quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

De novo entre nós... desta vez para o 8º Estágio da PGKS

É já no próximo mês que o Sensei Onaga estará de novo entre nós, para orientar o 8º Estágio Nacional da PGKS. Teremos assim a oportunidade de trabalhar com o representante da Okinawa Goju-Ryu Karate-Do Kyokai para a Europa e poder deste modo usufruir do seu conhecimento e dos seus ensinamentos.


Num horário que será aproximadamente o que se segue, foram convidas a participar nos treinos gerais a Kaizen (KKP), a Jundokan (JIP) e a Seigokan (AKSP), todos eles a realizarem-se nas tardes de 18, 19 e 20 de Março. Os praticantes do Tapada Kids e do Quinta Grande Health Club, para além de participarem nestes treinos, terão os seus treinos específicos no sábado de manhã - cintos negros e castanhos - e no sábado à tarde - todas as idades e todas as graduações. O domingo de manhã será reservado para exames de graduação.


Tal como nos anos anteriores, na cerimónia de encerramento serão entregues os diplomas a todos os participantes e serão tiradas as fotografias de grupo. Contamos com a vossa presença...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Morbilidade: física e moral (parte II)

António Simões, também na edição de hoje de «A Bola», na página 47, fala «da vergonha» deste país.

Ao revisitar a vida de Albertina Dias, de como o atletismo a afastou da miséria e de como em 1993 fez o que nunca nenhuma portuguesa fizera e nunca mais nenhuma viria a fazer: ser Campeã do Mundo.

Conta-nos António Simões de como ela se casou com o seu treinador, Bernardino Pereira, de quem teve uma filha, e de como em 2003 o cancro lho retirou. E de como aos 37 anos se atreveu a ser treinadora fazendo de Ercilia Machado Campeã Nacional...

Em entrevista, Albertina Dias declarou: – Não quero que a minha filha passe o que eu passei...

E de como decidiu leiloar as suas medalhas na net por 70 mil euros...

–
Custa muito. É pedaço de mim que... que... Como um rim... Mas não posso comer as medalhas... Ando a fazer limpezas em duas casas, a cinco euros à hora...

Vejam-se os comentários de alguns "ignorantes" no «Correio da Manhã» online
(
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/sport/desporto/campea-mundial-de-corta-mato-poe-ouro-a-venda#comentarios) só porque este jornal passou a notícia que ganhava 15€ por hora... só neste país seria possível acreditar nisso... e não ver que era uma gralha!

Mas António Simões interroga-se já que “uma vez que em 2010 a Direcção-Geral de Contribuições e Impostos gastou 30 mil euros só em medalhas comemorativas do seu 160º aniversário e o Banco de Portugal 190 mil em moedas e afins - será que não há por aí organismo do Estado que compre as da Albertina e as vá depositar no Museu do Desporto?"

Ingrato país que não reconhece o ídolo que é gente e onde a morbilidade moral alastra cada vez mais...

Morbilidade: física e moral (parte I)

Ronaldo, «o fenómeno», terminou a sua carreira aos 34 anos... após oito cirurgias, lesões sucessivas e, por fim, hipotiroidismo. E terminou a carreira afirmando “tenho dores até a subir escadas”.

Cassius Clay no boxe, Tracy Austin no ténis, Charles Barkley e Pedro Miguel no basquetebol, Brian Laudrup, Matt Holmes, Roy Keane, Sebastian Deisler, Leandro Machado e Pedro Mantorras no futebol, Carl Lewis, Patrik Sjoberg, Mike Powell e Maurice Greene no atletismo, Jean-Luc Cretien e Mathias Lanzinger no esqui alpino, Cris Pringle no críquete, Karen Forkel e Jan Zelezny no dardo, Mark McGuire no basebol, Cathy Marsal no ciclismo, Kevin Everett no futebol americano – já vai longa a lista, e poderia até nunca mais acabar, daqueles que graças ao desporto são exemplos vivos de morbilidade física, pois graças a ele contrairam lesões vitalícias.

Hoje, na sua crónica semanal em «A Bola», página 40, Sidónio Serpa fala em Ronaldo, «ídolo que é gente», que foi ídolo mas que continua a ser pessoa... A imprensa que antes o glorificara acusou-o depois, com sarcasmo, de forma humilhante e impiedosa, de não ter cuidado com o peso... “Prevalecia o focus na dimensão do rendimento desportivo do jogador que já não cumpria a função, como outrora, de transmitir a imagem da perfeição fenomenal. Essa perfeição na qual se projecta o cidadão comum, incluindo os comentadores (...)”. Na sua despedida, perante centenas de jornalistas, perante todo o mundo, Ronaldo conta, chorando, como os últimos tempos foram dolorosos, com dores até quando pegava na sua filha ao colo, com dores pelo aumento descontrolado do peso devido à doença contraída. “Apesar de ter lutado em silêncio contra o sofrimento, no meio das lágrimas, pede desculpa ao presidente do seu último clube por ter falhado... E os, até então, críticos violentos que riam, faziam piadas e se zangavam, desvirtuando o profissionalismo do atleta, emudecem e choram. Não sei se de arrependimento, se levados por contágio emocional, se já com saudades da perfeição que não pode ser eterna expressão em campo da genialidade de alguns, mas pode sê-lo na memória dos adeptos. Ou se, finalmente, por tomarem consciência de que um ídolo também é gente. Que não obstante se elevar ao olimpo dos deuses por via do maravilhoso que é a expressão do seu desempenho desportivo, é frágil no seu sentir, sofre sem poder revelá-lo, absorve as críticas sem ousar partilhar pensamentos. Mas atleta é para consumo social e político, e pessoa é para morrer só, em casa, se já não se lhe reconhece utilidade”.

Sem dúvida, atleta é para consumo social e político, e pessoa é para morrer só, em casa... Garrincha, Vítor Batista...

Apesar de ter de reconhecer os dotes de Ronaldo, as suas capacidades e a sua técnica, ou seja, a sua arte, confesso que nunca fui grande fã de Ronaldo. Mas confesso também que acabei por passar a sê-lo ao ter de reconhecer a sua extrema humildade... Mea culpa!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

"Laurentino IVAS", de José Manuel Meirim

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Não resisto a publicar aqui a crónica de hoje no «Público» do Prof. José Manuel Meirim.

Tanto pelo seu conteúdo, como pelo seu estilo literário, vale a pena... Aqui fica!

1. A família Laurentino Dias é enorme, ou não estivéssemos perante um responsável (?) político. Recentemente, demos conta de um seu muito próximo (e querido) parente: o Laurentino IVAS.

2. Como Laurentino Dias, o nosso Laurentino IVAS é uma pessoa coerente, acima de tudo nas suas incoerências. Na oposição diz uma coisa, no Governo deste infeliz país faz outra e assim vai alternando, em espécie invulgar de bipolar, o seu viver político. O IVAS, como muitos da família Laurentino, tem sido um primor. Eis uma das suas mais recentes histórias.

3. No início de 2008, Laurentino IVAS disse que vinha aí uma decisiva medida para permitir o acesso dos cidadãos à prática desportiva: a tributação à taxa de 5% da prestação de serviços no domínio da prática de actividades físicas e desportivas (e não a 21%). Um desporto mais barato, logo, mais desporto. Mas, pasme-se, desde 2006 que a administração fiscal informava que a taxa já era essa e o Estado andava, assim, a arrecadar - indevidamente - 16% de imposto.

Todavia, ao que se soube, o preço dos serviços prestados pelos ginásios não baixou. E houve tomadas de posição, esclarecimentos e toda a banda saiu à rua. Laurentino IVAS esforçou-se (?), mas a Autoridade da Concorrência (em 2009) pronunciou-se "pela inexistência de um padrão de comportamento concertado entre os diversos operadores económicos investigados (...), não se verificando por isso elementos probatórios da existência de um entendimento concertado entre estas empresas".

4. E na confusão (de IVA) e engano do fazer exercício físico ou praticar desporto se foi vivendo - como sina deste infeliz país - até ao Natal de 2010.

5. Laurentino IVAS viu chegar um novo ano e também um novo IVA. O que já era 6% passou a 23%! Por que razão? Simples. O Orçamento do Estado de 2011 suprimiu a menção legal a "prática de actividades físicas e desportivas". A coberto da taxa reduzida ficaram agora "os espectáculos desportivos, provas e manifestações desportivas e outros divertimentos públicos". Assim, se o leitor adquirir um bilhete para um jogo de futebol, os serviços são tributados a 6%; caso entenda ir praticar desporto ou ter alguma actividade física, os dígitos são diversos, isto é, 23%. Sem tudo se tornar claro, aí temos o recente Ofício n.º 30124, do passado dia 14, da Direcção dos Serviços do IVA.

6. Só que, lá está, na sua linha de coerência bem específica, Laurentino IVAS, na Assembleia da República, em audição da Comissão de Educação e Cultura, no passado dia 25 de Janeiro, lá foi dizendo que a tributação ocorreria como em 2007 e 2008!

7. Não temos hipótese, seja Dias ou IVAS, ou IVA a dias, ou Dias com IVA.

O que há de comum entre Sidónio Serpa e Albertina Dias?


A primeira resposta à pergunta do título acima é que ambos dispensam apresentações.

O Prof. Dr. Sidónio Serpa é Doutorado em Ciências do Desporto com uma tese em Psicologia do Desporto, exerce funções docentes à largos anos na Faculdade de Motricidade Humana onde é responsável pelo Gabinete de Psicologia do Desporto, sendo também Presidente da International Society of Sport Psychology. Esteve nos Jogos Olímpicos de Atlanta e Sydney integrado no grupo de técnicos e especialistas da equipa olímpica de Vela.

Na sua crónica semanal em «A Bola» do passado dia 15, na página 31, sob o título «E depois?», o Prof. Sidónio Serpa dizia que "no príncipio era o gozo. O gozo da actividade física, do convívio com os companheiros do desporto, dos desafios colocados às habilidades, do sentir-se mais forte e resistente... Depois vieram treinos mais a sério, as competições, o sentir-se desportista como os seus ídolos." Mais adiante "eram as expectativas da família, treinadores e dirigentes, os olhares e comentários do público, as notícias dos jornais que só se interessavam pelas vitórias e criticavam sem verdadeiramente entender, o que chamavam insucessos. E havia o dinheiro que os bons resultados proporcionavam, mais os subsídios e vencimentos, mais os patrocinadores... Depois, a vida já estava dependente disso. A pressão começava a ser muito forte." E continua descrevendo a vida de um desportista de alta competição, que passa pelos Jogos Olímpicos, para quem a vida era o desporto! "Não havia algo mais... Sem se dar conta, foram os objectivos desportivos a curto e médio prazo que lhe foram determinando a vida. (...) Tinha sido levado a não se envolver noutros projectos. Nem estudos, nem profissão, nem afectivos... Agora, ao olhar para si e para a sua vida, só encontra um tremendo vazio."

E termina com o seguinte parágrafo: "os treinadores e os dirigentes, antes tão próximos e interessados, começam a não estar presentes. A imprensa e o público começam a esquecer ou a criticar, mais do que elogiar. A família continua lá, mas também perdida no meio de tudo. Afinal não entendem bem o que se passa, nem que deveriam ter ajudado a criar outros objectivos de vida. Finalmente, todas as seguranças, toda a formatação, todas as estruturas que apoiam um atleta de alta competição começam a esfumar-se. A vida tem de continuar. Mas para onde? E como?"

Apresenta-nos assim o Prof. Sidónio Serpa um produto descartável... que só tem interesse para o Estado enquanto serve, enquanto dá louros aos País... e ao Estado...

Mas regressemos ao título deste post, pois como poderemos verificar na edição do «Correio da Manhã» de hoje, na página 41, o título «Campeã põe ouro à venda» salta à vista!...

A notícia é sobre Albertina Dias...

Em 1990, no Campeonato do Mundo de Corta-Mato, individualmente, obteve a sua primeira medalha em competições internacionais. Em 1992, em Boston, conquistou uma medalha de bronze e, no ano seguinte, no Campeonato do Mundo de Corta-Mato de Amarobieta, alcançou finalmente a medalha de ouro. É esta medalha de ouro que a atleta colocou à venda, sendo a base de licitação 70 mil euros... E quais os motivos?

Transcrevendo agora, "contactada pelo Correio da Manhã, a ex-fundista não escondeu as dificuldades financeiras que atravessa. "Não posso pagar as quotas da Associação de Atletas, por isso não recebo nenhuma ajuda", explicou Albertina Dias, que está entre os cem desportistas do século em Portugal. A antiga recordista nacional, que agora trabalha como empregada de limpeza – recebe 15 euros por hora – tem-se desdobrado em contactos com a Federação Portuguesa de Atletismo, que se comprometeu a apoiá-la, mas acusa o organismo de ser pouco célere nas suas acções. "Há um projecto, juntamente com o Instituto do Desporto de Portugal e a Universidade do Porto, mas que ainda não começou. Já estou farta de promessas. Para mim, é como São Tomé: ver para crer (...)".

Pela Selecção Nacional Albertina Dias conquistou a medalha de prata nos Campeonatos do Mundo de Estrada em 1986, em Lisboa, a medalha de ouro em 1987, em Monte Carlo, a medalha de bronze em 1988, em Adelaide e a medalha de prata em 1989, no Rio de Janeiro. Nos Campeonatos do Mundo de Corta-Mato conquistou a medalha de bronze em 1990, em Aix-Les Bains, e duas medalhas de ouro no campeonato de Budapeste em 1994 e no de Ferrara em 1998, respectivamente.
Esteve também presente nos Jogos Olímpicos de Seul em 1988, nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 e nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996. Esteve presente em vários campeonatos do mundo (de Pista, de Pista Coberta, de Corta-Mato, de Estrada, de Meia Maratona), em Campeonatos Ibéricos e Iberico-Americanos, em Campeonatos da Europa de Corta-Mato e em cinco Taças da Europa.
Em Portugal, Albertina Dias foi campeã nacional de 3 mil metros em 1986, 1989 e 1991, tendo sido recordista nesta distância entre 1991 e 1994. Foi campeã dos 10 mil metros em 1993 e de corta-mato em 1995 e 1996. Além disso, foi recordista nacional dos 5 mil metros entre 1993 e 1995 e, em pista coberta, na distância de 3 mil metros deteve também o primeiro lugar do ranking nacional de 1991 a 1994.


Bendito o Estado que trata assim os seus maiores valores... mas já Camões assim foi tratado!!!

Estamos agora em condições de responder à questão colocada no título do post: nada há de comum entre estas duas pessoas do nosso Desporto, a não ser o facto de que, como homem da Psicologia que é, o Prof. Sidónio Serpa antecipou-se cinco dias sobre algo que iria vir a lume sobre Albertina Dias.

De comum, há dias e Dias...



Nota: um comentário online a esta notícia do C. M. às 13h.59m afirma que "ela foi ao Você na tv..chegou a este ponto pk o marido/treinador faleceu há 9 anos e tem dividas a pagar k n consegue suportar...os campeões dakela epoca n recebiam cm recebem os d hj...". Outro comentário, desta vez às 14h.19m refere que "A notícia fala em 15 euros quando devia dizer 5 euros."

(fotos: http://www.idesporto.pt/conteudo.aspx?id=61 e Jorge Amaral / http://www.cmjornal.xl.pt/pesquisa/albertina%20dias)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Os bons exemplos das boas práticas, devem ser aproveitados!

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A Federação Portuguesa de Rugby vai realizar uma acção de promoção e divulgação do jogo de rugby destinada a todos os Pais e Mães de jogadores e jogadoras de rugby, a qual será levada a efeito no próximo dia 26 de Fevereiro, no Estádio Universitário de Lisboa, com início marcado para as 10h15.
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Cá está uma iniciativa inovadora, um bom exemplo de boas práticas que deveria ser aproveitado para se levar a cabo a promoção e a divulgação do Karaté junto de Pais e Mães, e até restantes familiares, a fim dos mesmos conhecerem melhor a modalidade e principalmente as regras de competição e os sistemas de pontuação e de repescagem, assim como as sinaléticas dos árbitros e os fundamentos das provas de kumite e kata.

Tomaz Morais afirma hoje em «A Bola» (pág. 42), que "uma das lacunas nacionais é a falta de conhecimentos e cultura desportiva que não proporciona uma maior disponibilidade e participação dos pais na vida desportiva dos seus filhos. Ao não conhecerem a modalidade eleita, não se envolvem nem criam o ambiente favorável ao desempenho e empenho integral, tão importante ao crescimento saudável."

Mas como há falta de conhecimentos e de cultura desportiva por parte de Pais e Mães, também há uma falta de cultura de gestão, de estratégia e de organização de projectos por parte de dirigentes desportivos e de treinadores. Um dirigente desportivo pode ser um bom político e dar uma boa imagem para o exterior - the show must go on - mas se não souber arrumar a sua própria casa e orientar correctamente as suas tarefas internas virá o dia em que o show terminará em end... Um treinador pode obter constantemente vitórias sem estar a formar seres humanos e sem utilizar os métodos científicos e pedagógicos mais correctos... e virá o dia em que cairá do seu pedestal.

No seu blog (http://karateleiria.blogspot.com/), no post «Cursos da FNK-P», publicado a 13 do corrente, José Jordão ao referir-se ao final dos últimos cursos de Treinador Monitor da Federação Nacional de Karaté – Portugal afirma que "em Lisboa (...) fizeram um super turma de mais de uma centena de formandos… Quero deixar aqui uma anotação. Existiram suspeitas, isto para ser simpático e não dizer certezas, que alguns colegas aproveitaram o facto de ser muita gente e faltaram às formações, pedindo a colegas para assinarem por eles… A ser verdade, é mau! Estas atitudes de karaté não têm nada e entram num campo perigoso…" O que esperar de um futuro treinador que, a ser verdade, assim procede no seu próprio curso de formação? Que visão estratégica, científica e pedagógica existiu num curso de formação com cerca de 110 formandos?

Só mais um exemplo, talvez extremado, e também noticiado em «A Bola» de hoje, na sua última página: o ciclista Jordi Riera foi um dos detidos pela polícia espanhola numa operação contra uma organização que vendia doping a atletas. Riera, que correu o Giro em 2003, é suspeito de ter dopado um jovem de 17 anos que com ele treinava...


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Um comentário de Luís Leite no Blog "Colectividade Desportiva"

José Manuel Constantino escreveu na segunda-feira, 14 de Fevereiro, um post intitulado «Discute-se muito, mas debate-se pouco» no blog "Colectividade Desportiva" (http://colectividadedesportiva.blogspot.com/), o qual merece ser lido, assim como os respectivos comentários.

Ao 29º comentário Luís Leite disse:

"O Regime Jurídico das Federações Desportivas nunca foi discutido com as Federações.
Foi imposto pelo governo PS de maioria absoluta.
Aliás, com estes últimos Governos PS, só há conversa se as Federações se portarem bem e tiverem boas ideias que possam ser "roubadas" pela SEJD.
É que as Federações são dependentes financeiramente da boa vontade dos Governos.
E os Governos, através do IDP, nunca explicaram o porquê da atribuição às Federações das verbas consignadas nos diversos Contratos-Programa.
É assim porque sim!
Eu sei disto, porque durante alguns anos fui às chamadas reuniões de negociação, em que nunca houve negociação nenhuma.
Mais, aposto que os responsáveis do IDP nunca se deram ao trabalho de ler os Planos de Actividade e Orçamento entregues pelas Federações após a respectiva aprovação em Assembleia-Geral.
A coisa funciona, pelo menos há quase uma década, num regime do tipo ditatorial: toma lá e cala-te!
Debates ou consultas prévias institucionais às Federações nunca existiram.
É
assim que as coisas funcionam.
Infelizmente.
"
(17 de Fevereiro de 2011 18:21)


Elucidativo... Mas conviria perguntar também se quem aprova os Planos de Actividade e Orçamento assim como os respectivos Relatórios e Contas nas AG das Federações os lê, de facto, e os passa a pente fino... ou se só vai à AG para levantar o braço!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Novos Corpos Sociais na Confederação Portuguesa das Associações de Treinadores - 2011/2014

Com a devida vénia, transcrevemos do site da CPAT (http://www.cpat.pt/) a notícia sobre o seu último acto eleitoral:

Realizaram-se no passado dia 29 de Janeiro de 2011 as Eleições para os Corpos Sociais de 2011-2014. A única lista candidata foi eleita com 10 votos expressos em urna e 2 não contabilizados expressos via electrónica:

• Mesa da Assembleia Geral – António Vasconcelos Raposo, Manuela Simões e Graça Simões
• Direcção – José Curado, Mário Azevedo Gomes, Fátima Monge da Silva, Alfredina Silva e Joana Carvalho
• Conselho Fiscal – Orlando Duarte, Luis Rocha e Filomena Santos

(foto:http://www.cpat.pt/index.php/pt/informacoes/noticias/102-eleicoes-2011-14)

São associadas da CPAT as seguintes Associações:

ATAP - Associação de Técnicos de Andebol de Portugal
ATAP - Associação de Treinadores de Atletismo de Portugal
APTB - Associação Portuguesa de Treinadores de Badminton
ANTB - Associação Nacional de Treinadores de Basquetebol
ANTB - Associação Nacional dos Treinadores de Boxe
APTDG - Associação Portuguesa de Treinadores de Desportos Gímnicos
ATDT - Associação de Treinadores de Duatlo e Triatlo
ANTF - Associação Nacional dos Treinadores de Futebol
ANTG - Associação Nacional dos Treinadores de Golfe
ANTHP - Associação Nacional dos Treinadores de Hóquei em Patins
ANTJ - Associação Nacional de Treinadores de Judo
ANTK - Associação Nacional dos Treinadores de Karaté
APTLA - Associação Portuguesa dos Técnicos de Lutas Amadoras
APTN - Associação Portuguesa de Técnicos de Natação
ANTREMO - Associação Nacional de Treinadores de Remo
APTR - Associação Portuguesa de Treinadores de Rugby
APTT - Associação Portuguesa dos Treinadores de Ténis
APTTM - Associação Portuguesa dos Treinadores de Ténis de Mesa
ANTT - Associação Nacional de Treinadores de Tiro
ANTV - Associação Nacional de Treinadores de Voleibol
ATV POR - Associação de Treinadores de Vela de Portugal

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Portugal no 38º Campeonato Europeu de Cadetes e Juniores e no 3º Campeonato Europeu Sub 21

Do site da FNK-P, publicada ontem, transcrevemos a notícia sobre a participação de Portugal no 38º Campeonato Europeu de Cadetes e Juniores e no 3º Campeonato Europeu Sub 21 em Novi Sad, na Sérvia:

"Foi um êxito a participação de Portugal no 38º Camp Europeu de Cad/Jun e 3º Camp Europeu Sub 21 - Novi Sad. Após a Atleta Maria Teresa Santos ter obtido a medalha de bronze em Kata Cad Fem., Patricia Cardoso já medalhada em Paris, asfaltou a estrada do êxito com a medalha de prata em Kata Jun Fem.. O atleta Filipe Reis, também com uma extraordinária presença, obteve a medalha de bronze em Kum Sub21 +78kg. Os restantes atletas honraram o Karate Português com as suas elevadas prestações.
Aos seus Treinadores, José Carvalho (NPK) e Elias Santos (LNKP), os nossos Parabéns. À Equipa Técnica liderada pelo Seleccionador Joaquim Gonçalves, as nossas felicitações pela forma como o processo tem sido conduzido e os pelos êxitos obtidos.
Finalmente uma palavra de respeito e reconhecimento aos nossos Árbitros Joaquim Fernandes, Fernando David, José Chagas, António Pula e José Garcia que deixaram a qualidade técnica das suas acções na presença em 8 finais e inúmeras arbitragens, aliás, reconhecido também pelos seus pares internacionais. O nosso Árbitro Fernando David obteve o pin de bronze pelos seus 10 anos de carreira na Arbitragem Internacional.
O nosso muito Obrigado!
"

A todos também as nossas felicitações pelo seu desempenho. Só agora, através da informação prestada, temos a oportunidade de felicitar também os árbitros presentes...

No entanto não poderemos deixar passar um reparo numa altura em que a informação é simultânea do acontecimento, numa "sociedade da informação", onde telemóveis, portáteis e internet são instrumentos mais que comuns... Este blog conseguiu noticiar as subidas ao pódio dos nossos atlertas no próprio dia em que tal aconteceu. Um organismo institucional só dois dias depois de terminado o evento dá a conhecer os seus resultados...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Acerca do Regime Jurídico das Federações Desportivas num Estado de Direito

Ontem sábado, o Prof. Dr. José Manuel Meirim, no programa "Em Nome da Lei", da Rádio Renascença, com edição de Marina Pimentel, declarou que "as federações desportivas são, hoje em dia, o pior que existe na administração pública portuguesa porque vivem com o pesadelo que vem de trás que é «nós somos autónomas, nós somos livres» e «porque de alguma forma o Estado nos sonegou aquilo que foi sempre nosso sem intervenção estatal» comportam-se no dia a dia, nomeadamente no âmbito disciplinar, o que é gravíssimo, com essa autonomia e essa independência e com esse afastar das normas públicas e dos poderes públicos e da missão pública que lhes compete." (penso ter transcrito de ouvido correctamente...).


Ontem também, Orlando Afonso, Juiz Conselheiro, publica um texto no Correio da Manhã, página 18, intitulado "Estado de Direito", que merece leitura atenta:

"
A fórmula "Estado de direito" sugere que entre o comando de quem exerce a soberania e a norma subsista uma estreita relação. Se quisermos dar à expressão "Estado de direito" um significado forte, impressivo, convém pensar numa relação empenhada entre o direito e o poder soberano: uma relação em consequência da qual a vontade soberana encontra limites não só formais mas substanciais.
O "Estado de direito" é um Estado submetido ao direito: um poder submetido à lei. E a lei e o direito não podem ser formas vazias de conteúdo ou um conjunto regulamentar de interesses contingentes de que hoje nos servimos e amanhã se deitam fora como quaisquer lenços de papel. O direito condensa, em si, valores, expectativas, visões socialmente partilhadas num determinado contexto histórico.
O poder judicial independente, num "Estado de direito", não é uma benesse do poder executivo ou do poder legislativo aos "governados". É uma exigência dos cidadãos em democracia.
Um poder judicial independente constitui uma garantia de que a lei e o direito não são meras formulações abstractas e de que nem uma nem outro são instrumentos ao serviço dos mais fortes.
Um poder judicial independente, mais do que garantir que a lei é igual para todos, tem de garantir que todos são iguais perante a lei."

Sem veleidades jurídicas, queria aqui colocar algumas questões:

1 - O RJFD é constitucional? Já foi apreciado pelo TC, ou estará para apreciação? Que instituição (ou instituições, ou entidades) tem competência para o enviar ao TC para apreciação?
2 - O RJFD é ou não uma intromissão do Estado no livre associativismo?
3 - Num Estado de Direiro deve ser a AG de uma federação a eleger o CD e o CJ?
4 - A representação numa AG de uma modalidade profissional terá de ser semelhante à representação numa AG de uma modalidade não-profissional?
5 - Das sessenta e tal federações que adaptaram os seus estatutos, nenhuma o fez contornando a lei?


Isto porque, segundo a minha modesta opinião, a lei serve para quatro coisas: (1) para ser cumprida; (2) para ser violada e aplicadas as respectivas sanções; (3) para ser contornada e (4) para ser modificada.

Portugal soma e segue: três medalhas é inédito... e é obra!

Contacto recebido em directo às 13h.58m dava-nos a conhecer que Filipe Reis, em Sub21, na categoria de Kumite +78Kgs., tinha conquistado a medalha de bronze em Novi Sad.

8-0 ao cipriota M. Ilarionos no primeiro combate, 2-0 ao bielorusso A. Grinevich, 1-0 ao eslovaco H. Jahic e eis Filipe Reis na meia-final da poule contra o croata M. Tomazin, da qual sairia derrotado apenas por 1-0.

Na repescagem, Filipe Reis impôs-se a V. Mitic, um homem da casa, por 5-4, alcançando assim o 3º lugar.


Com uma medalha de prata e duas de bronze, os portugueses não se esquecerão tão facilmente de Novi Sad nem da Sérvia.
Parabéns a todos os integrantes da equipa, mesmo para aqueles que aguardam uma próxima...

Última hora: mais uma medalha para Portugal...

Patrícia Cardoso chega à medalha de prata em Kata Junior... pois continuam a decorrer os 38º Campeonato Europeu de Cadetes e Juniores e 3º Campeonato Europeu de Sub21, em Novi Sad, na Sérvia.

Depois de derrotar a competidora da Bosnia Herzegovina A. Adilovic (Seienchin contra Jion), Patrícia Cardoso defrontou a sueca M. Karlsson opondo a sua Sepai a uma Bassai Dai e passando assim aos quartos de final. Confrontando-se com a montenegrina M. Vuksevic, a Annan da nossa competidora superou a GojushioSho da adversária, colocando-se assim nas meias finais. Aqui coube-lhe como adversária a italiana L. De Frenza que apresentou Unsu, a qual foi superada pela Suparimpei de Patrícia Cardoso.


A nossa competidora só viria a sucumbir na final, contra a eslovaca D. Balciarova...

Um resultado altamente positivo, estando mais uma vez de parabéns José Carvalho, Joaquim Gonçalves e a FNK-P na pessoa do seu Presidente, João Salgado.

Pouco faltou para se houvir o Hino Nacional... e como não há duas sem três, aguardemos por amanhã!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Finalmente... terra à vista!

No 38º Campeonato Europeu de Cadetes e Juniores e 3º Campeonato Europeu de Sub21, realizado em Novi Sad, na Sérvia, Portugal subiu ao pódio em cadetes.

A competidora Maria Teresa Santos alcançou o 3º lugar na prova de Kata. Na 1º eliminatória venceu a Escocesa K. Reid por 5-0, na 2ª eliminatória venceu a Grega M. Markopoulou por 5-0 e na 3º eliminatória venceu a Bulgara M. Hristova também por 5-0. Tendo a seguir uma adversária de peso, perdeu na final de poule por 5-0 contra M. Morata, da nossa vizinha Espanha. Na disputa da medalha de bronze ganhou mais uma vez por 5-0 a uma competidora da Turquia.

Finalmente, começa a haver terra à vista! Os meus parabéns ao treinador pessoal desta competidora, José Carvalho, assim como a toda a Equipa Técnica e, em especial, ao Seleccionador Nacional Joaquim Gonçalves. Parabéns também à própria FNK-P.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

E mais outra do Correio da Manhã...

Publicada na edição de ontem na sua penúltima página, mais uma do "humor bananal" do Correio da Manhã...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Palavras do Prof. Dr. Jorge Olímpio Bento

"Não se esqueçam de que só progredimos, se crescermos por dentro, se nos carregarmos de convicções, de princípios e deveres, se tirarmos o máximo possível das coisas mínimas em que realizamos a profissão e esgotamos a vida; se nos construirmos como uma grandeza balizada por matéria e espírito, pela matéria das nossas realizações conjuntas, pelo espírito dos ideais que nos animam e congregam. O estímulo tem que nos vir da grandeza que queremos alcançar, da obra que queremos edificar, do legado que ansiamos deixar. Porque a criatura é a imagem e a medida da dimensão do criador, sejamos uma incomensurável disponibilidade!"

Palavras do Prof. Dr. Jorge Olímpio Bento na sessão comemorativa do Dia da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, realizada em 10 de Março de 2010. Palavras actuais, embora proferidas quase há um ano... E provavelmente actuais num futuro tanto próximo como distante...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Aos mais antigos... uma proposta de reflexão!

Imaginemos que somos anões e que tudo aquilo que temos de aprender, ou tudo aquilo que somos obrigados a fazer, nos é imposto por gigantes que circulam à nossa volta... Suponhamos que nos encontramos de repente mergulhados num mundo severo e rigoroso, onde temos de ter atenção a tudo e onde temos de nos concentrar nas tarefas a executar, no qual temos de realizar movimentos até então desconhecidos, alguns até assimétricos, executá-los com perfeição, memorizar sequência dos mesmos e que, ainda por cima, cada um deles tem um estranho nome...

E após estas hipóteses, não teremos acabado de entrar no mundo das nossas crianças que aprendem Karate-Do?...




Será que já equacionámos se é a criança que tem de se adaptar ao Karate-Do, ou se é este que tem de se adaptar a ela própria? Como responsáveis, poder-nos-emos limitar a transmitir a técnica?

Como responsáveis, poderemos deformar em vez de construir? Ser-nos-á permitido transmitir só conhecimentos e não criar condições que permitam a aquisição harmoniosa dos mesmos?

Estaremos a contribuir para uma formação desportiva e pessoal de futuros adultos?




Quando tanto se fala em que é necessário repensar o modelo competitivo dos mais novos, quando se aborda a problemática do ensino do Karaté às crianças, quando tanto se propala o seu desenvolvimento harmonioso e equilibrado, lembrámo-nos de desenterrar um velho texto no n.º 2 do «Sendatsu», publicado pela PGKS em Maio de 2002 e assinado por Cristina Lopes, com o título deste post e que transcrevemos dada a sua actualidade... quase nove anos depois!

Quando se fala no modelo de formação italiano preconizado por Pierluigi Ashieri, com o qual concordamos na íntegra, apesar de entre nós existirem os seus detractores, recordamos as vantagens de um modelo de ensino pedagógico e completamente cientificado. De qualquer modo, nada que há muitos anos não se fizesse embora mais empiricamente (até porque "a imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação envolve o mundo." como disse Einstein), pois o desenvolvimento do domínio do corpo e da percepção espaço-temporal são fundamentais durante as fases sensíveis do desenvolvimento. Mas a necessária atenção também deverá ser dada ao domínio do objecto - de vários objectos ao "objecto" ser humano, companheiro e adversário - assim como à sociomotricidade (esta última com futuras implicações éticas, morais e axiológicas). Não são só as capacidades condicionais que relevam importância, mas as coordenativas e as psico-cognitivas dinâmicas também... e principalmente!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Protect Yourself From Youth

A credibilidade que Rob Redmond nos garante leva-me a trancrever o seu post de 19 de Janeiro em http://www.24fightingchickens.com/ e que aqui vos deixo:

"Instructors, beware. If you are male, and you are every in the presence of or responsible for youth, you are at risk. If you ever allow any other adults in your karate club in the presence of youth, you are at risk. Our society has lost all sense of reason when it comes to accusations, even false ones, of child abuse. Be warned. You need to take precautions, or the youth you seek to advise, mentor, and guide can be the worst enemy you’ve ever had.

Here are some recommendations for instructors to follow when allowing youth members into the karate club:

1. Never allow any adult to be in the presence of youth without another adult present as a witness (always three, never two) who can see you from where they are. No going around the corner for a one on one talk. No one-on-one talks.
2. Never allow any youth to disrobe in the presence of other adults. You need separate dressing areas or locker rooms, or you need to have people take turns using them.
3. Never put your hands on any youth for any reason unless it is your own child
4. Never send a youth out of a class to be alone in a hallway or lobby where other adults might be.
5. Never allow an adult to fulfill any sort of role interacting with youth without first running at least a local background check on them using their SSN and your police department.

I do not make these recommendations because the children are at risk from being abused, molested, or kidnapped. The chance that any youth would be harmed by any adult is astronomically low, and the stories that scare the crap out of everyone are anecdotal and rare. Out of hundreds of millions of children, a statistically insignificant number are ever at risk.

The greater possibility is that you will be falsely accused with no witness to testify on your behalf. That a parent will hear something their child says, panic, and notify authorities and begin the process of destroying your life and your reputation so rapidly and violently that you, despite being innocent of any wrong-doing, find yourself having to move to a different state just so you can find employment.

If you allow yourself to be alone with youth, or even worse, alone while changing into your karate uniform, you are setting yourself up. Protect yourself. Protect yourself from youth."

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Mais uma do Correio da Manhã!

Quem leu ontem o jornal «Correio da Manhã», na página 51, dedicada ao "humor bananal", deparava-se com a foto abaixo...

Será que com 13.300 Euros mensais, mais as despesas de representação de 160 mil Euros anuais (segundo Rui Santos, no jornal «Record» de 18.11.2010, p. 2), ao fim de 14 anos, ainda há a necessidade de haver mais "pirataria"?

O que me faz vir à memória Ana Bacalhau, dos Deolinda, na sua última canção, quando afirma:

"Sou da geração sem remuneração
(...)
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
"

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Aumenta a violência das claques nos recintos desportivos

A Unidade Metropolitana de Informações Desportivas (UMID) da PSP de Lisboa, só na presente temporada desportiva (2010/2011) conta já com mais participações de contra-ordenações registadas em recintos desportivos do que em toda a temporada passada.

Na corrente época, que vai em pouco mais de metade, a UMID emitiu já 39 autos de notícia por contra-ordenações em recintos desportivos como arremesso de artefactos explosivos e objectos contundentes, ou ainda actos xenófobos e racistas. "A acção da UMID, neste âmbito, é regulada pela lei 39/2009, o regime jurídico contra a xenofobia, racismo e violência no desporto", disse ao CM o subcomissário Sérgio Soares, chefe da UMID.

Estes números são uma subida em relação aos 34 autos de toda a época 2009/2010. "Trata-se de contra-ordenações registadas nos jogos em casa e fora dos clubes da área de acção do Comando de Lisboa da PSP, em todas as modalidades, com especial incidência para o futebol, e os clubes Benfica, Sporting, e Belenenses", acrescentou o responsável policial.

Em 2008/2009 contabilizaram-se 70 autos e sem termo de comparação com 2009/2010 estão os autos criminais passados pela UMID na presente temporada, pois já há 40 processos enviados para o Ministério Público para procedimento judicial.


(Fonte: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/aumenta-violencia-de-claques
, 31.01.2011)


Uma de ouro, três de prata e uma de bronze!

E foi assim que terminou a honrosa participação nos Mundiais de Atletismo dos Paralímpicos! Cinco medalhas... 18 participantes... e nada de primeiras páginas... nem de transmissões televisivas...

E é assim que Luís Afonso apresenta hoje o seu "Barba e cabelo" na última página de «A Bola»!
O facto de sermos adeptos de uma actividade ilegal não nos pode criar problemas com a justiça? Pode, mas não seria a mesma coisa... E o que é que vai acontecer? Nada!!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Aqueles de que ningém fala!...

Decorrem os mundiais de atletismo para atletas com deficiência na Nova Zelândia. Luís Gonçalves conquistou a medalha de prata nos 200 metros (categoria amblíopes), e já se tinha sagrado campeão mundial nos 400 metros, tendo-se também qualificado em segundo lugar nos 4x100 metros estafeta.

Lenine Cunha conquistou a medalha de prata no salto em comprimento (categoria deficiência intelectual), ao alcançar os 6,74 metros.

Inês Fernandes também arrecadou a medalha de bronze no lançamento do peso na mesma categoria, com 11,45 metros.

A representação portuguesa é composta por 18 atletas e a competição junta mais de 1000 atletas oriundos de 73 países.

Mas estes atletas não fazem "manchete", tal como não faz a execução por enforcamento de Zahara Bahrami, iraniana com nacionalidade holandesa, detida durante as manifestações contra Ahmadinejad em 2009, e que familiares e várias organizações humanitárias dizem ser esta a maneira de o Irão silenciar mais um opositor político.

Maneiras de silenciar as pessoas há muitas... mas nem sempre surtem o efeito desejado!
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sábado, 29 de janeiro de 2011

Governar por decreto: nem sempre "quem pode manda"!

A proposta de revisão dos estatutos da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) foi hoje chumbada na generalidade por "insuficiência de maioria qualificada" pelos sócios ordinários do organismo, em Assembleia Geral extraordinária.

Segundo as notícias de última hora de hoje que podemos constatar on line no jornal "Correio da Manhã" (http://www.cmjornal.xl.pt/noticias/sport/desporto) dos 500 votos, o total do quorum da reunião magna, 353 foram a favor, o que corresponde a 70,6 por cento, quando eram necessários 75,0 por cento, mais um, e 147 contra (29,4 por cento).

Lourenço Pinto, advogado e Presidente da AF do porto, em extensa entrevista no suplemento Sport de hoje do mesmo jornal, páginas 2 e 3, afirma que "Sob o plano jurídico, a aprovação dos estatutos viola o direito ao associativismo e é uma intromissão do Estado no direito de livre associação. Com os novos estatutos pretende-se impor o número de sócios, a percentagem de representatividade de cada sócio em futuras assembleias gerais e pretende-se igualmente impor delegados. Mas o que viola efectivamente é que o Estado queira atribuir aos sócios um número fixo de delegados. É uma medida discricionária. O Estado teve uma intromissão ilegal."

Um pouco mais à frente refere que "ainda na quinta-feira o Conselho de Justiça da Federação deu um parecer em que considera que o Regime Jurídico das Federações Desportivas viola a Constituição [artigo 46 número 1] por implicar uma limitação à liberdade de organização das associações de direito privado."

Ao ser questionado sobre se "o princípio da proporcionalidade com a alteração dos estatutos é um dos pontos de que discorda", Lourenço Pinto responde afirmativamente, declarando que o actual Regime Jurídico das Federações Desportivas se trata "de uma protecção total ao futebol profissional."

E agora? Quando todas as outras Federações correram a aprovar os "seus" novos estatutos...

Quem estará, por exemplo, representado na AG da nossa Federação? As grandes associações, tal como anteriormente, só que nesse "anteriormente" as pequenas associações pelo menos tinham o direito constitucional de se poderem fazer ouvir, mesmo que fossem derrotadas em votação... Quem irá, por exemplo, representar os Treinadores de Karaté na AG da nossa Federação?

O Correio da Manhã de hoje também publica na sua página de humor, a página 44, a foto que abaixo reproduzimos com a devida vénia. A ela retomaremos daqui a uns tempos...



O Professor Dr. José Manuel Meirim declarou à TVI 24 que o «chumbo» da proposta de adaptação dos estatutos da Federação Portuguesa de Futebol ao Regime Jurídico das Federações Desportivas, que considera «inconstitucional», colocam a bola no lado do Governo, ao mesmo tempo que também é da opinião que a «embrulhada» a que chegou o futebol português é mais «uma questão política» do que jurídica... apetece-nos dizer que «o Direito a quem é do Direito, a Política a quem é da Política, e o Desporto a quem é do Desporto»... o que equivale a apetecer-nos dizer que...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Uma efeméride que merece ser comemorada...

-----A Faculdade de Motricidade Humana comemorou esta semana os seus 71 anos. Antecederam-na o INEF, de 1940 a 1975 e o ISEF, até 1989.
-----Muitos dos que são actualmente Treinadores de Karaté e/ou Formadores da FNK-P por ali passaram...
-----Aqui quero deixar uma pública homenagem àqueles com quem, naquela casa, muito aprendi e que ainda hoje continuam a contribuir para aumentar os meus conhecimentos, tentando não esquecer nenhum: os(as) Profs.(as) Drs.(as) Pedro Sarmento, António de Paula Brito, Sidónio Serpa, Carreiro da Costa, Maurice Piéron, Ana Leça-Veiga, Gomes Pereira, Carlos Colaço, César Peixoto, Gustavo Pires, Manuel Sérgio, António Rosado, José Alves, Salomé Marivoet, José Diniz, Carlos Neto, e, em especial, ao Prof. Dr. Vítor Ferreira assim como ao Prof. Dr. José Manuel Meirim.
-----Embora não directamente ligados a esta Faculdade, mas colaborando com a mesma por vezes, os meus agradecimentos também à Prof.ª Dr.ª Zélia Matos e aos Profs. Drs. Jorge Olímpio Bento e Eric Dunning pela oportunidade que me deram de alargar os meus horizontes.
-----Comemorar esta efeméride é mais um marco neste ponto de referência.

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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ainda não foi desta... será da próxima!

Disputou-se em Madrid, no passado dia 22 de Janeiro, o XIV TROFEO INTERNACIONAL DE KARATE / XI MEMORIAL RUBEN SÁNCHEZ “COLLADO VILLALBA”, em que Portugal se fez representar por uma selecção constituída por Rafael Sequeira, Álvaro Varela, Henrique Ramos, Pedro Pinto, Nuno Moreira, Jorge Machado e Inês Sousa, sendo a mesma acompanhada pelo Seleccionador Regional da zona sul, Carlos Saúde, assim como pelo Árbitro Internacional da EKF José Garcia e ainda pelo Presidente da FNKP, João Salgado.

Para além da Selecção Portuguesa participaram nesta prova 10 Selecções de Regiões Autónomas de Espanha e 14 Clubes da Comunidade de Madrid.

Fontes não oficiais indicam-nos que Portugal saíu derrotado face à Selecção da Região de Aragon, equipa que se viria a classificar em 3º Lugar. A derrota aconteceu por 3-2, sendo as vitórias lusas obtidas por Nuno Moreira e Jorge Machado.

As classificações em AUTONOMIAS KUMITE foram as seguintes: 1º MADRID – A, 2º MADRID – B, 3º ARAGON e CATALUÑA. Em CLUBES KUMITE os resultados finais foram: 1º ANTONIO TORRES II, 2º AINHOA VALDEMORO, 3º EVARISTO CRIADO e ANTONIO TORRES.

Ainda não foi desta... será da próxima!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Paga o desporto, pagam os jovens e as crianças!

-----Na sua edição de hoje, na última página do Jornal «A Bola», constatamos que no México, sete jovens de uma equipa amadora de futebol foram ontem assassinados enquanto se realizava um jogo integrado num torneio local, tendo ficado feridos outros dois futebolistas.

(foto: Raymundo Ruiz / AP Photo)
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-----Nessa mesma edição, na página 33, o Prof. Dr. Sidónio Serpa fala-nos do "Alarme no desporto escolar", afirmando que "as alterações no funcionamento das escolas, que se desenham, vêm associar-se a outras barreiras à prática da actividade física que têm vindo a verificar-se nas sociedades ocidentais e que têm sido facilitadoras do sedentarismo. (...) Um bom caminho, se a intenção é diminuir o nível de saúde física, mental e social dos jovens portugueses..."
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Portugal dos pequeninos...

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-----O meu amigo Joaquim Gonçalves, Professor de Educação Física, Formador da FNK-P e Seleccionador Nacional de Karaté, na acção de formação de 22 de Janeiro na FMH teve a oportunidade de nos dizer que “Mourinho defende aqueles que estão com ele até à exaustão” mostrando assim um verdadeiro trabalho de equipa.
-----Não perdi a ocasião de, nesssa mesma acção de formação, complementar as suas palavras, aquando da minha intervenção, afirmando que essa é a grande diferença entre um líder e um gestor. E agora justifico, porque, como disse Leo Rosten (1908-1997), escritor nascido na Polónia debaixo do domínio russo, “profissionais de primeira categoria contratam pessoas de primeira, enquanto profissionais de segunda contratam gente de terceira”. E como também disse este mesmo autor, “os extremistas julgam que comunicar é concordar com eles”.
-----Porque na nossa modalidade a procura do poder e do protagonismo por alguns (felizmente alguns!) é uma constante... o que os leva muitas vezes a intervirem em áreas que não são da sua especialidade! Porque na nossa modalidade quando há uma equipa é difícil descortinar o líder e o gestor (porque o líder quer ser gestor e o gestor quer ser líder e acaba por haver o líder-gestor-omnipotente-autocrático*) e por isso as divergências não se resolvem internamente no seio da mesma acontecendo sempre cisões... porque alguém tem de fazer prevalecer a sua opinião...
-----O que me fez lembrar uma crónica sobre José Mourinho, escrita por Duarte Moral, e que não resisto a transcrever, pois é um exemplo para o Karaté nacional e que nos mostra como devemos pensar grande:
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«Contra o Portugal dos paninhos quentes, das meias-palavras, do meio-termo. Contra o Portugal da meia-dose, dos caldinhos de galinha, dos brandes costumes, dos medos de correntes de ar, dos medos do próprio ar, dos medos de tudo e de nada, até do medo de ir em busca da própria felicidade. Contra o Portugal do “desculpem qualquer coisinha”, dos “pobrezinhos mas honrados” e do “cá vamos indo”. Contra o Portugal reverendo e obrigado, o Portugal “feira e cabisbaixa” e “remorsos de todos nós”, de que falava Alexandre O’Neill. Contra o Portugal bafiento, do orgulhosamente só e das gloriosas vitórias morais. Contra o Portugal conformado, das mãos nos bolsos, da inércia, dos braços caídos. Contra o Portugal medroso e desistente, que não corre riscos, que não se aventura, que fica em casa. Contra o Portugal corroído pela inveja, pelo ciúme, pela desconfiança do outro. Contra o Portugal pequenino, contra os pequeninos de Portugal.
Parabéns, José Mourinho, português e orgulhoso, português e confiante, português e vencedor. Sim, nós podemos.»
(
Duarte Moral, “Em Bolandas”, Correio da Manhã – Sport, 15.Jan.,2011, p. 20.)
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E como já disse, não sou admirador incondicional de Mourinho, pois por vezes detesto a sua vaidade e alguns dos seus métodos...
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*Neste ponto, quase que me apetece remeter-vos para o Sr. Smith, "O Perfeito" do meu amigo José Ramalho em http://gojuhoshindo.blogspot.com/ ou para uma história excepcionalmente bem contada, a "história de uma rã", a rã cozida, em http://www.youtube.com/watch?v=xp97IcRSYpg de Jorsgeschlee...

Curso de Treinador Monitor

Da página da internet da FNK-P, dada a sua importância, divulgamos o seguinte:

Informação Treinadores Monitores (URGENTE)

Exmos. Srs.

Solicito que a informação abaixo seja reenviada para todos formandos dos Cursos de Treinador Monitor a decorrer em Lisboa, Loulé e Vila das Aves.

Loulé:
Sáb 29/01/2011 - 09H00 – 13H00 Sáb 29/01/2011 - 15H00 – 19H00
Dom 30/01/11 - 09H00 – 13H00 Dom 30/01/11 - 15H00 – 18H00
Sáb 12/2/11 - 08H00 – 13H30
Dom 13/02/11 - 09H00 – 13H00 Dom 13/02/11 - 15H30 – 19H30

Lisboa:
Sáb 29/01/2011 - 08H30 – 13H00 Sáb 29/01/2011 - 15H00 – 20H30
Dom 30/01/11 - 08H30 – 13H00 Dom 30/01/11 - 15H00 – 18H00
Sab 12/2/11 - 09H30 - 13H00 Sáb12/2/11 - 15H00 – 19H30
Dom 13/2/11 - 08H30 – 13H30

Vila das Aves:
Dom 30/01/11
08H30 – 13H00 - Dom 30/01/11 - 15H00 – 18H00

Brevemente receberão os programas definitivos com os respectivos locais, e módulos. Esperando a compreensão e colaboração de todos perante as dificuldades existentes, pedimos desde já desculpa pelo incómodo que poderá causar a necessidade de planeamento das vidas pessoais de cada um.

Com os melhores cumprimentos,
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O Presidente da FNK-P
João Salgado

2011-01-24

domingo, 23 de janeiro de 2011

Um sábado de formação... de manhã à noite!

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-----Sob a égide da FNK-P e da FMH, desenrolou-se entem, no salão nobre desta última, a acção de formação “Karate, Escola, Empreendedorismo e Sociedade” organizada pela AKDK. A sessão de boas vindas foi apresentada pelo Presidente da FNK-P, João Salgado, assim como pelo Presidente da FMH, Prof. Dr. Carlos Neto.
-----Os cerca de cinquenta presentes, treinadores de Karaté, alguns dos quais provenientes da própria FMH, tiveram a oportunidade de ouvir palavras sobre a colaboração que deverá existir entre a Federação e as instituições de ensino superior face aos desafios da formação, declarando o Prof. Dr. Carlos Neto que a FMH se encontra na disposição de participar nesta parceria.
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-----A primeira intervenção esteve precisamente a cargo de um especialista em motricidade infantil, o Prof. Dr. Carlos Neto, e abordou uma temática sobre "A actividade motora, a criança e a Sociedade". Apresentou-nos principalmente as diferenças entre as vivências das crianças actuais e as de gerações anteriores, salientando que há um aumento de obesidade e de sedentarismo das mesmas a par de uma diminuição da sua motricidade. A superprotecção a que as crianças estão sujeitas hoje provoca nas mesmas uma ausência de risco que só beneficia o seu analfabetismo motor. Salientou ainda que "num país sem visão estratégica, o desporto ultrapassa barreiras, ultrapassa fronteiras, ultrapassa crises". E aí o treinador possui um papel fundamental, pois o treinador é um gestor do "risco"...
E, ainda nas suas palavras, o treinador terá de ter em conta que "o ensino ou se faz à martelada ou segue uma via de desenvolvimento normal, progressiva e harmoniosa. Não se fazem atletas de laboratório". O Professor Carlos Neto defendeu ainda que todos os treinadores deveriam trabalhar sempre com crianças, como ele ainda hoje continua a fazer, não se modificando a realidade por muitos livros sobre empreendedorismo que se venham a escrever. Por último, deixou-nos uma mensagem: "O que é que o Karaté dá à criança? Não é a aparência, não é o corpo, é a essência, é a ética..."
-----Uma excelente intervenção, alertando-nos para problemas muito actuais, em que o Prof. Carlos Neto foi igual a si próprio como sempre, até porque, como afirmou,"as crianças hoje sobem às árvores, mas já não descem!".
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-----Seguiram-se mais duas intervenções de peso da parte da manhã, uma pelo Dr. Joaquim Gonçalves e outra pelo Dr. Filipe Pamplona, para da parte da tarde intervir o Mestre Vilaça Pinto.
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-----O Seleccionador Nacional, dissertou sobre "A alfabetização motora e o Karaté", alertando para a necessidade de se começar a trabalhar desde cedo com as crianças de um modo correcto e com carácter lúdico, pois a modalidade possui um alfabeto motor específico. Realçou também a importância de se irem alternando as metodologias de treino e apresentou o paradigma do novo treinador, onde no ponto quatro salientava a necessidade de se "adaptar o modelo competitivo" actual nos escalões compostos por crianças e pelos mais jovens. Uma óptima intervenção da parte do Dr. Joaquim Gonçalves, ao que também já estamos habituados...

-----O Dr. Filipe Pamplona falou-nos de "Karaté, inteligência cognitivo-motora e empreendedorismo". Apresentando o Karaté como uma linguagem universal mesmo em culturas diferentes, focou a sua atenção num modelo interactivo em torno dos múltiplos agentes do Karaté e nos actores do processo de transformação, lançando a questão "como é que o Karaté vai dar resposta aos desafios lançados?". Referiu ainda o Dr. Filipe Pamplona o paradigma lutar-fugir, alertando para que do paradigma sobrevivência-competição estamos a passar para um paradigma da integração. Entrando nos domínios neuro-cognitovo-motores, da inteligência motora e da inteligência emocional, foi latente que a elevada terminologia técnica não conseguiu ser acompanhada por muitos dos presentes, como foi referenciado numa intervenção.Um único pecado a apontar foi o facto de termos ido almoçar às 14.00 horas. ..

-----Da aparte da tarde e para finalizar, o Mestre Vilaça Pinto, um histórico da modalidade, falando do "Karaté - da tradição à modernidade" fez um historial da evolução desta prática desde os seus primórdios no Japão, salientando que o Karaté deve ser virado para o praticante e não para a organização. Revelando-se contra a especialização só na kata ou só no kumite, até porque na competição "a medalha é a cenoura que damos aos nossos alunos" (embora a graduação também assim possa ser considerada - n. a.), Vilaça Pinto tentou uma conciliação que conjugasse a componente desportiva do Karaté com aquilo que denominou como "o Karaté clássico", referindo que aos treinadores cabe "a responsabilidade na herança recebida e na herança que deixamos".

-----Por último, o aguardado workshop, orientado por vários treinadores e pelo seleccionador nacional, fundamentou o que tinha sido explorado nas várias prelecções e lançou pontes para o futuro, apesar de ter terminado tardiamente.
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-----Uma acção de formação altamente positiva devido aos conhecimentos e às competências dos prelectores, onde só temos a apontar a má gestão do tempo e a ausência da atribuição do certificado aos formdores da FNK-P que se tiveram de ausentar para uma acção de formação de formadores assim como de material de apoio (embora acreditemos que se solicitado, este possa ser posto à nossa disposição numa troca de conhecimentos em rede). Pena também que se tenha falado tão pouco da Escola, como prometia o título da acção de formação e principalmente do Desporto Escolar (mas também não há tempo para tudo!).
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Formação de Treinadores de Karaté

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-----A 20 de Janeiro de 1961 (fez ontem 50 anos!) tomou posse como Presidente dos Estados Unidos da América John Fitzgereald Kennedy, que viria a ser tragicamente assassinado anos mais tarde em Dallas.
-----No seu discurso de investidura disse: “lembremo-nos de que uma atitude civilizada não é um sinal de fraqueza, que é sempre necessária uma prova de sinceridade. Não negociemos sob o império do medo. Mas não tenhamos medo de negociar. Que ambas as partes contribuam para atenuar os problemas que nos unem, em vez de agravar os problemas que nos dividem”.
-----Frase que se mantém actual para o meio da nossa modalidade, onde por vezes em vez de se construirem pontes se constroem muros...
-----Mas actuais permanecem tambám as palavras de Kennedy quando afirmou “não perguntem o que o vosso país pode fazer por vós, perguntem antes o que podem fazer pelo vosso país”, pois também o que nós deveremos fazer é perguntar o que poderemos fazer pela nossa Federação e não o que ela poderá fazer por nós. Vem isto a propósito da acção de formação que irá ter lugar amanhã na Faculdade de Motricidade Humana, organizada pela Associação de Karate Goju-Do Shi Kai e subordinada ao tema “Karate, Escola, Empreendedorismo e Sociedade”, tal como vem a propósito do Seminário de Treinadores organizado pela Kaizen Karate Portugal em 23 de Outubro do ano findo denominado “Da criança ao jovem karateka” no Pavilhão Municipal Alto do Moinho, em Corroios .
-----Curiosamente duas associações que se cindiram e cuja proveniência se encontra numa outra associação.
-----Duas associações que procuram fazer algo pela Federação e pela modalidade, pois 2010 foi o ano em que a FNK-P só promoveu uma acção de formação, em Vila das Aves e em Lagos, denominada "O Karate na alfabetização motora da criança". Também curiosamente não se organizou esta acção em Lisboa, obrigando assim os interessados da zona Centro-Sul a deslocarem-se ao norte ou ao sul do país, quando a Federação possuía pelo menos dois formadores em Lisboa com provas dadas e com competências técnicas, pedagógicas e académico-científicas para poderem ter abraçado a mesma na nossa zona (serão personas non gratas?) e ter poupado tempo e dinheiro aos formandos tendo obtido até mais uma fonte de financiamento (mais uma vez, não compreendo esta forma de gestão!).
-----Mas regressando a J. F. Kennedy, recordamo-nos também serem as seguintes palavras suas: “no passado, aqueles que loucamente procuraram o poder cavalgando no lombo de um tigre acabaram dentro dele”. Procurar o poder não é crime, desde que por meios honestos, tal como não é crime exercer esse poder com autoridade, dignidade, competência, isenção e ética.
-----Mas também como disse J. F. Kennedy, “pode-se enganar todos por pouco tempo, pode-se enganar alguns o tempo todo, mas não se pode enganar todos o tempo todo”.
-----Desenganemo-nos pois, principalmente os treinadores em busca de créditos nas acções de formação, pois se leram atentamente o programa nacional de formação de treinadores descobriram que o que conta para o currículo e para a carreira de treinador não são os créditos concedidos pela Federação, mas as horas de formação anuais ministradas por entidades credenciadas para tal e por formadores credíveis e com as competências necessárias. O que terá obrigatoriamente de levar a uma reformulação do Regulamento de Formação de Treinadores...


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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ensaio sobre o Desporto

-----Em qualquer actividade, desportiva ou não, objectivar o fim último e alcançá-lo tem pelo menos como componente a concentração – onde o silêncio se ouve ainda como mais silêncio e o vazio se torna mais vazio… Silêncio do corpo em movimento, vazio da mente, ambos contínuos, fluidos...
-----Esse fim último reside em superar as dificuldades, ultrapassar as adversidades, lutar contra si próprio e ao mesmo tempo contra os outros, contra os elementos, em suma, construir-se – opor-se, combater, cooperar, estar em harmonia… O caminho que se percorre entre a oposição e a harmonia está repleto de outras componentes: umas de índole pedagógica e psicológica, outras de carácter mais técnico e científico, algumas de carácter mais sociológico e de gestão, mas todas elas abarcando uma axiologia antropológica que permitem e resultam na realização do ser humano com vontade moral e ética a fim de não se reduzir a um instrumento desprovido de intencionalidade, submetido somente a uma lógica de arbitrário cariz etológico. E essas componentes devem permitir-nos “distinguir o «Bem» do «Mal»” para que o homem não se anule “gradualmente na prática de uma moralidade de indiferença” (1).
-----Costumamos englobar essas componentes nas noções de treino e de competição, por vezes forma clandestina da noite se abater sobre a calçada onde morrem Homens que nunca viveram…

-----O treino só terá um reflexo positivo no espelho da vida se for um «formar» e não um «amestrar». A competição e o espectáculo só serão dignificantes se se desenrolarem contra (entre) semelhantes e com oportunidades iguais (um mito do desporto!) – o homem e a natureza, o eu e o outro, o raciocínio lógico e a inteligência emocional, o confronto e a harmonia – tal como só se dignificará os mesmos se existir cooperação entre diferentes – eu e as minhas circunstâncias, como diria Ortega y Gasset. “É a diversidade que enriquece a igualdade, é a igualdade que dá o significado comum que assegura dignidade vivencial à diversidade” (2).
-----O treino e competição não foram feitos a pensar na saúde do indivíduo, mas levam a uma eficácia, transparente no espectáculo, em que são os meios que justificam os fins e não o inverso. Como se deve salientar, “o essencial não é o que foi feito do homem, mas o que ele faz daquilo que fizeram dele” (3).
-----A técnica – pensar, sentir, agir – e a táctica – em que a cooperação transforma o adversário não num inimigo mas num parceiro, em que transforma o colega numa simbiose consigo próprio – fazem com que o desporto tenha de rejeitar a guerra e o espectáculo realce o sublime e o estético.
-----Movimentar o «eu» e o corpo, deslocar ou deslocar-se em movimento – espaço e tempo, quatro dimensões –, fazer o pensamento fluir numa corrente contínua desde a percepção passando pela tomada de decisão até ao acto intencional, transcendendo-se, parecem ser integrantes destas actividades. Atingir o cume onde o mais difícil é regressar ao ponto de partida, controlar o espaço-tempo, aprender mais com a derrota que com a vitória e deslumbrar os outros numa sincronização e coordenação motora e auditivo-visual perfeitas também parecem ser integrantes do desporto.
-----O caminho é infinito…

(1) Luís de Araújo, 2010, “Ética”, Lisboa, INCM.
(2) Artur Parreira, 2010, in Prefácio, Paulo Finuras, “Humanus – Pessoas Iguais, Culturas Diferentes”, Lisboa, Ed. Sílabo.
(3) Luís de Araújo, op. cit..