sábado, 23 de abril de 2011

Reflexões Pascoalianas e Desportivas...


Quer seja a época em que se comemora a ressurreição de Cristo segundo uns, quer seja a altura em que se relembra o momento em que o seu cadáver foi roubado do sepulcro para ser enterrado no deserto em local desconhecido segundo outros, este período convida a uma reflexão histórica sobre o confronto, o conflito e a oposição de ideias, mas também sobre a cooperação, a solidariedade e o respeito – afinal, elementos todos eles presentes no desporto, donde o seu carácter bivalente. Segunda-feira teremos a oportunidade de reflectirmos sobre a nossa condição de liberdade, pois como dizia Sarte, «estamos condenados a ser livres»...

Cai esta refelexão sobre uma modalidade – o rugby – e a sua projecção nos últimos tempos. Três factos pertinentes: o primeiro referente à entrada desta modalidade nos J. O. em detrimento do Karaté; o segundo em relação ao seleccionador nacional Tomaz Morais que há tempos atrás revolucionou os treinos da selecção – como exemplo recordo-me que pôs os seus atletas a treinarem com os fuzileiros navais; e o terceiro com o que aconteceu no passado fim-de-semana com esta modalidade em Lisboa e em Braga.

No que diz respeito a este último, Tomaz Morais, em «A Bola» de hoje, na página 42, diz que “...é um marco!”

E é ele próprio que afirma que “quem passou no último fim-de-semana pelo Jamor para assistir ou participar no incomparável Youth Festival, ou por Braga, para ver eventos de carácter internacional, ficou com a clara ideia de que o rugby é, acima de tudo, um jogo de valores que nos ensina a viver... Com regras adaptadas ao escalão etário em causa e uma progressão pedagógica na introdução do contacto físico, o rugby torna-se tão seguro como qualquer outra modalidade que permita o contacto entre os praticantes.” Poderemos dizer o mesmo do Karaté? Um jogo de valores que nos ensina a viver (sim, mas muitas palavras e poucos actos!)? Regras adaptadas aos escalões etários mais baixos (não, modelos competitivos dos infantis, iniciados e juvenis semelhantes aos dos adultos!)? Segurança e integridade física no contacto corporal (só se não houver contacto...)? Sidónio Serpa dizia há uma semana atrás no mesmo diário, em «Desportivismo e violência», que os “portugueses são empenhados na conversa mas pouco dados à acção concreta.”

E Tomaz Morais continua afirmando que “ganhar significa aplicar tudo o que foi ensinado e treinado nos momentos vividos em equipa na perspectiva de que se utilizarmos correctamente os gestos técnicos e formos tacticamente superiores poderemos vencer....” não só no desporto, mas em todos os aspectos da vida, atrever-me-ia a acrescentar...

Relevante o parágrafo em que nos diz que “a ética, o espírito de equipa, a aplicação prática de valores comportamentais como o respeito, a partilha, a procura do conhecimento entre muitos outros são o elo de ligação entre jogadores, pais, amigos e mesmo os mais curiosos que se chegam à modalidade na busca de algo fora do comum.” O elo de ligação entre... aqui está um aspecto fundamental quando muitas vezes, como dizem os orientais, «enquanto uns constroem muros outros procuram construir pontes!»

Parafraseando Manuel Patrício (1993, “Lições de Axiologia Educacional”, Lisboa, Universidade Aberta), este afirma que o estudo dos valores a que deve proceder o professor (treinador) não pode limitar-se à dimensão teórica dos problemas. E acrescenta às grandes competências que deve possuir o professor (treinador), «saber», «saber-fazer» e «saber-ser», uma outra que considera essencial: «saber-fazer-ser», salientando que “compete ao professor (e logicamente ao treinador! - n. a.), com efeito, a difícil e grave tarefa de fazer-ser. Não um fazer-ser técnico; mas um fazer-ser ético. Ele não faz-ser «coisas»; ele faz-ser «pessoas».”

Tem-se provado que o treindor português de sucesso é aquele que tem sabido conduzir homens... Moniz Pereira, José Mourinho, Tomaz Morais, Mário Palma, António Livramento (e por que não Carlos Queiroz e José Torres?)... E para não esquecer as treinadoras, realço os nomes de Sameiro Araújo (que dispensa apresentações),  Helena Costa (seleccionadora feminina de futebol no Qatar desde Abril de 2010) e Liliana Gomes, a primeira treinadora de hóquei patins desde 2005.

... provar-se-á que o dirigente português de sucesso também será aquele que igualmente souber conduzir homens!

Ponham os olhos no Judo!...

(fotos: Carlos Alberto Matos / IMAPRESS, in «A Bola»
Um campeão da europa (bi), João Pina, e duas vice-campeãs europeias: Telma Monteiro e Joana Ramos.
(a estes resultados juntem os da Taça de Europa de Cadetes em Miranda do Corvo)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Começou hoje...

Começou hoje, em Los Álcazares, Múrcia, no Centro de Alto Rendimento Infanta Cristina, o 10º Gasshuku Europeu da Okinawa Goju-Ryu Karate-Do Kyokai.

Um estágio ministrado por três 9º dans e outros três 7º dans.

Sensei Koei Teruya
Hanshi, 9º dan
Vice-Presidente da OGKK




Sensei Ryoichi Onaga
Hanshi, 9º dan
Vice-Director-Chefe da OGKK




Sensei Masataka Muramatsu
Hanshi, 9º dan,
Vice-Director Chefe da OGKK




Sensei Seigo Takara
Kyoshi, 7º dan,
Vice-Secretário da OGKK



E como não podia deixar de ser, o Sensei Ryoichi Onaga, Director da OGKK para a Espanha e representante da mesma para a Europa, aqui ao centro, ladeado pelos dois outros assistentes, à esquerda Sensei Shigero Uehara, Kyoshi, 7º dan e à direita Sensei Toshiro Fujioka, Kyoshi, 7º dan, ambos Instrutores em Espanha, o primeiro em Orihuela e o segundo em Alicante.
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Um estágio com mais de 300 praticantes e onde estão representados cerca de de 20 países...
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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Estragar o Jogo


"Os comportamentos de alguns adultos que acompanham os pequenos ou jovens jogadores transmitem modelos profundamente negativos do que deve ser a compreensão do desporto e, em particular, nos escalões etários mais baixos. Na origem estará uma deficiente formação sobre os princípios éticos das relações sociais em que se insere a prática desportiva. Mas falta também informação sobre os objectivos e metodologias que devem caracterizar a orientação desportiva dos jovens praticantes, bem distintos do que se relacionam com a prática dos adultos. Os clubes e treinadores que se dedicam aos escalões de formação têm também a obrigação de ajudar os pais a entender o que deve ser a prática dos filhos e o seu comportamento na assistência. Os regulamentos e a arbitragem deverão igualmente reflectir sobre esta grave questão."


Escrito por Sidónio Serpa em «A Bola», ontem, dia 19 de Abril, na página 40. A este assunto voltaremos mais tarde... porque também temos dirigentes e árbitros que ainda não perceberam que a competição nos escalões etários mais baixos deve ter uma componente mais pedagógica do que alicerçada no binómio vitória-derrota. Tem-se constatado que actual modelo competitivo do Karaté infantil está pedagogicamente errado... mas nada se tem feito! E num momento em que a Direcção da FNK-P tem poderes para elaborar regulamentos, esta seria uma questão a ser reavaliada!

E não adianta soprar com os ventos dos regulamentos competitivos. Nem adianta acenar com a bandeira da federação mundial. Até porque há um koan que reza o seguinte:


Dois homens estavam discutindo sobre uma flâmula que tremulava ao vento:

" - É o vento que realmente se está movendo!" declarou o primeiro.

" - Não, obviamente é a flâmula que se move!" contestou o segundo.

Um mestre Zen, que por acaso passava perto, ouviu a discussão e interrompeu-os dizendo:

" - Nem a flâmula nem o vento se estão movendo," disse ele. " - É a MENTE que se move."


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terça-feira, 19 de abril de 2011

O secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, antecipou-se ao FMI e já mandou cortar 15% nos subsídios do Governo às federações desportivas


O meu amigo Francisco Vieira, no seu blog "Ala de Rei", tem várias vezes publicado alguns posts de karate-do.pt. Agora é a minha vez de retribuir ao publicar aqui o seu post de hoje. Aqui fica a transcrição integral do mesmo, com a devida vénia.

"De acordo, com notícias da Rádio Renascença e do Diário Digital que cita a agência Lusa, as federações desportivas foram chamadas ontem, 2ª feira, à secretaria de Estado do Desporto, para serem informadas do corte de 15% nos apoios financeiros do Governo, com efeito já a partir deste mês de Abril.

A revelação foi feita por Laurentino Dias às federações desportivas durante a reunião levada a efeito no Centro de Medicina Desportiva de Lisboa, segundo revelou à agência Lusa fonte ligada ao processo.

Só o programa de preparação para os Jogos Olímpicos de Londres 2012 escapa ao ‘emagrecimento’, não sofrendo qualquer corte governamental.

Quanto aos contratos-programa já estabelecidos, as federações foram informadas de que as reduções estarão dependentes do tipo de verba que recebem, devendo o total ser na ordem dos 31 milhões de euros, um corte médio de 12,9% em relação ao orçamento do ano passado das federações.

O presidente da Federação Portuguesa de Basquetebol, Mário Saldanha, foi um dos presentes no encontro. Numa entrevista ao programa ‘Bola Branca’ da Renascença, Saldanha refere que os cortes vão reflectir-se em tudo. Da formação aos campeonatos profissionais.

Mário Saldanha considera que a notícia dos cortes no apoio do Governo vai colocar em causa o futuro de muitos dos projectos para o desporto português.

Desconhece-se a Federação Portuguesa de Xadrez esteve presente nesta reunião, mas tendo em conta o montante do último subsídio governamental de € 112.000,00, este corte rondará os € 12.600,00 (9/12 daquele subsídio).

Com tanto corte previsto em salários e pensões de reforma no funcionalismo público, ainda me espanto com este corte generoso às federações desportivas.

Parte dos finlandeses considera que se nos derem um braço, para nos ajudar na crise financeira que passamos, nunca mais o largamos. Não sei se é justo generalizar esta análise mas quanto ao desporto sabemos que no dia em que a FPX passou a receber apoios e subsídios do Estado nunca mais quiz outra vida.

E todos nós sabemos que não é só no xadrez!"




Obrigado caro Francisco! Pois é, e todos sabemos que não é só no xadrez...

sábado, 16 de abril de 2011

Contas que toda a gente sabe fazer... ou uma Acção de Formação gratuita para os Treinadores de Karaté?

(António Maia, fonte: http://www.oribatejo.pt/)


O Artigo 1º dos Estatutos da FNK-P definem a mesma como uma pessoa colectiva de direito privado sem fins lucrativos, o que à partida significa que as verbas pertencentes a cada rubrica se superarem as sua despesas para a mesma rubrica devem reverter. O que quer dizer "à formação o que é da formação", ou seja "aos treinadores o que é dos treinadores". Ora, a formação também é comparticipada pelo IDP através de contratos programa. Quanto? 9 000, 10 000 Euros anuais? Não sabemos, são suposições e este é um exercício hipotético e especulativo...

Todos sabemos fazer contas!!! E fazendo-as, verificamos que se, hipoteticamente, nos últimos 3 Cursos TM participaram cerca de 200 formandos, entraram na Federação cerca de 20 000 Euros (100 Euros por formando). Se as instalações foram gratuitas, se os formandos retiraram os seus manuais da net e se cada formador tiver recebido em média cerca de 50 Euros por hora (um curso com 60 horas), a despesa foi de cerca de 3 000 Euros. Resultado líquido provável: 17 000 Euros.

Continuando no domínio do hipotético, se no actual Curso TNI houver cerca de 50 formandos, cada um deles pagou 200 Euros, o que fez entrar na Federação cerca de 10 000 Euros. Se as condições forem as mesmas que as anteriores, como o curso possui 90 horas, ter-se-á pago aos formadores algo como 4 500 Euros, pelo que o resultado líquido hipotético terá sido de 5 500 Euros.

Ficcionando ainda sobre o actual Curso TNII, em que a taxa de inscrição é de 250 Euros - basta consultarmos o Regulamento de Taxas - se existirem igualmente cerca de 50 formandos, a entrada terá sido de 12 500 €uros. Partindo dos pressupostos anteriores, como o curso possui 100 horas, os formadores receberão 5 000 Euros. Aproximadamente o lucro líquido deste curso será de 12 000 Euros.

(adaptado de http://www.toonpool.com/cartoons/)

Contas que toda a gente sabe fazer... 17 000 + 5 500 + 12 000 = 24 500 Euros. Verificamos assim que a formação paga-se a ela própria, mesmo não contando com as verbas do IDP. Veremos se na próxima AG os delegados questionarão a aplicação destes alegados proventos!

Mas para onde vão estes dinheiros? Ora, se as verbas de cada rubrica à mesma pertencem... a Federação ainda não o disse, mas como todos os anos os Treinadores têm de renovar as suas inscrições anualmente (Treinador Monitor €10.00, Treinador de Nivel I €20.00 e Treinador de Nivel II €20.00) os Treinadores com a sua inscrição anual válida na presente época desportiva vão poder inscrever-se gratuitamente na Acção de Formação ministrada pelo Prof. Pierluigi Aschieri nos próximos dias 20, 21 e 22 de Maio. (Declaração de intenções: não vou participar nesta AF porque nessa data estarei a participar num evento da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto).

Como se depreende, os Treinadores são um dos motores desta Federação. Tal como é expresso no Artigo 8º dos Estatutos da FNK-P, são associados ordinários as associações que congregam os praticantes, os árbitros e os treinadores dedicados à prática desportiva do Karaté que, estando devidamente legalizadas, tenham aceite os presentes Estatutos, cumpram os respectivos requisitos e sejam admitidas como tal em Assembleia Geral. Mas a questão que aqui se coloca (mais uma vez!) qual é a associação que congrega os treinadores dedicados à prática desportiva do karaté?

E os que não se dedicam à prática desportiva do Karaté já não poderão estar congregados nessa associação? Será que os Estatutos da Federação se podem imiscuir numa organização de classe?

E quando chegamos ao Artigo 15º desses mesmos Estatutos, sobre os membros da Assembleia Geral, os mesmos especificam que a Assembleia Geral é o órgão deliberativo da Federação constituído por cinquenta e três delegados, sendo trinta e sete representantes das associações de praticantes, oito representantes dos praticantes, quatro representantes dos árbitros e quatro representantes dos treinadores, (...). A questão que se coloca agora (mais uma vez!) é: quem vão ser esses quatro delegados e como os vamos eleger?


Andam os Treinadores de Karaté adormecidos... será que vão acordar quando for tarde???


...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O pior analfabeto...



O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.


O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.

Berthold Brecht


O pior analfabeto é aquele que lê mas não sabe interpretar o que lê...



O pior analfabeto desportista é aquele que só sabe de desporto, porque nem de desporto sabe...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Arte marcial ou desporto de combate? (Em Colectividade Desportiva)

Aconselha-se a todos os leitores deste blog o post «Karaté: arte marcial ou desporto de combate ? (I)» em http://colectividadedesportiva.blogspot.com/ (é só clicar aqui!).

Num próximo post em "Colectividade Desportiva" veremos, à luz da fundamentação de autores de renome, qual a terminologia mais correcta para esta modalidade.



«Colectividade Desportiva» é um blog de referência no plano do Desporto, onde, entre outros, escrevem Alfredo Silva, Ana Santos, Carla Gil Ribeiro, Fernando Parente, João Almeida, Jorge Olímpio Bento, José Manuel Constantino, José Manuel Meirim, Maria José Carvalho, Miguel Nogueira Leite, Rui Lança, Susana Feitor, Luís Leite e Víctor Martins.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Uma história ficcional, com nada de fundamentalista!...



"Toda a instituição passa por três estágios:
utilidade, privilégio e abuso."



François Chateaubriand



Jonh Sweet Sugar começara por baixo, mas tinha subido calma e tranquilamente a pulso. Lenta mas cautelosamente, até chegar a presidente do conselho de administração da sua empresa. Uma empresa de renome. Soube rodear-se de vários elementos, cada um técnico na sua área: um vice-presidente para o apoiar, o tesoureiro - especialista em economia e contabilidade -, o homem dos recursos humanos, o expert na organização dos eventos, o técnico da publicidade e do marketing, o gestor de qualidade de produtos... e muitos outros.

Decidiu até que a mesma se deveria projectar a nível de todo o país e a sua empresa até teria um site na internet onde tudo estaria visível ao público e aos interessados: produtos, eventos, etc..

John Sweet Sugar gostava de se dar bem com todos: por vezes até se dava bem com deus e com o diabo, com gregos e troianos, pois os interesses da sua empresa – e os seus próprios interesses – estavam acima de tudo e de todos. Mas também gostava de controlar tudo e todos – a sua opinião tinha de prevalecer sempre! E mesmo que não percebesse do assunto, intrometia-se no trabalho dos técnicos e do pessoal especializado de modo a tudo dominar... e até pegava nas criações de alguns e alterava-as para que passassem a ter a sua chancela!

Lembrou-se até de redigir um código ético e deontológico pelo qual se deveriam reger os seus operários. Mas para que a resolução dos casos difíceis não recaíssem sobre a sua pessoa ou sobre o conselho de administração, teve a ideia mais assombrosa e criativa de toda a sua carreira: à semelhança dos clubes desportivos criou um conselho de disciplina e um conselho jurisdicional. Assim, as penas a serem aplicadas aos prevaricadores não seriam da sua responsabilidade nem do conselho de administração e, para dar um aspecto mais democrático à «coisa», os penalizados poderiam sempre recorrer para o conselho jurisdicional. Claro que para estes dois conselhos escolheu amigos seus, elementos formados em Direito, e pôs à votação de todos os operários da sua empresa a eleição dos mesmos. E foram eleitos, como não poderia deixar de ser! E para melhor lavar as mãos, como Pilatos, todas as decisões destes dois órgãos seriam publicadas na internet.

Mas John Sweet Sugar estava bem ciente que, apesar de toda esta democraticidade da sua empresa, as coisas não poderiam sair do seu controle. Para tal eliminou um inconveniente elemento do seu conselho de administração e criou condições insustentáveis a um outro de modo a obrigá-lo a demitir-se ele próprio. John Sweet Sugar quebrou laços de solidariedade e confundiu amizade com institucionalidade. Daí o seu lema: quem não bebe cofee with sugar bebe cofee without sugar, ou então nem cofee bebe...

De vez em quando levava os seus operários ao estrangeiro, para apresentarem os seus produtos em eventos internacionais. John Sweet Sugar também tinha os seus créditos: conseguiu segurar o seu colaborador para os eventos internacionais e ia obtendo algum sucesso fora de portas. Em parte graças a esse colaborador e a alguns dos seus operários. Claro que o Governo subsidiava algumas destas saídas. E aproveitava também para ir conhecendo o mundo e ficar nos melhores hotéis... E graças a isso conseguiu trazer para o nosso país uma iniciativa europeia!

Mas tal como a geração à rasca protestava, alguns dos seus operários também começaram a apresentar reclamações: nada mais fácil para John Sweet Sugar – enviava essas reclamações para o seu conselho de disciplina e ele que descalçasse a bota! E este aplicava as suas sanções! Claro que os visados, para entretanto continuarem em funções após a pena aplicada por este, recorriam para o conselho jurisdicional. E lá estava na net – dois, três, quatro processos em recurso no jurisdicional.... mas como ninguém se podia dirigir directamente a este, o tempo passava, passava, passava e... prescrevia. E para a reclamação, ou o pedido de recurso, nem ao disciplinar chegar se a ação era sobre alguém que era seu amigo pessoal, John Sweet Sugar tinha uma tática: deixava ficar essa reclamação na sua gaveta. E a net nem sempre precisava estar actualizada – só para o que interessava!

Em relação a outros discordantes a tática de Jonh Sweet Sugar era diferente: dava-lhes uma cenoura, um rebuçado, levava-os lá fora, atribuía-lhes um lugar de menor relevo... e assim os punha satisfeitos mas fora da circulação contestatária.

Numa altura de crise, em que a situação económica de empresa não era a melhor, John Sweet Sugar resolveu dar a volta ao texto: criou cursos de formação para os seus operários, a serem pagos por eles próprios – óptima maneira de equilibrar as operações de tesouraria. E sobre as verbas que entravam, não tinha que dar satisfações a ninguém: era assunto só entre ele e o seu tesoureiro. E os seus operários nem sequer precisavam saber quais os resultados dessa formação...

Ademais, a sua posição vingava de tal modo nas reuniões do conselho de administração que algumas vezes fazia o contrário do que tinha sido deliberado em conjunto. Por isso mesmo alguns dos seus membros deixaram de se reunir assiduamente: apoiava-se no seu tesoureiro e no homem dos eventos internos – o escravo para todo o trabalho. Apoiava-se também em dois outros elementos que não do conselho de administração: um para os eventos internacionais, pois a visibilidade era essencial, um outro para ministrar a formação aos seus operários, pois a entrada de verbas era primordial. Assim a sua credibilidade externa estava no topo. John Sweet Sugar punha e dispunha... e até convidado foi para consultor de um outro conselho de administração de uma outra empresa... uma empresa muito maior que a sua e com outra projecção!

Mas, de repente John Sweet Sugar começou a ficar alarmado pois a formação dos operários passaria a ser pertença do estado. Seria obrigado a criar mecanismos de fiscalização. Começou a ficar alarmado ao saber que se estava ponderar a possibilidade do governo criar um «código da justiça» para todas as empresas de modo a que todos os agentes se pudessem graduar e situar em referência ao mesmo comportamento violador e que as funções do seu conselho disciplinar e do seu conselho jurisdicional passariam para o «estado-legislador»... e toda a sua orgânica controladora iria por água abaixo!

Como iria ficar com as participações contra os seus amigos na gaveta? O que iria fazer com o que tinha feito até aí, tornando o seu conselho jurisdicional inoperativo? Como iria entrar dinheiro através dos cursos de formação que criara? Como iria continuar a dar as suas passeatas ao estrangeiro?

John Sweet Sugar começou a ter insónias, apesar de continuar a apresentar os seus discursos inflamados... Começou a recorrer ao «xanax»... e concluiu que o melhor era reformar-se e deixar o controle da sua empresa a alguém... e sair em grande antes que fosse tarde. Quem viesse a seguir que fechasse a porta! Mas não, não poderia ser... de modo que resolveu constituir uma comissão para comemorar o aniversário da sua empresa. Apesar de nada ir comemorar... E rodeou-se de mais alguns amigos, que poderiam até vir a ser os próximos elementos do seu conselho de administração... E talvez conseguisse perpetuar a sua posição...

E num golpe de génio, para aumentar ainda mais os seus créditos, começou a trazer de fora alguns formadores de renome para que os seus operários – pagando do seu bolso, como sempre – estivessem actualizados em relação ao estrangeiro. Fazia cartaz, dava nas vistas...

Mas John Sweet Sugar intimamente tinha um sonho ou antes, dois sonhos: chegar ainda ao conselho de administração de uma multinacional estrangeira e, após tudo poder ter gozado e de tudo ter usufruído, John Sweet Sugar sonharia com a sua reforma, para todas as tardes poder tomar o seu café calmamente sentado na esplanada enquanto fumasse o seu cigarrito e lesse o jornal...

domingo, 10 de abril de 2011

Os eternos esquecidos...

Alguém ouviu falar nos europeus de corta-mato (INAS-FID) para atletas portadores de deficiência intelectual realizado esta semana na República Checa?

Alguém soube que Portugal recuperou o título colectivo em masculinos? Alguém teve conhecimento de que os atletas do nosso país conquistaram 2 medalhas de ouro, 3 de prata e 1 de bronze?

Pois é, passou despercebido... porque não teve cobertura televisiva... porque não fez parangonas nos jornais... porque os atletas não apareceram a dar conferências de imprensa à frente de painéis cheios de logos publicitários...

Para além de lutarem contra os seus problemas e contra a falta dos apoios que deveriam ter, estes atletas lutam para se superarem a si próprios, para serem melhores que os seus semelhantes, para dignificarem o seu país! Será que este país os merece?...

Não, o que este país merece é apagões, chuveiradas e porcos no estádio (e não foi só um que entrou, estavam lá muitos!!!).

sábado, 9 de abril de 2011

Também nós passaremos a ser lendas da terra...

“Diz uma lenda chinesa muito antiga que os primeiros homens que habitaram a Terra eram todos imortais. Porém, essa imortalidade levantava problemas difíceis de resolver. O maior desses problemas resultava da grande quantidade de homens que povoavam o Planeta e do facto de durarem indefinidamente. Sentindo-se incapazes de alimentar tanta gente, as forças da Natureza pediram auxílio aos deus dos Deuses que, ao dar conta do erro que cometera ao criar a Terra, teve um ataque de fúria como só os deuses são capazes de ter e mandou para o Planeta uma enorme língua de fogo que por toda a parte semeou destruição e horror. Ao verem que a Terra assim não iria sobreviver, os deuses menores pediram-lhe clemência.”

Assim começa José Jorge Letria o seu livro «Lendas da Terra«»(Terramar), contando a seguir que então o deus dos Deuses criou uma bela deusa vestida de negro e vermelho a que deu o nome de «Morte». A sua função seria equilibrar o número de habitantes terrenos...

Não sei se no Desporto temos um deus dos Deuses (se nos restringirmos ao desporto português, talvez tenhamos!), mas não tenho dúvidas que temos muitos deuses: aqueles que são glorificados na competição, aqueles que são erigidos pelos mídia, e ainda aqueles que põem e dispõem de tudo no desporto. São estes, ao invés do que nos conta o conto, que de vez em quando também enviam enormes línguas de fogo que semeiam a destruição sobre os intervenientes directos no fenómeno desportivo, sobre os praticantes e/ou competidores e sobre os treinadores.

Mas temos também no Desporto uma deusa, uma «Morte» (atrever-me-ei a dizer várias deusas, várias «Mortes») que também têm a função de quilibrar as situações nesta actividade. Temos a violência na prática desportiva – a violência reactiva e a violência instrumental – e temos a violência associada ao desporto – o hooliganismo. Irmão destas, e uma outra violência, temos o doping, onde o competidor violenta o seu próprio corpo e adultera os resultados. Ainda desta família, temos violências do próprio desporto: a morte súbita, a morbilidade como sequela e a exploração infantil. Podermos mencionar mais algumas «Mortes» (deusas!) que vão equlibrando a desporto em relação à verdade desportiva, ao fair-play, ao espírito desportivo, em suma, à ética no desporto: a fraude, a corrupção, a xenofobia, a intolerância e a intromissão no desporto da política, da religião e até da economia. Para não esquecer também os actos terroristas que começam a estar presentes no desporto. Uma deusa que tem andado camuflada e tem passado despercebida é a deusa das mortes enigmáticas e dos suicídios no desporto – e que exerce as suas funções mais vezes do que imaginamos porque poucas vezes são divulgadas as suas acções (ultimamente Owen Thomas, Martín Cabrera, Roger de Souza, Cláudia Heill...).

“Passando ternamente a mão pelos lisos negros cabelos da filha, disse-lhe, afectuosamente: – Sei que a Terra não podia estar em melhores mãos. Com as qualidades que sei que tens, não hás-de enganar-te nas decisões que tomares.”

Assim termina Letria o seu conto. E o Desporto também não pode estar em melhores mãos... com a acção das várias «Mortes» que nele existem, elas também não se hão-de enganar nas decisões que tomarem...

Resta saber se nós, simples mortais, nos submeteremos e deixaremos essas deusas assumir e executar essas decisões! Em caso afirmativo, também nós passaremos a ser lendas da terra... porque coniventes com elas!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Portugal pede ajuda externa... porque não soube gerir a questão interna!


Ficámos a saber ontem que José Sócrates assumiu formalmente o pedido de «assistência financeira». Na segunda-feira passada, de uma reunião dos principais banqueiros no Banco de Portugal, saiu a decisão de não dar mais crédito ao Estado nem adquirir mais dívida pública. Mas ontem, o Correio da Manhã, na sua última página, com o título "Rui Pedro Soares recebeu 1,2 milhões da PT", divulgava a seguinte notícia:


"O ex-administrador da Portugal Telecom (PT) Rui Pedro Soares, que abandonou a empresa na sequência do processo ‘Face Oculta’, recebeu em 2010 cerca de 1,2 milhões de euros resultantes de indemnização e salário até quando desempenhou funções.

O responsável recebeu 648,7 mil euros de indemnização, 104,2 mil euros de remuneração fixa e 459,4 mil euros de prémio anual sobre o exercício de 2009, informa o relatório e contas da PT divulgado esta terça-feira na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Fernando Soares Carneiro, também ex-administrador da PT que saiu igualmente no seguimento do processo ‘Face Oculta', recebeu um total de 1,8 milhões de euros: 973 mil euros de indemnização, 175 mil euros por compromisso de não concorrência, 201 mil euros de remuneração fixa e 459,4 mil euros de prémio anual sobre o ano de 2009.

Rui Pedro Soares renunciou ao cargo na empresa a 17 de Fevereiro de 2010, ao passo que Soares Carneiro viria a abandonar a PT cinco dias depois, a 22 de Fevereiro. Os dois administradores abandonaram a empresa após a divulgação de escutas telefónicas no âmbito do processo 'Face Oculta' e de um alegado plano do Governo que envolvia a PT na criação de um grupo de comunicação social."


São estes os "vampiros" de Zeca Afonso: eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada... eles vão-se embora, eles vão-se embora e ainda levam tudo... Quem pagou estas verbas? Os utentes da PT!... Ou seja, nós!...


Estranho país este... onde eu já não estranho ser estranho! Ou mordomias para uns e fome e miséria para outros!


Nota: negritos da nossa responsabilidade.


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terça-feira, 5 de abril de 2011

O apagão e os repuxos - questões de liderança

As pedradas ao autocarro do Benfica numa das últimas deslocações ao norte, tal como a apagão e a ligação do sistema de aspersão no estádio da Luz no último fim-de-semana, revelam a incivilização em que vivemos. Se no primeiro caso as culpas podem ser eventualmente atribuidas a adeptos, no segundo caso serão eventualmente atribuídas a dirigentes. Se (se!) os jogadores do Porto se recusaram a entrar de mão dada com as crianças que envergavam o equipamento do Benfica o problema é deles e a responsabilidade sua, mas nenhum dano material ou moral daí resultou (não foi o espectáculo tão bonito? Não, não foi!).


Mas por que motivo se passa tudo isto ao mesmo tempo? A resposta é só uma: uma questão de educação (ou de falta dela!). E de quem é a responsabilidade? Se podemos atribuir 50% da culpa a quem pratica estes actos, os outros 50% terão de ser atribuídos a quem não educou os 50% anteriores numa senda de valores, de quem não lhes forneceu uma formação ética, de quem não lhes deu exemplos de cidadania e de civilidade.


Resumindo, tudo isto é uma questão de liderança. Liderança também exercida por quem exerce as funções de dirigente ou de treinador. Tomando como base o livro Coaching Young Athletes, de Rainer Martens, poderemos assim definir os diferentes estilos de liderança:

 O “pedra”: acredita que precisa de ser durão e fechado para manter a distância e a ordem;

 O “sacana”: a ideia é não facilitar. “Se eu posso dificultar, para que facilitar!!??”;

 O “anjo”: aquele que, na tentativa de ser amado por todos, veste a fantasia de anjo. É o “super compreensivo”;

 O “mil facetas”: aquele que em cada momento está de uma forma (mudança de humores), muitas vezes atingindo extremos, e nunca se sabe o que vem pela frente;

 O “ceguinho”: que finge dormir e fechar os olhos para coisas importantes;

 O “falador”: falar, falar, às vezes sozinho… ouvir, nem pensar!!

 O “juiz”: é o dono da verdade, aquele que acusa e absolve. É o que diz: “eu não te disse!?”

 O “domador”: aquele que “tira” o sangue dos seus subordinados;

 O “psicotécnico”: na tentativa de resolver os problemas psicológicos de cada um, deita-os no divã… “dá-lhes conselhos”;

 O “super-técnico”: veste a capa de super-homem e acredita poder sustentar o fardo de ser perfeito e jamais errar.

Não tenhamos receio de nos revermos em qualquer um deles, nem medo de atribuir alguma destas categorias aos nossos dirigentes ou aos nossos políticos.


Depois ainda digam que a culpa de uma geração à rasca é dessa geração rasca!!!...

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sábado, 2 de abril de 2011

A prova: em seis dias apenas...

Comprovando e exposto no post anterior, aqui temos a reconstrução da auto-estrada de Naka em apenas SEIS DIAS após o terramoto, pelos japoneses. Excepcional!... Por cá, quanto tempo demora a tapar um buraquito numa estrada?


A notícia chega-nos através do Daily Mail, jornal inglês diário, a qual se pode consultar no «Mail Online».


(http://www.dailymail.co.uk/news/article-1369307/Japan-tsunami-earthquake-Road-repaired-SIX-days-destroyed.html)


Yamato-damashii ( 大和魂), "o espírito japonês"!


Esta semana, Paulo Madeira, no Correio da Manhã (http://www.cmjornal.xl.pt/) deu-nos a conhecer as condições em que vivem aqueles que trabalham na central nuclear de Fukushima.

"Dormem no chão, não podem tomar banho, comem apenas duas refeições ligeiras por dia e estão permanentemente expostos a radiações potencialmente letais. É nestas condições extremas que vivem os 400 trabalhadores que tentam evitar uma catástrofe nuclear na central de Fukushima, no Japão.

Os 400 ‘heróis de Fukushima’, como são conhecidos, começam o dia com uma refeição ligeira, normalmente composta por bolachas e sumos. Não param para almoçar, e ao jantar comem arroz e comida enlatada. Dormem numa ‘sala segura’, cobertos por placas de chumbo e sem poder tirar as máscaras de protecção. Não têm camas (dormem no chão) e não podem tomar duche ou mudar de roupa. O abastecimento de alimentos e água é semanal, para evitar que mais pessoas sejam expostas à radiação, e a comida que há tem de ser racionada."

Hiroshima, 1945 (fonte: http://dekablogjp.blogspot.com/2010/08/hiroshima.html)


Otsuchi, Iwate Prefecture, Monday, March 14, 2011 (foto: Associated Press/Kyodo News)


Surpreendente a semelhança entre estas duas fotos, com 66 anos de distância uma da outra, onde somente o «Torii» se manteve de pé... como podemos observar, tudo o resto é destruição!

Um povo que se levantou das cinzas após Hiroshima e Nagasaki, levantar-se-á igualmente das cinzas após Fukushima...

Os 400 «heróis de Fukushima» na sua maioria são trabalhadores com mais de 60 anos, poupando-se assim trabalhadores mais jovens a uma provável morte em prol do restante povo do Japão devido ao elevado nível de radioactividade. Os japoneses denominam este sacrifício como «yamato-damashii», uma dedicação desinteressada ao seu país, algo de parecido com o estado de espírito dos pilotos suicidas «kamikaze» aquando do ataque a Pearl Harbour (7 de Dezembro de 1941). "Actualmente aparece retocado como dedicação ao bem comum acima dos interesses pessoais" (João Vaz, Correio da Manhã, idem).

Temos a certeza que a ousadia e a coragem e o espírito indomável do povo japonês virão à superfície... O Bushido ainda não morreu!


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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Dia das Mentiras!

Luís Afonso, na ediçaõ de hoje do jornal «A Bola», na página 40, comemora assim o "dia das mentiras"... mas será só no futebol? E nas outras modalidades? E na política? E na sociedade portuguesa?

quinta-feira, 31 de março de 2011

Acção de Formação com Pierluigi Aschieri


Notícia retirada do site da FNK-P (http://www.fnkp.pt/):

Exmos. Srs.

A FNK-P vai promover nos dias 20, 21 e 22 de Maio uma Acção de Formação com o Prof. Pierluigi Aschieri Técnico da Federação Mundial de Karate, responsável por vários campeões da Europa e do Mundo em Kata e Kumite, no âmbito EKF e WKF. O Prof. Pierluigi Aschieri desempenha actualmente funções de Director Técnico da FIJLKAM, é Professor na Faculdade de Ciências Motoras da Universidade de Aquilla e membro da Comissão Técnica da WKF. É objectivo desta Federação continuar a consolidar a criação de um “Modelo Inovador e Moderno” para o Karate Nacional proporcionando aos seus Agentes Desportivos novos programas e metodologias de Treino.

Com os melhores cumprimentos,

O Presidente da FNK-P

João Salgado



Só falta saber onde decorrerá a AF, como nos inscreveremos e quanto custará a inscrição.

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terça-feira, 29 de março de 2011

Ética, política, justiça e desporto... e o retrato do nosso país! (III)


O conteúdo dos últimos posts fez-nos regredir quase um ano atrás, até 23 de Abril de 2010, dia em que o semanário «Expresso» dava a conhecer acórdão que absolveu Domingos Névoa. Mais um exemplo neste país...

Mas o que é exemplar sobre este assunto é a crónica de Ricardo Araújo Pereira, na revista VISÃO, nº 895, de 29 Abril 2010, na sua última página, subordinada ao título “Este país não é para corruptos”.

E o autor explora o tema, expondo o seu raciocínio: “(...) Que Portugal é um país livre de corrupção sabe toda a gente que tenha lido a notícia da absolvição de Domingos Névoa. O tribunal deu como provado que o arguido tinha oferecido 200 mil euros para que um titular de cargo político lhe fizesse um favor, mas absolveu-o por considerar que o político não tinha os poderes necessários para responder ao pedido. Ou seja, foi oferecido um suborno, mas a um destinatário inadequado. E, para o tribunal, quem tenta corromper a pessoa errada não é corrupto - é só parvo. A sentença, infelizmente, não esclarece se o raciocínio é válido para outros crimes: se, por exemplo, quem tenta assassinar a pessoa errada não é assassino, mas apenas incompetente; ou se quem tenta assaltar o banco errado não é ladrão, mas sim distraído. Neste último caso a prática de irregularidades é extraordinariamente difícil, uma vez que mesmo quem assalta o banco certo só é ladrão se não for administrador.
O hipotético suborno de Domingos Névoa estava ferido de irregularidade, e por isso não podia aspirar a receber o nobre título de suborno. O que se passou foi, no fundo, uma ilegalidade ilegal. O que, surpreendentemente, é legal. Significa isto que, em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer. É preciso saber fazer as coisas bem feitas e seguir a tramitação apropriada. Não é acto que se pratique à balda, caso contrário o tribunal rejeita as pretensões do candidato. "Tenha paciência", dizem os juízes. "Tente outra vez. Isto não é corrupção que se apresente."
”

Este é o país que temos!... Este é o retrato do nosso país!... Com ele terminamos esta trilogia.



Nota: negritos da nossa responsabilidade.

Aos Treinadores

Abaixo se transcreve o e-mail recepcionado da FNK-P e de interesse para todos os Treinadores:

De: FNK-P

Data: 28 de Março de 2011 15:18

Assunto: Regime Transitório - Equivalência de Treinadores

Exmos. Srs.


Pelo interesse e oportunidade que se reveste, informa-se que foi recepcionada do IDP a noticia abaixo transcrita:


“A plataforma PRODesporto encontra-se na fase de testes finais, o que não permitiu ainda iniciar o período que o IDP tinha definido (Fevereiro de 2011) para trabalhar com as federações desportivas sobre a sua utilização. Continuam a ser envidados todos os esforços para iniciar muito em breve o período em que, durante 1 ano (regime transitório) após a data de abertura do processo, os treinadores que frequentaram com aprovação os cursos de treinadores efectuados pela respectiva federação (artigo 25º do Decreto-Lei 248-A/2008), possam solicitar a correspondente cédula de treinador. O Instituto do Desporto de Portugal, IP irá garantir a divulgação do início deste período transitório, solicitando a colaboração das várias entidades directa ou indirectamente relacionadas com este processo.”


Com os meus melhores cumprimentos,

O Presidente da FNK-P

João Salgado


Nota: o mesmo conteúdo também se encontra na página da FNK-P em http://www.fnkp.pt/

Ética, política, justiça e desporto... e o retrato do nosso país! (II)


Ricardo Costa, na sua crónica do «Record» citada no penúltimo post, afirma que “o papel fundamental cabe ao denodo e à coragem dos senhores magistrados dos nossos tribunais, sejam os procuradores do Ministério Público, sejam os juízes, em todas as instâncias. Mais do que meros “funcionários” dos tribunais, os magistrados judiciários são agentes da preservação dos valores que as leis difundem. E o “funcionalismo” desprendido da carga ético-preventiva que uma boa decisão veicula tem sido nefasto: os arquivamentos e as absolvições em casos factualmente ricos (ou deficientemente investigados) contribuem para a proliferação das más práticas e o descaminho da noção de “vergonha”. Já basta quando é muito difícil investigar e pouco ou nada se obtém. Isto é, por cada evento de corrupção que se escapa com uma nebulosa argumentação jurídica, muitos outros, pelo exemplo de impunidade, se seguirão. Este é o drama. Extensível à agressão verbal, à violência física e ao dano patrimonial.
Depois, a lei. Quando vemos condenações por corrupção, temos visto que as penas não são cumpridas efetivamente. Para um jurista esta é uma consequência percebida porque admitida pela lei. Mas suspender penas pesadas não é compreensível pelo leigo, que aí vê um “perdão” do “sistema”. É claro que a suspensão da prisão justifica-se em muitos casos concretos. Mas terá de ser feita quase como regra inflexível quando a corrupção (ou crime próximo) merece 3, 4 ou 5 anos de prisão? Enquanto a lei não proporcionar outras soluções que invertam o descrédito, as condenações não terão efeito preventivo e o trabalho judiciário revela-se inglório.
A não ser para os sectários – verdadeiros “inimputáveis” em sede desportiva –, o desporto não pode deixar de contar para os relatórios da corrupção e do tráfico de influências ilegítimo. Não podem ser denunciados no balcão das autarquias ou na inspeção das empresas e “desaparecer” nos bastidores dos estádios e dos pavilhões: o país não conhece fronteiras no assalto à ética e à decência. Esta é a luta futura do nosso desporto. Que merece uma estratégia clara e integrada – entre o Estado (com meios), o Ministério Público (com ação), os juízes (com estudo e combatividade), as federações e as ligas (com exemplo) – num próximo Governo para Portugal: um desporto limpo de violência, de dopagem e de corrupção.”

Uma estratégia integrada também com quem ministra o ensino e a prática do desporto aos mais jovens: os treinadores. Veja-se o caso dos nossos vizinhos espanhóis que de 24 a 26 de Março realizaram em Vitória o II Seminário Nacional de Fomento do Desportivismo e Prevenção da Violência no Desporto em idades Escolares. Sim, o segundo...


Nós por cá, todos bem! !...


Nota: negritos da nossa responsabilidade.

Ética, política, justiça e desporto... e o retrato do nosso país! (I)


Ouve-se dizer que é preciso mudar mentalidades, quando afinal o que é preciso é criar novas mentalidades – os velhos do Restelo não conseguem pertencer à geração «à rasca»! – porque hoje já é futuro, ao contrário de antigamente. Ouve-se dizer que os valores estão em crise, quando afinal o que existe é uma mudança de valores – há a necessidade, isso sim, que os novos valores sejam éticos e morais. Ouve-se dizer que há uma crise política quando o que há é o interesse individual acima do colectivo – ética e política entroncam na justiça (Aristóteles). Há legislação desadequada à realidade actual, sendo por isso necessário reformulá-la, tendo em conta a liberdade de cada um e a liberdade do outro, a ética das normas, a ética do cumprimento da lei moral, dos deveres pessoais e sociais (Kant). Decidir e deliberar com respeito incondicional pelas pessoas e com equidade também fazem parte da justiça (Rawls). João Palma*, Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, diz-nos que geram controvérsia as acumulações de serviço pagas à mulher do Ministro da Justiça. E logo a seguir afirma:

“Estarei enganado mas, até prova em contrário, nada vislumbro de ilegal. Espere-se pelo fim das investigações, mas para já trata-se do pagamento devido de uma acumulação de serviço igual a tantas outras. O facto de ser a mulher do ministro em nada a pode prejudicar. Como não surpreende a posição contrária da hierarquia do Ministério Público, que amiúde distorce os princípios e a lei em função do que entende serem as necessidades do serviço e a gestão dos recursos, numa espécie de vale tudo. Mas manda a verdade que se diga que muitas outras acumulações, anteriores e contemporâneas desta, estão por pagar! E em casos em que, ao invés deste, o Estado foi condenado por sentenças transitadas em julgado, nalguns casos com execuções pendentes. Independentemente do resultado das investigações é fundamental que o Senhor Ministro da Justiça, antes de sair, regularize esses pagamentos. Terá de o fazer, se quiser honrar o seu passado político. E se, ao sair, não quiser levar consigo um estigma de que dificilmente se libertará no futuro. Está nas suas mãos. O tempo urge.”


Os destinos do desporto também estão nas mãos de alguém... dos dirigentes, dos políticos... e o tempo também urge! Mas este destino estará condenado se não criarmos novas mentalidades, se não lutarmos por valores éticos e morais, se não procurarmos uma justiça desportiva que respeite e que seja respeitada, se não tivermos dirigentes que respeitem a liberdade daqueles que pretendem dirigir (para serem igualmente respeitados) e se o desporto não for gerido com equidade.

Temos no Karaté praticantes que são simultaneamente treinadores e árbitros (logo, há acumulação de funções!), outros treinadores e dirigentes, outros treinadores, árbitros e dirigentes (há algo que se chama conflito de interesses!)... Citando João Palma, estarei enganado, mas, até prova em contrário, nada vislumbro de ilegal. Mas de não-ético sempre vislumbrei!

* http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/opiniao/joao-palma/assim-nao-sr-ministro, 28.03.2011.

domingo, 27 de março de 2011

Indignai-vos! Muitos são os motivos...

Hoje em dia, na sociedade actual, em qualquer cultura, em qualquer país, muitos são os motivos para nos indignarmos. O direito à indignação e à possibilidade de manifestarmos a mesma deveriam ser eleitos como valores actuais. Não era preciso ler o livro de Stéphane Hessel, recentemente editado pela Objectiva, para disso darmos conta!

Um manifesto de um homem de 93 anos dirigido aos mais jovens - até parece que a geração «à rasca» já o começou a «ouvir».

Se o autor nos diz que «a pior das atitudes é a indiferença» (p. 26), eu diria que, pela sua objectividade e pela possibilidade de o observarmos, o pior dos comportamentos é a indiferença.

E a diferença reside na realidade entre os que são indiferentes, os submissos, e aqueles que resistem, que denunciam, que actuam - os que se indignam e manifestam a sua indignação.

Abrindo um parentesis aqui, podemos ler no Correio da Manhã de hoje, na página 20, que Iara, uma menina com seis anos, transplantada com células do cordão umbilical, "sobreviveu à leucemia mas estrou em estado crítico no IPO do Porto, porque o antiviral Forcarnet está em falta em todo o País". Indignai-vos... por vivermos num país (escrevo com minúscula propositadamente!) como este!

Continuando agora sobre o que aqui vos vou deixando, neste blog, muitos têm sido os gritos de indignação. Muitos daqueles que os têm ouvido a eles não têm dado ouvidos e assim manifestam a sua indiferença...

Outros, pelo contrário, quer seja através dos comentários quer seja por e-mail, fazem-me recordar o lema do Liverpool inscrito nas paredes do estádio de Anfield Road - “YOU'LL NEVER WALK ALONE". A esses, a todos vós, o meu muito obrigado!

Para terminar - pois há quem diga que os meus posts são longos de mais - deixo-vos com Ricardo Costa, hoje no «Record», página 2, sobre "corrupção e desporto", a que hei-de voltar mais tarde:

"Chega até nós mais um relatório de uma organização não governamental que atesta que a impunidade da corrupção é promovida pela nossa lei e pelo sistema de aplicação da justiça. Desta feita foi a “Transparência e Integridade, Associação Cívica”, o braço nacional da Transparency International, que o confirmou. Algumas observações que resultam desse relatório: (i) a prescrição de processos não permite a punição dos crimes; (ii) o sistema judicial e os seus intervenientes são facilmente manipulados por arguidos detentores de maior influência política, social ou económica; (iii) não existe um “corpo estadual” com poderes especiais de investigação e prevenção da criminalidade económico-financeira."


Indignai-vos pois! O princípio de Peter e a lei de Murphy continuam irrevogáveis!


Nota: negritos e cor da minha responsabilidade.


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sábado, 26 de março de 2011

Metáforas...

António Simões, no passado dia 22, na sua crónica semanal “Com bola ou talvez não” em «A Bola», na página 47, fala-nos de metáforas... emprego de palavras em sentido figurado, em que a significação natural de uma palavra é substituída por outra, por virtude de relação de semelhança subentendida. Com a autorização do seu autor, transcrevemos integralmente “Metáforas...” parafraseando o seu conteúdo em relação à nossa modalidade, o karaté... porque ela se aplica também e porque para isso também obtivémos a autorização de António Simões!

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“Aprendi com Torga a ter grande admiração por aquelas pessoas muito pobres que nunca aparecem sujas nem rotas no meio da rua. (Nem falsas.) Que usam durante o dia, com a maior decência, o único fato que têm e que à noite, mal chegam a casa, o despem, o escovam, o penduram e ficam nuas diante da própria consciência, à espera de o vestir de novo, muito dignos, no dia seguinte. (Pois, eu sei: no karaté às vezes é preciso fugir da imagem bem composta dessa vida no espelho, quebrá-lo, porque a vitória está fora dele no campo ou não – e a candura, a humildade, a ingenuidade não ganham jogos e outros bons sentimentos menos ainda.)
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Aprendi com Dostoievski que há comboios cheios de pensamentos que, vertiginosos, nos atravessam a cabeça a toda a hora – e são um perigo. Porque vão desenfreados atrás do sonho, perdem o sentido, descarrilam. (Pois, eu sei: no karaté é ainda mais preciso abafar o gemido com o devaneio, o dobre a finados com a esperança. Prometer o paraíso sob a forma de um fundo, que venha quente do frio, ou sob a forma de um messias, que venha frio do quente , pode ser uma tentação se o que sobra é já quase só o desespero, a humilhação ou nada.)
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Aprendi com Roth que às vezes somos a metáfora que nos leva por um caminho de trevas de caixão às costas numa viagem que não pára porque o ponto onde deixá-lo está sempre a fugir-nos do destino de não percebermos que o que desejávamos cobrir com sete palmos de terra não vai no caixão, vai dentro de nós a destruir-nos ou a iludir-nos. (Pois, eu sei: no karaté isso ainda se nota mais. Quando desata a ser dor o suspirar pela glória que não vem logo uma voz se ouve agreste e se ergue até ao estrondo: a dos humores. Em forma de ilusão ou não.) E nas voltas em vão do caixão chega-se enfim ao instante em que vale mais o risco que o carpido e é por isso que eu acho que o próximo Director do Departamento de Formação da FNK-P, tal como o próximo Presidente da cadavérica Associação Nacional de Treinadores de Karaté, podem mesmo sair de uma roleta russa contra a tradição, a suspeita e o medo...
"

Nota: parafraseados a negrito.

sexta-feira, 25 de março de 2011

E de como um rato pariu uma montanha...

Anteontem, o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) anulou a pena de suspensão a Carlos Queiroz, considerando que o mesmo não tinha tido intenção de perturbar o controlo anti-doping realizado à selecção nacional em Maio de 2010 durante o estágio para o campeonato mundial da África do Sul, na Covilhã.

Recordamo-nos que o ocorrido só muito mais tarde veio a lume e através do Secretário de Estado do Desporto, tendo sido a suspensão de seis meses aplicada a Queiroz pela Autoridade Antidopagem de Portugal.

O jornal «Record» de ontem (página 18) salienta que num comunicado da mesma, presidida por Luís Horta, se afirma que “para esta conclusão contribuiu, decisivamente, o facto de os testemunhos de dois médicos da FPF, em Lausana, terem apresentado contradições com o que tinham afirmado no processo decorrido em Portugal por não confirmarem declarações anteriormente feitas e por terem procedido a diversas alterações dos factos então relatados”.

Pois é... primeiro os factos são uns, depois os factos são outros (tal como muitas vezes acontece no karaté)!

Rui Santos, na mesma edição (página 2) afirma que “um organismo tutelado pelo Estado não observou, com rigor, aquilo que estava sob escrutínio, decidindo em causa própria e sem condições «ab initio» para se colocar acima de quaisquer interesses pessoais e corporativistas” tal como já vai sendo hábito no nosso país... seja qual for a modalidade!

E a seguir realça que “este é um bom «caso de estudo» para se perceber como podem ser atropelados, sem dó nem piedade, os direitos de qualquer cidadão”, havendo muitos outros bons e belos «casos de estudo» que poderíamos evocar noutras modalidades – até no karaté (como exemplo, por que motivo pediu o seleccionador nacional a sua demissão e a Direcção da FNK-P não lha deu? Porque motivo não houve Cursos de Treinadores durante quase todo o 2010 e de repente eles aí estão todos - ou quase -?).

Rui Santos a terminar salienta ainda que “o que é grave é que pessoas supostamente responsáveis como deveriam ser o secretário de Estado do Desporto, o presidente do IND, o presidente da AdoP e a Direcção da FPF, montados em cima dos poderes que manobram o futebol português, viciado na sua falta de independência e contando com sectores da comunicação social ao serviço de interesses nunca confessados, aceitaram tudo misturar apenas porque decidiram que tinha chegado a hora de apear o seleccionador nacional. Ironia ou não, a queda das máscaras coincide com a queda do Governo.”

Também onde já vimos isto? Talvez num sítio onde os montados em cima dos poderes que manobram o karaté, viciado na sua falta de independência, aceitaram tudo misturar apenas porque decidiram que tinha chegado a hora de apear um determinado formador do Departamento de Formação da FNK-P...

De vez em quando, neste país o rato consegue parir uma montanha...
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quinta-feira, 24 de março de 2011

Em busca da grandeza

O Prof. Dr. Sidónio Serpa dá o sujestivo título de "Em busca da grandeza", esta semana, à sua coluna de opinião no jornal «A Bola» de terça-feira passada, na página 38.

Uma excelente crónica, que nos parece até excepcional, pois para além de incisiva vai directa ao assunto.

Com a devida autorização do seu autor aqui a transcrevemos na íntegra, para que ela chegue a mais leitores e para que se medite sobre o seu conteúdo.

---"O desporto apareceu para benefício das pessoas. Nas suas formas primitivas não tinha dirigentes para o enquadrarem nem treinadores para o orientarem. Mas praticantes sempre teve! São estes que dão sentido à actividade. Técnicos, dirigentes e gestores surgiram numa fase mais evoluída e encontraram justificação na missão de melhorar todos os factores da prática desportiva, dos atletas e do seu envolvimento, de tal forma que o desporto realize a finalidade última de contribuir para o bem-estar das sociedades.
---A estes princípios devem obedecer todas as organizações, onde se inclui o desporto e, portanto, todas as condutas dos seus actores. Porventura obra dos demónios ou da má formação das pessoas, ou da falta de entendimento sobre a finalidade do que fazem, ou da sua falta de competência, os que devem gerir e enquadrar tendem, demasiadas vezes, a visar o benefício próprio. Vaidade sem ética, poder com ausência de valores, benesses materiais ou sociais à sombra do estatuto justificam o envolvimento de alguns e consequente desregulação dos sistemas e práticas desportivas. Muito melhor estaria o desporto se o ser humano fosse mais respeitado, se não se fosse além do que se conhece e é capaz, se o interesse dos que se deve servir não fosse secundarizado, se a cultura vencesse a esperteza. Será isso exclusivo do desporto? A observação da realidade quotidiana prova que não. O País é disso o mais dramático exemplo. No desporto há quem pense que a vitória do clube, mesmo ilícita, se sobrepõe aos valores do bom desempenho ético no campo, como no País o interesse dos partidos e seus líderes se colocou acima do interesse nacional. Em algumas federações os pequenos interesses mesquinhos de alguns arruinaram anos de trabalho e a prática dos atletas*. Tal como vemos Portugal ser destruído por políticos que não percebemos se têm potencial de competência, mas verificamos que almejam derrotar os adversários mesmo que assim destruam o País e sacrifiquem o povo. Será difícil os políticos entenderem que nunca podem ser homens e mulheres em confronto pessoal buscando vitórias sem honra, porque a nobreza da missão que os transcende é juntarem-se para defender Portugal e os portugueses? Mas para isso é preciso ser-se Grande.”

*Aqui, humildemente, acrescentaríamos «e de treinadores...».

Não somos nós que o afirmamos. É o Prof. Dr. Sidónio Serpa!...


Nota: negritos da nossa responsabilidade.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Karaté e Pedagogia: quando o Mestre é um Pedagogo!


No estágio que terminou tivémos a oportunidade de observar o que devem ser as qualidades de um verdadeiro pedagogo. A par de treinos duros e intensos, o Sensei Onaga mostrou uma posição humana e compreensiva, sempre sem descurar a técnica, criando situações de alegria e de empenhamento, principalmente entre os mais novos, que são comprovadas pelas fotos abaixo.



Como diz Jesus Herrero, referindo-se à pedagogia de Sebastião da Gama, "a educação é mais uma arte do que uma ciência, pois consiste na tentativa de estabelecer a harmonia de todas as coisas do universo dentro de cada indivíduo. Cada coisa - e o homem também - é uma suma de relações. E só a arte é capaz de as adivinhar e reunir."