob a orientação do Sensei Rui Loureiro, Sandan, Treinador de Grau 2 e Professor de Educação Física e Desporto Escolar: em Lisboa, na Cooperativa de Ensino de Benfica, o qual conta já com cerca de três dezenas de praticantes de Karate-Dō (空手道).

quinta-feira, 15 de março de 2012

Crer e Poder - da Prof. Dr.ª Jenny Candeias


"
Estive atenta ao programa da TVI sobre jovens desportistas vocacionadas para o alto rendimento. Têm grande motivação e objetivos ambiciosos. Tantos que nem se importam em não acompanhar a vida dos jovens da sua idade. Não são tão raras como se possa pensar, admiro-as, conheci e conheço várias. Todavia, hoje servem apenas como ponto de partida para o tema. É que gostava que a TVI – ou utra – entrevistasse também jovens que fazem desporto sem mais ambições que não as de formação e ocupação de tempos livres e outros que, tendo treinado intensamente, ficaram pelo caminho e porquê. Essa informação seria importante para quem legisla e dirige o desporto; para os contribuintes que devem saber como nele são aplicados os impostos; e para os pais que se preocupam com os filhos, no que respeita a alcançarem objetivos e com meios materiais e humanos que o país lhes deve proporcionar. Seria mais evidente a distância existente entre uns e outros: no enquadramento social; na (in)adequação da legislação a alguns; nas instalações indispensáveis; e, por fim, mas não exclusivamente, na diferente formação de treinadores, sua responsabilidade, sua responsabilidade no treino de alto rendimento, nos meios de recuperação (in)existentes, ou nas lacunas nas fases de iniciação, seja de quem for.
(…)
Ora, hoje em dia, não temos pessoas que sirvam, ao mesmo tempo e com igual eficiência, desporto de lazer e de alto rendimento. A formação e orientação de ambos são muito diferentes e(…) duvido que haja –  cá como lá – quem saiba tudo de todos, ou sequer tudo sobre o mesmo, nos diferentes objetivos e níveis. Ainda bem que ao contrário de mim, existem mais crentes na respetiva sapiência."

Crónica de Opinião, hoje, 15 de Março de 2012, no jornal «A Bola», página 40.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Aos que aceitaram o último desafio...


Ōyama Masutatsu (大山 倍達), fundador do Kyokushinkai (極真会), dedica um capítulo do seu livro "Essential Karate", 1980, Sterling Publishing Co., Inc., New York, página 94, ao «Ritmo no Karate», apresentando as seguintes fotos:



 Reproduzimos o texto integrante desse capítulo:

"Ritmo é definido como qualquer tipo de movimento que se caracteriza pela recorrência regular de elementos fortes e fracos. Todas as coisas no universo têm ritmo, tanto externo, como a música, ou interno, como a estrutura atómica de uma rocha. As artes marciais não são exceção, e o estudante que tem um senso de ritmo vai melhorar no karate muito mais rapidamente do que aquele que não o tem. Seria de grande ajuda para um karateca envolver-se nas ocorrências rítmicas da vida quotidiana, tais como música, dança, e assim por dianteIsto levará a uma unificação da mente e do corpo a qual irá  servir de base sólida para o crescimento e excelência em qualquer empresa."

Regressaremos brevemente a estes temas até porque merece reflexão sobre isto o Gō () e o Jū () que tanto nos são conhecidos, assim como o desenvolvimento das capacidades espácio-temporais...

アルマンド  イノセンテス

domingo, 11 de março de 2012

Já agora, mais um desafio...

O que há de comum entre estas imagens e imagens semelhantes de Karate-Dō (空手道)? O que há de comum entre estas duas actividades?


Ballet e Karate-Dō (空手道) possuirão algo em conjunto? Revelar a origem das fotos seria responder à questão, mas a seu tempo será feito... as minhas desculpas à Sterling Publishing Co., Inc. e ao autor.

アルマンド  イノセンテス

As respostas ao desafio...


Vários comentadores se deram ao trabalho de aceitar o desafio proposto sobre o que havia de comum entre as imagens apresentadas e o Karate-Dō (空手道)... Aqui ficam mais algumas semelhantes: de
Cristiano Ronaldo, de Nakamura e de um jovem do Futebol Clube Cesarense.



Realço alguns comentários.
O primeiro, de Luísa Costa, que afirma que lhe parece "que em todos os desportos há pontapés: umas vezes na bola, outras vezes nas canelas ou até nas cabeças dos adversários."
O segundo, de Fernando Gonçalves: "O que há em comum é a forma correta da execução da tecnica, ou seja com o corpo todo. Num remate não deve ser usado só a perna/pé, tal como no karate para um Oi Zuki não deve ser só usado o braço e punho, mas também o corpo todo, nomeadamente a anca, aspeto este tão focado pelo Sensei Armando nos treinos."
O terceiro, o de Pedro Correia: "Sensei Armando, estou de acordo com o Fernando. Em qualquer desporto, a técnica para ter a máxima eficácia deve ter em conjugação a cintura escapular, a cintura pélvica, o centro de gravidade e a base de sustentação. Será? Mas também concordo com a Luísa: pontapés há em todos os desportos, embora alguns não sejam gestos técnicos..."
O último, do Luís Sérgio, quando refere a "intenção e a utilização de toda a energia corporal.", para culminar com o  ""viver" o que se está a fazer, senti-lo."

Na realidade mostraram o que existe de comum entre gestos técnicos diferentes, entre atos motores intencionais diferentes, de distintas modalidades, quando executados corretamente, pois ambos são protagonizados por seres humanos. Obrigado não só a estes, mas a todos os que opinaram!


E pronto, ficou esclarecido por estes comentadores o que há de comum entre as imagens apresentadas e o Karate-Dō (空手道)... a biomecânica desempenha aqui um papel relevante. Ficou apenas por dizer, que nestas imagens, este seria o momento do Kiai (気合)...
アルマンド  イノセンテス